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İdari Yargı Denetimi

D. Kanun Yolları

3. İdari Yargı Denetimi

Uma perspectiva que nos guia nessa pesquisa é a de que o conhecimento para ser objetivo não precisa ser, necessariamente, construído a partir da radical separação entre sujeito conhecedor e objeto a ser conhecido, postura esta pressuposta no paradigma científico

dominante. O mito da neutralidade do pesquisador é, assim, questionado e o conhecimento

deixa de ser algo a ser coletado – na perspectiva de coleta de dados –, e passa a ser compreendido como construído na interação entre pesquisador e atores de pesquisa. No Capítulo 4 deste trabalho iremos fazer conexões entre as informações coletadas das páginas da

internet das instituições, que serviram de base para a caracterização das instituições, e o conhecimento produzido por meio dos seguintes procedimentos metodológicos: observação participante em reuniões e grupos de discussão realizados com representantes das instituições que desenvolvem os programas de aprendizagem na RM de BH, e com jovens que participam destes programas. Neste sentido, pretendemos apresentar neste momento como que por meio da pesquisa-intervenção o modo de investigar esteve entrelaçado ao o que estava sendo investigado (Castro & Besset, 2008).

Os grandes questionamentos epistemológicos ao modelo positivista das ciências naturais que colonizava as ciências humanas e sociais são datados das décadas de 60/7014. Porém, quando abordamos o tema da pesquisa-intervenção é preciso reconhecer as contribuições inauguradas na década de 1930 pelos trabalhos de Kurt Lewin na problematização da dicotomia sujeito – objeto de estudo. Rocha (2003) examina a importância de suas pesquisas realizadas no contexto da pesquisa-ação e das dinâmicas grupais para desestabilização do mito da objetividade, ao levar em conta que a implicação do pesquisador no campo por si só modifica o objeto em estudo. Mesmo que pautados em um paradigma funcionalista e reformista, segundo a autora, os trabalhos desse autor permitiram que sujeito e objeto de conhecimento se aproximassem no campo de ação, constituindo uma nova forma de vinculação diferente daquelas apregoadas pelos modelos positivistas que influenciavam as intervenções no campo social. Os acontecimentos contingenciais e históricos passam, então, a ser levados em consideração em uma abordagem interacionista na relação entre pesquisadores e pesquisados, ambos se influenciando e sendo modificados ao longo do processo, a partir da utilização de metodologias qualitativas que permitem a análise de microprocessos e o estudo acerca das ações de indivíduos ou dos grupos dos quais o próprio pesquisador faz parte (Martins, 2004). Torna-se possível, deste modo, a) entender os fenômenos segundo a perspectiva dos participantes da situação estudada, b) traduzir e expressar o sentido dos componentes de um sistema complexo de significados, c) estabelecer uma relação de maior proximidade e interatividade entre pesquisador/pesquisado, d) ser flexível na escolha de métodos que mais se adéquam à realidade que se busca compreender, e) incluir o pesquisado como co-autor na produção do conhecimento. Assim, a pesquisa- intervenção torna-se uma possibilidade de acompanhar os sujeitos nas ações de construir e desconstruir concepções relacionadas às suas inserções no mundo. O uso desta metodologia

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Pode-se afirmar que neste período as críticas foram mais intensas e deram origem a um novo referencial epistemológico, e também ético e político, para as ciências humanas, sobretudo alavancado pelos questionamentos dos lingüistas, das feministas e dos estudiosos do terceiro mundo.

de pesquisa dentro do quadro de referência da psicologia social chama a atenção para as dimensões ética e política15 que passaram a fazer parte de suas preocupações no contexto da sua crise.

A psicologia social brasileira passou a viver esse momento de crise a partir da década de 1970, dando origem à novas perspectivas teóricas e metodológicas no seu fazer científico. Segundo Sandoval (2000), é no mundo subdesenvolvido que esta nova psicologia social vai encontrar seu celeiro para uma verdadeira investigação científica e envolvimento social, rompendo-se com a importação de uma psicologia burguesa e de pensamento colonial, criando, portanto, abordagens próprias e mais adequadas à realidade social brasileira. Ganham importância neste novo contexto, portanto, as metodologias baseadas em modelos interacionaistas, como a pesquisa-participante, a pesquisa-intervenção e a pesquisa-ação. Sem entrar em suas diferenciações, nos interessa neste momento entendê-las como processos coletivos de construção do conhecimento e de produção de mudanças (Mayorga & Nascimento, 2009) que desmitificam a pretensa neutralidade e objetividade do pesquisador, trazendo para debate as questões éticas e políticas da intervenção realizada. Passam a fazer parte, portanto, dessas metodologias de participação e ação na construção do conhecimento as questões da reflexividade e da análise da implicação no trabalho produzido em conjunto. Dizer-se neutro e defender a objetividade positivista no contato com os atores de pesquisa pode acabar produzindo modos de sujeição, como indica Portugal (2008), por meio do ocultamento das relações de poder que perpassam o contato entre pesquisador e atores. Neste sentido, a questão da reflexividade,

analisar as formas como o conhecimento tem sido produzido, a dinâmica acadêmico-institucional, que marca as condições de produção do conhecimento, lógicas e critérios que autorizam e reconhecem a fala de alguns e não de outros, no sentido de retirar também do âmbito da neutralidade o princípio da democracia. (Mayorga, Ziller, Magalhães & Silva, 2010. pp. 156)

e da análise da implicação, “uma análise do sistema de lugares ocupados ou que se busca ocupar ou ainda do que lhe é designado, pelo coletivo, a ocupar e os riscos decorrentes dos caminhos em construção” (Rocha, 2003, p.72), quando inseridas no rol de preocupações do

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Montero (2004) aponta a emergência de dois campos de preocupação instaurados pela psicologia comunitária latino-americana diante dos fenômenos sociais estudados nesse contexto social. Às dimensões epistemológicas (a natureza do conhecimento produzido), ontológica (a natureza do sujeito que produz o conhecimento) e metodológica (o relacionamento entre “sujeito” e “objeto” na produção do conhecimento), a autora acrescenta como foco de preocupação os campos ético (a propriedade do conhecimento produzido) e político (os efeitos da produção do conhecimento na vida sujeitos envolvidos na pesquisa).

fazer científico crítico permitem ao pesquisador pensar o seu lugar na produção desse conhecimento, e quais as suas implicações ao se ocupar um determinado lugar nas relações de poder nos rumos da pesquisa.

A escolha da pesquisa-intervenção como orientação metodológica se faz dentro do quadro de referência da psicologia social, colocando como possibilidade a construção do conhecimento pactuada à mudança/transformação na vida dos atores de pesquisa envolvidos, sejam eles os “sujeitos pesquisados” ou o pesquisador. A neutralidade do pesquisador é aqui contestada – porque perguntar já é intervir, e a objetividade precisa ser localizada, ou seja, um saber localizado que pontue por quem o conhecimento está sendo construído e qual a dinâmica de interação entre os atores envolvidos16. Outro ponto que orienta essa escolha é o interesse em produzir conhecimento com os jovens e não sobre eles (Castro & Besset, 2008), levando-se em conta as relações assimétricas entre o pesquisador e os jovens em todo o processo, ao invés de simplesmente negá-las. A crítica realizada no Capítulo 1 às concepções de desconhecimento e imaturidade recorrentemente associadas aos jovens nos conduz ao interesse de querer produzir conhecimento a partir de um contato interativo com eles, como aponta ser necessário Castro (2008), na articulação entre teoria – quem é o jovem – e metodologia – como pesquisar com ele. Neste sentido, se criticamos no primeiro capítulo a produção de uma opressão geracional à qual estão submetidos os jovens e uma subordinação do ponto de vista do reconhecimento social para os jovens pobres, a pesquisa-intervenção se configurou para nós como um espaço de romper com a produção das ausências e de reconhecer como visível o que é visto como invisível, reconhecendo naquele visto como subalterno um indivíduo vocal (Spivak, 2010). Como defende a autora indiana, deixar o subalterno falar por si mesmo e não proceder a falaciosa representação pelo intelectual daquilo que ele julga ser os interesses e demandas dos grupos socialmente excluídos dos espaços de fala na sociedade é um compromisso que deve ser assumido pelos intelectuais comprometidos, especialmente, com a desconstrução desse lugar de superioridade dado ao pesquisador no projeto de dominação epistêmica produzido no ocidente. Este é o compromisso, portanto, que assumimos com esta pesquisa, reconhecer como válidas as experiências vividas pelos jovens que participam da nossa pesquisa.

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Esse saber localizado (Haraway, 1995) leva em consideração: 1) a construção social do conhecimento, entendendo o sujeito de pesquisa como ator e agente; 2) a relação de proximidade entre pesquisador/ator baseada na simpatia, confiança, afeto, amizade; 3) a tradução de conhecimentos entre realidades diferentes; 4) a responsabilização pela co-produção do conhecimento; 5) a desconstrução de eixos de dominação por meio da crítica às hegemonias; e 6) o reconhecimento da parcialidade na visão de qualquer realidade.

Enfim, como indica Portugal (2008), a pesquisa-intervenção é “uma opção política diante das formas de dominação em que há a participação de práticas acadêmicas” (p. 18). Seja na participação das reuniões com os representantes das instituições de aprendizagem profissional, seja nos grupos de discussão realizados com esses representantes ou mesmo com os jovens, a pesquisa-participação não representou um somatório de pesquisa + intervenção, mas momentos: em que os roteiros previamente definidos foram reconfigurados diante do imprevisível que é o contato com o outro; em que foram criados espaços para a troca e o compartilhamento de experiências; em que a palavra se transformou em ação; em que novos sentidos e significados individuais foram produzidos a partir da experiência coletiva; em que outros modos de existência foram afirmados; em que o confronto entre subjetividades e modos de ver o mundo produziu o inédito, o diferente e o contraditório. Muito mais do que coletar informações, a pesquisa-intervenção permitiu produzir conhecimento durante a participação nas reuniões e na realização dos grupos de discussão. Esta metodologia possibilitou (re)construir concepções sobre a sociedade e sobre o mundo que habitamos, vindo a mobilizar subjetivamente os sujeitos envolvidos nas tarefas de debater e discutir sobre vários assuntos, que podem talvez contribuir para um horizonte político de transformação da nossa sociedade.