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2.2. BELÂGATIN ALT DİSİPLİNLERİ

2.2.2. BEYÂN - نايبلا

2.2.2.3. Kinâye - ةيانكلا

Os anos 80 foram marcados, fora da Europa, por dinâmicas interligadas ao longo de um Arco de Crise que uniu o Médio Oriente, o Golfo Pérsico e a Ásia Central/Afeganistão, interligação que resultou da gestão realizada pelos Estados regionais com maior autonomia de actuação e pelos EUA e URSS de três acontecimentos que haviam ocorrido em 1979:

1) A queda do regime imperial do Irão e a implantação da República Islâmica, que pôs em

questão a solução encontrada pela Administração Nixon para a retirada militar do Reino Unido da região, ou seja, a cooptação do Irão imperial como potência regional aliada aos EUA,

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contendo o Iraque, coexistindo e cooperando com Israel e assegurando funções de contenção da URSS na sua eventual estratégia de expansão para o Índico; o novo regime veio combinar o irredentismo xiita com o nacionalismo persa e confundir todo o cálculo geopolítico tradicional no Golfo Pérsico, ameaçando antes demais os países com fortes minorias xiitas no seu território, sem falar do Iraque, em que a população de matriz religiosa xiita era numericamente maioritária, politicamente oprimida e socialmente marginalizada;

2) O Tratado de Paz entre Israel e o Egipto, na sequência dos acordos de Camp David deixara a

Síria como o único Estado árabe da “linha da frente” com capacidade militar29 Estado que, pela

tutela que exercia sobre a política do Líbano passara a ter uma via foi ao longo da década de 90 o bastião de uma frente rejeccionista daquele Tratado (que incluía a Síria, Iraque, OLP, Líbia, Yémen do Sul e, com intermitências a Argélia), ao mesmo tempo que procurou as oportunidades para dividir a OLP e colocar o nacionalismo palestiniano sob sua direcção estrita; dividir e enfraquecer OLP era também um objectivo de Israel para pode aplicar a versão mais minimalista do compromisso assumido em Camp David de conceder autonomia aos territórios palestinianos ocupados em 1967;

3) A invasão do Afeganistão pela URSS, encarada desde o inicio pelos EUA como o primeiro

passo de um avanço para o Indico e para o Golfo Pérsico, e pela China como um passo decisivo no reforço da convergência URSS/Índia dirigida contra a aliança Paquistão /China que levaria a

um “cerco “ mais completo da China30.

A interacção destes três processos encontrou na Arábia Saudita o Estado cuja actuação era decisiva em qualquer deles, pelo que a década de 80 se poderia designar como a “década da Arábia Saudita”, evolução que não podia deixar de ser rapidamente apreendida por Israel. A Administração Reagan prosseguiu no período 1981/5 os seguintes objectivos neste "Arco de Crise": a) dotar os EUA de uma presença militar permanente no Golfo Pérsico de dimensão muito superior à que a Administração Carter tinha encarado quando decidiu a constituição da Força de Deslocação Rápida. A Administração Reagan criou um Comando Central para coordenar a acção das forças militares norte americanas na área do Golfo Pérsico e regiões limítrofes; transformou a base de Diego Garcia no Índico na retaguarda segura para as operações no Golfo; negociou o acesso a um conjunto de bases militares e de pontos de apoio para as suas unidades de combate na Arábia Saudita, em Omã, na Península do Sinai no Egipto (neste caso integrada numa força multinacional) e no Paquistão; b) garantir a protecção das Monarquias do

29 Embora totalmente dependente dos fornecimentos de armas da URSS.

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Golfo, centrando-se num relacionamento militar aprofundado com a Arábia Saudita, com quem foi igualmente reforçada a colaboração na gestão do mercado petrolífero (e na eventual utilização do preço do petróleo para fins geopolíticos); c) manter o apoio militar e diplomático a Israel, mas prosseguir ao mesmo tempo o caminho aberto pelos acordos de Camp David celebrados durante a Administração Cárter, no sentido de, sob liderança dos EUA, avançar no processo de Paz no Médio Oriente, marginalizando a URSS; e d) organizar um “eixo” de Estados comprometidos com o combate às forças da URSS no Afeganistão, em que a Arábia Saudita e o Paquistão seriam as peças centrais e a China forneceria um apoio suplementar.

6. 1 O Golfo Pérsico em Chamas: A Guerra Iraque -Irão

6.1.1.Iraque e Irão: Conflitos fronteiriços e ameaças de subversão interna - as razões que

levaram Saddam Hussein a desencadear em 22 Setembro de 1980 uma invasão do Irão, iniciando uma guerra que durou até 1988, têm sido discutidas em profundidade por muitos peritos não parecendo haver um consenso sobre a hierarquia dessas razões. Autores como Ralph King destacam as razões que tinham que ver com um receio muito enraizado em Saddam Hussein de que o novo regime do Irão, caso se fortalecesse, poderia actuar de modo a contribuir para o desmembramento político do Iraque, uma construção estatal artificial e muito recente, aproveitando-se, quer do facto de a maioria da população ser muçulmana de obediência xiita, tal como no Irão, quer da proverbial conflitualidade dos curdos contra o poder central em Bagdad. A recuperação do controlo exclusivo sobre o Shatt al Arab, que o Iraque havia sido obrigado a ceder nos Acordos de Argel em 1975 ao Irão Imperial, constituiu outra possível razão de peso, quer com valor em si mesmo, quer como demonstração de uma nova relação de forças no Golfo Pérsico favorável ao Iraque. Por outro lado, o ataque de surpresa ao Irão, se resultasse, oferecia a Saddam Hussein duas outras oportunidades – aproximar-se dos Estados árabes moderados, fazendo da campanha contra o Irão a base de partida para a sua afirmação como potência dominante no Golfo e fazer convergir essa velha aspiração com os interesses dos EUA que, após queda do Xá tinham perdido o seu aliado militar na região.

É claro que este cálculo estratégico supunha uma vitória rápida, contando Saddam quer com desorganização das forças armadas regulares do Irão, objecto de deserções e de depurações em massa dos comandos considerados de pouca confiança, quer com o embargo dos EUA aos fornecimento de peças a umas forças armadas integralmente equipadas com material norte americano e britânico. Por sua vez a busca de uma superioridade aérea, tornada possível pelos fornecimentos da França em aviões (Super Étandard e Mirages) e mísseis iria ser prosseguida ao

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longo da guerra. No momento da invasão o Iraque encontrava-se numa posição financeira invejável, tendo acumulado reservas cambiais na ordem dos 35 biliões de dólares apreços da época, em consequência da alta de preços do petróleo desencadeada pelos dois “choques petrolíferos”.E estava no inicio de um ambicioso plano de industrialização destinado a transformá-lo na “Prússia do Médio Oriente” e tornara-se muito menos dependente da URSS, já que diversificara os seus fornecedores de armamento, tendo a França assumido um papel chave, incluindo na construção de um reactor nuclear que deveria constituir a primeira pedra de um programa inicialmente destinado a concorrer com o do Xá do Irão (e com Israel).

6.1.2. 1980/1985 – A guerra Iraque /Irão, uma guerra com cinco fases

1º Fase. Setembro de 1980 a Agosto de 1981 - Em 22 de Setembro a Força Aérea iraquiana

atacou de surpresa dez bases da Força aérea do Irão, mas falhou no objectivo de destruir em terra o grosso da força Aérea iraniana.No dia seguinte o Iraque invadiu o Irão, atravessando o Shatt al Arab e conquistando uma extensa faixa de território ao longo da sua fronteira em três direcções: 1) Uma frente principal a sul, concentrando forças na invasão da província do Khuzestão, com duas tenazes, uma dirigida ao controlo do Shatt al Arab e das cidade/ porto de Khorramshahr e Abadan, que foram conquistadas e as respectivas instalações petrolíferas portuárias parcialmente destruídas e outra em direcção a Ahvaz, capital da província e ao nó rodoviário da cidade de

Desfoul que permitia a ligação de Teerão a diversas cidades da província31; 2) Uma frente ao

centro, com o corpo de exército que assumia a defesa de Bagdad a avançar em direcção a duas posições consideradas estratégicas na defesa ulterior da capital iraquiana; as cidades de Mehran e de Qasr-e-Chine são conquistadas, localizando-se esta última sobre a rota tradicional de invasão Teerão – Bagdad; e 3) Uma frente a norte, na continuidade do Curdistão iraquiano, para a eventual defesa posterior de Kirkuk e dos campos petrolíferos do norte.

A invasão terrestre do Irão incluiu uma actuação claramente ofensiva em direcção ao Khuzestão e duas actuações defensivas, no centro e no norte, na expectativa de resistir a eventuais contra ofensivas do Irão contra Bagdad e Kirkuk. Os principais resultados alcançados nos primeiros dias localizaram-se ao longo de uma estreita faixa, parcialmente ao longo do Shatt al Arab e do litoral nordeste do Golfo Pérsico, longe do heartland do Irão, localizado nos planaltos e montanhas, onde se encontravam as principais cidades persas, o que facilitaria futuras contra ofensivas, desde que a República Islâmica sobrevivesse às dissensões internas e conseguisse reorganizar as forças armadas.

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