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2.7. Fergana İddiasındaki Buhara Hanlığı

3.1.3. Hokand Hanlığı’nın Parlak Dönemi 1800-1842

3.1.3.1. Alîm Han (Zalim Han) Dönemi 1800-1809

Atualmente a questão hídrica tornou-se uma das principais premissas nos debates acadêmicos. Isto é resultado da intensificação do uso inadequado deste recurso pela sociedade que, ao tentar satisfazer suas necessidades, interfere na sua dinâmica natural, uma vez que a “[...] capacidade do homem para a efetivação de mudanças superou-lhe a sabedoria em termos das possíveis conseqüências dos seus atos” (DREW, 1994, p.86).

Destarte, pensando na relevância deste recurso em superfície ou sub- superfície, é imprescindível compreender a forma como se apresenta em um dado espaço, como também o seu papel como modelador da paisagem, ora respeitando sua dinâmica natural, ora sobre a interferência humana.

3.5.1 Recursos hídricos superficiais

A região do Cariri encontra-se inserida na bacia do Rio Salgado, sub-bacia do rio Jaguaribe. A bacia do Jaguaribe, como nos mostra SUDENE (1973, p.15)

[...] é a mais extensa e importante do estado do Ceará, ocupando uma área de aproximadamente 72 000 km2. O aspecto desta bacia é de uma vasta depressão, ocupada nas partes mais baixas (100 – 200m) por glacis sertanejos e bordejados por relevos de altitudes a 700 – 800m. Seu curso total é de aproximadamente 610 km.

Está localizada em quase sua totalidade no Estado do Ceará. Apenas uma ínfima parcela estende-se pelo Estado de Pernambuco, ocupando parte dos municípios de Exu, Moreilândia e Serrita. Ademais, por deter a maior parte de sua área em terrenos do embasamento cristalino, apresenta baixa capacidade hídrica subterrânea, com exceção apenas para os aqüíferos formados nos patamares da Chapada do Araripe, cuja condição litológica permite a formação de aqüíferos livres, com potencial hídrico subterrâneo significativo. Possui uma rede de drenagem disposta em consonância com o controle estrutural, perenizados por construção de barragens e mudanças de cursos marcantes, resultante dos fraturamentos e falhamentos, cujo padrão predominante é o dendrítico (GATTO, 1999).

Essa bacia, drenada pelo rio de mesmo nome, em decorrência de sua grandeza e heterogeneidade, é subdivida, com base no Plano Estadual dos Recursos Hídricos do Ceará (SRH, 2004), em cinco regiões hidrográficas: Região Hidrográfica do Alto Jaguaribe, Região Hidrográfica do Salgado, Região Hidrográfica de Banabuiú, Região Hidrográfica do Médio Jaguaribe e Região Hidrográfica do Baixo Jaguaribe.

Dentre as regiões citadas daremos ênfase apenas a Região Hidrográfica do Salgado por nela está localizado o município do Crato. Esta região desenvolve- se, como nos aponta SRH (2004, p.21), “[...] no sentido sul-norte até encontrar o rio Jaguaribe, logo a jusante da barragem do açude de Orós, drenando uma área de 12.865 km2”.

O Rio Salgado é formado pela junção do riacho dos Porcos e do rio Batateira, no sopé da encosta da Chapada do Araripe, numa altitude aproximada de 800m (GATTO, 1999).

DNPM (1996) ao se referir a hidrografia da região do Cariri expõe que a mesma apresenta três características fundamentais: no platô da chapada, ausência de uma rede de drenagem expressiva em função da estrutura plana e permeável; um setor torrencial na área de encosta da chapada, que se estende desde o arenito da Formação Exu até a planície, perpassando a zona de coluviamento, na qual a ação das águas e volumes das chuvas são acrescidas pelo escoamento das fontes; e pela área de aluviamento, formada a partir da base das vertentes, cujo material foi depositado provenientes do setor torrencial.

Não obstante, o município do Crato em especial, detém as características hidrográficas sobreditas para a região do Cariri, haja vista que o seu território se estende desde o topo da chapada até a depressão sertaneja, incluindo a formação da planície fluvial oriunda dos aluviões.

A rede de drenagem do município em questão (mapa 09), forma a sub-bacia do rio Salgado constituída pelos rios que nascem nos patamares da chapada, bem como os riachos que se formam sobre os maciços residuais. Apresenta padrão de drenagem ramificado, dendrítico a subdendrítico nos setores da chapada e da depressão sertaneja, ganhando caráter subparalelo na porção setentrional, seguindo o controle estrutural. Dentre os principais rios dos municípios temos: Batateira, Grangeiro, Carás, Saco Lobo e Cariús, além da confluência de inúmeros riachos.

Esses rios são alimentados durante todo o ano pelas as águas das inúmeras fontes perenes e sazonais que jorram encosta abaixo.

Entretanto, mesmo possuindo boa parte de suas nascentes perenes, tais rios ao adentrar a depressão sertaneja deixam de ser perenes para serem rios intermitentes. Isto acontece porque as águas das fontes são desviadas do seu percurso natural para abastecer os clubes e as grandes chácaras de domínio privado, indo de encontro com a legislação Federal e Estadual que considera as Fontes de domínio público. O uso privado da água acontece na região do Cariri e, mormente, no Crato em decorrência de uma Lei Provincial de Número 645 de 17 de janeiro de 1854, que estabelece a partilha das águas das fontes, servindo de modelo de gestão dos recursos hídricos até o presente, conhecido como mercado das águas (FUNDETEC, 1999).

A ausência quase total de escoamento superficial no topo da chapada, resultante da alta capacidade de absorção do solo e de baixa declividade, favorece a alimentação dos aqüíferos, compensando a deficiência hídrica em superfície.

Desta forma, apesar do município possuir boas condições hidroclimáticas favoráveis à existência de rios perenes, a sua rede de drenagem é dominada por rios temporários, influenciados pelas taxas de evaporação, mau uso da água e, também, pelo modelo de gestão citado anteriormente, reduzindo a potencialidade hídrica superficial.

Os rios Batateira e Grangeiro, que drenam a área que compreende a sede e adjacências, têm seu volume de água acrescido por lixo e águas servidas, além dos canais coletores das águas pluviais. Estes, ao descerem a encosta, com vigorosa declividade, detêm uma pronunciada energia, responsável pelo aprofundamento dos seus canais. Todavia, na parte que possui declividade suave, esta capacidade diminui, reduzindo o aprofundamento dos canais e um alargamento dos mesmos. O rio Grangeiro, em especial, possui seu curso retilinizado por um canal que, ao ser construído sem respeitar a dinâmica natural, somado ao lixo e as águas servidas lançadas diretamente sobre ele, perdeu sua importância enquanto recurso ao recortar a área de planície. O rio Batateira também não fica fora deste quadro caótico. A única diferença é porque não tem seu curso natural modificado pelas obras de engenharia.

Os rios Carás, Saco Lobo e Cariús ao recortarem a área da depressão sertaneja ganham um considerável volume de água no período de chuva, fundamental ao desenvolvimento das atividades agropecuárias. Entretanto, no período de estiagem, o volume dos respectivos rios diminui consideravelmente, podendo até secar em alguns trechos. São, portanto, rios de regime intermitentes e de pouca energia de talhe, favorecendo o desenvolvimento de canais rasos e largos, com vales de fundo chato.

Na área de confluência do rio Carás e respectivos riachos, encontra-se o principal açude do município: o açude Tomáz Osterne. Além deste, encontramos apenas alguns pequenos barreiros distribuídos em toda a depressão sertaneja, com baixa capacidade de acumulação em virtude do volume dos riachos que os alimentam e das condições semi-áridas que favorecem a alta evaporação.

3.5.2 Recursos hídricos subterrâneos

A região do Cariri e, em particular, o município do Crato, encontram-se predominantemente representados por rochas sedimentares pertencentes à Bacia Sedimentar do Araripe, caracterizadas por boas condições de armazenamento de água em decorrência da porosidade primária do material rochoso que, hidrogeologicamente, apresentam como principais unidades os aqüíferos e aquícludes. A área de estudo, além do domínio hidrogeológico das rochas sedimentares possui, também, o domínio dos depósitos aluvionares, que ocorrem em pequena extensão capeando a margem dos rios e riachos, e o domínio fissural, inserido nos terrenos cristalino na porção norte do município.

Os melhores aqüíferos compreendem os arenitos das Formações Exu, Rio da Batateira, Missão Velha e Mauriti em decorrência da composição litológica arenosa caracterizada por excelente permeabilidade, capacidade de armazenamento e fornecimento de água. Entretanto, a Formação Exu, devido a sua posição estratigráfica e espessura, é pouco explorada em termos de captação por poços. Constitui uma ótima estrutura para ocorrência dos exutórios naturais que banham toda a encosta do pacote sedimentar.

Endossando o sobredito DNPM (1996, p.39) ao se referir a hidrogeologia explica que

[...] a região do Cariri apresenta muito maior interesse, em virtude de serem os melhores aqüíferos situados a pouca profundidade, sendo susceptíveis de exploração com poços de 100m; no topo da chapada, ao contrário os níveis d`água estão muito profundos, a mais de 100 m, dificultando a sua captação em poços ali perfurados. DNPM (1996) propôs a seguinte compartimentação para a hidrogeologia da região, esquematizada na figura 03.

Figura 03: Modelo esquemático dos aqüíferos, segundo DNPM (1996)

• Sistema Aqüífero Superior – compreende os sedimentos das Formações Exu

e Arajara, com espessura aproximada de 320m.

• Aqüiclude Santana – compreende os sedimentos da Formação de mesmo

nome com espessura aproximada de 180m.

• Sistema Aqüífero Médio – compreende os sedimentos das Formações Rio da

Batateira, Missão Velha e Abaiara com espessura aproximada de 500m.

• Aqüiclude Brejo Santo – compreende os sedimentos da Formação de mesmo

• Sistema Aqüífero Inferior – compreende os sedimentos da Formação Mauriti e

parte basal da Formação Brejo Santo, com espessura aproximada de 60m a 100m. O Sistema Aqüífero Superior capeia todo o platô da chapada constituindo o aqüífero de maior extensão. Todavia, apenas 15% do seu pacote atuam como reservatório, cujos níveis de água estão numa cota superior a 150m de profundidade, dificultando o aproveitamento deste potencial hidrogeológico. De acordo com Veríssimo (1999), tanto a Formação Exu como a Arajara tem potencialidade hidrogeológica baixa, com nível estático muito profundo.

O baixo aproveitamento deste aqüífero, conforme DNPM (1996), não está atrelado às características físicas e de armazenamento d`agua das Formações Exu e Arajara, mas sim à baixa capacidade de retenção da água. Em decorrência dessa característica associada ao mergulho suave de 5º das camadas de sul para norte, formam-se os exutórios naturais, que ocorrem ao longo de toda a chapada e, em especial, na porção cearense, região do Cariri, sobretudo no município do Crato. A maior parte dessas fontes ocorre na base da Formação Exu em contato com a Formação Arajara e, em menor quantidade, dentro dos sedimentos da Formação Arajara e no contato com a Formação Santana, impossibilitando, pois, uma maior saturação do Aqüífero Superior.

A alimentação do Sistema Aqüífero em questão se dá diretamente pela infiltração das águas das chuvas que, com um relevo quase plano e solo de alta porosidade e permeabilidade, permite uma infiltração quase total das águas pluviais que escoam de forma difusa e desordenada, condicionando a ausência quase total de uma rede de drenagem superficial. A água infiltrada nos sedimentos da Formação Exu percola até atingir o nível de saturação. Ao atingir esse nível passa a circular de forma sub-horizontal em direção das áreas de ocorrência às fontes (DNPM, 1996).

Na porção voltada para o Ceará, entre as cotas altimétricas de 600m e 720m, 256 fontes surgem banhando toda a vertente da chapada em direção a depressão sertaneja, compreendendo 83,8 % do total de fontes de toda a Bacia Sedimentar do Araripe. Ademais, apenas 43 (14%) estão voltadas para o estado de Pernambuco e 8 (2,6%) para o estado do Piauí. Deste total, 79 estão inseridas no Crato, cuja fonte de maior vazão da bacia é a Rio Batateira (vazão de 376 m3/h) (FUNDETEC, 1999).

Com base em DNPM (1996) o Aqüífero Médio, situado na sub-bacia de Feira Nova (espessura média de 210m) e sub-bacia do Cariri (espessura média de 295m), compreende o sistema mais complexo por envolver três unidades estratigráficas e de características hidrodinâmicas semelhantes e próximas entre si, ocorrendo predominantemente na área da depressão sertaneja. É nessa área que está concentrada a maior exploração de água subterrânea da Bacia Sedimentar do Araripe.

A alimentação desse Sistema Aqüífero na região do Cariri acontece por meio da infiltração das águas pluviais e contribuições das fontes, sendo aquela a mais importante no processo. A contribuição das fontes é resultante do escoamento das mesmas que ao drenarem a área de pediplano, proporcionam uma taxa de infiltração equivalente a 5,3% (FUNDETEC, 1999). SRH (2004), ao analisar as amostras físico-químicas das águas deste aqüífero, destaca que as mesmas são de boa qualidade, principalmente, na área correspondente ao município do Crato.

Nesse aqüífero o fluxo de água na sub-bacia do Cariri se dá ao longo do rio Salgado e de seus principais afluentes rio Batateira e riacho dos Porcos. Conforme Veríssimo (1999), as Formações Rio da Batateira, Abaiara e Missão Velha apresentam respectivamente, boa, média e excelente potencialidade hidrogeológica. Esse aqüífero, inserido no Graben Crato-Juazeiro, constitui, portanto, o mais importante, bem como o mais explorado da Bacia Sedimentar do Araripe.

O aqüífero Rio Batateira é o mais explorado no município do Crato graças, principalmente, a sua posição estratigráfica, cujos poços não precisam de grandes profundidades para atingir o nível de água para exploração. Em menor intensidade é explorado o aqüífero Missão Velha por está sotoposto ao anterior, o que infere mais custos na perfuração dos poços.

O Sistema Aqüífero Inferior, posicionado na base da seqüência estratigráfica, aparece ora como aqüífero livre na borda da bacia, ora como confinado pelos sedimentos da Formação Brejo Santo. Ocorre numa área reduzida na sub-bacia do Cariri, cuja porção aflorante corresponde às bordas setentrional e oriental da região do Cariri. Os sedimentos da Formação Mauriti que envolvem esse aqüífero atuam como elemento de transição entre a Bacia sedimentar do Araripe e o embasamento cristalino. Sua alimentação se dá por meio da infiltração das águas

pluviais, complementada pela drenagem oriunda da área cristalina ao norte (DNPM, 1996).

A recarga desse aqüífero está limitada à área em que aflora, tendo em vista que os sedimentos da Formação Brejo Santo, preponderantemente argilosa, impossibilitam a circulação descendente do sistema aqüífero sobreposto e, por conseguinte, a alimentação do aqüífero inferior.

O Aqüiclude Santana possui características bem diferentes dos aqüíferos sotoposto e sobreposto a ele. Esta diferença é resultante da composição litológica, dominada por rochas totalmente impermeáveis como folhelhos, calcários e gipsita em camadas contínuas, impedindo a movimentação da água para exploração. Eventualmente aparecem na sua parte basal, camadas arenítica de baixa capacidade hidrogeológica em decorrência da sua reduzida espessura (DNPM, 1996).

O Aqüiclude Brejo Santo também apresenta ocasionalmente intercalações arenosas na sua base, atuando como interface para o aqüífero inferior. Entretanto, a composição litológica predominante não permite classificá-lo como um aqüífero.

Na porção setentrional do município do Crato, fora dos sedimentos da Bacia Sedimentar do Araripe e dentro do embasamento cristalino, encontramos água subterrânea em aqüíferos fissurais. Conforme a FUNDETEC (1999) esse tipo de aqüífero apresenta quase sempre o mesmo padrão hidrogeológico, caracterizado por fortes descontinuidades do meio e condições físicas heterogêneas.

O aqüífero fissural possui ínfima importância hidrogeológica devido a pouca recarga do mesmo, influenciada pelas altas taxas de evaporação e baixa pluviosidade na maior parte do ano. Sua exploração está condicionada ao conhecimento peculiar da estrutura do arcabouço geológico, dominado por falhas e fraturas.