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Hizmetin Kendi İçinden Finansmanı

Belgede Hukuki boyutuyla evrensel hizmet (sayfa 156-162)

A. Evrensel Hizmetin Finansman Usulleri

1. Hizmetin Kendi İçinden Finansmanı

Uma adequada formação dos agentes escolares que trabalharão nas ações de prevenção e erradicação do bullying é sem dúvida alguma imprescindível. [...] Parece necessário, para tanto, garantir que os professores disponham de uma formação constante no tema, de modo que conheçam as competências necessárias para prevenir os conflitos e enfrentá-los quando ocorrerem. Mais especificamente, devem dispor desta formação os integrantes da equipe diretiva dos centros escolares e o pessoal de serviços de inspeção educativa45, cuja intervenção na resolução de conflitos tem uma

particular importância. Por outro lado, a aquisição de competências e habilidades necessárias para a detecção e resolução de conflitos, poderia estender-se também às famílias e aos próprios alunos, de modo que a prevenção e a intervenção abarcassem a totalidade do âmbito social de desenvolvimento de quem produz ou sofre algum mautrato (DEFENSOR DEL PUEBLO, 2007, p. 251, tradução nossa)46.

45 As Inspeções Educativas (Inspecciones Educativas) são órgãos dos departamentos de educação (Consejerías de

Educación) das Comunidades Autônomas espanholas, as quais têm a incumbência, por exemplo, de supervisionar e assessorar todas as escolas públicas e privadas da sua administração, sob todos os elementos e aspectos do sistema educativo.

46 Citação original: "Una adecuada formación de los agentes que han de intervenir en las labores de prevención y

erradicación de los abusos entre iguales es sin duda alguna imprescindible. [...] Parece necesario, para tanto, asegurar que el profesorado disponga de una formación constante en la materia, de manera que conozca las destrezas necesarias para prevenir los conflictos y enfrentarse a ellos en cuanto se producen. Más específicamente deben disponer de esta formación los integrantes de los equipos directivos de los centros docentes y el personal de los servicios de inspección educativa, cuya intervención en la resolución de los conflictos tiene una particular importancia. Por otro lado, la adquisición de destrezas y habilidades necesarias para la detección y resolución de conflictos, podría extenderse también a las familias y a los propios alumnos, de manera que la prevención y la intervención abarcase la totalidad del ámbito social de desarrollo de quienes producen o sufren maltrato" (DEFENSOR DEL PUEBLO, 2007, p. 251).

Outra categoria de estratégias antibullying que se constitui como um meio para o exposto até então nas demais categorias trata-se da capacitação dos profissionais da educação para atuarem na prevenção e contenção ao bullying.

Ao falarem sobre capacitação, os autores dos artigos, teses e dissertações analisados, no período entre 2000 e 2013, usam expressões próximas, como: capacitar professores; formar docentes e demais profissionais da escola; disponibilizar materiais informativos para professores (BRASIL: BRAGA; LISBOA, 2010; CASTRO, 2012; CÉZAR, 2010; FRANCISCO; 2010; FRANCISCO; LIBÓRIO, 2009; FREIRE; AIRES, 2012; GONÇALVES, 2011; GUTSTEIN, 2012; HORNBLAS, 2009; JORGE, 2009; LISBOA, 2005; MUNARIN, 2007; NUNES, 2011; PINGOELLO, 2012; SALGADO, 2012; SCHUCHARDT, 2012; SILVA; ROSA, 2013; SILVA et al., 2013; STELKO-PEREIRA, 2012. ESPANHA: ALONSO, 2009; AVILÉS et al., 2011; DEL BARRIO; BARRIOS; GRANIZO; VAN DER MEULEN; ANDRÉS; GUTIÉRREZ, 2011; DIAZ-AGUADO, 2005; FERNÁNDEZ MARTÍN; PICHARDO MARTÍNEZ; ARCO TIRADO, 2005; ORTEGA; LERA, 2000; SÁNCHEZ; ORTEGA; MENESINI, 2012; VAN DER MEULEN; GRANIZO; DEL BARRIO, 2010a; VIGUER; AVIÁ, 2009). Compreendemos que estes autores referem-se à alguma forma de formação continuada.

Apenas alguns autores destacam a necessidade de incluir os conteúdos relacionados às estratégias de prevenção ao bullying na formação inicial dos professores (BRASIL: GONÇALVES, 2011; RADUENZ, 2011. ESPANHA: BENÍTEZ; GARCÍA; FERNÁNDEZ, 2009).

Dois textos de pesquisadores brasileiros enfatizam que a chave das políticas públicas e leis, relacionadas à educação, deveria ser a formação docente inicial e continuada (BRASIL: CASTRO, 2012; GERONASSO, 2012).

Como ações específicas, destacamos a indicação de formação de pais/responsáveis (BRASIL: GUTSTEIN, 2012. ESPANHA: GÓMEZ et al., 2005; ARMERO PEDREIRA; BERNARDINO AUSTA; BONET DE LUNA, 2011), a destinação de horários na rotina escolar para a formação docente para compreender e lidar com bullying e resolução de conflitos (BRASIL: SALGADO, 2012) e a criação de projetos para capacitar docentes e equipe pedagógica (BRASIL: GUTSTEIN, 2012).

Neste item de estratégias, observamos duas vertentes extremamente importantes: a formação docente e a formação das famílias para o enfrentamento ao bullying. Trataremos dos dois segmentos formativos, trazendo estudos de referência.

Não menos importante que a formação docente, é a formação das famílias. Parece ser consenso na literatura que a família deve participar das ações escolares de prevenção ao bullying. No entanto, assim como a escola, a família tem dificuldades para compreender o fenômeno e não sabe como intervir, na maioria das vezes. Olweus (1998), em seu programa, já apontava para a organização de reuniões, que chamou de Círculos de Pais, com o auxílio das associações de pais e de professores, nas quais fosse possível estudar sobre o tema e dar a conhecer as ações realizadas pela escola.

Escolas de pais ou Círculos de convivência com famílias e professores (AVILÉS, 2013) são outros nomes dados ao mesmo tipo de trabalho: espaços sistematizados e institucionalizados nos quais as famílias são convidadas, periodicamente, a estudar, planejar e avaliar ações de prevenção ao bullying, juntamente com os professores. São momentos em que podem aprender sobre a complexidade do fenômeno, agir caso seu filho seja alvo ou autor de bullying e a como incentivá-lo a oferecer ajuda, não sendo um espectador passivo (OLWEUS, 1998). Constituem-se como um avanço para diminuir a desconexão que há, em muitos casos, entre o trabalho da escola e a ação das famílias.

A fim de contribuir para a formação das famílias, muitos pesquisadores têm construído materiais formativos, como é o caso do guia El maltrato entre alumnos/as (bullying): Guía para las famílias (COLLEL; ESCUDÉ, 2004). Os autores deste material, por exemplo, são psicólogos, membros do Observatório Internacional de Violência Escolar e da Equipe de Orientação Psicopedagógica do Departamento de Educação da Generalitat de Catalunya, na Espanha. Collel e Escudé têm inúmeras publicações sobre bullying, disponibilizadas na página web http://www.xtec.cat/~jcollell/index.htm, a qual recebeu Prêmio do Conselho Municipal de Bem-estar Social aos Meios de Comunicação47 no ano de 2005. Além das publicações, os

autores trabalham com formação direta em escolas, para professores e famílias.

Apresentamos, como exemplo de instrumento formativo para famílias, o guia de Collel e Escudé (2004) por considerar que, além de aportar informações relevantes sobre o tema de forma clara, ele traz pautas de atuação simples, que incidem sobre o desenvolvimento emocional das crianças e adolescentes. Isto é de extrema importância, pois ajuda aos pais a encontrarem outras formas de ajudar seus filhos, ensinando-os formas não punitivas de resolução do problema, estas que não contribuem para a efetiva dissolução da situação. Dentre

47 Prêmio destinado a profissionais de diferentes áreas da comunicação que apresentam temas sociais importantes,

de forma crítica e respeitosa, contribuindo para a sensibilização da comunidade de Barcelona, Espanha. Mais informações em: http://www.participaciosocial.com/esp/.

as ações indicadas pelos autores, destacamos: manter a calma e estabelecer um canal de diálogo com o filho, evitando responsabilizações ou culpabilizações; buscar ajuda da escola; não utilizar de violência contra os agressores, nem incentivar que o filho reaja de forma agressiva ou que tente resolver sozinho o problema - se conseguisse não seria necessário pedir ajuda; praticar técnicas de assertividade com o filho; incentivar para que faça um diário de acontecimentos que deseja compartilhar; destinar tempo para conversar e falar sobre ideias e sentimentos; dar-lhe responsabilidades e fazer com se sinta valorizado em distintos aspectos; ensinar formas não agressivas de agir ou para expressar aquilo que lhe desagrada; incentivar a pedir e oferecer ajuda.

Também retomamos os materiais de Tognetta (2014; 2015a; 2015c) apresentados no item 2.4 deste capítulo. Por meio da literatura infantil, a pesquisadora tem construído materiais formativos para professores e pais, que explicam o fenômeno e, de forma clara, falam sobre as bases teóricas das intervenções e dão pautas de atuação que incidem no desenvolvimento emocional das crianças, como forma de empoderá-las para agir.

Como exemplo de formação docente, faremos menção ao Programa Sevilla Anti- violencia Escolar - SAVE (ORTEGA et al., 1998). Escolhemos este projeto para breve descrição, por ser um dos primeiros programas relacionados à prevenção ao bullying, na Espanha que partia de uma perspectiva ecológica e previa atuações num conjunto de fatores que influíam na convivência escolar, não apenas ao bullying. Como vimos até então, as estratégias de prevenção ao bullying extrapolam as ações pontuais, vão desde medidas amplas que incidem na melhora da convivência, até medidas específicas para quando o bullying estiver instaurado.

A proposta do programa SAVE se baseia na investigação da realidade, reflexão dos dados em conjunto com os professores e apoio de uma equipe de especialistas da universidade quanto à formação docente para o desenvolvimento de um projeto de intervenção.

Parte do programa prevê a entrega do livro Convivencia escolar: Que és y cómo abordarla (ORTEGA et al., 1998), que explica o fenômeno e descreve estratégias para o enfrentamento em dois níveis: ações de prevenção e ações diretas aos envolvidos diretamente no bullying (autores, alvos ou testemunhas).

Ortega e Lera (2000) explicam que o SAVE é um programa para a gestão da vida escolar. Considera que a gestão do dia-a-dia da sala de aula é o ensino e aprendizagem de sentimentos, atitudes e valores que devem ser parte integrante do planejamento docente. Neste sentido, o projeto se agrupa em três propostas e todos os esforços curriculares que compõem a ação preventiva:

1. Um programa para a organização democrática da vida escolar. Sugerem a gestão da vida escolar de modo democrático, baseada na negociação, participação e consenso. Nesse sentido, seria preciso analisar a organização social da vida em sala de aula e incluir estratégias para a aprendizagem de negociação e de resolução de conflitos.

2. Um programa para o trabalho de grupo cooperativo. Este proporciona inúmeros benefícios, ao passo que envolve a troca de ideias, de carga de trabalho, envolve os alunos na avaliação das atividades, fomenta a interação entre alunos, a discussão de problemas e a busca de soluções num clima de cooperação mútua, contribuindo assim, para um clima de respeito mútuo e solidariedade.

3. Um programa de ensino de sentimentos, atitudes e valores. Envolve um trabalho a nível interpessoal e visa aprofundar a compreensão dos alunos do eu e de suas relações com os outros.

Para atender aos itens descritos, em termos de formação docente, o programa fornece uma maleta de ideias e sugestões (tool bag). Segundo Ortega e Lera (2000), esta maleta contém tudo que é necessário para a elaboração de um programa cooperativo e encoraja procedimentos que os professores podem usar para planejar um trabalho cooperativo, que envolve os alunos na aprendizagem através do diálogo, da negociação, na elaboração de propostas conjuntas e o reconhecimento do grupo de pares, além de ferramentas associadas com a gestão do dia-a-dia na sala de aula que auxiliam na resolução de conflitos por meio do diálogo. Também sugere o estabelecimento de um espaço e local apropriados para a discussão de regras de sala de aula e da escola, como um todo. Estas ações contribuem para a efetivação de uma gestão democrática por meio da participação de todos.

O material da maleta também se dedica ao programa de ensino de sentimentos, atitudes e valores. Ela contém ideias-chave para o planejamento e desenvolvimento de uma série de sessões em que os alunos são estimulados a refletir sobre outras formas de agir, trabalha o reconhecimento de si e dos outros, sentimentos, emoções, atitudes e valores morais. Por fim, a maleta também contém estratégias para serem aplicadas com os alunos envolvidos diretamente em bullying, como o Método Pikas (1975), projeto de ajuda entre iguais, mediação e aprendizagem de resolução de conflitos, programas de desenvolvimento de assertividade e empatia entre pares.

Perante o exposto, cabem alguns apontamentos, que serão retomados no último capítulo deste trabalho. Concordamos com os autores quanto à formação das famílias e percebemos que os pesquisadores já encontraram formas significativas de fazê-lo. Sobre a formação docente, ainda é preciso questionar o local que ela ocupa na agenda das administrações educativas.

Foram poucos os autores dos artigos, teses e dissertações analisados que mencionaram inclusão deste tema na formação inicial dos professores. A grande ênfase parece ser a formação continuada.

Sabemos, é claro, que mudanças significativas acontecem quando os agentes educacionais refletem sobre sua prática e, considerando a realidade da sua escola, pensam e constróem ações antibullying (AVILÉS, 2013a). A formação continuada parece ser de fundamental importância neste processo. No entanto, para que ela ocorra, além da motivação inicial - querer agir, dos agentes educacionais (GONÇALVES, 2011), é preciso apoio das administrações educativas.

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