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Genel Olarak Fesih Sebepleri

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C) Haklı Sebeple Fesih

1. Genel Olarak Fesih Sebepleri

A história é o exercício da memória realizado para compreender o presente e para nele ler as possibilidades do futuro, mesmo que seja de um futuro a construir, a escolher a tornar possível.

Franco Cambi.

Neste capítulo, antes de descrevermos a nossa experiência propriamente dita, vamos procurar situar melhor as principais concepções que embasaram a mesma, realizando um passeio pela história da criança, da infância, da família e das funções das instituições destinadas à atender as crianças, na certeza de que toda prática, toda experiência, toda proposta é embasada por referenciais teóricos que a sustentam, como também de que conhecer a história é importante para que possamos compreender o presente, e vislumbrar perspectivas para o futuro

3.1- Reflexões iniciais em torno da temática

Para Freitas & Kuhlmann Jr. (2002, p. 7), “A constituição do campo das ciências da infância é objeto de perplexidade àqueles que se ocupam com o estudo sistemático da história da criança”. Perplexidade esta, que segundo ainda estes mesmos autores, têm a sua intensidade, já no fato das próprias formas distintas com que as palavras infância e criança são empregadas. Desta forma, vamos optar por iniciar este capítulo refletindo sobre o significado dos termos criança e infância, bem como sobre as suas histórias, para que os mesmos possam nortear todo o nosso trabalho:

Podemos compreender a infância como a concepção ou a representação que os adultos fazem sobre o período inicial da vida, ou como o próprio período vivido pela criança, o sujeito real que vive esta fase da vida. A história da infância seria então a história da relação da sociedade, da cultura, dos adultos, com essa classe de idade e a história da criança seria

a história da relação das crianças entre si e com os adultos, com a cultura e a sociedade. (FREITAS & KUHLMANN Jr, 2002, p. 7)

Embasados pelas idéias apresentadas pelos autores acima citados, vamos buscar, neste capítulo, a partir de alguns historiadores e outros estudiosos desta temática, fazer uma retomada da história da infância, e da própria criança, bem como da família e das instituições de Educação Infantil. Antes de iniciarmos este passeio pela história da infância e das crianças, porém embasados pela mesma linha de raciocínio já exposta, entendemos pertinente ainda, lembrarmos que “a imaturidade das crianças é um fato biológico, mas a forma como ela é compreendida e se lhe atribuem significados é um fato da cultura” ( PROUT & JAMES, apud, HEYWOOD, 2004, p. 12)

É com base neste novo paradigma da sociologia da infância, proposto por Alan Prout, Allison James e Chris Jenks em 1998, que Heywood ( 2004) destaca três proposições bastante frutíferas para quem quer estudar, com base na história, a infância. São elas:

A primeira é de que a infância deve ser compreendida como uma construção social . Em outras palavras, os termos “criança” e “infância” serão compreendidos de formas distintas por sociedades diferentes.

O segundo elemento do novo paradigma é de que a criança é uma variável da análise social, a ser analisada em conjunto com outras, como a famosa tríade classe, gênero e etnicidade. A terceira afirmação era de que as crianças devem ser consideradas como partes ativas na determinação de suas vidas e das vidas daqueles que estão a seu redor. ( HEYWOOD, 2004, p. 12)

Com base nestes postulados teóricos, vamos passar a fazer uma reflexão sobre a história da infância, retomando algumas épocas históricas com suas respectivas características e contextualizações, como também alguns teóricos, estudiosos da educação e da própria criança, que deixaram contribuições valiosas para a nossa compreensão acerca do assunto, procurando, na medida

do possível, estabelecer relações entre esta história, a história das famílias e das Instituições dedicadas ao trabalho com as crianças

É importante registrar que, apesar de estarmos nos utilizando das classificações por idades, com que a historiografia tradicional marca a passagem do tempo e as mudanças ocorridas no mundo, temos a clareza de que as mudanças na forma das pessoas perceberem a infância, possuem toda uma ligação com os contextos sociais, econômicos, políticos e culturais de cada época – ultrapassando assim, a idéia de que fatos isolados são responsáveis pelas mesmas.

3.1.1- Em busca da visão de infância da idade média

Para Ariès (1981), na sua conhecida obra História social da criança e

da família, considerada por Heywood (2004), como sendo uma “descrição

abrangente e dramática sobre a ‘descoberta’ da infância e um trabalho verdadeiramente seminal,” a infância não foi considerada no período medieval, ou seja, não existia um sentimento de infância que caracterizasse este período da história da humanidade, como podemos perceber nas citações abaixo:

A primeira refere-se inicialmente a nossa velha sociedade tradicional. Afirmei que essa sociedade via mal a criança, e pior ainda o adolescente. A duração da infância era reduzida a seu período mais frágil, enquanto o filhote do homem ainda não conseguia bastar-se; a criança então, mal adquiria algum desembaraço físico, era logo misturada aos adultos, e partilhava de seus trabalhos e jogos. ( ARIÈS, 1981, p. 10)

Até por volta do século XII, a arte medieval desconhecia a infância ou não tentava representá-la. É difícil crer que essa ausência se devesse à incompetência ou à falta de habilidade. É mais provável que não houvesse lugar para a infância nesse mundo. ( ARIÈS, 1981, p. 50)

São essas afirmações de Ariès (1981), baseadas em sua grande maioria no estudo e observação da iconografia da época, que fazem com que,

principalmente historiadores, refutem algumas das suas colocações sobre o sentimento de infância da idade média:

É muito fácil atacar Ariès, e suas afirmações arrebatadoras sobre a infância podem fascinar o intelecto, mas também são muito arriscadas. Em primeiro lugar, os críticos o acusam de ingenuidade no trato das fontes históricas, e são particularmente severos em relação a suas evidências iconográficas. Ariès fez a famosa afirmação de que, até o século XII, a arte medieval não tentou retratar a infância, indicando que “ não havia lugar” para ela em sua civilização. Tudo o que os artistas produziram foi a figura minúscula ocasional lembrando um homem em escala reduzida: um “ anãozinho horrendo” no caso do menino Jesus. Ninguém questiona a idéia de que as crianças costumam estar ausentes da arte da Alta Idade Média. No entanto, como observa Anthony Burton, a concentração nos temas religiosos fez com que muitas outras coisas também estivessem ausentes, notadamente “ quase toda a vida secular”, o que impossibilita que se isole a criança como ausência significativa. ( HEYWOOD, 2004, p. 24)

Analisando as afirmações de Ariès, bem como as críticas a alguns aspectos do seu trabalho e, mais detidamente sobre a ausência do sentimento de infância na idade média, e tomando como base o fato de cada sociedade, em cada época distinta, ter a sua história da infância, ou seja, a sua visão acerca desse período da vida, concordamos com estas críticas, até porque entendemos que o que acontece na realidade é que a maioria das pessoas partem do princípio de que as idéias e práticas sobre a infância são ‘fatos naturais’, e acabam se chocando ao descobrirem que outras sociedades divergem dessas idéias e práticas, ou seja, apresentam dificuldades para compreender que a infância é um fato social, conforme nos elucida Miranda (1987).

Assim sendo, o que fica patente é que Ariès (1981), acabou apresentando algumas conclusões apressadas da história da infância na idade média, contribuindo assim para que não se considerasse a idéia de infância dessa sociedade:

É incrível, mas há quase quarenta anos atrás o próprio Jacques Le Goff perguntou: “teria havido crianças no Ocidente Medieval?” seguindo a trilha deixada por Philippe Ariès, ele

buscou a criança na arte e não a encontrou. É verdade. Apressadamente concluiu então que a criança foi um produto da cidade e da burguesia e, portanto, o mundo rural não a conheceu. Pior: a conheceu sim, mas a desprezou, marginalizando-a. Deixo claro que minha perspectiva será bastante diferente. ( COSTA, 2005, p.1-2)

Concordando com esta afirmação, não estamos querendo negar a grande contribuição deste autor - Ariès, para os estudos acerca da história social da criança e da família, até porque, temos clareza de que, na realidade, “Há uma marginalidade conceptual no que respeita á idéia ou imagem de infância no passado, que é correlata da marginalidade social em que foi tida” (SARMENTO, In: VASCONCELOS E SARMENTO, 2007, p.26-27), e essas questões só começam a se tornar mais perceptíveis na atualidade, a partir de outros estudos, pesquisas e descobertas mais recentes.

Dessa forma, o nosso objetivo com o aprofundamento desse estudo, com base em autores como Miranda (1987), Cambi (1999), Heywood (2004), Costa (2005), Sarmento (2007), dentre outros, é buscar alguns elementos e reflexões que vão, com certeza, corroborar com a seguinte opinião:

Nas palavras da historiadora Doris Desclais Berkvam, isso deixa aberta a questão da possibilidade de existência, na idade média, de “uma consciência da infância tão diferente da nossa, que não a reconhecemos. ( HEYWOOD, 2004, p. 26).

Um dos elementos apresentados por alguns historiadores que criticam a tese de inexistência do sentimento de infância na idade média, defendida por Ariès, é baseado na análise de códigos jurídicos da época, que demonstram que já havia algum reconhecimento das especificidades da infância.

Além desses códigos jurídicos que continham algumas concessões ao status de minoridade da infância, defendendo os direitos de herança dos órfãos, livrando da morte os menores de 15 anos envolvidos em roubo e exigindo, em alguns casos, até o consentimento de crianças com relação a um casamento; o próprio discurso greco-romano sobre o sujeito, apresentando

estudos detalhados sobre a infância, demonstram a fragilidade da tese de que o sentimento de infância não existia na idade média.

Diante dessas evidências, concordamos com a seguinte afirmação: “Uma abordagem mais frutífera é buscar essas diferentes concepções sobre a infância em vários períodos e lugares, e tentar explicá-las à luz do material e das condições culturais predominantes” (HEYWOOD 2004, p.27). É isso que estamos nos propondo a fazer, considerando também as contradições, que como veremos mais adiante, sempre estiveram presentes na história da infância.

“Uma pesquisa francesa recente proclama que a criança nunca foi tão celebrada como na idade média” (HEYWOOD, 2004, p.28), e um bom exemplo disso é o próprio papa da época – Leão, o grande, que fazendo suas pregações no século V dizia que “Cristo amou a infância, mestra da humildade, lição de inocência, modelo de doçura”. O próprio culto ao menino Jesus, tão presente durante o século XII, é outro exemplo de exaltação á infância.

Costa (2005), também se reporta a grande revolução que o Cristianismo representou para a visão de criança, embora ressalte que o processo tenha sido lento, demorado, levado à cabo pela igreja. Referendando esta idéia ele cita que:

Os monges criaram verdadeiros “jardins de infância” nos mosteiros, recebendo indistintamente todas as crianças entregues, vestindo-as, alimentando-as e educando-as, num sistema integral de formação educacional. (COSTA, 2005, p. 4)

Ainda com base nos autores já citados, vimos que alguns estudos recentes sugerem que a Idade Média compreendia a infância como um processo, ao invés de um estado fixo, ou seja, neste período já existia uma compreensão de toda esta dinâmica do crescimento, apresentando as sucessivas etapas vivenciadas pelas crianças até atingir a idade adulta. Este fato fica patente quando analisa-se a literatura médica, didática e moralizadora deste período, deixando claro, também, que a Europa medieval reconhecia algumas qualidades positivas na infância, principalmente nos mais jovens, já

que os adolescentes eram vistos com algum desagrado pela própria licenciosidade e lascívia que apresentavam nesta fase da vida.

Não se pode negar que os autores medievais preferiam escrever sobre a idade adulta, não se dedicando muito à infância, o que fica retratado no fato de um levantamento de histórias e crônicas da alta idade média ter concluído que elas eram bastante vazias em relação à infância, como também no fato de que há um silêncio de mil anos com relação ás crianças entre Santo Agostinho e a reforma.

Uma reflexão em torno desses fatos nos leva realmente a perceber que, na verdade, o que acontecia na Idade Média não era um desconhecimento da idéia de infância, mas uma forma diferente de tratar a infância, talvez mais vaga ou indefinida até:

De qualquer maneira, o fato é que, historicamente, o papel da criança sempre foi definido pelas expectativas dos adultos, e esse anseio mudou bastante ao longo da história, embora a família elementar e o amor tenham existido em todas as épocas. (COSTA, 2005,p. 2)

No tocante a existência, em todas as épocas, do sentimento de família elementar e de amor, podemos exemplificar com o fato citado pelo próprio Costa (2005), de que “Fredegunda, uma das mulheres mais cruéis da história, apesar de filha do seu tempo bárbaro, chora a morte de seus filhos e afirma que perdeu o que tinha de mais belo”.

Ou seja, a idade média, como todas as outras épocas da história da humanidade, teve o seu sentimento, a sua visão de infância, embasados, obviamente, pelos contextos e conjunturas que a sociedade vivia naquele período. Vamos prosseguir, analisando outras formas de se considerar a infância ao longo do tempo, cientes também de que em uma mesma época, numa mesma sociedade, podem conviver formas diferentes de se pensar e vivenciar a infância, embora haja a predominância de uma sobre as outras em cada um desses momentos.

3.1.2- O sentimento de infância na idade moderna

Apesar das críticas feitas a alguns aspectos do trabalho de Ariès, não se pode negar que:

Ao se procurarem transformações de longo prazo nas concepções acerca da infância, mais uma vez foram Philippe Áries e sua História Social da Criança e da Família que, em princípio, estabeleceram a agenda para os historiadores. Sua principal preocupação, evidentemente, era documentar o surgimento, durante o período moderno, de um sentiment de

l’enfance: uma expressão ambígua, que transmite tanto a idéia

de uma consciência da infância quanto de um sentimento em relação a ela. (HEYWOOD, 2004, P. 33)

Independente da crítica historiográfica a que a obra de Áries tem sido submetida, há, no entanto, um conjunto de aspectos pelos quais é considerada como uma referência incontornável, a ponto de, de alguma maneira, não apenas a História da infância, mas os estudos da infância em geral, terem sofrido, a partir dela, uma mudança de rumo significativa. (SARMENTO, In: VASCONCELOS E SARMENTO, 2007, P. 27)

Para Ariès ( 1981), foi o fato novo de mães e amas começarem a tratar as crianças como fonte de prazer, valorizando seus gracejos, espontaneidades e doçuras, como também a valorização que as famílias passaram a dispensar a educação, que possibilitaram o surgimento, do que ele classifica como sentimento de infância na idade moderna, e até mesmo de um novo sentimento de família:

A família tornou-se o lugar de uma afeição necessária entre os cônjuges e entre pais e filhos, algo que ela não era antes. Essa afeição se exprimiu sobretudo através da importância que se passou a atribuir a educação. Não se tratava mais apenas de estabelecer os filhos em função dos bens e da honra. Tratava- se de um sentimento inteiramente novo: os pais se interessavam pelos estudos de seus filhos e os acompanhavam com uma solicitude habitual nos séculos XIX e XX, mas outrora desconhecida.( ARIÈS,1981, p.11-12)

Além de Ariès, vários outros historiadores se reportam a fatos diferentes para justificarem o nascimento de um novo sentimento de infância, ou a descoberta deste sentimento, na idade moderna:

C. John Sommerville sustenta que “ um interesse permanente pelas crianças na Inglaterra começou com os puritanos que foram os primeiros a se questionar sobre sua natureza e seu lugar na sociedade” ( HEYWOOD, 2004, p. 36)

Okenfuss afirma de forma inequívoca que “a infância foi descoberta na Rússia na década de 1690”, tomando como evidência a série de cartilhas eslavas produzidas por Karion Istomin (1640-1717) em Moscou. ( HEYWOOD, 2004, p. 36). Enquanto alguns historiadores observam a esfera cultural para explicar o interesse renovado nas crianças durante este período, outros destacaram o impacto das transformações econômicas, argumentando que o período entre os séculos XV e XVIII testemunhou o surgimento do capitalismo na Europa Ocidental. ( HEYWOOD, 2004, p. 37)

Como podemos observar, cada autor citado acaba fazendo uma espécie de reducionismo, colocando o surgimento, ou a mudança no sentimento de infância na idade moderna, como tendo origem em um único fator, seja ele emocional, cultural, econômico ou social.

As teses que temos defendido até agora, nos permitem perceber este reducionismo e afirmar que na realidade, cada época, cada momento histórico, partindo das transformações de ordem social, econômica, política, cultural, psicológica, enfim, de todo um contexto mais amplo que cerca as relações em sociedade, apresenta idéias diferentes sobre a criança e a infância, embora com a predominância de umas sobre as outras. Com a chamada idade moderna, não poderia ser diferente!

Com o fim do quatrocentos ( tomando 1453 como ano-chave e ano-símbolo, com a queda do império do oriente, ou 1492, com a descoberta da América, a morte de Lorenzo, o Magnífico, e a expulsão dos mouros de Granada, ou 1494, com o início das dominações estrangeiras na Itália), fecha-se um longo ciclo histórico e preparara-se outro, igualmente longo e talvez ainda inconcluso, que é geralmente designado como Modernidade. Trata-se de um ciclo histórico que tem características

profundamente diferentes do anterior, em relação ao qual ele opera uma ruptura consciente, manifestando estruturas substancialmente homogêneas e orgânicas. (CAMBI, 1999, p. 195).

Segundo ainda este mesmo autor, como não poderia deixar de ser, as mudanças no âmbito educacional também são muito grandes e profundas neste período:

Mudam assim os fins da educação, destinando-se esta a um indivíduo ativo na sociedade, liberado de vínculos e de ordens, posto como artifex fortunae suae e do mundo em que vive; um indivíduo mundanizado, nutrido de fé laica e aberto para o cálculo racional da ação e suas conseqüências. Mas mudam também os meios educativos: toda a sociedade se anima de locais formativos, além da família e da igreja, como ainda da oficina; também o exército, também a escola, bem como novas instituições sociais ( hospitais, prisões e manicômios) agem em função do controle e da conformação social, operando no sentido educativo; entre essas instituições, a escola ocupa um lugar cada vez mais central [...] (CAMBI, 1999, p. 198-199)

Diante de tantas e tão profundas mudanças, fica para nós a seguinte interrogação: Mesmo considerando todos os fatos, sem reduzir a este ou aquele único fator as mudanças ocorridas, será que realmente todas as crianças passaram a usufruir dessas transformações? E a história da infância? Será que modificou-se por completo, a partir das transformações de ordem social, econômica, emocional, legal e cultural que se realizaram com o chamado advento da modernidade?

Na realidade, apesar das grandes contribuições para a história da criança e da infância, deixadas por todo o contexto sócio-econômico-político- cultural-filosófico da chamada idade moderna, na nossa opinião, muitas dessas indagações, só começaram a fazer sentido, a partir de algumas reflexões da contemporaneidade, principalmente as que dizem respeito as contradições relativas as concepções de criança e infância que se fazem perceptíveis, não apenas de uma época, ou de uma sociedade para outra, mas em uma mesma época, no seio de uma mesma sociedade.

3.1.3 - Reflexões sobre as contradições da história da infância na contemporaneidade

Mesmo considerando as afirmações com que encerramos o item anterior sobre a idade moderna, para termos uma idéia mais precisa do quanto a criança, a infância e a história de ambas, ainda precisam ser mais conhecidas, debatidas e discutidas, principalmente no campo da educação, precisamos saber que, apesar de todos os avanços já evidenciados acima:

Entretanto, somente em 1990, os sociólogos da infância reuniram-se pela primeira vez no Congresso Mundial de Sociologia para debater sobre os vários aspectos que envolvem o processo de socialização da criança e a influência exercida sobre esta pelas instituições e agentes sociais com vistas à sua integração na sociedade contemporânea. (QUINTEIRO, 2006, p. 01))

Não estamos querendo dizer com isto que, durante os primeiros tempos da idade contemporânea não aconteceram mudanças ou avanços na história da criança e da infância, pelo contrário. Estamos querendo apontar o quanto que ainda precisamos avançar, pois:

A natureza contraditória das idéias e emoções relacionadas à infância é como um fio que percorre a literatura histórica. É

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