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Belirli Bir Sürenin Geçmes

É a partir deste contexto amplo de discussões em torno do trabalho no mundo contemporâneo, como apresentado anteriormente, que queremos agora discutir alguns temas que consideramos relevantes nos debates sobre juventude e trabalho, os quais podem ser expressos através das seguintes perguntas: o que as pesquisas têm apontado em relação aos significados atribuídos pelos jovens ao trabalho? É verdade ou mito que a inserção no mercado de trabalho traz como consequência a saída do jovem da escola? Tem sido a educação pública um caminho possível para a inserção do jovem no mercado de trabalho? E como este tem se apresentado aos jovens e influenciado a criação de políticas públicas juvenis de trabalho?

É comum encontrar em vários estudos que relacionam as temáticas juventude e trabalho duas obviedades: o fato de que jovens e crianças no Brasil trabalham e a de que os jovens são os mais atingidos pelo problema do desemprego. Contudo, poucos são os autores que têm buscado refletir sobre possíveis determinantes que levam crianças e jovens ao mercado de trabalho, muitas vezes se submetendo a condições precárias e degradantes de trabalho. Partir dessa obviedade pode, no nosso entendimento, contribuir para tornar invisível o fato de que as parcelas mais pobres desses dois grupos de indivíduos possam estar sendo empurradas para o mercado de trabalho. Para não reforçar tais obviedades e evitar possíveis naturalizações iremos apresentar, deste modo, possíveis determinantes da relação entre juventude e trabalho.

A partir da leitura dos trabalhos de um grupo de autores (Alves-Mazzotti, 2002; Cacciamali & Braga, 2002; Madeira, 2004; Madeira & Rodrigues, 1998; Oliveira, Fischer, Teixeira, Sá & Gomes, 2010) foi possível identificar interpretações sobre possíveis determinantes nessa relação: o incremento populacional de jovens vivenciado desde a década de 1990, que alterou a demanda juvenil por educação e trabalho; a importância do trabalho como valor cultural na nossa sociedade; o papel da família na transmissão das ideologias do trabalho; a relevância do nível de escolaridade dos pais na decisão de inserir o jovem no mercado de trabalho; a incapacidade do sistema público de manter o aluno na escola; o desejo do próprio jovem por autonomia, independência financeira, crescimento pessoal e satisfação dos seus interesses de consumo; a relação entre necessidade de apoio financeiro e nível de pobreza da família; e do ponto de vista da atração do mercado de trabalho: o menor custo da força de trabalho do jovem e a destreza desta força de trabalho. Um determinante bastante

questionado, especialmente por Cacciamali e Braga (2002), refere-se às afirmações de que a entrada do jovem no mercado de trabalho é dependente do nível de pobreza da sua família. As autoras, ao contrário disso, defendem que a entrada das crianças no mercado de trabalho é mais sensível aos recursos financeiros da unidade doméstica do que no caso dos jovens, sendo possível observar para estes uma relação de maior independência. Para elas, o principal determinante dessa relação é a falta de acesso aos serviços públicos de educação.

A compreensão dessas interpretações sobre os possíveis determinantes na relação juventude e trabalho nos permite, portanto, recusar como óbvia e linear tal relação. Vimos que se encontram envolvidos nesta dinâmica elementos de ordem demográfica, social, individual e de atração do próprio mercado de trabalho. Se tomarmos como principal determinante um modelo de educação precária que não consegue manter o aluno na escola, ao não oferecer-lhe perspectivas de desenvolvimento e de mobilidade social e que o empurra para o mercado de trabalho - lugar em que ele vai buscar estas possibilidades, podemos afirmar, sem reservas, que a grande parcela da juventude que encontra-se inserida no mercado de trabalho, até a “idade esperada” para a conclusão do ensino médio, é a juventude de classe popular. Como vimos anteriormente, os jovens pertencentes às famílias mais ricas só passam a fazer parte do mercado de trabalho, de modo expressivo, a partir dos 18 anos de idade, momento em que certamente terminaram a conclusão do ensino médio e estão se encaminhando para outros níveis de ensino. O que veremos a seguir é que as intervenções públicas em relação à profissionalização juvenil ao longo dos séculos no Brasil estiveram voltadas, sobretudo, para os jovens pobres, sem propor em seus objetivos o resgate da dívida social, considerando, ao contrário disso, o trabalho como uma ferramenta moral contra uma suposta marginalidade.

Em relação aos significados que os jovens brasileiros têm atribuído ao trabalho, Guimarães (2005) aponta que ele é um tema relevante para todas as faixas de renda, sendo que sua relevância diminui para as classes mais altas. Os jovens pesquisados indicaram que a centralidade do trabalho não se encontra em sua dimensão ética, mas em sua emergência como um problema: uma demanda a satisfazer, e menos um valor a ser cultivado. O trabalho se destacou pela sua ausência, pelo não-trabalho, pelo desemprego. Em relação aos significados, o trabalho assume a importância para os jovens pesquisados primeiro como uma necessidade (que pode retirar o jovem da situação de desemprego), depois como valor (o valor ético do trabalho), e direito (dentro do conjunto dos direitos sociais). Esta construção dos significados, como aponta Alves-Mazzotti (2002), é um produto de vários fatores inter- relacionados

A representação que o jovem constrói sobre seu próprio trabalho é, portanto, fortemente associada à natureza da atividade e à representação que ele tem sobre sua família. Mais especificamente, a representação que ele constrói sobre o trabalho que exerce no momento, e futuramente sobre o trabalho em geral, é produto de vários fatores inter-relacionados, entre os quais se destacam a maneira como se dá a sua inserção no mundo do trabalho, o destino dos ganhos obtidos e as condições em que exerce suas atividades, os quais, por sua vez, são determinados pela dinâmica das relações na família e sua ideologia com relação ao trabalho. (p. 94)

Como pode ser observado, a autora enfatiza bastante a influência da família nesse processo de construção dos significados do trabalho pelos jovens. Segundo ela, as famílias podem representar o trabalho dos jovens como uma forma de ocupação do tempo ocioso dos filhos, uma ajuda à família, uma forma de socialização que complementa a escola, e como proteção e preparação para o futuro. Como analisamos no tópico anterior, essa construção dos significados sobre o trabalho pelos jovens se processa na relação entre mundo externo e mundo interno, entre questões pessoais e questões sociais que envolvem seus cotidianos. Será, portanto, dentro desse quadro de referência que iremos analisar os significados produzidos pelos jovens que participaram da nossa pesquisa, levando em consideração o contexto econômico, social e cultural-moral que envolve a produção de suas experiências e a construção de outras biografias.

O segundo tema que queremos discutir neste tópico é o que trata das relações entre juventude, escola, família e trabalho. É muito comum ouvirmos dizer que o jovem não aproveita as oportunidades de formação escolar e, por isso, não consegue trabalho. Que quando ele começa a trabalhar o seu futuro será o de abandonar os estudos. Está no dia-a-dia das pessoas a noção de que depois de uma rotina de trabalho durante o dia o jovem não tem energia, concentração e interesse suficiente para encarar uma jornada escolar. Além da mais perversa de todas as afirmações: as famílias pobres não valorizam o estudo, por isso encaminham seus filhos para o mercado de trabalho. Neste sentido, procuramos nos estudos sobre juventude alguns encaminhamentos em relação a estas afirmações. Para melhor guiar nossa discussão queremos desenvolver três contra-argumentos: a escola pública falhou e tem falhado em seu papel de preparar o jovem para o mercado de trabalho, o abandono da escola pode ser um fenômeno que acontece antes da entrada do jovem no mercado de trabalho, e a educação é investida de muita valorização, também, pelas famílias pobres brasileiras.

O desenvolvimento da educação básica no Brasil levou à produção de uma dualidade de modalidades de ensino ainda hoje vivenciada por muitos estudantes: uma modalidade voltada para formação técnica/profissional e uma modalidade voltada para a inserção na educação superior (G. Souza, 2003). Este autor faz uma análise das legislações que regularam as políticas públicas em matéria de educação no Brasil a partir do século XIX. O ensino

profissionalizante solidifica-se no nosso país, mesmo sendo considerado de segunda categoria, a partir da década de 1940, enquanto uma modalidade de ensino distinta da formação propedêutica. Nas décadas de 1950 e 1960 a legislação educacional sofreu modificações e o ensino profissional foi equiparado ao ensino propedêutico para fins de continuidade dos estudos na educação superior. Na década de 1970 o autor apresenta a reformulação da legislação anterior, levando à generalização do ensino profissional no ensino médio, ou seja, a partir de 1971 a educação profissional deixou de ser ministrada apenas pelas instituições especializadas para ser comum a todas as escolas de ensino médio. Isso levou, segundo o autor, a um quadro de diferenciação: enquanto nas escolas especializadas o ensino profissionalizante não sofreu alteração em sua qualidade, nas demais escolas foi criada uma falsa imagem de ensino profissionalizante. Na década de 1980 outra mudança na legislação coloca a profissionalização como modalidade de ensino facultativo para as escolas de ensino médio. O resultado foi que a maioria das escolas não especializadas eliminou por completo os conteúdos de formação profissional de suas grades curriculares. Por fim, a LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996 aponta que uma das funções do ensino médio seria a de oferecer a todos os alunos preparação básica para o trabalho.

Relatar todo este histórico de desenvolvimento da educação básica no Brasil tem como objetivo apontar a dicotomia entre uma formação técnica/profissional realizada em escolas especializadas e uma formação acadêmica/propedêutica nas demais escolas. É neste sentido que podemos afirmar que a escola pública não tem cumprido uma de suas funções, que é a de preparar seus alunos para a entrada no mundo do trabalho e a construção de uma carreira profissional. O ensino médio perdeu seu caráter profissionalizante e tornou-se uma preparação mais geral para a vida civil (Madeira, 2004). Estamos diante, deste modo, de um quadro de profunda inadequação da educação em relação a demandas e exigências referentes ao mundo do trabalho, ao mesmo tempo em que vivenciamos um aumento considerável no nível de escolarização dos brasileiros. Ou seja, os jovens estão mais escolarizados, mas isso não tem representado garantias de inserção profissional. Para tornar esse quadro mais grave, G. Souza (2003) aponta que o ensino profissionalizante público hoje está a cargo de instituições técnicas e agrotécnicas de alto nível de excelência acadêmica, ficando os jovens de famílias pobres impedidos de ter acesso a este ensino. Segundo ele, o público dessas instituições tem usado dessa excelência acadêmica não para encaminhar-se para o mercado de trabalho ao final da sua formação profissional, mas sim para o ensino superior. Isso configura o que o autor chama de desvio de função dos seus egressos. Às parcelas mais pobres da população restou, portanto, o ensino público que não prepara para o mundo do trabalho.

Se não bastasse à educação básica as dualidades como formação acadêmica x formação profissional, ensino público x ensino privado, escola para pobres x escola para ricos, ela tem sido desenvolvida de modo precário no sistema público educacional. A precariedade na oferta e a má qualidade do ensino podem ser consideradas, sem reservas, a principal causa do fracasso escolar dos alunos na escola pública; ao contrário da pobreza e da influência da família de origem pobre (Patto, 1992). Estamos falando de um sistema de ensino marcado por altas taxas de repetência, por evasão e abandono, por uma desilusão de mobilidade social via sistema educacional, e por uma enorme inadequação entre série e idade dos alunos. Sendo a escola pública voltada, em grande medida, para os pobres, a causa de todo este quadro nefasto de fracasso escolar, ora foi atribuído à família do aluno, ora à perversidade do nosso sistema sociopolítico (Madeira & Rodrigues, 1998). O que diversos autores apontam, como Patto (1992) e Mayorga et al. (2010), é que o fracasso escolar se processa no interior da organização escolar, ou seja, ele é gerido internamente no sistema educativo. Contudo, não podemos afirmar que exista uma má fé dos profissionais que atuam nas escolas, pois eles também são vítimas de um mesmo processo que envolve: falta de investimentos financeiros na educação, má formação dos professores e profissionais da educação, excesso de trabalho e realização de jornadas duplas e triplas, baixos salários para os profissionais, falta de condições físicas e estruturais para o desenvolvimento das funções, repetição das tarefas e perda de sentido no trabalho, burocratização e falta de autonomia na realização das atividades, exposição a situações de violência e desgaste psicológico, etc. O produto de toda essa dinâmica complexa que envolve a organização escolar produz um desinteresse da escola pelo aluno e, em decorrência disso, o desinteresse do aluno pela escola. O aluno, neste sentido, não evade da escola, ele é aos poucos expulso pela instituição escolar. A escola vai perdendo aos poucos a capacidade de manter o aluno pobre estudando, pois o violenta, o considera incapaz e não dialoga com o seu cotidiano e sua cultura. O que resta, portanto, a este aluno de origem popular? Resta a ele desvalorizar a escola, vindo a valorizar a opção pelo trabalho ao invés da educação formal (Cacciamali & Braga, 2002). Resta ao jovem abandonar a escola e permanecer no seu trabalho, ou deixar de estudar para procurar alguma atividade remunerada. Podemos considerar, neste sentido, que a saída da escola não é determinada pela entrada do jovem no mercado de trabalho, ou por dificuldades em manter ambas as rotinas, mas sim por uma incapacidade crônica do sistema educativo em manter o aluno na escola (Patto, 1992). Ou ele é expulso da escola antes de entrar no mercado de trabalho ou é expulso enquanto já se encontra inserido neste. Corrochando e et al. (2008) afirmam que o abandono da escola é um fenômeno que no geral ocorre posteriormente à

entrada do jovem no mundo do trabalho, e reforçam a tese de que nem sempre é o trabalho que expulsa o jovem da escola.

O terceiro e último argumento é o que contesta a idéia de que para as famílias pobres a educação não é um valor. Esta é uma noção elitista que podemos considerar como de

criminalização e patologização da pobreza, que atribuiu à família pobre a culpa pelo fracasso

escolar dos seus filhos. Gomes (1997), em um estudo com jovens urbanos pobres, aponta que a desvalorização da educação e a valorização do trabalho pelos jovens têm relação com a trajetória escolar e profissional das pessoas que estão próximas a eles: parentes, amigos e vizinhos. Neste sentido, ela dá a entender que a história de escolarização familiar seria um determinante do desinteresse do jovem pela educação, ou seja, a não-familiaridade com a cultura escolar levaria os pais dos jovens pobres a incentivá-los a desvalorizar a educação. Contudo, Leão (2006) encontra elementos em seu estudo que interpelam a idéia de transmissão geracional familiar de desvalorização da educação. Ele aponta que o sentimento de desvalorização da educação pelos familiares dos jovens de sua pesquisa pode estar associado a uma postura realista diante do quadro crescente de desemprego e pobreza na nossa sociedade. Neste sentido, ele indica que a baixa escolaridade dos pais dos jovens não impedia estes de valorizar a educação como possibilidade de um futuro melhor para seus filhos. Patto (1992) também é enfática ao apontar esse mesmo aspecto para as famílias pobres dentro do sistema educacional público, ao referir-se às mães dos alunos: “todas elas valorizam a escolaridade e lutam para manter os filhos na escola até esgotarem os últimos recursos” (p. 118).

Destes três argumentos apresentados para pensarmos a relação entre juventude, escola e trabalho, fica para nós uma assertiva: a importância de investir em escolaridade para promover possibilidades de melhor inserção ocupacional e mudança de trajetórias de vida dos jovens de origem popular. O sistema educacional precisa estar articulado com as demandas do mundo produtivo, principalmente quando levamos em consideração que cerca de 56% da população jovem brasileira pertence à famílias com renda per capita de até 1 salário mínino, e 27,6% à famílias com renda per capita de até ½ salário mínimo (Costanzi, 2009). Ao contrário dos jovens de famílias mais ricas que possuem maiores condições de frequentar uma escola de boa qualidade e postergar a entrada no mercado de trabalho, grande parte da população jovem está à mercê do ensino público e de má qualidade que apontamos acima. Estes estão, em certo sentido, despreparados para atender às demandas do mercado de trabalho. Neste sentido, torna-se impossível pensar o tema do trabalho desarticulado com o tema da educação pública,

pois esta está presente na causa, consequência e solução dos problemas enfrentados por diversas parcelas da população, especialmente pelos jovens pobres.

Aceitar sem questionamento as afirmações anteriormente apresentadas só pode contribuir para isentar o Estado de suas responsabilidades, perpetuar a patologização e a

criminalização da pobreza, e incentivar a ideologia meritocrática, na qual o problema dos

jovens não está relacionado às posições sociais atribuídas por privilégios de nascimento, mas às suas capacidades individuais. Segundo a lógica do mérito, no mercado de trabalho todos os jovens teriam as mesmas chances de competição, cabendo a eles individualmente conquistar as oportunidades. Esta visão liberal e individualista desconsidera perversamente que o ponto de partida dos jovens de origem popular está muito distante, para não dizer atrás, daqueles de onde partem os jovens das classes média e alta brasileira.

Por fim, para finalizarmos este tópico de discussão, cabe-nos analisar como tem se configurado o mercado de trabalho para os jovens no Brasil. Apontamos dois estudos bastante completos sobre essa temática: Jovens e trabalho no Brasil – Desigualdades e desafios para as políticas públicas (Corrochano & et al., 2008) e Trabalho Decente e Juventude (Costanzi, 2009). Ambos os trabalhos trazem indicadores e extensas análises sobre o perfil populacional juvenil; diferentes combinações entre estudo e trabalho; taxas de atividade e ocupação profissional; dados sobre o desemprego juvenil, etc. Trata-se de uma quantidade enorme de informações que nem de longe podem ser compiladas neste trabalho. Cabe-nos aqui realizar, assim, uma leitura mais geral dos dados a partir dos nossos interesses.

Em um recente estudo sobre o trabalho na crise econômica brasileira Pochmann (2009) apresenta algumas mudanças importantes sofridas pelo mercado de trabalho no nosso país, como efeito das transformações ocorridas no mundo do trabalho no último século. Em termos de ocupação, temos a seguinte composição: 18,3% da ocupação no setor agropecuário, 22% no setor industrial e 59,7% no setor de serviços. Como podemos observar, a prestação de serviços hoje é a atividade que mais emprega e, consequentemente, a que contribui com a maior participação (64%) na produção do PIB nacional. O autor aponta ainda que a crise econômica internacional levou a três importantes consequências no mercado de trabalho brasileiro: o desemprego, a ocupação precária e informal, e a rotatividade da mão de obra. Também podemos citar como decorrência das mudanças globais no mundo do trabalho a passagem do modelo organizacional do trabalho taylorista-fordista para o modelo do toyotismo. Do ponto de vista do trabalhador, este modelo propaga a exigência de um profissional flexível, altamente qualificado, polivalente, multiprofissional, ampliando com isso as formas de exploração não só do seu corpo, mas principalmente da sua subjetividade

(Navarro & Padilha, 2007). Estas são mudanças que não atingem somente os adultos, mas também os jovens, que passam a ser preteridos em algumas situações por não se adequarem a essas exigências. A cobrança destas exigências é realizada ao jovem em seu contato com outras gerações, como apontamos no Capítulo 1, momento em que seus lugares de incompetência e não-saber podem ser reforçados.

A partir de Corrochano e et al. (2008), que levam em consideração os dados da PNAD-Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio de 2006, construímos o seguinte quadro para melhor compreendermos a composição do mercado de trabalho juvenil:

Quadro 1 – Dados sobre a população e o mercado de trabalho juvenil

Brasil 187,227 milhões de habitantes Jovens 14 a 29 anos 53,9 milhões (28,8%) 35,940 milhões de jovens participam da PEA (População Economicamente Ativa) (66% da população jovem) Na PEA considera-se todas as pessoas que estão trabalhando ou à procura de emprego. 30,6 milhões de jovens Trabalham (57% da população jovem) 22,3 milhões de jovens Só trabalham . 8,4 milhões de jovens Trabalham e estudam 5,3 milhões de jovens