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Üç Genç ile YaĢlı Adam ve PadiĢahın Kızı

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7.10. Üç Genç ile YaĢlı Adam ve PadiĢahın Kızı

Por mais que o setor privado tenha forte presença histórica e possua há algumas décadas a maioria das matrículas da educação superior, o Brasil sempre possuiu um setor público forte, sobretudo desde a segunda metade do século passado. Ao falar sobre a importância do setor público, Sguissardi (2005, p.111) destaca que o setor público de educação superior concentra mais de 90% da pesquisa produzida no país e ―mais de 80% dos mestres e 90% dos doutores titulados são frutos do investimento público e da atividade científico-acadêmica das universidades públicas (federais e estaduais)‖.

No período de 2003 a 2010, houve um considerável crescimento no número de vagas e matrículas em instituições públicas: o número de IFES cresceu 31% (de 45 para 59), com aumento de 85% no número de campus (de 148 para 274). Aumentou também o número de cidades que passou a contar com campi de IFES (de 114 para 272), o que representou um aumento de 138%. (MEC, 2012).

Segundo o último censo da Educação Superior (2013) divulgado em setembro de 2014, o setor público conta com 1.932.527 das 7.305.977 matrículas de graduação, o que

representa 26,4 % do total das matrículas. Na pós-graduação Scricto Sensu, 172.026 dos 203.717 alunos matriculados estão em instituições públicas. Os dados atestam que apesar do protagonismo do setor privado em relação às matrículas, o setor público apresentou sinais de crescimento nos últimos anos.

Ao apresentar os principais atores do subsistema de educação superior, Barreyro (2009, p. 87) destaca os docentes das IES públicas, especialmente as Ifes e suas associações. A autora os apresenta como indivíduos que foram ou são próximos ao Partido dos Trabalhadores (PT), ―alguns deles militantes ou filiados a esse partido‖. Em relação à sua atuação, ela diz que esses docentes ―defendem as instituições públicas que tinham sofrido falta de investimentos na década anterior. Mas não é um grupo único, atuam em diversas organizações, e, às vezes têm diferenças entre si‖.

Alguns dos atores mais atuantes durante o processo de formulação do Prouni foram exatamente as associações de docentes das IFES e, nesse contexto, destacou-se o sindicato Andes (Sindicato Nacional dos Docentes do Ensino Superior). Fundado em 1981, o sindicato nasceu a partir da união das associações docentes de várias universidades brasileiras, que começaram a aparecer ainda no final dos anos 70. Os Encontros Nacionais de Associações docentes, que ocorrem desde 1979, sempre trouxeram em sua pauta três temáticas principais que denotam o posicionamento do Sindicato em relação à educação superior: 1) defesa do ensino público e gratuito; 2) democratização da universidade; e 3) questões trabalhistas e salariais. Esse último é ainda mais delicado ao se tratar das IES privadas, visto que nelas ―o quadro é ainda pior, uma vez que os professores, sem nenhuma segurança no emprego, ficam sujeitos ao arbítrio dos patrões‖, havendo inúmeros casos de ―docentes que foram sumariamente despedidos, quer por razões ideológicas, quer por tentarem organizar ADs em seus locais de trabalho‖. (ANDES, on line)

O Andes deixa claro o seu posicionamento de contrariedade ao subsídio às mantenedoras das IES privadas e o que considera ―a farsa da reversão do modelo privatizante que hoje prevalece no ensino superior brasileiro, ou seja, expansão da rede pública e maior controle sobre as mantenedoras do ensino particular‖. O Sindicato defende a redefinição do estatuto dessas entidades, ―separando rigidamente a gestão patrimonial da gestão acadêmica, administrativa e financeira das IES‖, para garantir maior autonomia das IES (sejam universidades ou faculdades isoladas) em relação às mantenedoras, o que permitiria ―um maior controle e fiscalização do Estado sobre estas últimas‖. (ANDES, on line)

A respeito do crescimento do setor privado de educação superior, o Andes destaca o fortalecimento do "lobby privatista", caracterizado nas assembleias docentes, grupos de

trabalho, encontros e congressos. A entidade afirma não ter uma definição clara para conceituá-lo, mas destaca alguns pontos a respeito desse lobby:

a) o "lobby" privatista não é feito somente pelos empresários do setor e seus representantes institucionais, mas também por empresários, ―políticos, burocratas do aparelho do Estado, correntes partidárias afins com a privatização e até mesmo docentes cooptados administrativamente ou identificados com as propostas empresariais‖;

b) os diversos atores que compõem esse ―lobby‖ têm basicamente o mesmo objetivo: ―aumentar a rentabilidade do processo educacional‖, traduzido de maneira distinta para cada ator. Para os empresários, a rentabilidade é o lucro; para os especialistas do Ministério, uma maior produtividade acadêmica; para as chamadas IES "confessionais", um equilíbrio orçamentário (com subsídios do Estado). No interior do ‖lobby‖, há espaço para os mais diversos discursos, desde o de liberação da lucratividade da escola e minimização da fiscalização do Estado, até as propostas "comunitárias" que abrem mão do direito ao lucro em troca do subsídio;

c) segundo o Sindicato, o ―lobby‖ é bastante abrangente e dependendo do objetivo perseguido, angaria maior ou menor número de adesões, na estratégia de pressão sobre o Estado. Esse ―lobby‖ é articulado por grandes empresários do ensino, diretorias de sindicatos e associações patronais, funcionários do Ministério, de suas delegacias ou conselheiros, e parlamentares proprietários, sócios ou sustentados por recursos de empresa-escola; (ANDES, on line).

Ao avaliar a relação entre mantenedoras e mantidas, o Andes afirma que as mantenedoras ―por definição, deveriam manter, mas na verdade, são mantidas‖. A maior parte dos custos é paga pela IES à sua própria ―mantenedora" sob a forma de despesas como aluguel, taxas, depreciação, manutenção ou de qualquer outro expediente contábil, sem que tenha sido gerada, de fato, qualquer renda adicional, uma vez que na dissociação mantenedora—IES caberá às primeiras a administração financeira, o que permite obter rendimentos de capital não apresentados em balanços demonstrativos ou nos orçamentos das Instituições. (ANDES, on line)

Além do Andes, diversas associações de docente também se manifestaram contrariamente em relação ao Prouni. A ADUFRJ publicou em seu site um clipping com a repercussão do Programa nos principais jornais e portais de notícias, destacando as críticas sofridas pelo governo ao criá-lo. Outra entidade que atuou de maneira contrária ao Prouni e em coalizão com as supracitadas foi a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes). Fundada em maio de 1989, a Associação intitula-se

como ―a representante oficial das universidades federais na interlocução com o governo federal, com as associações de professores, de técnico-administrativos, de estudantes e com a sociedade em geral‖. No artigo 2º de seu estatuto social, a Andifes apresenta como objetivo ―a integração das instituições federais de ensino superior, sua valorização e defesa‖, utilizando como instrumento ―a articulação com os diversos entes públicos nas esferas federal, estadual e municipal‖.

A Associação representa 62 IFES, das quais destaca ―um relevante papel de indução do desenvolvimento econômico, social e cultural‖ em que atuam sendo, muitas vezes, ―a única opção de ensino superior‖. No manifesto ―Em defesa da universidade pública e gratuita‖, publicado em 2013, a Andifes critica o crescimento da educação superior privada e dos ―interesses particularistas no domínio das instituições e na formulação das políticas públicas‖. O documento segue afirmando que ―tais presenças explicam a convivência de privilégios sociais para determinados grupos, com a exclusão de parcelas significativas da sociedade dos direitos civis, políticos e sociais, impedindo à realização efetiva da cidadania‖. (ANDIFES, 2013).

A Andifes constata que a ―disputa entre interesses privatistas e públicos tem se agravado com a agudização dos processos de mundialização do capital, tornados mais evidentes no final dos anos 1980‖, evidenciando um conflito entre concepções no tocante à educação superior. (ANDIFES, 2013).

Ao avaliar a questão do público versus privado na educação superior, a Andifes analisa:

o que está em jogo com a confusão entre público e privado, direitos e privilégios, política e gestão, é o caráter público da educação no Brasil, uma vez que os interesses particularistas dos conglomerados incumbidos da gestão privada de um bem público têm encontrado respaldo nas instituições e nas práticas políticas brasileiras (...). Dessa forma, os interesses do mercado aparecem como se fossem de toda a sociedade, consolidando uma ―pedagogia do capital‖, baseada no individualismo como valor absoluto. (ANDIFES, 2013).

Ainda segundo a Andifes (2013), a prevalência do setor privado reflete a articulação e influência da coalizão privatista, que representa um núcleo de poder que promove a ―financeirização do capital com dinâmicas monopolísticas que se expressam por meio de aquisições e fusões de instituições privadas de ensino superior, inclusive em bolsas internacionais‖.

Ao comparar os casos de Brasil e Chile, os dois países sul-americanos com maior percentual de matrículas na educação superior privada, a Andifes encontra uma grande

diferença: ao que passo que no Chile o processo de ―ataque‖ ao setor público foi feito de maneira abrupta. No Brasil,

a onda privatista veio de forma mais sutil, mas, nem por isso, menos grave. Até o final dos anos 1960, cerca de 70% das vagas de ensino superior estavam nas universidades públicas. Hoje, as universidades privadas respondem por 80% do ensino superior no país. Na maioria dos casos elas não têm qualidade nem presença em pesquisa, muito menos em extensão. Tais instituições vivem de mensalidades exorbitantes e, também, de recursos públicos como o Fies e o Prouni.

A Andifes deixa clara sua posição em ―defesa da universidade pública como base da expansão e da construção do sistema universitário‖, além de posicionar-se ―contrariamente à privatização do ensino superior, principalmente, por grandes conglomerados monopolistas, ligados aos interesses financeiros nacionais e internacionais‖. (ANDIFES, 2013, p. 2).

Em relação ao financiamento da educação superior, assim como todos os atores integrantes da coalizão, a Associação defende o financiamento público, uma vez que

A escassez de recursos tem levado à assunção de alternativas enganosas como, por exemplo, a disseminação de fundações privadas no interior de universidades públicas. As verbas que estas podem obter, geralmente, acabam sendo um elemento de desagregação e divisão da universidade, pois, como ensina o dito popular, quem paga a banda escolhe a música e, no Brasil, as empresas não têm tradição com a construção do ―conhecimento desinteressado‖; quando investem, o fazem com um objetivo de retorno imediato. (ANDIFES, 2013, p. 3)

Outra entidade que compôs a coalizão estatista, mas cujo posicionamento foi inconstante, foi a União Nacional dos Estudantes. Criada em 1937, a UNE é a maior entidade estudantil do país tendo atuação destacada em diversos históricos, como a campanha ―O petróleo é nosso‖, nos anos 40, o movimento ―Diretas Já‖, nos anos 80, e o ―Movimento dos Caras-pintadas‖, que pediu o impeachment do presidente Collor de Mello, em 1992.

Os atores acima descritos são os principais representantes da coalizão aqui denominada de estatista, que posicionou-se de maneira contrária ao Prouni, defendendo maiores investimentos no setor público de educação superior.

5 NARRATIVA DA DINÂMICA DO SUBSISTEMA DE EDUCAÇÃO SUPERIOR NO