• Sonuç bulunamadı

Hakkın Kullanılması

Belgede Türk Ceza Kanunu'nda iftira suçu (sayfa 114-126)

B. HUKUKA UYGUNLUK SEBEPLERİ

3. Hakkın Kullanılması

A literatura brasileira tem analisado o imbricamento do setor da construção civil com o Estado e sua relação na produção de políticas de desenvolvimento urbano (DAIN; LESSA, 1980; SZMRECSANYI; LEFEVRE, 1996; ARRETCHE, 1990; CAMPOS, 2012; CAMARGOS, 1993; IACOVINI, 2013; MARQUES, 2003; MARQUES, 2000). Parece que existe uma histórica relação entre empresas do setor da construção civil e o Estado no Brasil, podendo ser considerada quase como uma relação de simbiose, na qual as empresas dependem fortemente do Estado para garantir seus ganhos permanentes, e o Estado, por sua vez, usa o investimento em infraestruturas que necessitam e empregam este setor, de forma keynesiana, para alavancar suas políticas macroeconômicas e ao mesmo tempo garantir suas relações de poder a partir do capital político gerado com estas operações. Trata-se de um pacto selado que fundamenta o próprio desenvolvimento capitalista brasileiro, que reservou o setor da construção civil à órbita do capital nacional e fixou um patamar mínimo de lucro (DAIN; LESSA, 1980; CAMARGOS, 1993).

Para o mercado formal de produção da cidade, a relação com o aparato estatal se dá por intermédio da produção e fornecimento de bens cujo demandatário é o próprio Estado (MARQUES, 2003). Também são estabelecidas relações de ganhos e favorecimentos com a constituição de marcos jurídicos das transações econômicas realizadas neste mercado, ou ainda por meio das leis e normas estabelecidas nos distintos níveis de governo que afetam a competitividade e rentabilidade de seus produtos, da política de tributação sobre os imóveis às normas de uso e ocupação do solo, e das políticas de crédito imobiliário aos marcos regulatórios (ROLNIK, 2009).

Nessa relação, o setor empresarial tem sido constantemente protegido pela ação estatal, principalmente aqueles setores que souberam manter conexões diretas com os dirigentes públicos. Por outro lado, a indústria da construção civil também tem servido como importante mecanismo de política macroeconômica, como é precisamente o caso do PMCMV, que é analisado adiante, – uma medida anticíclica que fez com que o Brasil sentisse apenas como uma “marolinha”6 as consequências da crise mundial. Enquanto o

                                                                                                               

setor produtivo se beneficia dos novos arranjos produtivos para promoção habitacional, são gerados numerosos empregos e inúmeras unidades habitacionais que funcionam como importantes geradores de capital político para períodos eleitorais. Não é por acaso que o PMCMV foi lançado em março de 2009 – ano eleitoral em que a então ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que viria a se tornar a candidata à sucessão no cargo de Presidente da República, tenha sido evidenciada como a “mãe do Minha Casa Minha Vida”.

Segundo Campos (2012), o processo de estruturação das grandes empreiteiras brasileiras e o campo da construção pesada no Brasil foi fundado ainda no século XIX, voltado para a melhoria do escoamento da produção agroexportadora do país. Este aperfeiçoamento teria ocorrido a partir do desenvolvimento do sistema ferroviário e da remodelação dos principais portos do país, caracterizados pela presença maciça de empresas de construção e tecnologias estrangeiras. Juntamente a estas, outras empresas estrangeiras também estavam presentes na prestação de serviços urbanos, como fornecimento de energia elétrica, saneamento, bondes, etc. Nesse período, que vai do século XIX à década de 1930, eram também as principais responsáveis pela construção de barragens e usinas hidrelétricas. Assim, este foi o primeiro modelo desenvolvido da indústria da construção no país, caracterizado por obras voltadas predominantemente para reforçar o papel econômico agroexportador e dependente do Brasil, pelo estabelecimento de uma tímida infraestrutura urbano-industrial e pela presença maciça de empresas estrangeiras, as quais eram tanto as principais demandantes das obras de engenharia quanto suas executoras.

Este modelo seria modificado a partir das transformações decorrentes da mudança do papel do Estado, ocorridas a partir de 1930 (SZMRECSANYI; LEFEVRE, 1996). Neste momento, além de passar a intervir mais fortemente na economia, o Estado, em consequência do forte abalo sofrido pela economia agroexportadora com a crise de 1929, passou a criar medidas que favorecessem a expansão da indústria no país. Criam-se, então, políticas voltadas à promoção da industrialização, algumas delas favorecendo o papel da indústria da construção, por meio da criação de agências estatais para viabilizá-las. Este incentivo atingiu setores considerados essenciais para a formação do mercado de obras nacional, tendo sido um momento de grande impulso da indústria siderúrgica e da produção de cimento no país.

Outra importante iniciativa estatal para o desenvolvimento posterior do setor refere-se ao

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                         

para dar segurança aos investidores e garantir que suas medidas anticíclicas estivessem corretas, declarou que a quebra do Wall Street em 2008 poderia ter sido um tsunami para os Estados Unidos, mas no Brasil ela ainda estava mais para uma “marolinha” (PERRY, 2011).

campo da produção habitacional (CAMPOS, 2012). A partir da década de 1930, o Estado brasileiro inicia uma ação voltada a apoiar a produção habitacional, atrelada, primeiramente, à implantação dos Institutos de Aposentadoria e Pensões (IAP’s). Dentro da sua constituição e ação, a produção habitacional pelos IAP’s tinha uma dupla finalidade definida, tanto aparecendo ligada à ideia da seguridade social plena de seus beneficiários quanto como instrumento de capitalização de recursos investidos na previdência (BONDUKI, 1994, 2014).

Entretanto, é evidente que a produção habitacional voltada para o mercado, tal como se constituiu neste momento, supõe a emergência da indústria da construção civil e da figura do promotor imobiliário, que somente aparece neste momento no Brasil. Este setor consolidou-se no país no quadro do “boom” imobiliário que surge no período posterior em consequência do fomento estatal iniciado nesta década.

A interferência estatal no processo de produção habitacional se dava por meio de atividades do tipo regulatórias, com legislações que definiam as condições de acesso ao crédito e das transações no mercado fundiário. Os fundos dos IAP’s se constituíam, naquele momento, em uma das principais fontes nacionais de financiamento da atividade produtiva, e o governo federal era responsável por sua regulação e pela normatização da distribuição e destinação de seus recursos. A legislação criada determinou que os IAP’s deveriam ter departamentos habitacionais, e definiu, inclusive, os programas mediante os quais aplicariam os recursos. (ARRETCHE, 1990; BONDUKI, 1994). Deste modo, o Estado teve importância fundamental no processo inicial de consolidação da indústria da construção civil no Brasil, ao direcionar uma parcela da poupança nacional para o segmento da construção habitacional (ARRETCHE, 1990).

No entanto, até 1946 o Estado não participou diretamente do processo de produção habitacional, limitando-se a regulamentar as relações entre fornecedores de crédito e agentes privados (promotores privados e beneficiários dos empréstimos hipotecários). A criação da Fundação da Casa Popular (FCP), naquele ano, inaugurou a adoção de atividades estatais do tipo produtivo na área habitacional. Este órgão federal foi concebido como um órgão que centralizaria as diretrizes da política urbana e o equacionamento da problemática habitacional. Já foi criado sob a ideologia do fornecimento da casa própria para a população de baixa renda, e assim deveria produzir unidades habitacionais de forma direta (o que pressupunha a promoção e edificação) ou associada (com empresas privadas contratadas para a execução da edificação) (ARRETCHE, 1990).

produzidas no âmbito da FCP, gerando importante capital político para os gestores estatais (AZEVEDO; ANDRADE, 1981; MELO, 1987). A atuação desse órgão, embora representasse um avanço institucional na área, teve reduzida expressão em função de ter sido fortemente combatida por diversos setores da sociedade. Entre estes setores destacaram-se, inclusive, integrantes da indústria da construção que eram avidamente contrários à proposta da FCP. Tal fato se deu devido à centralização de recursos proposta para a realização das ações desenhadas para a Fundação que poderia reduzir os recursos disponíveis na época para o financiamento da produção privada imobiliária e mesmo aqueles destinados aos grandes projetos, dos quais também se beneficiariam as empresas (BONDUKI, 1994).

Seja como for, a constituição, pela primeira vez, de uma ação estatal de provisão habitacional foi importante para a origem de algumas empresas que, no futuro, viriam a compor o grupo das grandes empreiteiras nacionais. Segundo a recomposição da trajetória de grandes empreiteiras brasileiras feitas por Campos (2012), esse teria sido o caso, principalmente do grupo de empresas provenientes do Rio de Janeiro.

A constituição ou remodelação de outros setores estatais também foram importantes para o impulso inicial da estruturação das empreiteiras brasileiras (CAMPOS, 2012), como o setor de obras de saneamento, assim como no setor da siderurgia e a energia nuclear já no regime militar, e o maior responsável pelo avanço das empreiteiras brasileiras que foi o setor da construção rodoviária

.

7

A segunda metade da década de 1950, com a presença de Juscelino Kubitscheck (JK) na Presidência da República, é um momento ímpar nessa trajetória. Se anteriormente já vinham sendo lançadas as bases de um modelo de articulação funcional entre empreiteiras e Estado através de mecanismos institucionais, financeiros, econômicos e políticos, é a partir do governo JK que este modelo se aperfeiçoa, consolidando-se a engenharia pesada brasileira, baseada em grandes empreiteiras (CAMPOS, 2012; CAMARGOS, 1993; IACOVINI, 2013). Apesar do setor habitacional estar arrefecido neste período com grave crise patrimonial dos IAP’s, não pode-se deixar de considerar a importância deste momento para a consolidação de um modelo de relacionamento entre o Estado e o setor produtivo da construção civil.

Primeiramente é importante considerar a concretização do ambicioso Plano de Metas de

                                                                                                               

7

Juscelino, que previa a intervenção estatal planejada em diversos setores da economia e a realização de vultosos investimentos com significativa importância para a indústria da construção pesada. Tal fato representou um considerável impacto sobre a trajetória das empreiteiras brasileiras, levando em consideração que é a partir de então que o Estado sai definitivamente do papel de executor direto de obras e assume exclusivamente a postura de contratante, delimitando claramente a divisão de funções Estado-contratante e empresas- contratadas. Esta nova divisão de papéis representava, na realidade, uma transferência sem precedentes de capitais públicos para a iniciativa privada por meio de um número enorme de contratos com empreiteiras (IACOVINI, 2013).

No período seguinte, Camargos (1993, p.84) identifica a existência de “práticas singulares de favorecimento do Estado às empreiteiras”, as quais estariam ligadas ao enfrentamento da inflação do período e à tentativa de evitar defasagens nos preços definidos nos contratos. A partir de então, segundo Camargos (1993) e Iacovini (2013), estaria consolidado o modelo de articulação funcional entre Estado e empreiteiras no país. Neste modelo, o Estado atua no sentido de garantir minimamente a existência de um mercado de obras públicas, cujo controle é exercido por ele próprio a partir de mecanismos econômicos, legais, institucionais e políticos. Tal mercado caracteriza-se por estar reservado quase que exclusivamente às empreiteiras nacionais e por ser altamente hierarquizado. Às empreiteiras cabe, além de servirem de instrumentos para a implementação de políticas macroeconômicas desenhadas pelo Estado, apoiar a manutenção do jogo político-eleitoral mediante doações de campanha, por exemplo.

A constituição desse modelo teria, em síntese, passado por três períodos característicos, segundo Campos (2012). No primeiro, que iria do final do século XIX até aproximadamente a década de 1930, as principais obras de engenharia no país seriam contratadas e executadas por empresas privadas estrangeiras, principalmente aquelas relativas a ferrovias, energia, portos e serviços urbanos. No segundo período, situado entre a década de 1930 até meados da década de 1950, no qual o setor habitacional já estava incluído no modelo, o Estado passa a ser o principal demandante e executor de obras públicas, ao mesmo tempo em que subsidiava a formação das empreiteiras brasileiras. Para isso, naquele momento já tinha iniciado a constituição de instrumentos jurídicos e institucionais que, posteriormente, seriam fundamentais para a estruturação do mercado de obras públicas.

No terceiro período, a partir da segunda metade da década de 1950 em diante, o modelo já estava sedimentado, tendo o Estado assumido o papel de principal demandante no mercado

de obras públicas e se isentado do papel de executor, separando a atividade estatal- contratante da privada-contratada. Contudo, no caso do setor habitacional, como é apresentado adiante, este terceiro momento ainda se caracteriza por um modelo híbrido, no qual em parte o Estado é contratante, mas por outro lado ainda tem o papel de executor, mesmo que este segundo papel tenha, na realidade, representado apenas uma pequena parcela das operações de promoção habitacional. Somente a partir da década de 1980 é que o modelo do Estado-contratante, no setor habitacional, se consolida definitivamente e o modelo de execução direta praticamente deixa de existir.

Belgede Türk Ceza Kanunu'nda iftira suçu (sayfa 114-126)