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Eş’ariyye Mezhebinin Hüsün ve Kubuh Görüşü

İSLÂM DÜŞÜNCE KÜLTÜRÜNDE HÜSÜN VE KUBUH

B. Eş’ariyye Mezhebinin Hüsün ve Kubuh Görüşü

5.1 Conceituação

O fitness não convencional é definido como mais do que o contrário do fitness convencional. Em termos gerais, o fitness não convencional pode ser definido como sendo o conjunto de práticas de exercícios executados sem o uso das máquinas de treinamento resistido. Esta definição ainda é excessivamente ampla, mas para estreitar o conceito de fitness não convencional é preciso apresentar outro conceito ao qual o primeiro está ligado: o treinamento funcional.

O conceito de treinamento funcional está para a Educação Física assim como o conceito de estratégia, está para a Administração. Ambos são conjuntos de conhecimentos que abrangem diversos conceitos, sendo estes últimos utilizados por profissionais das mais diversas áreas e com os mais diversos fins. Igualmente, tanto a estratégia quanto o treinamento funcional criam mercado para os conceitos que operam e agregam valor ao discurso dos profissionais. É possível encontrar autores definindo o que é estratégia, como Porter, e autores que se opõe às definições daqueles e defendem outros conceitos como definidores de estratégia, como Mintzberg: “Em nossa visão, Porter levanta muitas coisas certas em seu artigo, mas o que sugere fazer a respeito das mesmas está errado ou, no mínimo, demasiadamente restrito.”. (MINTZBERG, 2000, p. 95). A mesma disputa por hegemonia de mercado e discurso ocorre entre o fitness convencional e o não convencional, em particular com o treinamento funcional, o “guarda-chuva” teórico sob o qual se encontra o fitness não convencional.

O treinamento funcional é a tradução do termo functional training. Este, por sua vez, tem seu significado definido pelo “The American Heritage Dictionary of the

English Language” pela junção dos seguintes termos:

Functional 1.

a. Of or relating to a function.

b. Of, relating to, or indicating a mathematical function or functions.

2. Designed for or adapted to a particular function or use: functional architecture. 3.

a. Capable of performing a function; operative: a functional set of brakes.

b. Able to function personally or socially despite limitations or impairment: a functional alcoholic.

4. Medicine involving physiological function rather than anatomical structure. Training

1. The process or routine of one who trains. 2. The state of being trained. 10

Desta forma, o significado de treinamento funcional seria o processo ou rotina de treinamento projetado para, ou adaptado para viabilizar a capacidade de execução de uma função ou uso. Este significado é apreendido pela literatura da área de forma diversa. Alguns autores atribuem sua origem à Fisioterapia e reabilitação de pacientes para execução de funções e rotinas cotidianas.

O treinamento funcional teve sua origem com profissionais da área de fisioterapia e reabilitação [...] Baseado no sucesso de sua aplicação na reabilitação, o conceito de treinamento funcional passou a ser utilizado no desenvolvimento de programas para a melhoria do desempenho atlético e do condicionamento e para minimizar as possíveis lesões dos praticantes de atividade física. (MONTEIRO, 2010, p. 14)

Uma segunda corrente indica que o treinamento funcional foi criado com o objetivo de potencializar a preparação atlética e, a partir deste princípio, apropriou conceitos da Fisioterapia.

Functional training is a purposeful system of programs and exercises to develop a higher level of athletic preparation. It is a system of preparation based not only on latest scientific research but also on over 20 years of experience and hundreds of thousands of workouts. (BOYLE, 2003, Introdução)11

A segunda corrente se apoia na pesquisa de treinamento especial para força no esporte, que teve como um dos pioneiros o professor Yuri Verkhoshansky. O professor Verkhosansky produziu diversos estudos voltados para a ampliação da capacidade atlética em esportes. A preparação esportiva e seus profissionais ganharam uma identidade mais coesa no pós-guerra, quando a Guerra Fria promoveu a batalha

10

“Funcional: a. De ou relacionada a uma função. b. De, relacionado à, ou indicando uma função ou funções matemáticas. 2. Projetado para ou adaptado para uma determinada função ou uso: arquitetura funcional. 3.a. Capaz de executar uma função; operacional: um conjunto funcional de freios. b. Capaz de funcionar pessoalmente ou socialmente apesar das limitações ou comprometimento: um alcoólatra funcional. 4. Medicina envolvendo função fisiológica ao invés da estrutura anatômica. Treinamento: 1. O processo ou a rotina de quem treina. 2. O estado de ser treinado.” (Tradução livre)

11

“Treinamento funcional é um sistema significativo de programas e exercícios para desenvolver um maior nível de preparação atlética. É um sistema de preparação baseado não só nas mais recentes pesquisas científicas, mas também em mais de 20 anos de experiência e centenas de milhares de exercícios.” (Tradução livre)

olímpica a status político-estratégico (COUTINHO, 2011, p. 208). Verkhosansky esteve, durante a década de 1980, à frente da comissão que conduzia e controlava os Institutos de Educação Física e Esporte de pesquisa científica para todos os países da antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) (VERKHOSHANSKY, 2012). O trabalho do professor Verkhoshansky só foi popularizado e difundido no período que se seguiu ao fim da Guerra Fria, pois, antes do término desta, o conhecimento era tido como informação sensível visto que o esporte era uma das arenas privilegiadas para demonstrações de superioridade. Desta maneira, um conhecimento que permitisse vantagem no campo do esporte era particularmente sensível, sendo esta uma das possíveis explicações para a divergência entre as correntes.

Se as correntes diferem quanto à origem do conceito de treinamento funcional, elas convergem quando o tema é sua natureza e aplicação.

Em outras palavras, os exercícios funcionais referem-se a movimentos que mobilizam mais de segmento ao mesmo tempo, que pode ser realizado em diferentes planos e que envolvem diferentes ações musculares (excêntrica, concêntrica e isométrica). Para que esse treinamento seja eficiente, a cadeia cinética funcional deve ser treinada na busca da melhora de todos os componentes necessários para permitir ao praticante adquirir ou retornar a um nível ótimo de função. (MONTEIRO, 2010, p. 14)

Ou ainda,

Em certo sentido, todos os defensores do treinamento funcional têm em comum o argumento de que, para qualquer movimento de resultado final ou target, seja ele o desempenho na vida cotidiana ou a performance esportiva, o melhor treinamento é aquele que é ou rigorosamente específico ou o mais multiarticular, multimuscular, multiplano e estimulador de capacidades cinestésicas possível. (COUTINHO, 2011, p. 207)

Esta descrição se opõe à metodologia do fitness convencional, na qual as articulações e os grupamentos musculares são isolados pelas máquinas de treinamento. As correntes do treinamento funcional defendem que, ao contrário do fitness convencional, este tipo de treinamento proporciona maior adequação às demandas físicas cotidianas, sejam elas atléticas ou comuns. A corrente que faz uso do treinamento funcional para preparação atlética vai mais longe e critica abertamente o modelo do fitness convencional.

To refine the question, ask yourself a few simple questions. How many sports are played sitting down? As far as I can tell, only a few sports, such as rowing, are performed from a seated position. Therefore, training muscles in a seated position is not functional for most sports. Second, how many sports are played in a rigid environment where stability is provided by outside sources? The answer to the second question would appear to be none. Most sports are contested on fields or courts. The stability is provided by the athlete, not by the machine. Proponents of the machine-based training systems argue that machine-based training is safer, but there is a clear trade-off. Although machine-based training may result in fewer injuries in training, the lack of proprioceptive input (internal sensory feedback about position and movement) and lack of stabilization will more than likely lead to a greater number of injuries during competition.

Another question to ask is, how many sport skills are performed by one joint acting in isolation? Again, the answer is zero. (BOYLE, 2003, p. 1)12

É possível perceber que todo este discurso tem por objetivo mais do que a justificação de um método de treinamento; ele pretende, por meio da argumentação e da crítica ao modelo de fitness convencional, disputar o espaço de legitimidade no treinamento e preparação esportiva. Esta é uma característica marcante no fitness não convencional: mais do que criar uma identidade própria, as maiores expressões deste movimento são marcadas por uma identidade que se define pela resistência aos métodos do fitness convencional.

5.2Treinamento funcional x não convencional

O fitness não convencional é uma das partes que compõe o que se chama de treinamento funcional, mas nem tudo o que está contido no treinamento funcional é parte do fitness não convencional. Algumas das práticas do treinamento funcional não guardam qualquer correlação com a atitude predominante no fitness não convencional, ao contrário: em diversas academias de fitness convencional métodos de treinamento do fitness não convencional vêm sendo introduzidos como formas de diversificação dos produtos, como é o caso do Pilates13.

12

“Para refinar a pergunta, faça a si mesmo alguns questionamentos simples. Quantos esportes são praticados sentados? Até onde sei, apenas alguns poucos esportes, como o remo, são realizados na posição sentada. Portanto, treinamento muscular na posição sentada não é funcional para a maioria dos esportes. Segundo, quantos esportes são praticados em um ambiente rígido onde a estabilidade é fornecida por fontes externas? A resposta para a segunda pergunta parece ser nenhum. A maioria dos esportes é disputada em campos ou quadras. A estabilidade é fornecida pelo atleta, não pela máquina. Os defensores dos sistemas de treinamento baseados em máquinas argumentam que o treinamento baseado em máquinas é mais seguro, mas há um claro trade off. Embora o treinamento baseado em máquinas possa resultar em menos lesões durante o treinamento, a falta de trabalho proprioceptivo (feedback sensorial interno sobre a posição e movimento) e a falta de estabilização muito provavelmente levarão a um maior número de lesões durante a competição. Outra pergunta a fazer é: quantas habilidades esportivas são realizadas por uma articulação atuando em isolamento? Mais uma vez, a resposta é zero.” (Tradução livre)

13

Método de treinamento físico criado pelo alemão Joseph Humbertus Pilates (Aliança Brasileira de Pilates, 2012). Segundo o Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, o Pilates é: um conjunto de exercícios que visam

O treinamento funcional como atividade física de apoio a prática esportiva existe em registros desde o século XIX, conforme já citado no primeiro capítulo deste estudo, na origem da musculação. Esta estreita ligação entre treinamento funcional e esporte será melhor explorada mais adiante. Contudo, é importante salientar que alguns esportes, como o levantamento olímpico de pesos e seus derivados (halterofilismo), vêm sendo usados, por exemplo, como parte do treinamento funcional de outras modalidades esportivas, como lutas. Por isso, em alguns casos, é difícil traçar a linha que divide o que é treinamento funcional, o que é fitness não convencional e o que é esporte.

A rigor, o que une o treinamento funcional e o fitness não convencional é a forma como ambos encaram o que vem a ser exercícios, ou seja, como os exercícios estão posicionados dentro das proposta de valor do fitness não convencional e do treinamento funcional. Tanto o treinamento funcional quanto o fitness não convencional baseiam-se em exercícios multiarticulares e não isolados e, por isto, se utilizam, em regra, de equipamentos genéricos que cumprem múltiplas funções, o que se reflete diretamente na estrutura de seus modelos de negócios. Contudo, sua principal diferença está relacionada às questões sutis, como atitude, que permeiam o modelo de negócios e que potencializam o crescimento do fitness não convencional em comparação com o restante do treinamento funcional.

CrossFit

5.3Conceituação

O CrossFit,enquanto método, pode ser definido como a reunião de exercícios de diversas práticas atléticas e funcionais em um modelo variável e intenso. Esta definição, contudo, só é satisfatória em primeiro plano. Ainda que seja adequada ela é rasa e ignora aspectos essenciais deste modelo.14

a estabilização postural, melhoria da força muscular para desempenho das atividades de vida diária, mobilidade articular, equilíbrio corporal e harmonia das cadeias musculares, entre outras, com vistas à melhora da condição de saúde e qualidade de vida de seus clientes/pacientes (CONFFITO, 2011). Para tais fins, o Pilates faz uso de máquinas de treinamento resistido e exercícios livres com o peso corporal. Sua natureza reconhecidamente voltada para a reabilitação faz do Pilates um dos melhores exemplos da corrente de treinamento funcional oriundo da fisioterapia.

14

Para aprofundar o entendimento deste modelo vamos iniciar sua analise pelo nome: CrossFit. Este nome é a união de dois termos, respectivamente “cross” e “fit”. O segundo termo já foi trabalhado nos dois primeiros capítulos, portanto o foco recai sobre o primeiro termo, “cross”. Este, por sua vez, tem seu significado definido pelo “The

O CrossFit poderia ser descrito como: a adaptação por meio da hibridização de métodos, técnicas e equipamentos. Poucas palavras são tão capazes de definir o modelo do CrossFit, seja do ponto de vista de negócios, ou da prática de exercícios, quanto à palavra híbrido. Se o fitness não convencional pode eventualmente fazer uso de diversos equipamentos e modelos de negócios, o CrossFit tem esse uso como regra e ponto de partida.

5.4Forging elite fitness

O processo de forja15 consiste em aquecer o metal em um forno até que este se torne maleável, depois este metal é posto em uma bigorna e batido com um martelo. Este processo é repetido até que a peça de metal tenha adquirido a forma desejada. Até o advento da fundição era por este processo que as peças de metal eram construídas e este processo também era sinônimo de trabalho árduo.

O CrossFit optou por fazer uso da expressão que remete ao processo de forja e esta opção está alinhada a sua proposta no tocante à intensidade. A biografia de Greg Glassman, o fundador da CrossFit, não é extensa. A principal fonte desta biografia é o próprio Greg Glassman, por meio de entrevistas e também o site de uma das unidades de CrossFit.

Greg Glassman nasceu nos EUA, no ano de 1956, é um ex-ginasta e, segundo ele mesmo, começou sua carreira como treinador aos 18 anos, na cidade de Pasadena, no estado da Califórnia. Foi treinador em diversas academias na Califórnia e, no ano de 1995, foi contratado como treinador físico da força policial da cidade de Santa Cruz,

Cross

4. A trial, affliction, or frustration. See Synonyms at burden. 6. A movement from one place to another, as on a stage; a crossing. adj.

5. Crossbred; hybrid.

“Cruz, ou cruzar: 4. Um teste, aflição ou frustração. Sinônimos: ver fardo. 6. Um movimento de um lugar para outro, como em um palco, um cruzamento. adj. 5. Mestiços; híbrido.” (Tradução livre)

Desta forma, temos os conceitos ligados à ideia de movimento como cruzar e conceitos ligados à ideia de mistura, como: híbrido. Também estão presentes os conceitos de fardo, teste e aflição. Estes três conceitos que apresentam carga semântica ligada à condição de desconforto, também serão muito importantes para o modelo, no entanto, serão discutidos mais a frente neste capítulo.

15 A frase acima: forjando a elite do fitness, é a declaração que aparece como subtítulo ao próprio CrossFit em seu

site (CROSSFIT, 2012). Este subtítulo não deve ser ignorado em seus significados e suas camadas de entendimento. Segundo o novo dicionário Aurélio da língua portuguesa o verbete forjar é definido por:

Forjar

Verbo transitivo direto.

onde abriu o primeiro ginásio de CrossFit. Conseguiu neste período a atenção da mídia local em virtude dos resultados obtidos no trabalho junto à polícia (CROSSFIT VIRTUOSITY, 2012). No ano de 2001 lançou o site da CrossFit, no qual iniciou a publicação de vídeos com demonstrações de exercícios, assim como um fórum de discussão, um periódico e sugestões de treinamentos diários. Isto impulsionou a popularidade do site e da própria CrossFit. No ano de 2003, iniciou o programa para a criação de afiliados, forma como é chamada a rede de ginásios que opera com licença para usar “CrossFit” junto ao próprio nome. Já no ano de 2005, a rede era composta por 18 afiliados. No ano de 2009 já havia mais de 1.000 afiliados em todo o mundo e no ano corrente, 2012, este número já ultrapassa os 4.000 (GIREVIK MAGAZINE, 2012 e CROSSFIT VIRTUOSITY, 2012).

A CrossFit é uma empresa de capital fechado que tem por sócios o próprio Greg Glassman, que também é presidente da empresa, e sua ex-esposa. Um dado omitido nas biografias e de grande relevância foi a aproximação da CrossFit com as forças armadas e de segurança nos EUA. Durante a primeira década dos anos 2000 a CrossFit treinou diversas unidades policiais, bombeiros, outras forças de segurança como FBI e CIA, mas, sobretudo, foram as unidades de forças especiais, como os fuzileiros navais, que auxiliaram a divulgação da CrossFit como sendo uma forma alternativa de preparação física.

Curiosamente, este mesmo modelo de atuação: divulgação em meios militares, uso extensivo dos meios de comunicação mais ágeis disponíveis, criação de conhecimento por meio de livros, e no caso específico da CrossFit, o periódico CrossFit

Journal e uma biblioteca virtual de vídeos e rotinas de treino, assim certificações e

afiliações segue o mesmo caminho desde Eugen Sandow nos anos de 1900 conforme o exposto no capítulo um.

5.5Girya, uma novidade muito antiga

Tal como ocorreu com os trabalhos científicos do professor Verkhoshansky, o ocaso da União Soviética proporcionou aos países capitalistas contato com metodologias de treinamento amplamente utilizadas por lá que, por questões políticas, não eram difundidas, ou haviam desaparecido com o crescimento do fitness

convencional. Isto nos leva à ferramenta mais icônica e que por quase 10 anos foi a representante do fitness não convencional: o kettlebell.

A century ago, European and American iron-legends like Arthur Saxon favored kettlebells as much as their Russian colleagues. Then the West got prosperous and soft and the hardcore kettlebell faded into history - along with many other of our grandfathers’ manly pursuits. That is, everywhere but in Russia, a rugged land that never knew easy living. (TSATSOULINE, 2001, p. 14)16

O kettlebell foi reintroduzido nos EUA por Pavel Tasatsouline. Pavel, como é conhecido, nasceu na União Soviética, foi militar, atleta de levantamento de kettlebell, tem o título de mestre em esportes e foi instrutor e preparador físico do exército russo e das forças especiais, Spetsnaz. Na década de 1990, Pavel, como é mais conhecido, mudou-se para os Estados Unidos da América (EUA). Hoje, Pavel é instrutor de diversas unidades de forças especiais das forças armadas dos EUA, de unidades da SWAT e da área de segurança do Departamento de Energia Nuclear (National Nuclear

Security Administration - NNSA).

Neste ponto é importante ressaltar a curiosa simetria entre as figuras de Pavel Tsatsouline e Eugen Sandow, o fundador do bodybuilding. Ambos têm suas origens no leste europeu, ambos deixaram seus países de origem para os países mais economicamente importantes de seu período, respectivamente EUA e Inglaterra, os dois foram autores de artigos e livros e os dois também cunharam termos que posteriormente se tornariam métodos, o bodybuilding e o RKC. Em virtude da necessidade de divulgar seus métodos, ambos empreenderam viagens pelo mundo e ambos criaram e divulgaram equipamentos. Sobretudo, ambos conseguiram fazer uso das inovações tecnológicas na área da comunicação para divulgar seus métodos e produtos; no caso de Sandow foi a popularização da mídia impressa e no caso de Pavel foi a popularização da internet. Assim sendo, apesar da diferença de 100 anos entre os dois, suas atuações são muito semelhantes em termos de estrutura, e é essa estrutura iniciada por Eugen Sandow e retomada por Pavel Tsatsouline e intensamente explorada por Greg Glassman que dá origem ao novo modelo de negócios no mercado de fitness: o fitness não convencional.

16 Um século atrás, lendas do halterofilismo europeu e americano, como Arthur Saxon, preferiam o uso do kettlebells,

assim como seus colegas russos. Desde então, o Ocidente se tornou próspero e molenga e o kettlebell casca-grossa desapareceu na história - juntamente com muitas outras atividades viris de nossos avós. Isto ocorreu mundo afora exceto na Rússia, uma terra rústica que nunca soube o que é vida fácil. (Tradução livre)

Conforme o explicitado no anexo deste capítulo, o modelo de negócios liderado por Pavel faz uso da marca RKC como principal veículo. São oferecidos três cursos ligados diretamente ao kettlebell: a certificação RKC, a certificação RKC de nível dois e a recertificação. A RKC reconhece como instrutor todo aquele que conclui o curso de certificação, já a certificação de nível dois é uma forma de aprofundamento e o curso de recertificação é a condição necessária para manutenção do título de instrutor, devendo ser realizado no máximo a cada dois anos. Os cursos têm duração média de dois a três