Na busca por uma qualidade de vida das futuras gerações, é evidente a necessidade de modificação do quadro das mudanças climáticas e a redução das emissões de gás carbônico, um dos objetivos-chave para essa mudança no mundo contemporâneo.
A partir de um amplo levantamento bibliográfico e documental dos principais autores e experiências nacionais e internacionais sobre o tema, o setor dos transportes urbanos revelou-se como um dos maiores contribuintes para a poluição da atmosfera. Ao mesmo tempo que é um dos principais elementos para o desenvolvimento da sociedade, é para os planejadores urbanos um desafio no tocante ao atendimento da mobilidade da população.
A complexidade do problema dos transportes vai além das emissões. No setor industrial uma mera substituição energética pode trazer uma redução significativa das emissões, como por exemplo, a substituição pura e simples de energia oriunda de fontes convencionais fósseis. No espaço urbano essa é apenas uma parte da problemática. O estudo da sustentabilidade urbana mostra que o transporte é uma demanda derivada, sendo preciso atacar outros elementos para produzir menos deslocamentos e, assim, o seu remanescente ser feito de forma limpa.
As experiências da literatura apontam que esse não é um trabalho simples e nem fácil, pois ao longo dos anos o crescimento desordenado das cidades trouxe consigo diversas externalidades para o transporte, como congestionamentos, acidentes e poluição do ar. Para solucionar esses problemas, houve o intenso uso do planejamento tradicional dos transportes, que se baseava em estudos de viabilidade econômico-financeira, dando prioridade ao automóvel privado deixando de lado aspectos sociais e ambientais presentes no novo modelo de planejamento da mobilidade, o qual inclui a participação da sociedade em sua elaboração seguindo os conceitos da mobilidade sustentável.
Assim, concluiu-se como elenco ou conjunto de barreiras ou facilitadores à implantação de políticas de baixo carbono os aspectos: técnico, legal, financeiro, político e de gestão (Quadro 28).
Quadro 28 – Resumo descritivo dos aspectos. Aspecto Descrição
Técnico Analisado pelo grau de qualificação técnica dos responsáveis pelo planejamento urbano e de tecnologia disponível para implantação das estratégias que visam a redução das emissões de CO2.
Legal Analisado com relação ao grau de facilidade oferecido pelas políticas de mobilidade urbana e do atual arcabouço jurídico para implantação de estratégias de mitigação de CO2, ou seja, pela presença (ou falta) de instrumentos legais que atualmente sejam uma barreira ou um facilitador para minimização das emissões.
Financeiro A análise tem relação com o grau de facilidade de alocação de recursos para implantação, monitoramento e avaliação das estratégias de mitigação independente da origem financeira (tesouro público, instituições de fomento nacionais e internacionais etc.).
Político Avaliado em relação à presença (ou falta) de conjuntura política favorável à implantação de estratégias para redução das emissões de dióxido de carbono e de apoio popular para implantação.
Gestão Analisado com relação à presença (ou à falta) de mecanismos padronizados de planejamento, monitoramento e avaliação que auxiliem na manutenção das estratégias de redução. Além disso, é importante avaliar o grau de articulação entre as instituições responsáveis (ou parceiras) pela mobilidade urbana.
A abordagem da mobilidade sustentável requer ações para reduzir a necessidade de viagens, encorajar a mudança de modal, reduzir as distâncias de viagens e promover uma maior eficiência do sistema de transporte. O enfrentamento do problema da minimização de emissões deve se dar considerando um leque de barreiras de origem cultural, histórica, técnica e comportamental, no qual o equacionamento passa por um trabalho tanto internamente no setor de transporte, com o uso de veículos menos contaminantes, quanto na redução de sua necessidade, o que aponta para a ordenação menos baseada em amplos deslocamentos para que haja uma redução da produção de transporte na cidade sem travar negativamente o atendimento às necessidades de mobilidade da população. Ou seja, a análise do tema deve ser feita desde a substituição do transporte até mudar a sua demanda, como a mudança modal dos passageiros de automóveis privados para sistemas públicos de atendimento, preferencialmente aqueles menos consumidores de combustíveis fósseis, até questões da reordenação morfológica estrutural da cidade, com o controle de uso do solo e a tarifação urbana, como também passando por programas educacionais de trânsito. As estratégias mais relevantes para esse estudo, de acordo com o Quadro 29, foram:
Quadro 29 – Resumo descritivo das estratégias.
Estratégias Descrição
Controle de Uso do Solo Criar áreas autossuficientes, com forma urbana compacta, evitando congestionamentos, diminuindo os deslocamentos dos usuários, e as desigualdades sociais.
Transporte Orientado à Demanda Compactar a cidade do ponto de vista do transporte, tornando os modos sustentáveis, como a caminhada e a bicicleta, mais atrativa
Tarifação Veicular As emissões podem ser controladas com a combinação de
normas de economia de combustível e tarifação diferenciada para cada tipo de veículo a partir de padrões de emissões. Transporte Público O desenvolvimento do transporte público em frequência,
confiabilidade, conforto e custo é um dos elementos-chave para redução das emissões de carbono per-capita.
Controle de Tráfego Restrição de velocidade por meio de sistemas
computacionais e do uso de vias para o tráfego automóvel tornando as ruas mais atrativas para os pedestres.
Tarifação Urbana Instrumentos de regulação de tráfego pelo uso da via, tais como pedágio e cobrança pelo estacionamento.
Veículos de Baixo Carbono Reduzem a intensidade de emissões, melhorando a eficiência do consumo de combustível com as tecnologias de veículos novos e utilização de fontes de energia alternativas. Educação Ecoveicular Campanhas de conscientização e treinamento ecoveicular ou ecocondutor podem ser consideradas também como saídas para reduzir as emissões.