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1.6. Bürokrasiye İlişkin Yaklaşımlar

1.6.1. Hegel, Marx, Lenin ve Trotsky’nin Görüşleri

Também em Salvador, a partir da década 60, teve início um processo de destruição de parte de seu patrimônio edificado. A região central, que já fora caracterizado como área de residência, de atividades de controle econômico e administrativo e dos serviços de apoio à população de renda alta; viu, a partir daquele período, a evasão das funções residenciais em decorrência do crescimento de funções não residenciais. Vários órgãos públicos foram gradativamente retirados do centro, com a criação de novos centros de negócios, áreas de residenciais de alto padrão e grandes bairros programados em áreas afastadas, deixando o centro histórico à margem dos processos de transformação da estrutura urbana. Assim, as velhas edificações unifamiliares foram sendo substituídas por grandes edifícios de apartamentos. Permaneceram na área partes da administração municipal, funções de comércio, serviços privados mais populares, bancos e uma população residente, que depende do trabalho local, e também grupos locais e recém-chegados pertencentes à classe média.

Dentre as novas edificações inseridas nesse contexto é motivo de muita polêmica a edificação “provisória” construída para abrigar a Prefeitura Municipal (FIG. 62). Em 1986, o então prefeito Mário Kertész, transferiu a Prefeitura do Solar da Boa Vista, no Engenho Velho de Brotas, para a Praça Tomé de Sousa - também denominada de Praça Municipal, que é a primeira praça da cidade. Com

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o argumento de que o destino final da Prefeitura seria um dos casarões abandonados da região, foi construída uma edificação provisória. Por possuir experiência em edificações em estrutura metálica, o arquiteto João Figueira Lima, o Lelé, foi convidado para elaborar o projeto. Desta forma, após desenho rápido, a estrutura foi confeccionada em 35 dias e executada em 14 dias. (PAZ, 2004)

FIGURA 62 - Palácio Thomé de Souza, sede da Prefeitura de Salvador, que deveria permanecer no local por apenas seis meses. Prédio de volumetria simples, pós-moderno, de gabarito baixo,

mas que permite ao passante admirar tanto sua obra quanto a paisagem da Baía de Todos os Santos.

Fonte: http://www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq000/esp360.asp

Mesmo de caráter provisório, o projeto foi concebido de forma muito respeitosa com o entorno existente. Sendo a edificação suspensa por pilotis, apenas a escada de acesso toca o solo, deixando livre o grande vão que continua fazendo às vezes de praça.

Quando Lelé assume o encargo de projetar um edifício ali, pousa-o sobre o solo, recua-o dos limites da encosta e da Rua Chile e lança sua

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escadaria sobre a Praça. Sabemos que aqui o projeto segue o código modernista, privilegiando o desenraizamento da edificação. O rés-do- chão torna-se um espaço contínuo, liberado para usufruto público. O acesso principal ao Palácio é a única parte em que toca o chão, mediante uma pele de vidro.

Porém o recuo do prédio desfaz a calha da Rua Chile. E a interpenetração espacial que o edifício propõe destrói um dos lados da praça, danificada antes pela demolição dos prédios anteriores, e estabelece uma conformação híbrida (PAZ, 2004).

Mesmo sendo favorável à sua transferência, Paz (2004) ressalta alguns aspectos importantes, como o fato de a conformação da praça já haver sido anteriormente comprometida com a demolição dos edifícios da Biblioteca Pública e da Imprensa Oficial e com a construção de um belvedere. Segundo ele, o estranhamento em relação à construção não se deve ao estilo arquitetônico adotado, pois a pluralidade é a tônica da praça, onde convivem: o Palácio Rio Branco, em estilo eclético; o Elevador Lacerda, em estilo art-déco; o Paço Municipal, em estilo neocolonial; e a agencia do Bradesco, em estilo modernista; mas no contraste intencional da edificação com o tecido urbano tradicional.

Meu medo está em outro tipo de estranhamento, tido pela maioria da população leiga, que entende o edifício como algo estranho à linguagem arquitetônica local. Argumenta-se que não tenha nada que ver com a arquitetura “histórica”. Do que estão falando? Creio que essa unidade intuída pelo leigo, transformada em uma arquitetura “histórica” unitária, é a da arquitetura pré-modernista. Semelhante entre si no modo de se implantar no terreno e na presença de elementos como “janelas” e “telhados”, transformados completamente no arrojo do projeto de Lelé. Essa percepção inconsciente das diferenças entre a linguagem espacial modernista e a pré-modernista é o fundamento do primeiro estranhamento. Há no entanto um desvio de interpretação que associa seu desajuste à estética da máquina, ao seu aspecto fabril e pouco convencional. [...]

[...] A retirada do Palácio desfaz parcialmente estes estranhamentos – o formal desaparece, o volumétrico se mantém. A demolição dos prédios anteriores criou um vazio que ainda desfiguraria a Praça, urgindo fazer o que se adiou por esse interregno da “provisoriedade” do prédio da Prefeitura. Retirar o prédio não basta, mas é o primeiro passo. (PAZ, 2004)

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Em 1992, o Governo do Estado da Bahia lançou um ambicioso Plano de Recuperação Física para a região do Pelourinho, com objetivos distintos das intervenções anteriores. Inclusive, o Plano obteve grande repercussão na mídia nacional. Segundo Magnavita (2004), a intervenção foi equivocada em relação à preservação das tipologias das edificações e dos terrenos que as abrigavam. Também não foram levados em consideração certos aspectos urbanísticos da área em relação à cidade como um todo, tais como a acessibilidade de estacionamento e de instalações de conforto. Porém, o mais grave foi o processo de gentrificação adotado, com a expulsão da população pobre que lá residia.

Na história recente de intervenções em conjuntos arquitetônicos e urbanos de interesse histórico e social, são inúmeras as controvérsias que proporcionaram. Em tese, tais polêmicas são demarcadas pela relação que se estabelece entre o novo e a tradição, ou seja, entre os novos padrões criados pela cultura contemporânea e aqueles que formam a tradição - o novo versus o velho. (MAGNAVITA, 2004: p.126).

Para que determinada intervenção obtenha sucesso, não basta uma simples adequação ao contexto existente, pois são necessárias criatividade e sensibilidade suficientes para compreender e ressaltar os aspectos culturais às exigências das técnicas contemporâneas. Uma vez que tais aspectos proporcionam novas formas de apropriação à comunidade e o seu envolvimento é fundamental para assegurar o sucesso da intervenção.