I. BÖLÜM
2.2. Kişiliğin Belirlenmesinde Kullanılan Teknikler
2.3.2. Beş Faktör Kişilik Türleri Ve Özellikleri
2.3.2.5. Gelişime Açıklık
De início, primando por uma precisão terminológica, em que pese exista divergência doutrinária na utilização do termo, esclarece-se que lei eficaz é aquela que produz os resultados sociais que dela são esperados.241
No Brasil, os resquícios histórico-culturais, mormente do centralismo judicial e da cultura do litígio, são obstáculos ao desenvolvimento da recente transição paradigmática ocorrida no processo civil.
Assim, para que o dever de cooperação processual, consagrado no CPC de 2015, tenha eficácia, isto é, para que se encare verdadeiramente o processo jurisdicional civil como uma comunidade de trabalho, é preciso que especialmente aqueles que compõem o meio jurídico e acadêmico se empenhem na transformação da realidade social.
Com efeito, para que a lei tenha maior eficácia, faz-se necessário que os sujeitos que são disciplinados pela norma reconheçam os valores por ela consagrados. O direito é realidade institucional. Portanto, não se sustenta apenas com a coercibilidade, isto é, com a possibilidade do uso da força, máxime em um Estado Democrático.
Nesse sentido, Hugo de Brito Machado Segundo:
Só quando uma norma jurídica é reconhecida como tal, por aqueles que por ela têm a conduta disciplinada, é que pode ser considerada como o veículo
240 CUNHA, Leonardo Carneiro. Art. 6°. In: STRECK, Lenio Luiz; NUNES, Dierle; ______ (orgs.). Comentários
ao Código de Processo Civil. São Paulo: Saraiva, 2016, p. 42.
através do qual o Direito se exprime. Algo que é cumprido não por conta desse reconhecimento, mas exclusivamente por força da coação, do medo ou da ameaça, desprezando completamente a estrutura racional do ser humano e sua capacidade de criar realidades institucionais, equiparando-o ao animal irracional, definitivamente não é direito, independentemente de qualquer juízo de valor ou consideração subjetiva a respeito da justiça.242
Uma forma de potencializar a eficácia normativa de cooperação processual é pautar o ensino jurídico nas Faculdades de Direito, em seus mais diversos níveis – graduação, especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado – em práticas processuais cooperativas.
O nível de ensino da graduação, entretanto, especialmente por aí estar a futura geração de operadores do direito, formados completamente dentro do novo paradigma processual, merece especial atenção.
Propõe-se que, na matriz curricular do curso de Direito, conste, inicialmente, como pré-requisito para os conteúdos subsequentes, conteúdos teórico-filosóficos, que podem ser abordados em disciplinas intituladas de “Teoria Geral do Processo” e “Teoria do Processo Civil”. Ressalte-se que essas disciplinas versam sobre conteúdos diferentes, devendo compor créditos curriculares diferentes. Na primeira, estuda-se, essencialmente, o conceito de processo. Na segunda, o conceito de processo jurisdicional cooperativo, conforme expendido no quadro- sinóptico do item 1.1 do capítulo 1 desta Dissertação.
Após a necessária base teórico-filosófica, o aluno deve estudar o direito posto. Propõe-se que, para fins didáticos, tal estudo seja distribuído em disciplinas que abordem os seguintes conteúdos, os quais deverão observar, em certa medida, a própria sequência adotada pelo CPC de 2015, qual seja: (i) Aspectos Gerais sobre o CPC; (ii) Procedimento Comum; (iii)
Procedimentos Especiais; (iv) Processo de Execução e Cumprimento de Sentença; e (v)
Processos nos Tribunais e Recursos.
Por fim, deverá ser oportunizado, ainda, ao graduando o estudo dos seguintes conteúdos: Processo Negocial e Práticas Processuais Cooperativas. Esse último conteúdo deve ser trabalhado uma disciplina exclusivamente de prática jurídica, voltada a específicas situações processuais que exijam atuação em cooperação dos sujeitos do processo – juiz, partes, procuradores, intervenientes, auxiliares da justiça, peritos etc. –.
Busca-se desenvolver habilidades relacionadas com a aplicação do conhecimento, com a análise de situações reais e/ou fictícias e com a avaliação de posturas/ações relacionadas
à atuação das diversas carreiras jurídicas. Para tanto, em razão da complexidade e relevância do conteúdo, o aluno deverá ser necessariamente acompanhado de perto por professor orientador.
Comumente, as Faculdades de Direito possuem, em suas respectivas matrizes curriculares, a disciplina denominada de “estágio”243 ou “estágio supervisionado”244, a qual se
desenvolve em um núcleo de prática jurídica. Em muitos casos, há convênio da instituição de ensino com a Defensoria Pública. Ocorre que, nesses núcleos de prática, normalmente, limita- se o aluno a fazer petição inicial e contestação. Ora, com isso, não se está preparando o discente para o universo jurídico, o qual, decerto, é composto por outras atuações prático-profissionais. É preciso oportunizar ao aluno, ainda no ambiente acadêmico, experiências variadas, especialmente através de simulações de casos concretos, os quais dever ser trabalhados e resolvidos em grupo, sob a perspectiva de comunidade processual de trabalho.
O aluno deve atuar, tanto quanto possível, nas mais diversas posições processuais, isto é, ora na condição de juiz, ora na condição de defensor público, ora na condição de advogado público, ora na condição de advogado privado, ora na condição de promotor de justiça, ora na condição de auxiliar da justiça (técnicos e analistas judiciários, oficiais de justiça, diretor de secretaria) etc.
E mais, é preciso que esse conteúdo curricular seja propositalmente voltado a trabalhar situações que exijam do discente o cumprimento dos diversos deveres de cooperação processual, isto é, o cumprimento: (i) do dever de consulta (ou de diálogo ou de debate); (ii) do dever de esclarecimento; (iii) do dever de prevenção; (iv) do dever de auxílio (ou de assistência); (v) do dever de lealdade; (vi) do dever de proteção; e (vii) do dever de respeito ao autorregramento da vontade no processo.
No que tange ao resultado social positivo, o sucesso de uma lei não está apenas na boa confecção do texto normativo. Faz-se necessário avançar, no sentido de se valer de boas ferramentas institucionais que possam contribuir para o reconhecimento, pelos destinatários da norma, dos valores consagrados pela respectiva lei.
243 Vide Anexo B – Matriz Curricular da Faculdade de Direito da Universidade de Fortaleza (UNIFOR), ano 2018. 244 Vide Anexo C – Matriz Curricular da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará (UFC), ano 2018.
A retro expendida proposta assenta-se na premissa de que a educação de forma geral, e não apenas o ensino jurídico, é uma relevante ferramenta de transformação sociocultural.