6. Modernleşmenin Yönü ve Bir Tercihin Ekonomi-Politiği
2.4. Geçmişten-Gelenekten Kopuş Tezi Bağlamında Türkiye Reformu
Parte-se da premissa de que igualdade não é sinônimo de uniformidade nem
de homogeneidade; subentende o direito à diferença. Diferença supõe uma relação horizontal (homem é diferente de mulher biologicamente), enquanto que desigualdade acarreta uma valoração de superior e inferior (discriminar um dos gêneros como inferior ao outro, por exemplo).
Diferenças sociais dizem respeito àquelas de base natural (homem x mulher) ou produto de uma construção cultural (costumes, mentalidades, crenças).
Diante da lei, das oportunidades de emprego, por exemplo, da justiça,
igualdade significa isonomia. Daí, examinando-se os aspectos socioeconômicos, defende-se aqui, que o professor deveria trabalhar em uma única escola e houvesse salário digno para todos os profissionais da educação como condição de vida digna, daquele mínimo que garanta a vida com dignidade e que está explícito na segunda geração dos direitos humanos.
Desigualdades sociais referem-se a um juízo de superioridade e inferioridade entre grupos e classes sociais, o que acarreta preconceitos. Ainda pode referir-se a privilégios de determinados grupos sociais (classe hegemônica no poder, com concentração de renda) e a subgrupos que não detêm os mesmos direitos, não podem igualar-se aos demais (restante da maioria da população, inclusos aqui os professores). De acordo com Galuppo (2002, p. 25),
[...] A igualdade em uma sociedade em que todos são tidos como fins, ou seja, que não dissolve a finalidade da existência moral em um comunitarismo, tem de considerar a igualdade entre os homens como igualdade aritmética. Ora, a igualdade aritmética, estendida pela universalização a todos os homens, é um conceito inclusivo de igualdade.
Dentre os direitos sociais, inclui-se a educação de qualidade como direito
igual para toda a população escolarizável. Ocorre que essa luta, no que respeita aos direitos sociais básicos: saúde, moradia, emprego, segurança, educação de qualidade vem-se configurando como inexeqüível; por um lado, devido ao fato de o Estado não agir com ética política e por outro lado, ao pouco esclarecimento da maioria da população destituída de educação e que, por isso mesmo, não se consegue fazer representar politicamente em um governo democrático, nem sequer reivindicar esses direitos. Anísio Teixeira (1996, p. 99) adverte que um estado democrático só pode existir se houver educação para todos:
A forma democrática implica um desenvolvimento social e político, que tem por base a educabilidade humana, e no qual a educação é concebida como processo deliberado, sistemático, progressivo e, praticamente, indefinido de formação do indivíduo e de realização da própria forma democrática.
A atual Constituição brasileira disponibilizou instrumentos jurídicos para se exigir da Administração Pública a concretização de seu direito subjetivo, dentre eles, o mandado de segurança coletivo – lei 8.437 de 1.7.92 – que pode ser utilizado por partidos políticos, sindicatos, entidades de classe ou associações com mais de um ano de funcionamento e legalmente constituídos e destina-se a coibir atos ilegais de autoridades públicas, que por omissão ou ação lesem direito líquido e certo do impetrante. Só que não basta o instrumento jurídico para garantir o direito do cidadão; é necessária a consciência ética dos governantes para efetivar a viabilização dos direitos e a reivindicação da sociedade civil para sua real garantia.
A democracia se configurou na sociedade moderna, embora ainda não plenamente efetivada devido a diversos fatores ideológicos, por meio do sufrágio universal que representa um avanço sobre o elitismo dos que se consideravam acima dos outros e os impediam de uma cidadania ativa ou reagiam contra os que não se conformavam com a limitação de direitos da cidadania.
Contudo, os analfabetos eram impedidos de votar; por meio, então, da educação tornam-se capazes de exercer seu papel de cidadão. Adverte-se que votar exige conhecimento; questiona-se: o povo é esclarecido? Sabe escolher seus governantes? Como ocorrem as campanhas políticas: com marketing ou com discussão entre políticos e cidadãos sobre plataformas de governo?
A democracia é o governo em que a palavra é livre, e não uma doutrina oficial; há dissociação atual entre o conceito de cidadania e o de sujeito, presente na cena pública. Hoje, falta a palavra. Isso é tão evidente que, nas campanhas eleitorais, contrata-se um “marketeiro” e, no lugar do debate de idéias, de projetos, investe-se na imagem, nos sons, nas cores dos candidatos.
O problema é que as campanhas, assim, são feitas sem "palavras sérias". Essas palavras comporiam o único fio capaz de religar educação e democracia, tornando-as termos compatíveis e praticamente verificáveis. A democracia é o regime de governo do povo para o povo, segundo a lei. Isso significa fala, debate, confronto de idéias; isso significa que a democracia deve ser a defesa do interesse geral.
Mas o interesse geral não é a mesma coisa que a soma dos interesses particulares. E essa distinção, entre soma dos interesses individuais e interesse geral ou interesse público (res publica = coisas do povo), que é um dos pilares da noção de democracia e também do conceito de república, merece especial atenção.
Nesse contexto, sustentar que a solução para a democracia está na igualdade de chances resulta num princípio de desigualdade. Pergunta-se: de quais chances se tratam? Esse discurso se baseia numa suposta igualdade na partida e numa desigualdade na chegada. Assim sendo, o jovem que não obtém sucesso tendo freqüentado a escola é tido como um fracassado.
Será que todos os estudantes serão profissionais bem-sucedidos? Há mesmo um lugar nesta sociedade para cada um? Percebe-se hoje que o mercado de trabalho só absorve 5% dos graduados (HADDAD, 2006). Não há lugar para os bons, somente para os ótimos. Como fica essa clientela pauperizada que, provavelmente, nem sequer chegará a fazer parte dos bons? Onde ficam as condições de vida digna sem emprego para eles?
Construir a vida a partir da educação é uma promessa da sociedade, mas, dizer que se pode mudar a vida por causa da educação pode ser apenas uma forma de responsabilizar o jovem individualmente. A situação do jovem mudou na sociedade; uma parcela significativa não tem mais a estrutura familiar tradicional: pai e mãe. Há também a questão das drogas para onde vão os que não encontram sentido na vida social.
Assim, a igualdade na "chegada" exige mais que o mero aumento da oferta de vagas em salas de aula, ou de escolas – muitas vezes sem qualidade alguma, na rede pública. Hoje, o cofre do possível se abriu, mas na realidade, as oportunidades estão muito estreitas.
E a saída está na retomada do papel da escola pública, que não considere o aluno pobre apenas "negativamente". Não há educação democrática sem escola pública forte. Portanto, é necessário transformar a escola pública para que ela propicie e respeite o que hoje não faz mais. O que a escola pública deve respeitar, então? Que o direito à diferença supõe o direito à semelhança. Ou se resgata o sentido mais profundo de igualdade, ou todo o debate sobre diversidade não faz sentido. A superação da desigualdade "naturalizada" no Brasil, tem na escola pública o último espaço republicano que resta. Não se pode fazer uma escola pobre para o pobre.
Isso posto, destaca-se que os direitos do homem se ampliam da esfera das relações econômicas interpessoais para as relações dos chamados direitos públicos subjetivos que caracterizam o Estado de direito.
Estado de Direito significa que nenhum indivíduo, presidente ou cidadão comum, está acima da lei. Os governos democráticos exercem a autoridade por meio da lei e estão eles próprios sujeitos aos constrangimentos impostos pela lei. As leis devem expressar a vontade do povo, não os caprichos de reis, ditadores, militares, líderes religiosos ou partidos políticos auto-nomeados.
Os cidadãos, nas democracias, devem estar dispostos a obedecer às leis da sua sociedade, então, porque estas são as suas próprias regras e regulamentos. A justiça é alcançada quando as leis são criadas pelas próprias pessoas que devem a elas obedecer. Bobbio (2000, p. 61) ressalta
É com o nascimento do Estado de Direito que ocorre a passagem final do ponto de vista do príncipe para o ponto de vista dos cidadãos. No estado despótico, os indivíduos singulares só têm deveres e não direitos. No Estado absoluto, os indivíduos possuem, em relação ao soberano, direitos privados. No Estado de direito, o indivíduo tem, em face do Estado, não só direitos privados, mas também direitos públicos. O Estado de direito é o Estado dos cidadãos.
Dessa feita, a educação para a cidadania é o único modo de fazer com que um súdito transforme-se em cidadão. No cidadão, a democracia brota do próprio
exercício da prática democrática, uma vez que os direitos sejam declarados e reconhecidos como próprios do cidadão, ou seja, constituintes da cidadania ativa.
Nessa atividade, alguns princípios precisam ser seguidos. As sociedades democráticas necessitam empenhar-se nos valores da tolerância, da cooperação e do compromisso. As democracias precisam reconhecer que chegar a um consenso requer compromisso e que isso nem sempre é realizável. A intolerância é em si uma forma de violência e um obstáculo ao desenvolvimento do verdadeiro espírito democrático.
Cury, (2002) assevera que é na escola, sob a responsabilidade dos profissionais da educação, sob uma gestão democrática, que se ensina aos alunos como ser cidadão participativo, pois uma lei ou uma norma só será sustentável se estiver aninhada na consciência e na prática de educadores. A cidadania como meta de uma república federativa democrática não se instaura sem a presença forte dos governados. Assim, esse autor ensina (p. 249):
Voltada para um processo de decisão baseado na participação e na deliberação pública, a gestão democrática expressa um anseio de crescimento dos indivíduos como cidadãos e do crescimento da sociedade enquanto sociedade democrática. Por isso, a gestão democrática é a gestão de uma administração concreta. Por que concreta? Porque o
concreto (cum crescere, do latim é crescer com) é o nasce com que cresce
com o outro. Este caráter genitor é o horizonte de uma nova cidadania em
nosso país, em nossos sistemas de ensino e em nossas instituições escolares (grifos no original).
Trata-se de um convite a quem se propõe a refletir e agir sob os preceitos da educação como humanização nas relações de poder. Analisando-se, então, as relações de poder, hoje, os cidadãos querem saber, dentre outros aspectos, do processo de decisão por meio da transparência dos atos do governo e exercer uma fiscalização do exercício do poder porque se sabem fonte de soberania. Para isso, são necessárias ações éticas de todos os cidadãos.