3.1. Enron Skandalı
3.1.1. Enron ġirketinin Tarihçesi
OS
EDUCADORES
A fim de se refletir sobre a questão das relações familiares e o que pensam os educadores das duas escolas estudadas sobre esse as- pecto e sua implicação na violência escolar, foram feitas entrevistas coletivas e aplicados questionários aos educadores de duas escolas.
em cada uma das escolas participantes do estudo, realizaram-se dois encontros com seus docentes e gestores. em uma delas, identi- ficada aqui como Escola 1, participaram 15 educadores: 13 docentes, a coordenadora e a diretora. No primeiro encontro, foi solicitado a cada participante do grupo que se posicionasse em relação a temas propostos pelos pesquisadores, e procurou-se incentivar a discussão entre eles a respeito de cada temática. o segundo encontro também contou com a presença de 12 docentes, da diretora e da coordena- dora. Ao final da discussão, foi entregue um questionário à coor- denação para ser respondido por todos os professores da escola que lecionavam para as 7as e 8as séries do ensino fundamental, e poste-
riormente recolhido. No total, foram respondidos 15 questionários. o mesmo procedimento foi adotado na escola 2. do primeiro encontro participaram nove educadores. Nesse encontro estavam presentes a coordenadora e o vice-diretor da escola. do segundo encontro participaram seis educadores, entre eles o vice-diretor da escola. Nessa escola empregou-se o mesmo procedimento utilizado
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na escola 1, a saber, a distribuição dos questionários para serem posteriormente recolhidos. No total, dez docentes responderam ao questionário a respeito das famílias dos alunos.
os dados das entrevistas e dos questionários foram complemen- tados por observação das atividades da escola: reuniões, festas, re- creio etc.
Para definir as categorias de análise, as respostas dos educadores foram classificadas e categorizadas em diferentes blocos temáticos definidos com base na revisão da bibliografia da área e do discurso dos participantes. os temas básicos das entrevistas serviram como eixos orientadores da análise.
A técnica empregada para o exame dos depoimentos foi a análise de conteúdo que, segundo Bardin (1988), é um instrumental meto- dológico pelo qual se busca entender o sentido de uma comunica- ção. Apoiando-nos nessa técnica de análise, procuramos a explici- tação e a sistematização dos conteúdos veiculados nos depoimentos dos entrevistados. Na primeira leitura dos depoimentos, visamos definir os indicadores que orientariam a interpretação dos dados coletados. Em seguida, passamos para a fase de exploração do ma- terial com o objetivo de codificá-lo, classificá-lo e categorizá-lo. Em cada entrevista, procuramos identificar os temas, as ênfases e os pa- drões presentes nas falas dos entrevistados.
as respostas foram agrupadas em diferentes blocos temáticos considerados mais significativos, definidos com base nos pró- prios temas enfocados na entrevista e nas respostas dos partici- pantes do estudo.
A seguir, buscamos identificar as dimensões mais frequentes ou mais enfatizadas em cada um desses blocos temáticos, bem como as diferenças que puderam ser encontradas em cada um deles.
A Escola 1
Em 1967 foi construído em uma cidade do interior do Estado de São Paulo o prédio onde hoje está situada a escola 1. inicialmente,
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instalou-se no local um Ginásio Estadual. Em 1976, este deixou de se chamar Ginásio estadual para se constituir como escola estadu- al de Primeiro Grau. com a criação do curso Supletivo de Segundo Grau, a escola se transformou em escola de Primeiro e Segundo Grau (EEPSG) e atualmente Escola Estadual, na qual são ofereci- dos o Ensino Fundamental e Médio (EJA).
a escola localiza-se em um bairro predominantemente resi- dencial, de classe média. Grande parte da comunidade local tem seus filhos matriculados em escolas particulares. Por isso, apenas 5% dos alunos residem em bairros próximos à escola, sendo os 95% restantes provenientes de bairros distantes. estes utilizam o trans- porte escolar público como meio de locomoção, e alguns vão à es- cola de bicicleta.
os alunos são provenientes de vários bairros, todos considera- dos periféricos. Também frequentam a escola alunos que moram na zona rural do município.
os alunos em sua maioria são oriundos de escolas municipais existentes nesses bairros da periferia da cidade. São filhos de traba- lhadores de diversos setores, inclusive de postos de trabalho infor- mal. a maioria dos pais e padrastos que trabalham está empregada em postos que exigem pouca qualificação, como operários, pedrei- ros, serventes de pedreiros, eletricistas, encanadores, ambulantes ou caminhoneiros. as mães, quando não são donas de casa, trabalham como costureiras, empregadas domésticas ou faxineiras. Alguns alu- nos trabalham, por exemplo, ajudando um tio dono de borracharia, ajudando o pai que é ambulante ou que tem um carrinho de lanches ou que é dono de um “mercadinho”. os alunos mais velhos da edu- cação de Jovens e Adultos (EJA) relatam trabalhar como balconistas no comércio local, operários e ajudantes de cozinha.
esta escola é bem cuidada e ampla, com espaços apropriados para o desenvolvimento de atividades diversificadas com os alunos.
O prédio se situa em um terreno de 6.141,10 m2. Suas insta-
lações físicas incluem dez salas de aula, sala de informática, sala de leitura, banheiros feminino e masculino, cozinha, pátio co- berto com palco, quadra coberta e dependências administrativas.
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a escola funciona nos três turnos e atende hoje um total de 1.118 alunos.
No período noturno, a escola oferece a eJa, que é destinada àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos no ensino Médio, na idade apropriada. ou seja, é destinada princi- palmente a uma população que frequentemente já vem assumin- do compromissos familiares e profissionais. A escola mantém dez turmas de EJA, atendendo a aproximadamente 400 alunos nesta modalidade.
o ensino Médio dessa escola atende a 718 alunos, em turmas divididas da seguinte maneira: seis turmas de 5a série e quatro tur-
mas de 8a série de manhã; e cinco turmas de 6a série e quatro turmas
de 7a série à tarde. de acordo com as coordenadoras da escola, no
período da manhã o índice de indisciplina é menor, o que justifica o fato de os alunos mais novos serem matriculados nesse período.
Para as coordenadoras, os alunos da 7a série são os que apresen-
tam o maior índice de indisciplina, o que torna comum as transfe- rências de alunos de uma classe de 7a série a outra, com o objetivo
de diluir os possíveis grupos de alunos indisciplinados. de acordo com o Plano de Gestão, a escola apresenta um alto índice de evasão e retenção dos alunos. isso pôde ser observado durante a realização deste estudo pelo grande número de alunos com idade superior à adequada para a série. enumerados os possíveis motivos dessa de- fasagem, a equipe escolar chegou à conclusão de que a indisciplina causada pelo baixo interesse e a desmotivação dos alunos e de al- guns professores são os fatores responsáveis por estes resultados.
durante nossas visitas à escola, pudemos realmente presenciar um forte desânimo em grande parte dos professores. era comum escutar reclamações de professores que diziam ser impossível dar aula em algumas salas por causa da indisciplina dos alunos. chega- mos mesmo a ouvir o desabafo de uma professora, que relatou não aguentar mais, pois os alunos estavam jogando bolas de papel e giz em suas costas e em seu rosto enquanto tentava dar aula. Pudemos perceber um clima de tensão existente entre alguns professores e os alunos que se comunicavam por meio de gritos e gozações.
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Para a equipe gestora, uma das principais dificuldades enfren- tadas pela escola é a não participação dos pais na vida escolar dos filhos, principalmente por não frequentarem as reuniões destinadas à integração entre eles e a escola.
Durante o tempo em que ficamos na escola, foi possível perceber que são poucas as salas de aula em que os alunos permanecem em silêncio. Na maioria do tempo, nas aulas que observamos, os alunos se apresentam bastante agitados, o que produz muito barulho. Tam- bém há uma movimentação constante dos alunos dentro da sala e até mesmo pelos corredores da escola, durante as trocas dos professores, mesmo que as regras definidas pela equipe gestora o proíba.
No primeiro dia que fomos à escola para conversar com os pro- fessores sobre o projeto, presenciamos a discussão entre duas mães de alunas que haviam brigado na escola. ao entrarmos, a coorde- nadora nos explicou que a maior parte das brigas que ocorrem é entre meninas, e que em uma tentativa de solucionar esse problema algumas já haviam sido transferidas para outras escolas. a diretora chegou a comentar que todos os dias há ao menos um caso de briga entre alunos. Assim, segundo a diretora e a coordenadora − e tam- bém pelo que pudemos presenciar −, são frequentes situações de conflito entre alunos nessa escola.
a aparência física dos alunos denota a situação de pobreza em que vivem. São poucos os que possuem objetos mais caros. Foi possível perceber que muitos alunos vão à escola com o uniforme sujo e/ou rasgado. chegamos a presenciar o caso de uma aluna que estava na escola descalça e suja, e que nos contou que todo material que tinha era providenciado pela escola. assim, esses alunos apresentam carac- terísticas que os distanciam da imagem idealizada do aluno ideal.
A Escola 2
A Escola em estudo foi criada no final da década de 1970, con- forme Decreto n. 14.148/79, e está situada em um bairro da perife- ria do município.
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a escola funciona em prédio próprio e possui duas alas unidas por um galpão: a ala administrativa e a ala das salas de aula que, de 1979 a 1983, continha apenas seis salas, e a partir do ano de 1984 passou a contar com 12 salas, em virtude de uma ampliação iniciada em 1982. Essa ampliação foi decorrente da urbanização do bairro e da grande demanda por novas vagas, em especial pelo aumento de migrantes do norte do estado de São Paulo, do estado de Minas Gerais e do Norte e Nordeste do país.
as instalações físicas da escola em questão consistem em: 12 salas de aula, uma sala-ambiente de informática, uma sala de lei- tura, uma quadra de esportes, um pátio coberto, cozinha, banhei- ros masculino e feminino e uma sala de vídeo, cujo uso se alterna com a sala de aula no 1. a área administrativa conta com sala de
professores, sala do diretor, secretaria − que abriga o vice-diretor e o professor coordenador pedagógico −, cinco sanitários, sendo um feminino e um masculino para professores, um feminino e um masculino para o setor administrativo e um de uso exclusivo do diretor da escola; além disso, há uma sala de arquivo morto e uma cozinha administrativa.
A Escola atende a aproximadamente 800 alunos de 5a à 8a séries
do ensino Fundamental distribuídos entre o período da manhã e da tarde, que em sua grande maioria residem nos bairros circunvizi- nhos. a instituição escolar está localizada em uma área de periferia, com grande densidade demográfica e baixos indicadores socioeco- nômicos; na região, predominam as habitações de padrão popular e conjuntos residenciais populares, criados nas décadas de 1980 e 1990 pelo poder público. Apesar de contarem com toda a infraes- trutura básica, alguns bairros dessa área não possuem pavimenta- ção asfáltica.
o padrão urbanístico é bastante precário e contribui, juntamen- te com os índices socioeconômicos, para uma baixa qualidade de vida da população. Não existem áreas verdes e nem áreas destina- das ao lazer da população local. No bairro onde a escola se encontra não existem praças, nem parques recreativos; o que se pode obser- var é que próximo à instituição escolar há uma quadra em fase de
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construção, porém já depredada e coberta de pichações. Na mesma situação encontram-se os baixos muros da Escola.
as atividades culturais da região são limitadas e as práticas es- portivas costumam ocorrer em espaços públicos de estruturas pre- cárias e áreas livres. os serviços públicos de saúde são oferecidos em regime de pronto-atendimento e em uma unidade Básica de Saúde, a 3 km de distância da escola em questão. esses serviços de saúde são responsáveis pelo atendimento de aproximadamente 50 mil habitantes da cidade de rio claro.
No bairro onde a escola 2 se localiza, há uma grande degradação ambiental ocasionada pelo descarte clandestino de resíduos sólidos (domésticos, industriais e até hospitalares) e a existência de bolsões de entulhos e lançamento de esgoto in natura nos corpos d’água, fato esse comum de se observar na periferia das cidades dos países em desenvolvimento.
No Jardim ipanema, bairro onde a escola em estudo se situa, as atividades econômicas estão diretamente ligadas ao pequeno comércio − farmácias, mercados, padarias, papelarias, oficinas me- cânicas, depósitos de gás, além de um grande número de bares. o setor de serviço informal também é significativo e é representado principalmente por vendedores, salões de cabeleireiro e manicures.
os índices de violência são elevados e caracterizam uma das re- giões mais violentas do município. o dia a dia da população está ligado à ação da polícia no combate ao crime e ao tráfico de drogas. A população local tem conhecimento dos pontos de tráfico e sabe identificar os traficantes e marginais que circulam pelo bairro, mas, assim como ocorre em todas as áreas de grande violência, não há um discurso declarado sobre o problema, pois o medo e a necessidade de um convívio social impõem a lei do silêncio.
Para quem vem ou vê de fora, a escola não causa uma boa im- pressão: o prédio está muito depredado, com muro quebrado e a pintura suja e pichada; antes mesmo de adentrar a instituição, já é possível notar a falta de conservação e o abandono.
o primeiro contato com o interior da escola nos remete a um estado de desolamento e penúria: o prédio é escuro; as dependên-
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cias são mal conservadas e sujas; falta infraestrutura adequada − os banheiros, por exemplo, estão longe dos padrões básicos de um banheiro escolar; falta higiene, até mesmo no pátio onde é servida a merenda escolar. Há restos de comida espalhados pelo local e nota- -se facilmente que a assepsia da cozinha não é a ideal. a passagem entre os pátios é cerrada por cadeados; portanto, para transitar pela escola é necessário pedir a uma das funcionárias responsáveis pelas chaves que se disponha a liberar-nos o acesso. uma das primeiras salas de aula tem grades e cadeado na porta. ao ser questionada a respeito, uma das funcionárias afirmou que naquela sala fica o equi- pamento de televisão − a fim de evitar roubos e furtos optou-se por esta solução. outro fato que chama a atenção são as pichações no interior da escola, que ocorrem com menos frequência, mas são de fácil identificação.
o pátio que se localiza entre as salas e que acolhe o maior nú- mero de estudantes na hora do intervalo é relativamente pequeno. além de esteticamente feio e demonstrar ares de abandono, está cercado por terra e mato, o que gera desconforto e revolta entre os alunos. eles pedem que o mato seja cortado para evitar a prolife- ração de bichos que por vezes aparecem pelo pátio. alguns alunos relatam que, por causa do mato alto, já apareceram sapos, aranhas e até mesmo uma cobra dentro da escola e que, há alguns anos um urubu fez ninho no mesmo pátio.
a escola não tem espaço apropriado para o desenvolvimento de atividades diversificadas e há dificuldade até mesmo para realizar reuniões, pois não há uma sala adequada. durante uma Hora de Trabalho Pedagógico Coletivo (HTPC) de que participamos, foi possível notar o desconforto de alguns professores com as condi- ções físicas da escola, como vidros quebrados, carteiras depredadas e a falta de ventiladores.
Apesar do quadro de conflitos e das restrições de recursos físicos e materiais, não há grandes mudanças na equipe gestora, que atua há alguns anos na mesma escola. em contrapartida, os docentes costumam mudar com frequência poucos profissionais permane- cem na instituição, pois uma boa parte pede transferência.
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de acordo com o relato dos gestores, a escola é constantemente invadida, depredada e vandalizada. essas ações, segundo eles, são protagonizadas pelos jovens da comunidade onde a escola se loca- liza. atualmente um grupo de meninas vem causando problemas dentro e fora dos portões da escola. São, de acordo com o relato dos gestores, garotas ainda muito jovens, com idade entre 12 e 13 anos, que mantêm relações sexuais com diversos meninos e assumem relacionarem-se também com pessoas do mesmo sexo. A direção da escola informou-nos que elas foram orientadas a respeito dos pe- rigos de relações sexuais desprotegidas com diversos parceiros, mas que elas parecem não se importar e demonstram orgulho em relatar esses fatos. certa vez, presenciamos uma conversa da coordenadora com a mãe de uma dessas meninas. a mãe mostrou-se durante toda a conversa muito calma em relação às reclamações e informações que lhe eram repassadas, talvez indicando que tal comportamento não lhe causa estranheza. Segundo os gestores, quando essas meni- nas não estão na escola as invasões não acontecem e, se acontecem, são em proporções menores.
compondo esse quadro fragilizado em relação ao ensino, aban- donado no que diz respeito às instalações e associado ao vandalismo e às invasões quase diárias − por parte de pessoas de fora da esco- la, muitas vezes ligadas ao tráfico −, percebe-se facilmente que, se comparada à realidade na qual está inserida, a escola 2 é apenas uma continuidade do próprio entorno.
Muitos alunos já tiveram experiências marcantes com a vio- lência e são comuns os casos de problemas familiares envolvendo o crime e o uso de drogas. durante a pesquisa, foi possível notar na fala de alguns alunos que roubos, furtos, brigas, mortes, ação policial e uso de entorpecentes são fatos cotidianos e de fácil acei- tação pela população do bairro; poucos alunos se incomodam ou se envergonham em ter familiares presos ou ligados, de forma direta e indireta, ao crime.
Para os alunos, a escola é um ponto importante de convívio so- cial e é aí que eles têm a oportunidade de entrar em contato com informações e pessoas às quais não teriam acesso tão facilmente no
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dia a dia. Basicamente, a escola é um local de encontrar amigos. No entanto, os gestores afirmam que existem grupos rivais que causam tumultos e brigas, e impedem o trabalho docente.
Segundo a equipe escolar, há também alunos que não param em suas salas de aula e ficam andando pelos corredores da escola, atra- palhando o andamento das atividades das outras turmas. Pudemos constatar e observar que muitos desses alunos que perambulam pe- los corredores saem para se encontrar com invasores, que adentram a escola pelos muros dos fundos. Os invasores muitas vezes ficam nas janelas das salas de aulas, comunicando-se com os alunos do fundo, e chegam até a atrapalhar as aulas.
Quando ocorre uma ação policial ou um ato de violência, como a prisão de traficantes conhecidos, a morte ou o assassinato de pa- rentes de alunos, toda a comunidade escolar fica conturbada, o que afeta, inclusive, o trabalho pedagógico. a ação policial também é comum dentro da escola: geralmente os agentes adentram o prédio para procurar foragidos que usam a escola para se refugiar durante as perseguições no bairro, pois acreditam estar a salvo entre alunos no pátio da escola. Porém, a polícia não limita sua ação e faz buscas intensas na escola. algumas vezes, com armas em punho e efetuan- do prisões. Por vezes a polícia realiza “batidas” em alunos suposta- mente ligados ao crime.
durante as visitas à escola, foi possível notar que os alunos considerados “mais violentos” costumam intimidar os colegas e os professores. Muitos deles chegam a ameaçá-los. Nas reuniões, pronunciamentos de alguns professores revelaram que eles sentem medo dos alunos e que se sentem ameaçados dentro e fora do âmbi- to escolar. alguns docentes chegaram a relatar intimidações feitas por alunos e dizem que, para evitar conflitos e manter o mínimo de convivência em sala de aula, optam por não confrontar esses alunos. O espaço da escola é um lugar de conflitos permanentes, com