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6. BIODÜRLÜLIGI GORAP SAKLAMAGYŇ MAKSATNAMASYMAKSATNAMASY

6.8. G özegçilik ulgam y

As resoluções políticas do V Congresso do PCB chocavam-se, de maneira contraditória, com a realidade que tencionava a política no início da década de 1960. Essas resoluções orientavam o partido para a disputa política no campo da institucionalidade. Por outro lado, a radicalização dos movimentos sociais pelas reformas de base no governo João Goulart, colocavam, para o PCB, a necessidade política e orgânica de formular uma nova linha política que fosse capaz de responder à problemática da conjuntura política daquele momento.

Todavia, a acuidade da análise efetuada pelo PCB não se fez valer em relação a aspectos importantes do nacionalismo e da democracia no período. Seria exagerado esperar que os comunistas previssem que o fato de Magalhães Pinto apoiar a encampação da subsidiária da Bonde & Share não o impediria de, quatro anos mais tarde, desencadear, mesmo que atabalhoadamente, o golpe de 1964. Mas, um pouco de atenção do comportamento das diferentes forças do ‘bloco’ nacionalista revelaria que este apresentava importantes fissuras (ALMEIDA, L., 2003, p. 118).

Com o movimento das forças golpistas, criou-se uma pauta interna no PCB diante da necessidade de entender o processo de crise política em curso no Brasil, que se agravava com a movimentação de setores militares em articulação com frações da burguesia. Esse debate interno tinha como objetivo o enfrentamento político que o PCB acreditava realizar no horizonte da sua ação. Todavia, sem imaginar que a conjuntura teria o desfecho que teve.

O Partido não esperava o golpe e não havia se preparado para enfrentá-lo. Mesmo na Comissão Executiva do Comitê Central, em que predominavam as posições esquerdistas, não haviam sido tomadas medidas práticas para fazer frente à repressão. A maioria esquerdista acreditada que a pressão exercida sobre Jango o faria avançar no caminho da superação da conciliação e da realização das reformas, até mesmo ultrapassando os limites da legalidade constitucional. Os adeptos das posições esquerdistas coincidiam com os adeptos das concepções reformistas ao confiarem, tanto uns quanto outros, no ‘esquema militar’ de Goulart, abdicando na prática do trabalho de organização, conscientização e mobilização popular (PRESTES, A., 2012, p. 109).

Congresso convocado deveria se deter, de forma ampla e profunda, sobre as contradições que impactavam as relações de poder no fogo daquela conjuntura e fazer o ajuste de contas com o grupo “esquerdizante”3 que havia dentro do partido.

Porém, o golpe burgo-militar de 1º de abril de1964, que rompeu com a ordem do então Estado de Direito, articulado por frações da burguesia em conjunto com setores reacionários das forças armadas, e operado pelos militares, impediu a realização do VI Congresso do PCB, que estava sendo convocado e esperado para ocorrer naquele ano.

Nos primeiros meses de 64, preparávamo-nos para realizar o VI Congresso, quando o golpe militar interrompeu o processo democrático em nosso país, obrigando-nos a um recuo, que tornou praticamente impossível reunir a direcção suprema do Partido nos anos que se seguiram (PCB, 1976, p. 45).

O debate interno em curso, no ano de 1964, examinava a possibilidade de se fazer um ajuste na orientação política, reestruturando a direção partidária e redefinindo encaminhamentos a partir da perspectiva de novas resoluções. O complexo canônico (eixos que orientavam as formulações) em disputa pretendia examinar as modificações políticas ocorridas no país, procurando entender a estrutura do capitalismo, as novas relações sociais que projetavam modificações na sociedade brasileira e, também, analisar as contradições da guerra fria na sua relação com o campo socialista4. Ao lado desse conjunto de questões se apresentaram, também, as formulações teórico-estratégicas que impulsionariam, dentro do receituário comunista, a ação política do partido após o Congresso.

A realidade objetiva colocava em xeque a relação entre os problemas demandados pela estratégia do partido e as características do capitalismo brasileiro. O choque entre as formulações políticas, arcabouço teórico, e realidade concreta avançava em pontos nodais para aquela conjuntura: a

3 Esse grupo era composto por Carlos Marighella, Mário Alves, Joaquim Câmara Ferreira, Jacob Gorender, Apolônio de Carvalho e Jover Telles e estava articulado internamente desde a IV conferência nacional do partido ocorrida em dezembro de 1962.

4 O temário do Congresso discutiu o golpe, a fase posterior ao golpe, a situação internacional com base na política do Estado soviético, a concepção marxista de revolução, o caráter da atual etapa da revolução brasileira, o papel da

questão da burguesia e suas frações; a existência ou não de um campo nacional e democrático dentro dessa classe; como era e se estabelecia a correlação de forças entre o campo reacionário das forças armadas e o setor nacionalista; quais determinações movimentavam esses setores. Tudo isso era visto pelo partido de forma esquemática e analiticamente distanciado dos fatores que movimentavam a realidade concreta.

Absolutizamos a possibilidade de um caminho pacífico e não nos preparamos para enfrentar o emprego da luta armada pela reação. Embora nos documentos do P. se afirmasse que um dos caminhos possíveis para a conquista de um governo nacionalista e democrático era a ação armada do povo e de parte das Forças Armadas, em resposta a uma tentativa golpista, estávamos inteiramente despreparados para isto no terreno político, ideológico e prático (apesar das sucessivas crises e ameaças de golpe, não havíamos discutido a situação militar, não tínhamos meios para assegurar o funcionamento do P. em quaisquer condições etc.) (Inquérito Policial- Militar nº 709, Apud GORENDER, 1987, p. 87).

O esquematismo teórico oriundo do que se convencionou chamar de “teoria consagrada”5 turvou a lente política pela qual o Partido Comunista

Brasileiro pretendia responder ao conjunto da crise que abalava a República. É possível se perceber na história desse partido as idas e vindas diante do fogo da conjuntura, ou seja, o ziguezague na tática quando da precipitação de acontecimentos que impactavam as relações de poder e exigiam medidas políticas bruscas, no calor das contendas políticas.

Os comunistas brasileiros, diante desse conjunto de fatos e fatores, tiveram suas análises e formulações políticas problematizadas ou mesmo postas em xeque e sua coesa e solidificada doutrina marxista-leninista fraturada, ainda que parcialmente. Em função disso, o PCB, ao rever e repensar suas concepções e programa, passou por significativas mudanças e começou a elaborar uma política diversa que o orientava nos anos imediatamente anteriores. Assim, nesse período, o PCB iniciou um processo de renovação e formulação daquela que ficou conhecida e reconhecida, pelo seu núcleo dirigente, como uma ‘nova política’ (SEGATTO, 2003, p.124).

Mesmo com uma estratégia nacional e democrática6, o partido apontava para uma provável ruptura que possibilitasse o convívio dos comunistas com o

5 Perspectiva analítica que advinha, de acordo Caio Prado Jr., das formulações genéricas da III Internacional Comunista para orientar as seções (partidos) em todo o mundo.

poder. Para isso era necessário que a chamada corrente nacionalista e democrática das forças armadas fizesse o enfrentamento com as forças entreguistas e reacionárias, diante da articulação destes últimos, pois, esse setor reacionário queria exercer um predomínio político sobre o governo brasileiro ao colocá-lo a serviço da burguesia associada ao capital estrangeiro, tendo como finalidade barrar a continuação do projeto nacional- desenvolvimentista.

Tendia a se intensificar uma polarização, dentro e fora do governo, entre os nacionalistas (de múltiplos tipos), favoráveis à continuidade da política de desenvolvimento capitalista, identificada, com maiores ou menores restrições, com a emancipação nacional e, por outro lado, os que defendiam uma política contracionista. No primeiro campo, podemos identificar médios industriais, a imensa maioria da burocracia civil e militar, lideradas pelos segmentos nacionalistas, a aliança PSD-PTB e a frente Parlamentar Nacionalista, que aglutinava um leque mais amplo de deputados e senadores, muitos deles pertencentes à própria UDN. No campo oposto, alinhavam-se os segmentos da burguesia mercantil-financeira mais voltados para o comércio de exportação e importação, setores da alta classe média, as principais lideranças da UDN e os segmentos da burocracia de Estado mais ligados diretamente aos interesses do grande capital, nativo e/ou multinacional (ALMEIDA, L., 2003, p. 116).

Essa articulação entre burguesia convertida à internacionalização do capital e os militares tinha como interesse central fechar o ciclo daquele período, que por suas características institucionais, ficou conhecido como “intervalo democrático”, ou seja, o período compreendido entre 1946 e o golpe burgo-militar de 1964. Esse período, que foi marcado pela prevalência legalidade institucional emanada da Constituição de 1946, permitiu o surgimento de uma conjuntura política em que o jogo democrático possibilitou, minimamente, a atuação de vários atores sociais que agiam na defesa de seus interesses dentro da sociedade brasileira.

O “intervalo democrático” permitiu a movimentação do cenário político brasileiro, mesmo pautado pelas características de uma democracia burguesa. Assim, através da pressão dos de baixo e a convivência com os movimentos populares e suas pautas corporativas, o Estado brasileiro teve que responder, minimamente, a essas demandas políticas e, ao mesmo tempo, abrir o cenário para as disputas que poderiam, ou não, modificar a realidade política brasileira. Pensando a partir desse pressuposto o PCB imaginou que,

Com o apoio das massas e de segmentos da burguesia nacionalista, Jango, como ficou conhecido, representava a possibilidade real para a concretização dos objetivos do partido: a constituição de um governo nacional e democrático e a realização das reformas de estrutura, ou seja, os primeiros passos para a realização da via brasileira (nacional e democrática) ao socialismo (MOURA, 2005. p. 41).

Além disso, do ponto de vista das transformações econômicas,

Esse processo de desenvolvimento capitalista mediante

industrialização teve por consequência transformações muito amplas da estrutura de classes e da estrutura de dominação e, portanto, no relacionamento entre as classes e entre o Estado e a sociedade (FAUSTO, 2007, p. 290).

É importante registrar que esse “intervalo democrático” só foi possível porque em 1950, Getúlio Vargas, ao assumir o governo, impediu, até determinado limite, que a estrutura de governo no Brasil, como ocorreu na gestão do presidente Dutra, continuasse rompendo, de forma paulatina, com o arcabouço legal estabelecido pela Constituição de 1946 e, ao mesmo tempo, contribuiu para afirmar novas conquistas nacionalistas. Nesse período, os trabalhadores avançaram em sua organização, o que possibilitou modificações em favor do mundo do trabalho naquela conjuntura política e social, em que pese as contradições na disputa política.

Na raiz desses acontecimentos podemos remarcar, inicialmente, a contemporaneidade de dois fatos relevantes. A abertura para a manifestação das dificuldades de ordem econômica fornecida pelo processo de redemocratização é coincidente com a entrada dos comunistas no aparelho estatal via sua aliança com Vargas. E como conseqüência desse fato, nota-se uma canalização das reivindicações dos trabalhadores, através do PCB, em direção aos estreitos mecanismos provenientes do Estado Novo.

Realizado pelo Partido Comunista, este trabalho de recuperação do conjunto das reivindicações que surge na época, vai gerar distintas conseqüências.

Em primeiro lugar, dedicando-se a um trabalho de revitalização da estrutura sindical do Estado Novo, no quadro de uma aliança com Getúlio Vargas, os comunistas conseguem assegurar uma resposta do Ministério do Trabalho à pressão que exerciam como porta-vozes das reivindicações salariais dos trabalhadores, reforçando desta maneira, inegavelmente, sua imagem junto às bases (SPINDEL, 1980, p. 60).

No entanto, outro registro se faz importante para entendermos a importância do governo Vargas para a caracterização desse período. O Governo Dutra havia se mostrado entreguista, extremamente reacionário e tinha fechado o circuito de possibilidades do Brasil se inserir no campo democrático internacional. É a partir dessa época que os militares ligados à ideologia da segurança nacional começam a forjar uma aliança política com frações da burguesia interessada na formação do consórcio burgo-militar como empreendimento político para conquistar o governo e colocá-lo no campo da lógica da subalternidade ao imperialismo estadunidense. Todavia, essa articulação perde força política com a eleição de Vargas e se recolhe ao ambiente das conspirações empreendidas pela União Democrática Nacional (UDN) e outros setores conservadores que vão desaguar na crise de 1964.

Esse segundo período de Vargas no governo da República é marcado pela tentativa de implementar um projeto nacional desenvolvimentista que tinha como característica principal, no campo das medidas econômicas, a continuidade da política de “industrialização por substituição de importações”7 que, do ponto de vista social, engendrou algumas medidas de caráter trabalhistas8. Esse conjunto articulado de medidas econômicas, sociais e políticas abriu possibilidades para que os sujeitos sociais disputassem na sociedade brasileira, a partir da perspectiva democrática, o avanço nas conquistas de direitos sociais e trabalhistas, assim como o interesse por um desenvolvimento econômico minimamente autônomo.

O projeto em disputa dentro do “intervalo democrático” começou a ruir com a crise aberta pelo suicídio de Vargas em 24 de agosto de 1954, reagiu com a eleição de Juscelino Kubitschek, foi novamente golpeado com a eleição de Jânio Quadros e, finalmente derrotado com o golpe burgo-militar de 1964.

É importante realçar a circularidade dos procedimentos políticos em curso, naquele período, para se entender as contradições e a correlação de

7 A industrialização por substituição de importações é o modelo teórico aceito para o processo de industrialização brasileiro, a partir do advento da República. Conforme esse modelo, a industrialização brasileira se distingue dos demais processos verificados na Europa, Japão e EUA, principalmente, por internalizar o processo industrial naqueles setores em que já havia uma demanda preexistente, suprida por importações. Assim, a industrialização começa com bens de consumo não duráveis e duráveis e a indústria de base não acompanha, necessariamente e de forma autônoma, esse processo.

forças dentro do processo. Embora a crise aberta pela morte de Vargas tenha favorecido o projeto reacionário-entreguista capitaneado pelas forças do udenismo, o campo nacional e democrático teve capacidade, e forças, para continuar fazendo o enfrentamento, o que provavelmente impediu e desarticulou a possibilidade de um golpe de Estado naquele momento, com conseqüências mais efetivas.

Apesar das sucessivas derrotas que culminaram no golpe de agosto, as correntes militares nacionalistas apresentaram grande capacidade de resistência e, inclusive, de articulação com políticos profissionais, membros de associações científicas, segmentos da burguesia industrial e movimentos nacionalistas que surgiam entre as classes populares (ALMEIDA, L., 2006, p. 35).

Os acontecimentos de 1954 marcaram no calendário político brasileiro a derrota do projeto varguista de Estado, por um lado, em virtude da sua morte, mas também em virtude dos novos arranjos políticos em torno do processo eleitoral que se abria.

O exame de alguns eventos ocorrido no período crucial transcorrido entre a queda de Vargas e o início do governo Juscelino Kubitschek pode ajudar a reforçar esta dupla hipótese e contribuir para superar uma dupla unilateralidade a respeito do tema em questão: quer aquela que exclusiviza o papel da burocracia estatal na definição da política de desenvolvimento capitalista no período e a que, ao contrário, superdimensiona a importância da burguesia industrial (geralmente apresentada como burguesia nacional) (ALMEIDA, L., 2006, p. 51).

As forças democráticas se articularam em torno da eleição de Juscelino Kubitschek, tendo como orientação central o fortalecimento das bandeiras do campo nacional e democrático. Com a eleição de JK, apesar do apoio do PCB, o projeto do campo nacional- democrático sofreu derrotas em virtude da postura do governo nas várias ações políticas e econômicas, inclusive com medidas de caráter entreguistas. Vejamos o que nos informa Lúcio Flávio R. de Almeida sobre a posição do partido:

O PCB tecia comentários bastante severos sobre as políticas interna e externa do governo. A primeira, segundo o partido, era cada vez mais antidemocrática, ‘fechando organizações patrióticas e populares, atentando contra a liberdade de imprensa e procurando restringir cada vez mais a livre manifestação do pensamento’. No

improdutivo, elevava o déficit orçamentário, acelerava a inflação, inflava os impostos e agravava o custo de vida. Enquanto o salário real baixava, as especulações e os lucros excessivos aumentavam e o governo concedia ‘favores excepcionais aos monopólios estrangeiros em detrimento da indústria nacional’ (ALMEIDA, L., 2003, p.106).

No entanto, o governo de Juscelino Kubitschek se desenvolveu com o forte impacto das políticas desenvolvimentistas e com acentuado perfil de tolerância democrática9, com um grau elevado de políticas que asseguraram ao capital estrangeiro lucros exorbitantes e com um forte avanço no endividamento externo e interno.

Com o fim do mandato de Juscelino Kubitschek se abriu o processo eleitoral para as eleições de 1960, tendo como pleiteantes mais destacados ao cargo, e dividindo apoios, o político paulista Jânio Quadros e o Marechal Lott, este último fortalecido pelas ações que comandou no sentido de impedir o golpe que se articulou para não permitir a posse de Juscelino Kubitschek10.

O contexto político era rico em virtude das mobilizações populares e, no contexto das eleições, o eleitorado brasileiro, em sua maioria, apoiou o nome de Jânio Quadros, não necessariamente a chapa completa, porque o vice- presidente, naquele período, era eleito separadamente. Assim, o candidato a vice da chapa do Marechal Henrique Teixeira Lott, João Goulart, se elegeu nesse processo eleitoral.

Um pouco antes da vitória de Jânio Quadros, e de João Goulart, ocorreram as eleições de 1958 para o Congresso Nacional e governadores, quando a frente parlamentar nacionalista conseguiu importantes vitórias, elegendo governadores nos Estado do Rio Grande do Sul, Pernambuco, Rio de Janeiro e Goiás, bem como uma importante bancada de parlamentares para o Congresso Nacional.

A partir da eleição de Jânio Quadros, em 1960, algumas peculiaridades da política ganharam contornos que podem ser caracterizados como problemas, até mesmo pelo perfil do primeiro mandatário do país. O governo do presidente eleito era produto de uma composição reacionária que contava

9 O PCB, embora na ilegalidade jurídica, apresentava-se abertamente na cena política para desenvolver suas ações. 10 O general Lott movimentou as tropas sob seu comando para evitar que militares reacionários e a direita udenista sob o comando de Carlos Lacerda impedissem a posse de Juscelino Kubitschek. Com a derrota do movimento

com um dispositivo militar gerenciado pela política antinacional e antidemocrática, daqueles que em 1954, tinham articulado o Golpe contra Vargas. Essas forças da composição burgo-militar, em movimentação desde o governo Dutra, compuseram o governo tornando-o um corpo de forças retrógradas e reacionárias que contavam e formulavam políticas que refletiam o projeto econômico e financeiro dos interesses imperialistas no Brasil. Apesar dessas características, Jânio Quadros tomou medidas em contraposição a esse agrupamento de forças: se posicionou ao lado de Cuba, ao reconhecer o governo cubano que já encontrava dificuldades na relação com o bloco capitalista. Abriu, assim, a política brasileira para algumas iniciativas comerciais com o campo socialista e demonstrou relativa independência da sua base política de sustentação, naquele período.

Os meandros desses impasses fomentaram algumas ações políticas de perspectiva duvidosa, terminando com o presidente tentando concentrar poderes de forma despótica, para as características da institucionalidade em curso, e se movimentado para outra perspectiva de governança. Para isso, o presidente usou do artifício da renúncia como uma jogada política para chantagear as forças reacionárias da sua base política e, na sua perspectiva, voltar ao governo com mais poderes executivos: uma jogada bonapartista de risco. O procedimento não deu certo e a crise política se estabeleceu diante do movimento das forças em contradição.

Novamente os setores pró-imperialistas da burguesia interna e os reacionários das forças armadas, na sua conformação burgo-militar, se movimentaram para tentar consolidar o que eles não conseguiram, de outra forma, com o suicídio de Getúlio Vargas, em 1954. Entraram em cena para prospectar, no caldo do autoritarismo em curso, uma nova perspectiva golpista. No entanto, o movimento nacionalista e democrático se contrapôs à movimentação reacionária, se transformando em uma força política que conseguiu chegar ao conjunto da população, impedindo, assim, que novamente os interesses da burguesia beligerante no campo da política, lastreada por