5.1. Sonuçlar
5.1.3. İçerik Odaklı Koçluk Uygulamasının Matematik Öğretim
O estudo cronológico da obra de Claparède a respeito da construção da noção de interesse nos mostrou que não houve mudanças significativas no pensamento do autor sobre o tema. Nossas fontes primárias retratam a mesma característica dinâmica e funcional, descrita acima, atribuída ao interesse. O mesmo dizemos para as suas características biológicas e interacionistas. Contudo, entendemos que essa construção teórica de Claparède está assentada numa importante mudança do seu pensamento a partir da sua apropriação, em 1900, da obra de Karl Groos. Claparède passa, então, de uma concepção fisiológica e cerebral dos
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Psiquiatra Francês, discípulo e colaborador de Philippe Pinel, aperfeiçoou a nosologia proposta por este. Distinguiu as diferentes formas de melancolia e criou as classes das monomanias. Separou pela primeira vez o adquirido do congênito e cunhou o termo alucinação.
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Nneurologista alemão, conhecido por ter sido o primeiro autor a reconhecer a doença neurodegenerativa que hoje tem o seu nome: doença de Alzheimer ou mal de Alzheimer.
fenômenos psicobiológicos para uma concepção mais profunda e dinâmica que, inclusive, representaria as bases da sua perspectiva funcional. Isso marca também a originalidade do autor perante seus contemporâneos e, além disso, no conjunto da história da Psicologia, ao iniciar uma abordagem cuja originalidade veio a ser reconhecida, principalmente por Jean Piaget.
Para Claparède, o interesse é um instrumento biológico que permite a relação do sujeito com o meio no processo de construção progressiva de esquemas de adaptação ao ambiente. Isto é, além de biológico, ele é também psicológico, uma vez que permite a construção de um sujeito psicológico que se encaminha, através das suas escolhas afetivas e cognitivas, para objetos externos que serão capazes de satisfazer as necessidades do momento. Esse movimento ativo do sujeito psicológico, elaborando suas escolhas a partir da dinâmica de seus interesses é que permitirá a sobrevivência do indivíduo.
Dessa forma, a base biológica do interesse não é suficiente para o desenvolvimento do sujeito, se analisamos a partir de uma perspectiva inatista. Esse desenvolvimento, então, só será possível se o interesse é posto em relação com o meio. Por outro lado, o interesse não funciona através da simples aprendizagem, já que Claparède é enfático ao dizer que o objeto (estímulo externo) por si só não é capaz de interessar o indivíduo. Somente o objeto em relação às necessidades do indivíduo é capaz de ativar seu interesse. Por isso este seria tido como o equivalente psíquico da necessidade.
Mais detalhadamente, diríamos que o interesse biológico diz respeito a uma função do indivíduo responsável pela sobrevivência, pela conservação da espécie. Já o interesse psicológico surge quando o indivíduo posiciona-se diante de um objeto e este passará, ou não, a ter a função de satisfazer a necessidade desse indivíduo. Vê-se, pois, que o interesse biológico deve coincidir com o interesse psicológico, sob pena do indivíduo ser eliminado. Tal equivalência é regra no indivíduo normal, sendo que o interesse biológico só varia nos casos patológicos. Entendemos com isso que o objeto deverá ser suficientemente
interessante ao sujeito, a ponto de satisfazer suas necessidades de sobrevivência (biológicas) e psicológicas.
É evidente, então, que há tanto um enfoque biológico quanto um enfoque interacionista em Claparède, dependendo do foco que se dê: no indivíduo (interesse biológico) ou no objeto (interesse psicológico). O lado subjetivo do interesse tem o sentido de “vida de relação” e o lado biológico tem o sentido de “vida”.
Apesar de vermos todas essas características do interesse desde cedo na obra de Claparède, é em 1920 que ele nos explica claramente que o interesse é psicobiológico e, portanto, não apenas biológico, porque faz o papel de adaptação do organismo, atuando pela via do aspecto psicológico (CLAPARÈDE, 1920 / 1959). Ele faz isso quando descreve a transposição da Lei do Interesse Momentâneo do plano biológico para o psicológico, partindo de uma concepção psicobiológica do interesse, ilustrando com o esquema: atividade f (interesse), onde f = função do interesse.
Identificamos também que em 1930, quando Claparède retoma todos os conceitos anteriores, relembrando-os de uma maneira bem mais definida, a posição interacionista do autor é mais evidenciada e o conceito de interesse surge mais nítido.
Já em 1934, vimos que Claparède apresenta questões relativas à atividade psíquica de uma maneira nunca antes tratada por ele, pois demonstra experimentalmente o que já vinha teorizando em obras anteriores a respeito da sua interpretação dinâmica e funcional da inteligência (poderíamos dizer do funcionamento cognitivo). Claparède faz análises de um estudo experimental, que pretende comprovar sua teoria sobre a gênese da hipótese na construção do ato inteligente. Apesar de não se tratar de um estudo específico sobre o interesse, vimos como esse construto teórico encontra-se diretamente relacionado à inteligência na obra do autor, portanto, entendemos que o papel do interesse está também demonstrado em La genèse de l’hypothèse. Isso se dá na medida em
que é o interesse que conduz o indivíduo a construir o significado da situação externa que lhe é apresentada. Significado esse que dará origem à elaboração de uma hipótese, a qual deverá ser continuamente testada, com o objetivo de favorecer a adaptação do sujeito a uma situação nova. É importante destacar que essa é a primeira vez que Claparède apresenta um estudo desse gênero, apesar de ele sempre haver reforçado a idéia de que a psicologia deveria ser experimental. Na verdade, entendemos que seu laboratório, onde ele pôde exercer a psicologia aplicada, foi desde sempre a escola. Claparède voltou-se para a psicologia da educação desde 1901, na expectativa de contribuir para o desenvolvimento do indivíduo.
Infelizmente, em 1940, quando percebemos forte pessimismo no texto de Claparède, o interesse é mencionado sob um ponto de vista negativo, ou seja, como ganância. Mas, no geral, entendemos que os pilares do pensamento de Claparède já estavam presentes desde os primeiros textos aqui analisados, tendo havido poucas alterações, em aspectos mais superficiais na sua teoria sobre o interesse. Talvez uma mudança significativa, no nosso entendimento, tenha sido a alteração do nome “educação atraente” para “educação funcional”, na medida em que essa não seria apenas uma troca de nomenclatura, mas uma mudança teórica. Para Claparède,nem tudo que é atraente é educativo, sendo por isso uma visão superficial. Já a educação funcional retrata bem o caráter relacional, ou seja, a utilidade dos processos mentais que deverão ser desenvolvidos a partir do interesse do indivíduo em relação a um fim.