C. VALİLİĞİN ÇEŞİTLERİ
3. Göreve Geliş Şekillerine Göre Valilik a. Devlet Tarafından Atanma
Para o professor Eduardo, as aulas de música na educação infantil devem ser realizadas de uma forma muito dinâmica, com muito movimento e interação. Segundo ele, “eu acho que essa coisa de você fazer a interação social, uma brincadeira que envolva todo
mundo, que envolva movimento corporal e que tenha essa interação social, eu acho que [...]
sempre funciona” (PROFESSOR EDUARDO, 2011a). Essa característica de a aula ser dinâmica, ele diz estar associado ao tempo muito curto de aula (30 minutos, 1 vez por semana), então tenta aproveitar ao máximo cada aula. Associado a esse fator, ele busca sempre finalizar as aulas “bem para cima”, mas nem sempre é possível em virtude do tempo reduzido.
É interessante perceber a preocupação do professor com as práticas lúdicas e com sua inserção na educação musical infantil. Essa perspectiva é amplamente enfatizada por diversos autores do campo da educação musical, como Queiroz e Marinho (2009, p. 65) ao ressaltarem que, “no contexto das escolas, a brincadeira e o prazer que podem envolver uma atividade dessa natureza [criar, vivenciar, apreciar e interpretar músicas] são requisitos, muitas vezes, fundamentais para que o professor obtenha sucesso na sua proposta educativa”. Ou seja, pode- se dizer que a realidade atual da escola solicita uma interação entre o aluno, professor, conteúdos e atividades, sendo bem recebidas as práticas lúdicas que facilitam o processo de ensino-aprendizagem.
Outro aspecto sempre presente em suas aulas é o canto, chegando a afirmar que “toda
aula a gente canta, queira ou não queira” (PROFESSOR EDUARDO, 2011a), além da utilização constante do violão – instrumento trazido pelo professor para a aula. Logo após destacar essas práticas, ele reitera a questão da rotina na qual as insere: “e eu acho que com as
acabam assimilando” (PROFESSOR EDUARDO, 2011a). Dada a importância da rotina da aula de música para o professor e a forma como a utiliza em sala, com atividades curtas, dinâmicas e em sequência, destaco que “a rotina de uma aula de música pode ser dividida em partes pequenas, porém significativas. No momento inicial é fundamental cativar a atenção das crianças para a aula de música” (PONSO, 2008, p. 25), aspectos que parecem ser claramente percebidos pelo professor.
Nessa mesma perspectiva, Eduardo explica que sempre realiza “combinados” com relação à disciplina, que considera outro ponto importante “por que é uma coisa fundamental [...] fique muito claro para eles que é brincadeira, mas que tem regras e que quem
desobedecer às regras e quem não cumprir com as regras, digamos assim, pode perder o direito de participar” (PROFESSOR EDUARDO, 2011a). Lembrando Brito (2003, p. 40) “as brincadeiras cantadas infantis são talvez uma das primeiras manifestações do jogo musical com regras”. Assim, são componentes importantes para as aulas, mas ao mesmo tempo são parte de uma conquista natural do desenvolvimento das crianças.
Como exemplo de algumas práticas ele cita algumas atividades realizadas com a canção “Samba de uma nota só” de Newton Mendonça e Antônio Carlos Jobim:
Eu trabalhei com apreciação antes. [...] Para eles aprenderem, eu levei CD,
a gente ouviu, discriminando os timbres dos instrumentos. [...] prestando
atenção na questão da parte A, parte B. Fazendo uma pequena análise, [...]
“E agora? Teve um solo de flauta. E agora? Quem tá cantando? É uma mulher? É um homem? E agora? Tem uma parte...” Tinha uma parte que era coral cantando, tinha uma parte que era um solo vocal, aí eu falava
sobre solo (PROFESSOR EDUARDO, 2011a).
Tudo isso sempre “privilegiando mais a questão prática mesmo. Tanto do canto
quanto tocando os instrumentos” (PROFESSOR EDUARDO, 2011a) o que reitera também a escolha de uma apresentação musical entre os próprios alunos para finalização do semestre. Para ele, esse foi um ótimo momento,
Porque ao mesmo tempo que não ficou uma pressão muito grande, assim, de estar lá os pais, de ter uma platéia muito grande [...] eles se esforçaram, eles
quiseram apresentar direitinho, quiseram fazer o melhor. Eu gostei, eu gostei. Foi uma boa a questão da apresentação. Eu acho que eles gostaram.
[...] As professoras que estavam assistindo gostaram também (PROFESSOR EDUARDO, 2011a).
Interessante observar que todas as pessoas que faziam parte da educação infantil estavam presentes durante a apresentação: coordenadores, professores de sala, auxiliares e, claro, as crianças. Apesar do espaço pequeno para tantas pessoas, todos assistiram e
encorajaram os que iriam se apresentar. Era perceptível o interesse de toda a equipe pedagógica nesta pequena apresentação musical.
Assim como Eduardo, a professora Luana também ressalta a dificuldade de horários para execução das atividades, sendo que na Escola B sua aula é reduzida e na Escola C o primeiro horário é muito longo e o segundo muito pequeno. Na Escola B ela só tinha meia hora com os alunos no último horário, logo após a aula de Educação Física, e os pais comumente buscavam as crianças cerca de dez minutos após o início. Para a Escola C, a solução encontrada foi juntar as duas turmas de educação infantil e juntar os dois professores, de Artes e de Educação Física, sendo que enquanto ocorre a aula de Artes o professor de educação física fica auxiliando a professora Luana e vice-versa. Outro fator complicador é o fato de ter que unir as artes visuais à música nas atividades para a educação infantil e a dificuldade com material e armário, conforme comentado anteriormente.
Na prática diária, segundo a professora, é comum os alunos sugerirem músicas para cantar, sendo que na Escola C ela costuma pedir para “eles cantarem primeiro para, assim, ir
preparando eles para as próximas atividades que vão vir na aula” (PROFESSORA LUANA, 2010a), ocorrendo o mesmo nas aulas relativas às artes visuais. Outro aspecto fortemente presente na atuação de Luana é a relação que estabelece entre a música e a literatura infantil que realiza com intuito de situar os conhecimentos musicais no contexto dos alunos. Durante a contação de histórias nas aulas observadas professora Luana utilizou a encenação da história realizada por ela e pelos próprios alunos, contextualizava trazendo música com os instrumentos apresentados nas histórias, ou, quando possível, o próprio instrumento era apresentado na sala de aula.
Vale ressaltar que a prática e rotina estabelecida pelos professores é diversificada em suas propostas e direcionamento. Tal realidade pode ser inserida no contexto da escola em que, “a falta de diretrizes para o ensino de artes nos projetos político-pedagógicos [...] dá total liberdade aos professores, permitindo que cada um desenvolva as atividades e propostas que eleger como fundamentais” (QUEIROZ e MARINHO, 2007, p. 6). De maneira geral, é possível perceber que tal afirmação se aplica à realidade dos professores investigados, pois cada qual à sua maneira, a partir de suas próprias concepções, apresenta um direcionamento para a proposta de música para o ensino infantil. Assim, eles reorganizam suas práticas diante da realidade encontrada (das dificuldades com horários, disponibilidade de professores auxiliares, do universo em que vivem seus alunos) e do que acreditam ser relevante para a aula de música nesse contexto (interação entre os alunos, rotina e disciplina, canto, leitura e contação de histórias, dentre outros).