BÖLÜM 1: BELEDİYELERDE PERSONEL SİSTEMİ
1.7. Belediye Personel Rejimi Konusunda Ülke İncelemeleri
1.7.1. Fransa
Os problemas de mensuração que surgem do contexto dos OGMs reiteram a necessidade de utilização de testes de identidade genética de grãos, como também, de mecanismos de certificação, preservação de identidade e em última instância, rastreabilidade. Isto porque, o emprego da biotecnologia pode proporcionar possibilidades de diferenciação e inovação na produção de alimentos e matéria-prima, onde a identificação genética do material utilizado - sementes e grãos - é o elemento- chave à agregação de valor ao produto final.
Diante disto, pode-se afirmar que o problema de mensuração advindo dos OGMs não é estanque a necessidade de informação confirmativa, isto é, saber se determinado produto é oriundo de sementes geneticamente modificadas (GM) ou não, pois os atributos qualitativos dos OGMs e a necessidade de exercer maior controle de riscos à saúde e ao meio ambiente poderá demandar um conjunto de informações que permita a plena identificação do bem transacionado.
No entanto, os procedimentos e controles necessários para compor este conjunto de informações são custos de mensuração, que surgem, em um primeiro momento, da necessidade em transmitir uma percepção de valor àqueles que se transacionam.
Segundo BARZEL (1982), a troca de bens entre os agentes é motivada pela necessidade e pela percepção do valor de troca; ou seja, voluntariamente, nenhum agente realiza uma transação que não lhe seja benéfico em algum aspecto.
Esta percepção de valor pode ser constatada pela importância dos atributos dos bens transacionados e a escala de valor atribuída a tais atributos. Contudo, alguns destes atributos não são facilmente mensuráveis. O peso de um produto é um atributo de fácil mensuração, portanto sua obtenção não representa custo adicional. Por sua vez, atributos como sabor tem caráter subjetivo, tornando o processo de transmissão
34
de informações sobre o produto não apenas custoso, mas difícil do ponto de vista prático.
Atributos desta natureza sofrem custos de mensuração adicionais em situações onde nenhum dos agentes envolvidos na transação dispõe de informações sobre o bem transacionado, ou quando existe a possibilidade de avaliações errôneas e manipuladas por parte do agente que detém a informação sobre o produto.
Para fins analíticos, BARZEL (1982) classifica os produtos em três tipos diferentes, sendo que, para cada grupo, é possível associar uma ou mais estruturas de governança que melhor atenda aos problemas de mensuração das informações relevantes à transação.
O primeiro grupo é caracterizado pelo fato de todas as informações relevantes à transação estarem disponíveis antes da celebração de acordo contratual. Nestas condições, onde não há problemas significativos de assimetria de informação, as transações podem ser reguladas pelo mercado spot, não havendo necessidade de construção de arranjos institucionais complexos (AZEVEDO, 2000).
O segundo grupo é representado por bens onde as informações e atributos a respeito do produto somente são obtidos após a efetivação da transação (ex- post), ou mesmo, consumo dos produtos. Atributos como sabor, citado anteriormente, enquadra-se como exemplo de informação subjetiva, onde provisão de garantias e certificação são instrumentos que visam sinalizar atributos e minimizar problemas de assimetria de informação sobre os bens transacionados.
Em função das características destes bens, a presença de marca, selos de garantia e certificação tem como principal função reduzir problemas de mensuração de informação e prover ao consumidor informações que somente seriam obtidas após o consumo de tais produtos.
Nestes casos, a adoção de arranjo institucional específico é necessária, tanto para garantir e sinalizar adequadamente as informações relevantes, quanto procurar reduzir custos de transação.
A terceira tipologia de produtos – denominados "bens de crença" – é representada por produtos onde o problema de mensuração das informações é ainda maior, pois algumas informações relevantes à transação não são obtidas nem após o
consumo do produto, tornando o problema de assimetria de informação custoso e insolúvel por inspeção direta.
Os produtos orgânicos, kosher, geneticamente modificados e com denominação de origem geográfica, podem ser classificados como bens de crença, pois possuem características não observáveis diretamente. A utilização de práticas e processos distintos para obtenção de tais produtos é uma informação relevante ao processo de compra, porém, só é obtida mediante controle e observação do processo produtivo ao longo da cadeia agroindustrial
Segundo AZEVEDO (2000), quanto maior o problema de mensuração das informações relevantes, maior será o papel do arranjo institucional em prover as características necessárias à realização da transação. O autor cita que no caso de bens de crença, as regras em que se processa a transação são fundamentais para viabilizá-la, tendo como alternativas de arranjos institucionais o emprego de: a) integração vertical; b) contratos de longo prazo com monitoramento e c) certificação por auditoria externa de elevada reputação.
Vale ressaltar que os elementos comuns aos três arranjos institucionais citados são: a) a manutenção de alguma forma de controle vertical e, principalmente, b) a observação do processo produtivo com o intuito de tornar críveis as informações demandas.
BARZEL (1982) aponta a integração vertical como um arranjo que pode reduzir custos de mensuração quando algumas etapas do processo produtivo necessitam de componentes que são adquiridos externos à firma. Dependendo do grau de especificidade, freqüência e o custo de monitoramento destes fornecedores, a integração vertical surge como alternativa à firma, cujas finalidades são diminuir custos de mensuração ao longo da cadeia de suprimentos e aumentar a eficiência do processo produtivo.
Outro aspecto observado por BARZEL (1982) diz respeito a avaliação da informação. Quando a iniciativa de avaliar a informação parte dos próprios vendedores, os itens são examinados uma única vez, enquanto que, se esta iniciativa parte dos compradores, os itens são examinados no mínimo uma vez, aumentando os custos de transação. De acordo com o autor, o custo de estimar uma informação aumenta conforme a acurácia desta estimativa, portanto, a presença de garantia pode ser
36
representada como um comprometimento do fabricante em prover bens que estão em conformidade com as informações anunciadas no produto.
O preço adicional atribuído pela garantia e/ou certificação não é apenas um custo estimado para retornar os investimentos com a adoção de um programa de qualidade e certificação, mas também, pode ser visto como um prêmio conferido pelo consumidor ao tempo poupado na experimentação de outros produtos.
Segundo HOLERAN; BRENDAHL; ZAIBET (1999), dois tipos de arranjos podem ser utilizados para reduzir custos com a provisão de garantia: a) alto grau de controle de qualidade e b) conseguir que o consumidor aja como se sua escolha fosse ao acaso (fortuita).
No entendimento de HOLERAN; BRENDAHL; ZAIBET (1999), o desenvolvimento de reputação entre as partes possui a capacidade de reduzir custos de mensuração, pois, não só pode coibir ações oportunistas, como também representar um compromisso implícito à manutenção de relações presentes, com possibilidade de ganhos futuros. Neste caso, a uniformidade e a qualidade dos bens são características essenciais para fazer com que o consumidor estabeleça uma relação de confiança com o produto.
A supressão de informações também pode ser utilizada como forma de convencer o consumidor que a informação transmitida é suficiente e representativa para a realização da transação, onde a presença da marca, assume papel de sinalizar informações relevantes ao consumidor, diminuindo desta forma, os custos de procura e mensuração da qualidade de um bem. (AZEVEDO, 2000).
Na impossibilidade de construção de marca, o estabelecimento de contratos fundados na reputação das partes apresenta-se como uma solução plausível, pois o não cumprimento de determinado acordo pode ser punido através de disputas judiciais e, principalmente, pela interrupção da relação contratual. O valor dessa punição será tanto maior quanto maior for: a) o valor presente da transação; e b) a perda de sua reputação, elemento que tem valor econômico por permitir redução de custos de transação (KREPS apud AZEVEDO, 2000).