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“EY, DÜNYE EY” ROMANI ÜZERİNDE DİL İNCELEMESİ

II. 1.1.1.1 Kalınlık İncelik Uyumu

II.2. Şekil Bilgisi

II.2.2. Kelime Çekimi

II.2.2.2. Fiil Çekim Ekleri

O fracasso escolar, sobretudo no que tange às dificuldades que os alunos apresentam para ler e compreender o que leem, bem como para (re)conhecer os diferentes gêneros discursivos, é tema que suscita inúmeras discussões no âmbito acadêmico. Dada a relevância atribuída à leitura para a formação do indivíduo, é pertinente que tais discussões indaguem se o problema estaria na escola e não no aluno, pois, muitas vezes, este é submetido a uma leitura pouco significativa, sem objetivos claros, na qual a compreensão do texto se baseia na atividade de responder apenas ao tipo de pergunta que a escola está acostumada a lhe fazer (KATO, 1990, p. 112).

A partir do que postula Kato (1990) acerca da prática da leitura na escola e considerando-se que o indivíduo se desenvolve como leitor apenas pelo exercício da própria leitura, neste trabalho, nos dedicamos, em particular, ao estudo do gênero HQs, pois é considerável o número de alunos inábeis na leitura do texto híbrido, ou seja, texto que contempla as linguagens verbal e não-verbal (RAMOS, 2009), problema que ratifica as falhas anteriormente apontadas no âmbito do processo de ensino/aprendizagem de leitura.

Não podemos ignorar que, atualmente, a leitura da imagem tem sido muito valorizada, pois vivemos em uma sociedade permeada pela informação que exige do indivíduo a capacidade de ler o mundo e suas múltiplas linguagens, dentre elas, a linguagem visual (MANGUEL, 2001). Paralelamente, devemos considerar que a presença das HQs tem sido cada vez mais significativa em diferentes materiais didáticos, provas de seleção para o ensino superior e em concursos públicos, aspectos que salientam a necessidade de o indivíduo estar “alfabetizado” na linguagem quadrinhística (VERGUEIRO, 2010) e que reforçam o papel da escola quanto à realização de uma prática de leitura que contemple o estudo dos gêneros discursivos e dos modos como se articulam, a fim de proporcionar ao aluno uma visão ampla de usos da linguagem (PCN – EM, 2000, p.8).

Diante deste panorama, neste trabalho, investigamos o tipo de tratamento conferido ao gênero História em Quadrinhos em um livro didático de espanhol L2 aprovado pelo Programa Nacional do Livro Didático (2012). Por meio de análises de cunho qualitativo, pudemos verificar a natureza das questões de compreensão textual elaboradas a partir do referido gênero e averiguar se as propostas apresentadas para o trabalho com as HQs se coaduna com os pressupostos apontados no Manual do Professor e com as orientações dos

documentos oficiais, PCN e OCEM, no que concerne à prática da leitura em língua estrangeira.

Para desenvolvermos esta pesquisa, buscamos, inicialmente, compreender o papel da leitura no ensino da língua estrangeira e, para tanto, nos baseamos nos estudos de Richards e Rodgers (1988) acerca da origem dos diferentes enfoques e métodos empregados na aprendizagem de idiomas. Assim, através da história das metodologias, pudemos entender que a leitura era, por vezes, considerada uma habilidade menor frente à oralidade ou, ainda, uma atividade de tradução da língua materna à língua alvo.

Adotamos nesta dissertação a noção de leitura como uma prática de construção de significados, na qual o leitor soma as pistas textuais dadas pelo autor aos próprios conhecimentos e atua ativamente (re)construindo o significado do texto (BAKHTIN, 1992). Nossa escolha se apóia também na legitimidade de tal modelo afirmada por alguns documentos oficiais, tais como os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN, 2000) e as Organizações Curriculares Nacionais (OCEM, 2006). Ao compararmos ambos os documentos, percebemos que salientam, também, a necessidade de que o processo de ensino/aprendizagem de leitura considere as diferentes linguagens e inclua o estudo de diferentes gêneros discursivos.

A partir desta premissa, buscamos compreender o papel desempenhado pelos gêneros discursivos na formação da competência leitora do aprendiz e, de forma análoga, nos dedicamos a investigar, em especial, às Histórias em Quadrinhos, gênero privilegiado neste trabalho. Assim, pudemos perceber que a partir do contato com diversidade de gêneros, o aluno é capaz de relacionar informações, construir conhecimentos e perceber que cada texto tem uma especificidade que o caracteriza, isto é,“todo texto pertence a uma categoria de discurso, a um gênero de discurso” (MAINGUENEAU, 2004, p.59).

Neste sentido, atentamos para o fato de que, no processo de ensino/aprendizagem de leitura, aqui, particularmente, em língua estrangeira, um dos papéis da escola é o de ofertar ao aluno um repertório de textos que contemple diferentes gêneros discursivos, a fim de que este indivíduo tenha acesso às diferentes formas de pensar, de criar, de sentir, de agir e de conceber a realidade (PCN-EM, p.26). Espera-se, assim, que o aprendiz seja capaz de articular saberes e, consequentemente, tenha uma formação mais abrangente e, ao mesmo tempo, mais sólida.

No que tange, especificamente, ao gênero HQs, fizemos um breve histórico acerca da origem e evolução dos quadrinhos no âmbito educacional. Verificamos que, inicialmente, as HQs eram consideradas uma literatura marginalizada em virtude de em muitas produções

prevalecer o humor e o código não-verbal, aspectos que atribuíam menor relevância às HQs em relação a outros gêneros discursivos.

Percebemos que esta acepção colaborou para que se considerasse inaceitável a presença dos quadrinhos nas salas de aula brasileiras. Entretanto, esse cenário era bem distinto do que se configura nos dias de hoje, pois as histórias em quadrinhos foram conquistando cada vez mais leitores e a atenção de profissionais da área de educação, que passaram a considerar relevante a leitura deste gênero (ABRAMOVICH, 1995).

Por serem as HQs um gênero mais recente, em comparação a outros mais consagrados e pelo fato de a língua espanhola ter menos tradição no contexto educacional brasileiro, levantamos a hipótese de os livros didáticos de espanhol L2 não estarem direcionados para uma prática de leitura que explorasse satisfatoriamente as potencialidades dos quadrinhos, aspecto que, possivelmente, estaria atrelado à inabilidade de muitos alunos para a compreensão do referido gênero.

Para melhor compreendermos a relação do livro didático com alguns dos problemas relacionados à leitura no âmbito da aprendizagem do espanhol como língua estrangeira, buscamos suporte nos estudos que se ocupam da história desse tipo de material no Brasil.

Considerando a importância de um ensino de línguas que colabore para formar cidadãos críticos, verificamos que, no que tange ao trabalho com a leitura, alguns livros didáticos direcionam o aluno para uma atividade de mera decodificação e, consequentemente, distanciam-se do que propõem os PCN-EM (2000) e as OCEM (2006) quanto à formação de um aluno capaz de participar ativamente na construção de significados.

Após tais considerações acerca dos problemas relacionados ao livro didático na formação do aprendiz de língua estrangeira, nos dedicamos, então, a analisar o tipo de tratamento conferido ao gênero HQs em livros didáticos de língua espanhola selecionados pelo Programa Nacional do Livro Didático (PNLD, 2012). Nesse sentido, buscamos verificar a natureza das questões de compreensão textual elaboradas a partir do gênero quadrinhístico e, para tanto, nos baseamos em Applegate et al. (2002) e Vargas (2012) cujos estudos se dedicam a investigar problemas relacionados à compreensão leitora.

Inicialmente, realizamos uma contagem das HQs para observarmos sua distribuição na obra selecionada para esta pesquisa. Em termos comparativos, nossos dados apontaram que há uma discrepância no número de ocorrências de HQs entre os três volumes que compõem a coleção El arte de Leer Español. Paralelamente, observamos, também, que a maior parte dessas produções quadrinhísticas (catorze HQs) era de origem argentina, ao passo que se privilegiou outra nacionalidade somente na ocorrência de uma HQs colombiana.

Consideramos que tal aspecto limita o aluno ao contato com “a diversidade étnica, social, cultural e linguística das comunidades e dos países onde a língua estrangeira estudada é falada” (EDITAL PNLD, 2012, p.24).

Após a obtenção desses dados, nos dedicamos a analisar qualitativamente as atividades de leitura propostas com base nas HQs. Agrupamos as questões de compreensão leitora apresentas no livro didático de espanhol L2 em quatro categorias: questões literais, questões de ativação de conhecimento prévio, questões de sistematização de conhecimento linguístico e questões inferenciais (APPLEGATE et al., 2002 e VARGAS, 2012).

Verificamos, por meio de um levantamento quantitativo, uma baixa recorrência tanto de questões literais (15,78%), cujas respostas se baseiam na extração de informações explícitas do texto, como de questões de sistematização de conhecimentos linguístico (5,26%) que indagam sobre um item gramatical descontextualizado em relação ao texto proposto ao aluno.

Podemos considerar que tais dados sinalizam um certo avanço quanto ao trabalho pedagógico com compreensão textual, pois estudos no âmbito do ensino/aprendizagem da leitura (KLEIMAN, 2008; CORACINI, 2002) apontaram que muitos livros didáticos se caracterizavam pela presença de atividades de leitura voltadas para a extração de informações e para o exercício sistematizado de conteúdos gramaticais.

No que concerne, particularmente, ao corpus analisado neste trabalho, podemos afirmar que, apesar de termos um baixo índice de questões literais e de sistematização de conhecimento linguístico, não podemos ignorar que tais questões apontam para um subaproveitamento das HQs, pois verificamos que algumas perguntas conduziam o aprendiz a uma leitura sem objetivos diante do texto. Paralelamente, certas questões não consideraram ou não exploraram satisfatoriamente os elementos que particularizam o gênero quadrinhístico, como o humor, a relação de sentido entre os códigos verbal e não-verbal e aspectos culturais, por exemplo.

Sobre as questões de ativação de conhecimento prévio e inferenciais, podemos afirmar que o quantitativo de ambas foi equivalente (39,47%) e constituíram a maior parte das atividades de leitura elaboradas a partir das HQs. Vale lembrar que as questões de ativação de conhecimento prévio são as que exigem respostas baseadas nas opiniões pessoais ou em algum tipo de conhecimento do aluno e não suscitam reflexão sobre o texto. Já as questões inferenciais são as que requerem do aprendiz algum tipo de reflexão sobre o material lido, exigindo a interação dos conhecimentos que o aluno traz consigo com as informações obtidas com a leitura do texto.

Com base nos dados obtidos em nossas análises, verficamos que houve um número expressivo de questões de resposta pessoal nas atividades de leitura, aspecto que revela problemas no trabalho com a compreensão textual em espanhol como língua estrangeira, pois o livro didático “deixa muito por conta do aluno” (MARCUSCHI, 2002). Na medida em que questões dessa natureza são de cunho subjetivo, podem, muitas vezes, admitir várias respostas e acabam não orientando o aprendiz para uma atividade de leitura voltada para o desenvovimento do raciocínio crítico.

Pudemos verificar, então, que muitas HQs foram destinadas a questões de natureza subjetiva que, no livro didático de espanhol L2, figuram como questões de compreensão textual, quando, em realidade, não o são. Ao nos depararmos com um número bastante significativo de questões cujas respostas se baseiam exclusivamente nas opiniões pessoais do leitor, podemos afirmar que as HQs são, mais uma vez, subaproveitadas, pois funcionam como um pretexto para discussões.

Diante de questões dessa natureza, limita-se o o engajamento do leitor com o texto e, consequentemente, limita-se o processo de construção de sentidos (CORACINI, 2002). Tais aspectos nos levam a considerar que a obra El Arte de Leer Español se distancia, em parte, das concepções teórico-metodológicas apresentadas no Manual do Professor e não atendem satisfatoriamente as recomendações dos PCN (2000) e das OCEM (2006) no que tange, em particular, às atividades de compreensão textual elaboradas a partir do gênero quadrinhístico.

No que concerne, em especial às questões inferenciais, observamos que o livro didático de espanhol L2 apresenta um número expressivo desse tipo de questão que, contudo, é ainda inferior ao quantitativo de questões literais, de conhecimento prévio e linguístico.

Consideramos que as questões de cunho inferencial são relevantes para o trabalho pedagógico com a leitura, pois na medida em que o aluno realiza inferências e é capaz de gerar novas informações a partir do que lê, tais questões colaboram para que este aprendiz não realize apenas uma interpretação literal do que lê. Deste modo, temos uma prática de leitura que propicia ao aluno uma participação ativa com o texto.

Apesar de exigirem a elaboração de algum tipo de inferência e requererem a interação do conhecimento prévio do leitor com as informações do texto, verificamos que nos volumes I e III a maior parte das questões inferenciais apontavam para respostas que recorriam à lineraridade do texto. A ocorrência de questões de baixo nível inferencial, no livro destinado ao último ano do Ensino Médio, evidenciou não haver uma adequação do grau de dificuldade das questões em relação ao possível nível de conhecimento do aluno em língua estrangeira.

Diante deste panorama, verificamos que o trabalho pedagógico que envolve a leitura dos quadrinhos ainda não explora satisfatoriamente as especificidades do gênero. Como exemplo, podemos mencionar que ao analisarmos as trinta e oito questões elaboradas a partir das HQs, observamos que somente duas perguntas abordaram o humor que constituía a mensagem do texto.

Atentamos, também, para o fato de que apesar de a imagem ser um dos elementos constitutivos na construção do sentido dos quadrinhos, as questões que consideraram a linguagem não-verbal a exploraram superficialmente, pois a maior parte das questões não contemplou, por exemplo, o signifcado dos balões, das figuras cinéticas e das metáforas visuais, elementos que caracterizam as HQs.

Acreditamos que para que esse panorama se altere, um dos caminhos está na mudança das atividades de compreensão de leitora, que devem ser elaboradas a partir de objetivos específicos e conduzir o aprendiz a pensar e a responder ao texto, empregando o próprio texto para justificar seus julgamentos (APPLEGATE et al. 2002).

Salientamos que apesar de não haver uma supremacia de questões de cunho inferencial na coleção, consideramos que a presença de questões dessa natureza reflete um certo avanço no trabalho com as HQs, tendo-se em vista que é um gênero mais recente que o já consagrados e, sobretudo, pelo fato de ainda haver poucos profissionais na área de educação que tenham formação técnica para utilizar os quadrinhos como ferramenta didático- pedagógica.

Diante do exposto, devemos voltar nossa atenção, também, para o professor, pois sua formação insuficiente para o trabalho com a leitura colabora para legitimar o “como ensinar” proposto pelo livro didático. A consequência de esse fazer pedagógico se vê, por exemplo, na perpetuação dos modelos botton up (Gough, 1972) e top down (Goodman, 1987) de leitura, pois, muitas vezes, o ato de ler se caracteriza como uma prática voltada, respectivamente, para a extração de conteúdos e para a aferição do conhecimento prévio do aprendiz.

Visando a possíveis rupturas no âmbito do ensino/aprendizagem da leitura, aqui, particularmente, em língua estrangeira, consideramos a necessidade de um professor consciente, quanto à própria prática docente, e cada vez mais capacitado para desenvolver no aluno as estratégias e competências necessárias à compreensão textual, visando-se, assim, a formação de um leitor proficiente.

Para alcançarmos este objetivo, torna-se relevante ofertar ao aluno condições propícias para desenvolver sua capacidade enquanto leitor ativo. Acreditamos que por meio de atividades de leitura mais significativas para o aprendiz, ou seja, atividades que o levem a

pensar com e sobre o texto, temos um trabalho pedagógico direcionado para desenvolver de forma satisfatória a competência leitora do aluno de língua estrangeira.

Ao realizarmos o presente trabalho, esperamos contribuir para a construção de um novo olhar e de uma nova forma de explorar as Histórias em Quadrinhos nas atividades de leitura. Neste sentido, esperamos desenvolver um melhor reconhecimento do que são os quadrinhos como gênero discursivo e, consequentemente, colaborar para a reflexão da prática docente a respeito do tipo de formação que deve receber o estudante de espanhol L2.