RİSKE YÖNELİK DENETİM VE ÖZELLİKLERİ
3.5. GENEL KABUL GÖRMÜŞ DENETİM STANDARTLARI KAPSAMINDA DÜZENLEMELER
Exemplo (16)
Estudante falando para estudante: Sombreamento verbal
S1: (…) Ele não está julgamento
S2:. Ele definitivamente está julgamento 22 (REES-MILLER, 2000, p. 1111)
A autora ressalta que esse tipo de desacordo foi por ela considerado porque contradiz de alguma forma o enunciado anterior. Em alguns exemplos, a declaração contraditória é feita por meio de palavras repetidas, deixando obscura a posição do falante, ou com entonação alterada; respondendo a informações pedidas, não se constituindo propriamente de desacordo no contexto enunciado.
Apresentamos, a seguir, o Quadro 6, sintetizando os tipos de desacordo e os recursos semântico-gramaticais, propostos pelos autores:
Judgmental vocabulary
S S: (…) I mean, come on, that’s ridiculous! (REES-MILLER, 2000, p. 1111)
22 Exemplo (16)
Student speaking to student: Verbal shadowing
S1: (…) He’s not passing judgment. S2: He’s definitely passing judgment. (REES-MILLER, 2000, p. 1111)
AUTORES TIPOS DE DESACORDOS E RECURSOS SEMÂNTICO-GRAMATICAIS
Pomerantz (1984)
Desacordo forte: avaliação negativa explícita (não)
Desacordo fraco: prefácios (hum..., ahn..., eh....); iniciadores de reparos (como? quê?), componente de acordo com adversativa (é..., mas...), repetição do enunciado anterior, retardos (demora, silêncio).
Kakavá (1993)
Desacordo forte: avaliação negativa com ou sem repetição
Desacordo forte mitigado: resposta contrastiva com justificativas, relatos e acordos parciais (é..., mas...).
Desacordo mitigado: pré-acordos + desacordo (concordo, mas...), formas mitigadoras (eu acho que..., talvez se...), e reformulações.
Rees-Miller (2000)
Desacordo mitigado: comentários positivos + contraste, acordos parciais, Humor, adjuntos e operadores modais (eu acho, talvez, parece etc.), prefácios (hum, eh etc.), pronomes pessoais inclusivos.
Desacordo agravado: questões retóricas, imperativo, intensificadores, pronomes de informalidade, vocabulário de acusação, vocabulário de julgamento.
Desacordo nem mitigado nem reforçado: declarações contraditórias e expressões de indiferença (verbal shadowing)
Petraki (2005)
Desacordo forte: conjuntivo ‘que’ + repetição parcial do enunciado (what + parcial repeat); repetição contrastiva com pedido de confirmação (tag questions), sarcasmo, ironia, perguntas com ‘que’ ou ‘por quê’, argumentos lógicos iniciados por questões retóricas.
QUADRO 6 – DESACORDO: AUTORES, E RECURSOS SEMÂNTICO-GRAMATICAIS Fonte: Pomerantz (1984); Kakavá (1993; 2002); Rees-Miller (2000); Petraki (2005).
Entre os tipos de desacordo e os recursos semântico-gramaticais propostos pelos autores, alguns correspondem entre si, outros não. Considerando que o estabelecimento dos recursos em tais tipos foi determinado pela escolhas linguísticas e posição seqüencial na conversa – caso de Pomerantz – e no contexto de situação interacional – caso de Kakavá, Petraki e Rees-Miller –, sentimos a necessidade de uma sistematização dos recursos que são comuns entre os autores em tipos correspondentes, uma vez que são complementares e servirão de apoio para a nossa análise.
Para essa sistematização usamos como base os exemplos citados pelos autores e estabelecemos critérios relacionados: (a) à recorrência dos mesmos recursos de desacordo nos mesmos tipos estabelecidos pelos autores; (b) à posição seqüencial desses recursos na estrutura organizacional da conversa; (c) ao contexto de situação; e (d) às estratégias de polidez de Brown e Levinson (1987). Assim temos:
(a) os recursos linguísticos utilizados para realizar o desacordo fraco, de Pomerantz, correspondem aos recursos estruturantes do desacordo mitigado, de Kakavá e de Rees-Miller. Tais recursos são expressos por formas compensatórias de polidez positiva e negativa; concretizadas em segunda posição da sequência preferencial, não realizadas como movimentos iniciais, ou seja, não introduzem imediatamente o desacordo na interação. O Quadro 7 evidencia a possibilidade dessa correspondência;
Pomerantz
(1987) (1993; 2002) Kakavá Rees-Miller (2000)
desacordo fraco desacordo mitigado desacordo mitigado acordo + adversativa repetição reparos retardos prefácios pré-acordos + desacordo repetição justificativa
comentários positivos + contraste acordos parciais
adjuntos e operadores modais prefácios
pronomes pessoais inclusivos humor
QUADRO 7 – DESACORDO FRACO E RECURSOS SEMÂNTICO-GRAMATICAIS Fonte: Pomerantz (1987); Kakavá (1993; 2002); Ress- Miller (2000).
(b) os recursos linguísticos utilizados para realizar o desacordo forte, de Pomerantz, correspondem aos recursos estruturantes do desacordo forte, e forte mitigado de Kakavá, complementados por um dos recursos propostos por Petraki. Rees-Miller não estabelece o tipo ‘forte’ de desacordo, mas o ‘agravado’, que em termos lexicais e discursivos não se relacionam sinonimicamente com o tipo forte proposto pelas outras autoras. Os recursos de desacordo forte são expressos de forma direta, sem estratégias compensatórias de polidez e, em termos de organização seqüencial, são realizados, também, em segunda posição, como movimentos iniciais, isto é, introduzem imediatamente o desacordo na interação (POMERANTZ, 1987; KAKAVÁ, 1993; 2002). Ilustramos essa correspondência no Quadro 8;
Pomerantz (1987) Kakavá (1993; 2002) Kakavá (1993; 2002) Petraki (2005)
desacordo forte desacordo forte desacordo forte mitigado desacordo forte avaliação
negativa explícita
avaliação negativa com ou sem
resposta contrastiva com justificativas e/ou relatos
‘que’ + repetição parcial do enunciado
(não) repetição e acordos parciais repetição contrastiva + pedido de confirmação QUADRO 8 – DESACORDO FORTE E RECURSOS SEMÂNTICO-GRAMATICAIS
Fonte: Pomerantz (1987); Kakavá (1993; 2002); Petraki (2005).
(c) a maioria dos recursos linguísticos utilizados para a realização do desacordo, observados por Petraki, e ressaltados por ela como complementares ao tipo de desacordo forte de Kakavá (1993; 2002), correspondem gramática e discursivamente com os propostos por Rees-Miller, como desacordo agravado. Os recursos de desacordo agravado são expressos de forma direta, sem estratégias de compensação, e em termos de estruturação preferencial, são realizados, também, em segunda posição; porém, diferentemente da posição dos outros tipos, o desacordo agravado ocorre em situações de desacordo já estabelecido (REES- MILLER, 200; PETRAKI, 2005). O Quadro 9 apresenta essa correspondência.
Rees-Miller
(2001) Petraki (2005)
desacordo agravado desacordo: forte
questões retóricas intensificadores imperativo pronomes de informalidade vocabulário de acusação vocabulário de julgamento questões retóricas
perguntas com ‘que’ ou ‘por quê’ sarcasmo,
ironia
QUADRO 9 – DESACORDO AGRAVADO E RECURSOS SEMÂNTICO-GRAMATICAIS Fonte: Rees- Miller (2000); Petraki (2005).
Feitas as correspondências, podemos estabelecer três tipos de desacordo: (a)
desacordo mitigado – estruturado por prefácios, reparos, retardos, pré-acordo ou
acordo parcial seguido de resposta adversativa (contrastiva) e/ou repetição, justificativas, contraste iniciado com adjuntos e operadores modais e/ou pronomes pessoais inclusivos e humor; (b) desacordo forte – estruturado por avaliação negativa explícita (não) com ou sem repetição do enunciado, resposta contrastiva seguida de justificativas e/ou relatos e acordos parciais, perguntas iniciadas com ‘que’ + repetição parcial do enunciado e repetição contrastiva com pedido de confirmação (tag questions); e (c) desacordo agravado – estruturado por questões retóricas, perguntas com ‘que’ ou ‘por quê’, intensificadores, imperativo, pronomes
de informalidade, vocabulário de acusação e de julgamento, sarcasmo e ironia.. Ressaltamos que não consideramos o tipo nem fraco nem forte, proposto por Rees- Miller (2000, p. 1094), por não constituir, conforme a autora, desacordo propriamente dito, mas recursos que respondem a informações pedidas.
O Quadro 10 sintetiza a nossa sistematização, apresentando os tipos de desacordo e seus respectivos recursos semântico-gramaticais. É essa sistematização que utilizaremos em nossa análise.
TIPOS DE DESACORDO E RECURSOS SEMÂNTICO-GRAMATICAIS
Desacordo mitigado: prefácios, reparos retardos, pré-acordo ou acordo parcial + resposta adversativa, pré-acordo ou acordo parcial + resposta contrastiva com repetição e/ou justificativas, contraste iniciado com adjuntos e operadores modais e/ou pronomes pessoais inclusivos e humor.
Desacordo forte: avaliação negativa explícita com ou sem repetição, resposta contrastiva seguida de justificativas e/ou relatos e acordos parciais, perguntas iniciadas com ‘que’ + repetição parcial do enunciado, repetição contrastiva com pedido de confirmação.
Desacordo agravado: questões retóricas, perguntas com ‘que’ ou ‘por quê’ intensificadores, imperativo, pronomes de informalidade, vocabulário de acusação, vocabulário de
julgamento, sarcasmo, ironia.
QUADRO 10 – TIPOS DE DESACORDO E RECURSOS SEMÂNTICO-GRAMATICAIS