• Sonuç bulunamadı

D. Kanun Yolları

XIII- AFİŞ ASMA

A Árvore dos Sonhos, realizada no mês de março de 2014, foi uma atividade importante por aproximar a pesquisadora dos participantes da pesquisa. Para iniciarmos a atividade, apresentei alguns produtos da pesquisa anterior como publicações impressas e a experiência de apresentações em Congressos. Considerei ainda que, dentre as técnicas de pesquisa adotadas nesta investigação, essa se destaca por possibilitar a exposição coletiva de temas referentes aos sonhos/projetos que os jovens-adolescentes possuem para a Comunidade de Barro Preto; sonhos/projetos pessoais e discussão a respeito daquilo que consideram mais importante (gostam) e aquilo que consideram limites (não gostam) na comunidade, todos inicialmente surgem do ponto de vista pessoal.

A técnica „árvore dos sonhos‟, também chamada de oficina de futuro tem sido associada a

atividades de levantamento de problemas socioambientais, bem como de visibilidade de sonhos e expectativas de um determinado grupo face ao seu lugar de vivência (FOTO 1). Pode ser compreendida no rol de metodologias de pesquisa-ação ao propor o desenvolvimento de uma pesquisa com plano de ação. Entretanto, por não ser o foco deste estudo, optei por utilizar apenas parte da atividade14 e com adaptações.

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A atividade compõe quatro momentos distintos com perguntas objetivas: 1) A árvore dos sonhos – “Como gostaríamos que este lugar fosse?” que são escritos em cartelas, onde serão agrupados por similaridade e entendidos como os objetivos de um projeto. Posteriormente outros três momentos; 2) Muro das lamentações, onde a questão a ser respondida é: “o que nos incomoda no nosso pedaço?” 3) História do Pedaço, onde os

Foto 1: Árvore dos sonhos

Fonte: autoria própria.

A dinâmica Árvore dos sonhos consiste em desenhar uma árvore como colocado na foto 1 e, a partir de perguntas objetivas, insere-se as figuras (folhas amarelas, frutas vermelhas, tarjeta marrom e tarjeta vermelha). As figuras e suas cores foram decididas pelo grupo. Abaixo seguem os comandos que os orientaram:

A. Escreva qual o seu sonho (colocados em folhas amarelas);

Observei que o grupo utilizou sempre mais de uma figura para colocação das informações e, em geral, discutiam entre si, em voz baixa, sobre as respostas, entendendo que se tratava de uma atividade individual.

B. Escreva qual o seu sonho para Barro Preto (colocados em frutas vermelhas);

Essa proposta foi a que gerou maior tempo de discussão. O grupo enquanto escrevia as respostas indicava que há sonhos que são deles e sonhos que são de Barro Preto. Tal diferenciação foi levada em consideração e pudemos discutir as respostas em grupo.

Nesta parte da atividade (A e B), conseguimos fazer um levantamento dos projetos coletivos e individuais do grupo; entendendo o sonho como primeira fase de um projeto (ALVES, 2013) e a possibilidade de se verbalizar publicamente sem a necessidade de criar algo sistematizado, caso pedíssemos para que se escrevesse um projeto de vida. Posteriormente cada sonho/projeto seria, meses depois, inserido na atividade individual de entrevista focal, para ser ratificado, retificado ou descartado por seu responsável, entendendo aqui a dimensão do tempo enquanto elemento importante na construção de projetos.

participantes são convidados a recuperar a memória do local, relatando as experiências já vivenciadas e as transformações delas provenientes; e por fim, 4) Plano de Ação, que consiste na formulação de um plano a partir dos resultados das discussões anteriores.

C. Escreva com uma palavra o que você mais gosta em Barro Preto (tarjeta marrom); O orgulho explícito pela comunidade foi representado pelas palavras: liberdade, união, cultura, cachoeira e ateliê. As duas primeiras foram consideradas na discussão enquanto a segurança de morar numa comunidade onde todos se conhecem e se ajudam mutuamente. Ateliê e cachoeira enquanto importantes marcadores do local, com valor sentimental para o

grupo e atrativos turísticos para “os de fora”. Contudo, o autor da palavra cultura teve a difícil

tarefa de explicar a sua escolha. Diante da timidez, optou por nos apresentar outra palavra para explicar a primeira: os afrodescendentes. O participante resumiu o que Geertz (1926)

colocou em “A interpretação das Culturas”, sem os homens certamente não haveria cultura,

mas de forma semelhante e muito significativamente, sem cultura não haveria homens.

D. Escreva com uma palavra o que vocês menos gostam em Barro Preto (tarjeta vermelha);

Essa proposta dentro da atividade Árvore dos Sonhos é conhecida como o “Muro das Lamentações”, em que a resposta é justamente apontar aquilo que incomoda no indivíduo a

respeito de sua comunidade. Ao longo deste estudo, as respostas a essa atividade serão consideradas enquanto projetos de recusa (ALVES, 2013), ou seja, aquilo que os jovens- adolescentes não desejam para si, assim como para sua comunidade.

Para finalização dessa técnica, caberia ainda um Plano de Ação. Entretanto, inseri a possibilidade dos participantes sugerirem uma posição mais ativa dentro do processo de pesquisa. Duas opções foram colocadas pelo grupo após explicação do que seria um Plano de Ação: a confecção de um material por eles produzido, orientado pela autora desta dissertação e/ou uma apresentação cultural em Belo Horizonte a partir de um convite institucional. O primeiro não foi possível devido às dificuldades de comunicação na Comunidade de Barro Preto. Esta possui apenas um telefone público e a cogitada possibilidade de diálogo pelas redes sociais foi limitada a duas integrantes que conseguiram criar perfis. Já a atividade de apresentação cultural foi realizada em novembro/2014, quatro integrantes do grupo e outros

quatro da comunidade vieram a Belo Horizonte (MG) a convite da Escola de Aplicação - Centro Pedagógico da UFMG15.

Dessa forma, a técnica se tornou uma proveitosa experiência por facilitar a discussão inicial junto com os jovens-adolescentes participantes desta pesquisa, fortalecendo laços e intenções entre participantes da investigação e a pesquisadora.