II. BÖLÜM
3.4. Makroekonomik Analiz
3.4.5. Devlet Bütçesi
Investigamos se os aspectos infantis das fotos-estímulo foram considerados pelos sujeitos experimentais em relação ao julgamento de fofura das faces infantis. Nossos resultados mostraram que as crianças realizaram uma maior associação da categoria outras características não relacionadas ao esquema infantil, para julgar a fofura das faces infantis quando comparadas a avaliação dos adultos (χ2 = 7,87; p<0,05;
η2 = 0,38; Figura 2). Os adultos associaram as categorias referentes às características
físicas e a gordura para julgar à fofura das faces infantis (88% das variações das distâncias χ2 originais; Figura 2)
Figura 2: Mapa das relações entre as categorias relacionadas e as não relacionadas ao aspecto infantil
(representado pelas formas geométricas) e os sujeitos experimentais (representado pelos asteriscos). Análise de correspondência.
Houve uma diferença significativa dos sexos de todos os sujeitos experimentais quanto ao julgamento da fofura das faces infantis. Dessa forma, sujeitos do sexo feminino associaram com maior frequência a categoria da gordura das crianças-
F
ofu
ra
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n
fa
n
til
(
%)
estímulo, e os sujeitos do sexo masculino relacionaram a categoria da beleza das crianças-estímulo para a identificação de uma face infantil fofa (χ2 = 10,87; p<0,001;
η2= 0,98; Figura 3). 35 30 25 20 15 10 5 0
Beleza
Gordura
Categorização da fofura
Sexos
Feminino
Masculino
Figura 3: Porcentagem de fofura da face infantil conforme a categorização da fofura e os sexos dos
4. DISCUSSÃO
Crianças e adultos perceberam em termos de fofura o esquema infantil das fotos- estímulos para as diferentes idades de modo a confirmar a hipótese do presente trabalho. Como predito, ambos os indivíduos julgaram como as mais fofas as fotos-estímulo de alto esquema infantil do que as fotos-estímulo de baixo esquema infantil. Trabalhos anteriores, que investigaram a percepção de fofura dos indivíduos corroboram nossos achados ao enfatizarem que uma maior percepção de fofura e atratividade física foram atribuídas às crianças mais fofas (Hildebrandt & Fitzgerald, 1978; Langlois et al., 1987). Outro estudo mostrou que os indivíduos preferiram fixar o olhar por um maior tempo às crianças julgadas como fofas do que aquelas julgadas como menos fofas (Power, Hildebrandt, & Fitzgerald, 1982). Adultos e crianças responderam de forma similar em relação ao julgamento de fofura e atratividade facial, e quanto à preferência por características infantilizadas (Montepare & Zebrowitz-McArthur, 1989; Sanefuji, Ohgami, & Hashiya, 2007). Nesse sentido, verificamos que a resposta perceptiva dos indivíduos ao esquema infantil está presente desde o início da infância e na fase adulta. O que se pode inferir sobre a habilidade cognitiva social dos indivíduos de diferentes idades em relação ao julgamento de uma face fofa quando comparada a outra face menos fofa.
As diferentes informações da face infantil influenciam não só a percepção de fofura dos adultos, mas também outras percepções relacionadas às qualidades e motivações direcionadas às crianças. Alguns trabalhos propõem que os sujeitos maduros e imaturos ao participarem de um julgamento preferem os indivíduos mais atraentes aos menos atrativos. Durante a avaliação eles atribuíram qualidades e habilidades positivas somente para os sujeitos atraentes, bem como se comportaram de forma diferente e
favorável aqueles de maior atratividade (Langlois, 1986; Langlois & Stephan, 1981). Esses achados na literatura reforçam nossa hipótese, bem como justificam outras possibilidades e interações quanto às percepções da face infantil. Como por exemplo, em relação a escolha para adoção em que os indivíduos preferiram adotar uma criança considerada fofa do que uma criança meno fofa (Chin, Wade, & French, 2006; Volk & Quinsey, 2002).
Nossos resultados mostraram que a percepção a face infantil em termos de fofura foi igual para ambos os sexos. Nesse sentido, corroborando esses achados, Hildebrandt e Fitzgerald (1979) mostraram que mulheres e homens discriminaram com precisão as diferentes informações da face infantil relacionados à fofura. Bem como, quando submetidos a um julgamento de fotos com características infantis manipuladas da face, sujeitos do sexo feminino e masculino avaliaram as faces consideradas previamente como fofas para o alto esquema infantil (Glocker et al., 2009). Nesse sentido, Zebrowitz (1997) afirma que a similaridade quanto à percepção de fofura atribuída ao esquema infantil por indivíduos de diferentes idades e gêneros confere a universalidade e potência dos traços físicos infantis. Assim, do ponto de vista evolutivo o reconhecimento da fofura da face infantil por ambos os sexos, e a consequente seleção do traço infantil ao longo do processo evolutivo pode assegurar o cuidado parental e a sobrevivência das crianças.
Embora nossos resultados tenham mostrado que as crianças perceberam e categorizaram a fofura das faces infantis, também verificamos que para identificar a fofura das fotos-estímulo elas não se utilizaram dos parâmetros baseados nas características do esquema infantil proposto por Lorenz em 1971. Já os adultos apresentaram justificativas coerentes com os aspectos infantis destacando as categorias das características físicas e da gordura, para avaliar a fofura das fotos-estímulo. Esses
resultados indicam que apesar das crianças apresentarem um sistema neural capaz de perceber as diferenças de fofura das faces, elas não se utilizaram dos parâmetros esperados para avaliar os traços infantis e também não argumentaram verbalmente o porquê de sua escolha em relação a uma foto-estímulo considerada de maior fofura em relação a outra. Uma justificativa para as diferentes respostas entre os participantes é que a preferência e a escolha das características e outros atributos que expressam fofura na face infantil já estão desenvolvidos nos adultos em decorrência da maturação sexual e da função adaptativa de atenção e cuidado parental (Bowlby, 1990; Lorenz, 1971). Outro argumento para entender os resultados apresentados é o fato dos adultos serem dotados de uma maior capacidade cognitiva quando comparado às crianças, e dessa forma eles seriam precisos para identificar os atributos infantis indicadores de maior fofura do que elas. Portanto, verificamos que o conhecimento dos adultos sobre os parâmetros quanto à escolha de uma criança fofa foi coerente com as informações do esquema infantil, e podemos entender essa resposta ao associarmos as motivações para os comportamentos positivos direcionados aos menores. Além disso, Cooper e colaboradores (2006) consideram as interações sociais como um possível modulador da percepção da fofura infantil, apesar de não termos investigado isso no presente trabalho. Adultos e adolescentes foram mais inclinados a identificar com precisão as faces atrativas do que as crianças (Cooper, Geldart, Mondloch, & Maurer, 2006). Esse resultado indica que a experiência dos indivíduos desempenha uma função social importante no desenvolvimento dos julgamentos da atratividade física infantil, e por isso também poderia ser fundamental quanto à percepção de fofura das crianças.
Nossos resultados indicaram uma diferença sexual para o julgamento da fofura das faces infantis. Sujeitos do sexo feminino elegeram a categoria referente à gordura das crianças-estímulo, e os sujeitos do sexo masculino elegeram a categoria relacionada
a beleza das crianças-estímulo como atributos identificadores de uma face infantil fofa. Segundo a teoria da autopublicidade dos bebês, a gordura corporal representa um atributo importante para os menores, no sentido de sinalizar aos possíveis cuidadores sobre o seu valor de sobrevivência e os aspectos de sua saúde física e neural (Hrdy, 2001). Nesse sentido, indivíduos do sexo feminino, como são os principais responsáveis pelas atividades de cuidado, devem ter, ao longo do processo evolutivo, preferido crianças gordas (Parke & Buriel, 1998, Hrdy, 2011). Ao serem discriminativas a respeito de quais bebês deveriam vincular uma maior atenção e energia elas maximizavam sua aptidão (Geary, 1998). Volk (2005) mostrou que as mulheres preferiram adotar e atribuíram uma maior fofura e saúde as crianças de peso normal do que aquelas consideradas magras. Portanto, percebemos que o sexo feminino foi capaz de selecionar as crianças-estímulo de maior fofura aos aspectos associados a gordura corporal infantil.
Os sujeitos do sexo masculino podem ter evoluído mecanismos cognitivos para detectar a beleza da face infantil por atratividade física e simetria facial. Estudos mostraram que faces com características simétricas tendem a ser avaliadas como as mais atrativas do que aquelas com características menos simétricas (Grammer & Thornhill, 1994; Zebrowitz, Voinescu, & Collins, 1996). Crianças preferiram olhar por um maior tempo para faces julgadas como atrativas pelos adultos do que as faces julgadas como não atrativas (Langlois, Ritter, Roggman, & Vaughn, 1991). A percepção masculina aos traços infantis em termos de beleza é importante quanto à escolha para alocar recursos direcionados a uma criança que possua características atraentes, uma vez que, ela poderá ter mais direcionamento de atenção e respostas positivas dos indivíduos.
Para alguns autores as diferentes respostas seriam reflexos da assimetria que existe entre os sexos quanto ao investimento parental e ocorreriam visando o aumento
do sucesso reprodutivo individual (Buss & Schmitt, 1993). Para outros autores seriam consequências dos diferentes papéis exercidos pelos sexos na sociedade (Eagly & Wood, 1999). Dessa forma, nossos resultados reforçam a ideia de que as diferenças sexuais já relacionadas com a responsividade às crianças estenderam-se para a percepção de fofura das faces infantis.
Em conclusão, nossos resultados indicaram que crianças e adultos perceberam as informações das faces infantis diferenciando-as coforme a fofura infantil, apesar das crianças possuírem relativamente menos experiência cultural e habilidades cognitivas para descrever a fofura. Sujeitos do sexo feminino foram mais eficazes para identificar a fofura infantil por meio da gordura corporal das crianças-estímulo quando comparadas aos sujeitos do sexo masculino, o que representa uma importante adaptação biológica para mobilizar respostas positivas e de cuidado parental direcionada aos menores dependentes de cuidados maternos.
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