7. EL-FEREC BA‟DE‟ġ-ġĠDDE‟DEKĠ HĠKÂYELERĠN ÖZETLERĠ (ĠLK
1.2. Düğüm Motifleri
1.2.22. Cadı ve Cadıya Kurban Sunma
A primeira das hipóteses de coalizão do ACF afirma que no campo de um subsistema de política maduro, a disposição dos aliados e oponentes em relação às controvérsias que envolvem crenças centrais (core beliefs) tende a ser consideravelmente estável ao longo de uma década ou mais. Ao analisar o desenvolvimento da educação superior nos últimos 10, em que pese às modificações estruturais e o desenvolvimento de outras políticas públicas por parte do governo, essa hipótese mostra-se confirmada no caso do subsistema do Prouni. As crenças centrais das duas coalizões identificadas permaneceram estáveis durante os últimos 10 anos, ao se analisarem as duas coalizões.
As crenças centrais da coalizão privatista foram resumidas em publicações da Abmes, ator mais representativo do setor privado de educação superior, no ABMES Cadernos,
publicação anual da entidade. Além das diversas cartas abertas ao MEC e a outros destinatários oficiais, cabe destacar um documento chamado Carta de Salvador, elaborada durante o IV Congresso Brasileiro da Educação Superior Particular, realizado em Salvador/BA, nos dias 5, 6 e 7 de maio de 2011. A primeira crença destaca a necessidade de coexistência entre os setores público e privado na educação superior. Muito embora haja posicionamentos de alguns atores dessa coalizão afirmando que o governo deveria focar-se na educação básica, o posicionamento majoritário é que as IES privadas e as públicas devem coexistir no sistema de educação superior.
Do projeto inicial à Medida Provisória que instituiu o Prouni, houve um amadurecimento muito grande, da parte do próprio Governo e da sociedade, e uma percepção nova em relação à educação ministrada em instituições não públicas. Neste sentido, poder-se-á mudar o quadro, num futuro muito próximo, a partir de uma integração efetiva entre os setores privado e público, especialmente na área educacional, com proveito mútuo e com benefício social inequívoco, como se pretende com o Prouni. (ABMES, 2003, p. 6).
Ao destacar a necessidade dessa complementariedade, as IES privadas destacam o papel estratégico do setor privado:
A esse respeito, é interessante observar, afinal, que quem está promovendo esses princípios, na prática e não no discurso, é exatamente o setor privado. Basta perguntar onde estariam hoje os milhões de estudantes que ingressaram, obtiveram sua formação profissional e seus diplomas em instituições particulares de ensino superior. Se não fosse o setor privado – hoje responsável por 71% das matrículas no Ensino Superior – não existiria, por exemplo, o Programa Universidade para Todos (Prouni) que o governo tanto enaltece.(ABMES, 2005, p. 30).
Outra crença central da coalizão privatista é a necessidade de desenvolvimento, por parte do governo, de políticas públicas que incluam o setor privado. Anteriormente ao Prouni, outras políticas públicas com essa característica já haviam sido criadas como o Crédito Educativo e o Fies. Atualmente, várias IES privadas estão se beneficiando do Pronatec, oferecendo cursos técnicos ou mesmo abrindo escolas técnicas.
A edição 39 da revista Estudos, publicada pela ABMES em 7 de dezembro de 2010 com o título ―Políticas públicas para o ensino superior particular‖, ―apresenta um esforço da Abmes em oferecer ao governo Dilma Rousseff, iniciado em 2011, subsídios à elaboração de políticas para o desenvolvimento e o fortalecimento da educação superior, notadamente para o setor particular‖. (ABMES, 2010, p. 85).
O documento lista algumas das crenças da coalizão privatista, das quais se destacam: a) a necessidade de expansão da educação superior; b) a definição de políticas por parte dos órgãos governamentais, com clareza de objetivos e propósitos, para a superação dos principais
problemas educacionais; c) a necessária participação do setor privado na expansão da educação superior; e d) a substituição do controle formal e burocrático por mecanismos competitivos associados a sistemas permanentes de avaliação. (ABMES, 2010).
A coalizão estatista também manteve suas crenças centrais durante a última década. A primeira delas é a de que, embora reconheça o setor privado, a educação superior deve ser pública e gratuita. Essa bandeira tem sido defendida em fóruns, congressos e demais eventos promovidos, sobretudo, por dirigentes, docentes e servidores técnicos-administrativos das Ifes. Outra crença central é que os recursos públicos destinados à educação superior devem ser disponibilizados integralmente para as instituições públicas, devendo o setor privado autofinanciar-se.
Algumas dessas crenças foram apresentadas na Plenária Nacional do Fórum Nacional em Defesa da Escola Pública (FNDEP), que ocorreu nos dias 10 e 11 de setembro de 2004, reunindo entidades como: Andes, Conselho Federal de Psicologia, Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (Contee), Executivas Nacionais de Cursos, além da FASUBRA e UNE. A pauta natural naquele momento era o Prouni, tendo todas as entidades citadas acima se posicionado de maneira contrária ao Porgrama, o que, segundo Leher (2004, p. 887) demonstra ―o grau de isolamento da política do governo federal para a educação, ante as entidades que protagonizaram a luta em defesa da escola pública‖.
O mesmo Fórum se reuniu durante a realização do XXV Simpósio Nacional da Associação Nacional de Política e Administração da Educação (ANPAE) em 27 de abril de 2011 e emitiu nota, por ocasião da discussão em torno do Projeto de Lei n. 8.305/2010, que contempla o PNE 2011-2020, em que reitera o compromisso com as bandeiras de 2004.
O Encontro Nacional de Educação, ocorrido em 10 de agosto de 2014, trouxe como tema de sua primeira mesa de debates ―Unificar e internacionalizar as lutas para barrar a mercantização da Educação‖. Os eixos centrais que nortearam todas as discussões do Encontro foram: privatização e mercantilização, financiamento, precarização das condições de trabalho, acesso e permanência e democratização da educação.
Nesses 10 anos de implementação do Prouni, ocorreram algumas mudanças no contexto da educação superior brasileira. De fato, a coalizão estatista logrou conquistas, como a expansão da rede federal de educação superior, com a criação de novas universidades federais e aumento na participação do setor público no total das matrículas, conforme descrito na seção 4.1.2.
Porém, apesar do crescimento absoluto no número das matrículas, a proporção de matrículas no setor privado aumentou. Segundo o Censo da Educação Superior de 2004, o
setor privado respondia por 71,7% das matrículas; em 2005, primeiro ano de implementação do Prouni, 73,2% dos estudantes matriculados estavam em IES privadas. Em que pese toda a expansão da rede federal, alardeada pelo governo federal e festejada pela coalizão estatista, o setor privado teve 72% do total dos estudantes matriculados em 2013, o que mostra que não apenas houve manutenção nas coalizões como também a coalizão privatista foi capaz de transformar suas crenças em instrumento de mudança na política pública de educação superior, e segue com protagonismo 10 anos depois.
Outro ponto importante é que os atores da coalizão privatista também tiveram conflitos nesses 10 anos. Almeida (2012) destaca que os sindicatos das mantenedoras das IES privadas precisaram agir para evitar o canibalismo no setor. Conforme o autor (op.cit., p.53), ―uma competição desenfreada pautada na guerra de preços das universidades ‗da antiga‘ e os novos competidores, muitos deles centros universitários que logo após o governo Fernando Henrique Cardoso irão pleitear o título de universidades‖, como ocorreu como o Centro Universitário Nove de Julho, atual Universidade Nove de Julho12. Entretanto, a coalizão privatista manteve-se coesa, baseada na manutenção de suas crenças centrais.