• Sonuç bulunamadı

B. Evrensel Hizmetin Kriterleri

2. Özel Kriterler

O ensino de valores de tolerância, respeito à diversidade e à dignidade humana, assim como o trabalho dirigido ao desenvolvimento da autoestima e das habilidades sociais, constituem fórmula igualmente efetiva para o desenvolvimento de condutas pró- sociais e para a erradicação da violência escolar (DEFENSOR DEL PUEBLO, 2007, p. 254, tradução nossa)40.

40 Citação original: "La enseñanza de los valores de tolerancia, respeto a la diversidad y a la dignidad humana, así

como el trabajo dirigido al desarrollo de la autoestima y de las destrezas sociales, constituyen fórmula igualmente efectivas para el desarrollo de conductas prosocioales y la erradicación de la violencia escolar" (DEFENSOR DEL PUEBLO, 2007, p. 254).

Muitos investigadores, dentre os identificados na literatura sobre bullying, retomam a importância de educar moralmente os alunos na escola, como forma de promover a construção de valores sociomorais nas relações interpessoais, como respeito, solidariedade, cooperação e intolerância a situações de injustiça, contribuindo para um clima de não violência.

Nesse sentido, as indicações são próximas, embora os autores usem diferentes expressões, como: educar em valores; educação moral; aquisição de valores; construção de princípios e valores; trabalhar direitos humanos; desenvolvimento de estratégias com base em valores morais (BRASIL: AMORIM; 2012; CÉZAR, 2010; FRANCISCO, 2010; FRANCISCO; LIBÓRIO, 2009; GONÇALVES, 2011; GUTSTEIN, 2012; MUNARIN, 2007; NUNES, 2011; RADUENZ, 2011; SILVA; ROSA, 2013. ESPANHA: ARMERO; BERNARDINO; BONET, 2011; AVILÉS et al., 2011; DIAZ-AGUADO, 2005; FERNÁNDEZ MARTÍN; PICHARDO MARTÍNEZ; ARCO TIRADO, 2005; JIMÉNEZ BARBERO et al., 2013; ORTEGA; LERA, 2000; POSTIGO et al., 2013; VIGUER; AVIÁ, 2009). Como ação mais específica de educação moral, encontramos apenas a indicação da inserção de valores no currículo escolar (BRASIL: MUNARIN, 2007; RADUENZ, 2011) e a promoção da coletividade e fortalecimento dos conselhos de turma, dentro da chamada Pedagogia Institucional (PAIN, 2009 apud GONÇALVES, 2011).

Poucos autores falam em educar para a paz nas escolas (BRASIL: AMORIM, 2012; MUNARIN; 2007; NUNES, 2011).

Muitos investigadores, principalmente os espanhóis, citam o trabalho com habilidades sociais específicas ou o estímulo a comportamentos pró-sociais (BRASIL: AMORIM; 2012; FREIRE; AIRES, 2012; GUTSTEIN, 2012; LOPES NETO, 2005; RADUENZ, 2011; SILVA et al., 2013. ESPANHA: ARMERO; BERNARDINO; BONET, 2011; CABALLO et al., 2011; DIAZ-AGUADO, 2005; FERNÁNDEZ MARTÍN; PICHARDO MARTÍNEZ; ARCO TIRADO, 2005; JIMÉNEZ BARBERO et al., 2012; JIMÉNEZ BARBERO et al., 2013; VAN DER MEULEN; GRANIZO; DEL BARRIO, 2010a).

Alguns projetos, como os sistemas de alunos ajudantes, alunos mediadores e o ensino de resolução de conflitos, utilizam o ensino de habilidades sociais específicas. O trabalho com habilidades sociais pode ser abordado a partir de diferentes perspectivas teóricas: alguns autores se baseiam no treino/aquisição (MODELAGEM/REFORÇO), aprendizagem por observação e punição, e outros na construção de habilidades sociais a partir de um processo de desenvolvimento.

Entre as estratégias que visam o desenvolvimento de habilidades sociais com o intuito de auxiliar na prevenção ao bullying, citadas pela literatura analisada, destacamos o programa EQUIPAR para Educadores (VAN DER MEULEN; GRANIZO; DEL BARRIO, 2010a). Tal escolha também se deve ao fato de que os autores apresentam o programa como uma ferramenta que pode ser considerada como uma forma de educar moralmente, ou educar em valores, na escola em função da sua base teórica e por contribuir para o desenvolvimento pessoal e social dos alunos.

EQUIPAR para Educadores é uma versão espanhola (VAN DER MEULEN; GRANIZO; DEL BARRIO, 2010b), adaptada do EQUIP for educators: teaching youth (grades 5-8) to think and act responsibly (DIBIASE; GIBBS; POTTER; SPRING, 2005), originário dos EUA e do Canadá. Este programa, EQUIP for educators, é proveniente do The EQUIP program: Teaching youth to think and act responsibly through a peer-helping approach (GIBBS; POTTER; GOLDSTEIN, 1995), centrado na mudança de comportamento de jovens infratores. O programa original tem objetivo de educar os jovens em situação de risco ou com problemas comportamentais para pensar e agir de forma responsável através de uma abordagem de ajuda entre pares (peer-helping aproach). A versão EQUIPAR espanhola foi desenhada para ser usada na escola secundária (correspondente ao 7º, 8º e 9º anos do Ensino Fundamental no Brasil) com o objetivo de criar um ambiente positivo em sala de aula, desenvolver habilidades sociais e competências cognitivas que permitam aos alunos tomar decisões em situações de conflito, contribuindo para a prevenção de comportamentos antissociais, como o bullying entre pares.

Van der Meulen, Granizo e del Barrio (2010b) apresentam o aporte teórico do programa - Turiel (1983), Kohlberg (1969), Piaget (1932), Gibbs (2003) entre outros, ao justificar porque ele pode ser considerado como um instrumento de educação em valores na escola. Segundo os autores, as relações interpessoais são a base para o desenvolvimento cognitivo, social, emocional e moral dos alunos e, portanto, é sobre elas que deveríamos orientar a educação em valores. Más relações, como o bullying, seriam um obstáculo para esse desenvolvimento.

EQUIPAR para Educadores contribui para o desenvolvimento moral, pois é desenhado para favorecer situações ricas:

- de compartilhamento de perspectivas entre iguais. Como apontado por Kohlberg (1969) e Piaget (1932) é no grupo de iguais que os alunos têm contato com distintas perspectivas, diferentes das suas, porém mais próximas do que as perspectivas dos adultos, que podem pensar muito diferente dos alunos, e essa troca contribui para o desenvolvimento do raciocínio moral;

- de oportunidades de tomada de consciência de distorções cognitivas, também chamadas de erros de pensamento, as quais influenciam no comportamento do indivíduo. As distorções cognitivas são assim distinguidas: egocentrismo - pensar considerando apenas o seu ponto de vista; minimizar/rotular (minimizing/mislabeling) - tratar seus problemas ou ações negativas como não tão ruins ou rotular sua ação para que não pareça tão negativa ou rotular as pessoas para que o dano causado a ela seja justificado; pensar o pior (assuming the worst) - pensar que tudo está contra você, que só podem lhe acontecer coisas ruins ou pensar que ninguém, incluindo a si mesmo, é capaz de mudar, melhorar ou superar as coisas ruins que acontecem em sua vida; culpar os outros (blaming others) - não assumir a responsabilidade pelos seus atos e ainda culpar os outros pelo seu dano. Para Gibbs (2003 apud VAN DER MEULEN; GRANIZO; DEL BARRIO, 2010b), um alto nível de erro de pensamento associado a um baixo nível de raciocínio moral pode levar a condutas antissociais.

- que incidem na qualidade do clima moral do grupo de iguais. As atividades do programa contribuem para que os jovens sejam conscientes do clima do grupo e de que forma podem contribuir para melhorá-lo, ao passo que vão percebendo como se relacionam, quais são as normas e as expectativas sobre como o outro vai agir, por exemplo, além de colaborar para que os jovens avancem de uma cultura egocêntrica para uma cultura de cuidado mútuo (VAN DER MEULEN; GRANIZO; DEL BARRIO, 2010b).

O EQUIPAR para Educadores é um programa desenhado para ser trabalhado com uma sala de aula num período prolongado de tempo - são 31 sessões de 45 a 50 minutos cada41. É

dividido em três blocos de conteúdo - cada um compreendendo dez sessões:

1. Gerência do enfado (aborrecimento) e correção de distorções cognitivas. Este bloco compreende atividades de avaliação, gerência e análise do aborrecimento ou da agressão, técnicas de respiração que ajudam a relaxar, além de exercícios que ajudam a controlar/corrigir erros de pensamento, pensar nas consequências, autoavaliar-se, mudar de perspectiva, considerar a perspectiva do outro e aprender a expressar seu aborrecimento.

2. Habilidades sociais. As sessões deste bloco contêm atividades que auxiliam os alunos a expressarem seus problemas de forma construtiva, preocuparem-se com o outro, pensarem sobre os conflitos e nas consequências destes, ajudarem os outros, expressarem cuidado e estima, prepararem-se para uma conversa mais tensa, entre outras.

3. Tomada de decisão social. Neste bloco são trabalhadas situações-problema que abordam valores chave, como: pertencimento, relações e respeito, honestidade, respeito à propriedade, qualidade de vida e verdade.

Van der Meulen, Granizo e del Barrio (2010a) acreditam que trabalhar na redução dos chamados erros de pensamento pode ser útil para prevenir o bullying, pois provoca uma mudança na percepção dos alunos sobre o fenômeno e sobre a exclusão social de forma que passem a vê-lo como um comportamento ofensivo em relação aos outros. Os componentes do programa relacionados às habilidades sociais e melhora da tomada de decisão social contribuem para capacitar os alunos a intervir de forma mais adequada em situações de abuso entre iguais, bem como a ouvir atentamente os problemas dos colegas e a tomar decisões em situações reais e de conflito no grupo.

O EQUIPAR também pode ajudar a mudar processos de grupo ofensivos, como o bullying, uma vez que a dinâmica de grupo é esclarecida durante as sessões do programa. Enquanto os alunos analisam uma situação real ou hipotética de conflito, o comportamento e sentimentos de todos os envolvidos são evidenciados e analisados, além de alternativas de resolução do problema e de oferecimento de ajuda (VAN DER MEULEN; GRANIZO; DEL BARRIO, 2010a).

Consideramos o EQUIPAR uma estratégia muito interessante, que pode ser adaptada à realidade brasileira, em sua totalidade ou, até mesmo, em partes, visto que os professores também podem escolher algumas atividades do programa para o seu trabalho em sala de aula. Esta seria uma possibilidade no caso das escolas considerarem o programa extenso e não possuírem tempo suficiente para trabalhá-lo integralmente. Cabe lembrar que os próprios autores enfatizam a importância da formação docente para esse trabalho, que, como pudemos perceber, não se restringe a "seguir o passo a passo do programa", mas compreender as bases teóricas da educação moral que embasam o mesmo.

2.8 Ações relacionadas à mudança de comportamento através do controle de

Belgede Hukuki boyutuyla evrensel hizmet (sayfa 128-134)