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Hukuk-Adalet Mekanizması

Belgede Toplumsal bir tip: Kanaat önderi (sayfa 112-116)

2.1.18. Yasa Koyucular ve Yasa Kıyıcılar

2.1.18.3. Hukuk-Adalet Mekanizması

e brasileiro

A tradição jurídica dos EUA é a common-law, que por consequência inspira o sistema judicial norte-americano. Contudo, as peculiaridades desta jurisdição vão além da simplória premissa de que o common law se baseia no caso con- creto ou no direito dos precedentes.

Para muitos estudiosos e operadores do civil law, os sistemas inspirados na tradição common law produzem um caótico emaranhado de regras e nor- mas esparsas. Este fato obriga o operador do direito a examinar dezenas, ou até centenas, de decisões das mais diversas jurisdições para conseguir extrair o direito aplicável e poder construir de forma racional o seu argumento jurídico.

A lei também desenvolve relevante função nesse sistema, a ponto de pre- valecer sempre quando em confl ito com algum precedente, mas não são raras as vezes em que a interpretação dos diplomas legais se rende à subjetividade da racionalidade articulada nas decisões dos magistrados. Assim, o operador do direito nos EUA, quando diante de uma questão jurídica, é obrigado a es- miuçar diversos precedentes à procura de fatos semelhantes que lhe possibili- tem construir o argumento jurídico do caso concreto.

O método não prescinde, por óbvio, da articulação das leis e regulamentos eventualmente aplicáveis. Assim, a qualidade de um advogado, ou magistrado, será medida na proporção de sua respectiva perspicácia e efi ciência na pesquisa, bem como na sutileza em construir um pensamento jurídico capaz de relacionar ou diferenciar os fatos alheios, e respectivas racionalidades aplicadas, julgados semelhantes, com os fatos e a argumentação do direito do caso concreto.

Embora a descrição desse processo cognitivo possa se assemelhar ao de uma jurisdição inspirada pela civil law, a racionalidade e metodologia de ensino e prática são divergentes. Enquanto na common law o acadêmico é sempre

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testado a partir de um caso concreto, e em sua capacidade de articular e ana- lisar os fatos semelhantes e a racionalidade do direito aplicável, na civil law o operador jurídico é treinado e inspirado, com base nas teorias jurídicas e princi- piológicas, e testado em sua capacidade de retratar e transcrever a linguagem da ciência jurídica lecionada.

As fontes do direito norte-americano são classifi cadas em primárias e se- cundárias, de forma hierárquica, baseadas na força de aplicação que carregam. Fontes primárias são as Constituições (federal e estaduais), leis, regulamentos e precedentes vinculantes (as decisões de tribunais de mesma jurisdição). São elas de aplicação obrigatória, sempre que for o caso. As fontes secundárias são decisões não vinculantes (tribunais de jurisdições distintas), doutrina, direito comparado e, como tais, meramente persuasivas.

Assim como no Brasil, o Judiciário norte-americano está dividido em fede- ral e estadual. A jurisdição federal é composta por Cortes de 1ª Instância (Fe- deral District Courts), tribunais com jurisdições regionais (United States Circuit Courts of Appeal), totalizando onze regiões mais o distrito federal, e a Suprema Corte, com seus nove juízes (que no Brasil, seriam chamados de “ministros”).

A esfera estadual é formada por Cortes de 1ª Grau (State Court), uma ins- tância intermediária no caso de alguns Estados (State Court of Appeals), uma Suprema Corte estadual, e a Suprema Corte norte-americana. A Suprema Corte dos EUA é composta por oito magistrados, mais o presidente, denominados Justices e Chief Justice, respectivamente. O Tribunal não está regulado por mandamento legal quanto aos requisitos de admissibilidade, sendo detentor de grande autonomia e discricionariedade na seleção de casos que aceita re- ceber. Por ano são menos de 100 (cem) casos recebidos, instruídos e julgados. A jurisdição federal é limitada pelo Artigo III da Constituição norte-americana essencialmente às causas de interesse nacional, interestadual, ou internacional.

Outra distinção acentuada entre as tradições jurídicas brasileira e norte- -americana reside na fi gura do júri. O direito ao júri é constitucionalmente ga- rantido no direito norte-americano em causas criminais e civis, pelas Emendas VI e VII, respectivamente. A Emenda V também garante em matérias de natu- reza penal o direito a um Grande Júri (Grand Juri), que se traduz em um júri prévio com a única função de decidir pelo indiciamento ou não do acusado.

Em relação ao federalismo, há outra importante distinção entre os dois pa- íses. A distinção entre os dois modelos é necessária para que os alunos norte- -americanos possam ter a exata noção dos desafi os em torno da competência legislativa, de gestão e de jurisdição no Brasil.

Nos EUA, o poder federal é limitado e tem sua fonte suprema na Constitui- ção dos EUA. A Carta Magna enumera os poderes delegados pelos Estados ao governo federal (diferentemente do Brasil, onde os poderes da União atrofi am

os dos Estados e Municípios). A Emenda X explicitamente reserva aos Estados os poderes que não foram por eles delegados pela Constituição à Federação. Dessa forma, os Estados mantiveram considerável grau de soberania, convi- vendo numa espécie de dualidade soberana com o governo federal. A cláusula de supremacia do artigo VI da Constituição dos EUA garante a concorrência de autoridades entre governos federal e estaduais, mas quando a divisão dos poderes não é possível, ou confl ituosa, prevalece a lei federal.

Essas peculiaridades do ordenamento juspolítico norte-americano são os pressupostos básicos das primeiras aulas. Ao entrarmos no direito brasileiro, confrontamos todos esses pontos com o sistema juspolítico do Brasil ao intro- duzir também questões históricas do Direito de tradição civilista. É importante que os acadêmicos dos EUA tenham a exata noção do papel do magistrado, da infl uência da dogmática e do cientifi cismo que marca o Direito de tradição civilística. Ao fi nal dessa primeira parte introdutória, os alunos são provocados a investigar as similaridades entre as tradições. Os alunos tentam entender por que o direito do common law está cada vez mais legislado e por que a juris- prudência no Direito de tradição civilista vem sendo tratada de forma cada vez mais vinculante.

Como a quantidade de aulas (e consequentemente de créditos) é limita- da, não há espaço para aprofundar mais de um tema de direito ambiental. A parte introdutória, como descrito, ocupa quase um terço do curso e o restante deve ser cuidadosamente trabalhado para manter o interesse dos alunos (con- siderando as difi culdades já narradas anteriormente) e permitir a compreensão superfi cial, mas útil, da disciplina jurídica objeto de estudo. No caso do nosso curso, infl ui também a formação do professor David Cassuto, nos EUA, e, claro, a minha no Brasil. Temos nos concentrado no direito de águas para apresentar os principais temas relacionados aos dois sistemas: competência, gestão de recursos hídricos, situações de escassez e a principal jurisprudência sobre o assunto nos dois países.

Conclusão

A sala de aula transnacional está inserida no contexto de uma nova visão para o ensino jurídico no Brasil e no mundo. O avanço tecnológico permitiu a apro- ximação de sistemas e culturas antes muito distantes uma das outras, inclusive para efeitos comparativos. O estudo de tradições e sistemas jurídicos era antes muito restrito ao investimento de tempo e recursos de um ou outro professor. No mundo jurídico, as iniciativas que fomentavam a participação de professo- res em faculdades estrangeiras eram raras. A experiência comparada da qual desfrutávamos vinha de professores que decidiam pelo doutoramento em paí- ses da Europa Ocidental, quase sempre de mesma tradição que o nosso. Eram

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poucos aqueles que se aventuravam por outras tradições, em parte porque eram pouco incentivados, em parte porque havia um sentimento geral de que o estudo naqueles países pouco agregaria para o ensino ou a formação no Brasil.

A revolução da tecnologia e do fl uxo de informação mudou tudo isso. As diferenças entre tradições passaram a ser muito mais históricas. A globaliza- ção acelerada do último século diminuiu as diferenças entre sistemas e orde- namentos jurídicos. Em muitas áreas, confl itos passaram a ser resolvidos por jurisdição eleita pelos contratantes. Essas jurisdições passaram a infl uenciar ordenamentos jurídicos domésticos. Em matéria ambiental, a proliferação de declarações, convenções e tratados internacionais fomentou e difundiu princí- pios e instrumentos de proteção muito similares no direito de muitos países de distintas tradições jurídicas.

Esse cenário abriu caminho para que a sala de aula de Direito, antes muito focada no ordenamento jurídico nacional, passasse a ser suscetível de forte internacionalização. A tecnologia abriu caminho para que um grande e reno- mado nome do Direito europeu passasse a lecionar da sala da sua residência para alunos no Brasil ou em qualquer outro lugar do mundo a um custo insigni- fi cante. O Direito se renovou com essas possibilidades e hoje está às voltas com a revolução em torno do debate sobre os melhores métodos de ensino. A sala de aula transnacional é, sem dúvida, um importante elemento dessa revolução em curso.

Superados os desafi os apontados ao longo do presente ensaio, principal- mente aqueles relacionados à necessidade de informar os alunos sobre a rele- vância e a utilidade do ensino dessa natureza, não resta dúvida de que a sala de aula da faculdade de Direito no Brasil deixará de ser conhecida apenas pelo quadro negro e pela caixa de giz. Terá que ser tecnológica para poder acomo- dar, além das clássicas e reguladas disciplinas, também as matérias de direito comparado para propiciar a integração do acadêmico brasileiro no mundo. E, não menos importante, para poder fi nalmente fi car atrativa para acadêmicos estrangeiros que queiram vir experimentar o ensino do Direito no Brasil. Há uma transformação em curso. O ensino jurídico no Brasil, mais cedo ou mais tarde, romperá com a força que insiste em prendê-lo ao século passado. É uma questão de tempo.

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