II. BÖLÜM
3.4. Makroekonomik Analiz
3.4.4. Özelle tirme Uygulamaları
Embora não tenha sido verificado um efeito do sexo na percepção de fofura das crianças-estímulo, houve diferenças significativas (GLM de medidas repetidas) na motivação para apertar (F(1, 98) = 11,81; p<0,005), e fazer carinho (F(1, 98) = 7,45; p< 0,05), tendo os sujeitos do sexo feminino maiores médias do que os sujeitos do sexo masculino (p<0,05, Figuras 5a, 5b, 5c e 5d), quando tomamos como referência todas as fotos-estímulo, independente da faixa de idade. Entretanto, não houve um resultado
significativo para os comportamentos de cuidado (F(1, 98) = 0,87; p = 0,35), e proteção (F(1, 98) = 0,02; p = 0,86).
Criança-estímulo fofa Criança-estímulo menos fofa (a) (b)
*
*
(c) (d)*
*
Figura 5: Médias e intervalos de confiança (95%) da motivação comportamental em função dos sexos
dos participantes, (a) motivação para carinho nas crianças fofas, (b) motivação para carinho nas crianças menos fofas, (c) motivação para apertar as crianças fofas, (d) motivação para apertar as crianças menos fofas. GLM de medidas repetidas com p<0,05.
A interação entre o sexo dos participantes e a fofura das crianças-estímulo (GLM de medidas repetidas) foi significante apenas para o comportamento de proteção
para proteger as crianças ranqueadas como as mais fofas do que as crianças ranqueadas como menos fofas (t = 4,58; df = 51; p<0,001, Figura 6), porém para os homens não houve resultado significativo (t = 1,48; df = 47; p = 0,14). Não foi verificado um efeito significante da interação entre o sexo e a percepção da fofura infantil para os comportamentos de cuidado (F(1,98) = 2,75; p = 0,1), apertar (F(1, 98) = 0,07; p = 0,78) e carinho (F(1, 98) = 0,42; p = 0,51).
Figura 6: Médias e intervalos de confiança (95%) da motivação para proteção em função da fofura
infantil e sexos dos adultos. GLM de medidas repetidas com p<0,05, resultado significativo para as mulheres.
4. DISCUSSÃO
Nossos resultados suportam a hipótese de que as diferentes informações da face infantil das diferentes idades foram percebidas em termos de fofura pelos adultos. Os dados também apoiam nossa predição de que as fotos-estímulo categorizadas no alto esquema infantil (pixels) foram aquelas consideradas como as mais fofas, e as fotos- estímulo categorizadas no baixo esquema infantil (pixels) foram aquelas consideradas como as menos fofas. Vários estudos mostraram que os indivíduos conferem reações positivas às faces infantis de maior fofura (Chin, Wade, & French, 2006; Hildebrandt & Fitzgerald, 1978/1979). Alley (1983), porém, destacou que as mudanças na aparência física ao longo do desenvolvimento infantil podem alterar a percepção de fofura dos indivíduos. Outros trabalhos utilizaram imagens manipuladas de crianças para enfatizar que as características da face exacerbadas são percebidas como as mais fofas (Lobmaier, Sprengelmeyer, Wiffen, & Perrett, 2010; Sprengelmeyer et al., 2009). Essa evidência está em concordância com os resultados do nosso trabalho que utilizou como ferramenta de estímulo as fotos infantis não manipuladas. Dessa forma, esses resultados apoiam a ideia de que as características da face infantil modulam o julgamento dos indivíduos quanto à percepção de fofura, de acordo com as diferentes idades das crianças.
De acordo com Lorenz (1971) o esquema infantil torna-se mais efetivo durante o início da infância devido o mecanismo liberador inato evocar significantemente respostas afetivas e de atenção nos adultos. Nesse mesmo período, a prole ainda está no processo inicial de desenvolvimento das habilidades cognitivas, motoras e de comunicação, o que confere aos infantes maior dependência e mais necessidade de cuidados parentais (Trivers, 1972). Bowlby (1969/1990) e Lorenz (1971) sugerem que a demanda de cuidados tende a diminuir com a maturidade da criança, de modo que as
crianças menores teriam um maior investimento relativo de recursos parentais do que as crianças mais velhas.
Nesse sentido, a idade das crianças-estímulo deveria afetar a percepção de fofura dos adultos, tal como confirmado neste trabalho. Nossos resultados mostraram uma correlação positiva entre as características da face (área da bochecha, comprimento da testa e largura da boca) e avaliação de fofura pelos adultos somente para as crianças menores, 4 a 6 anos de idade. Além disso, apesar de nossos resultados iniciais indicarem que os adultos percebem a fofura das faces infantis para todas as idades, nós verificamos que eles não se verbalizaram das características físicas propostas por Lorenz em 1971 para identificarem a fofura das crianças-estímulo maiores (8 e 9 anos de idade). Logo, podemos inferir que os adultos foram mais seletivos para responder favoravelmente aos atributos físicos das crianças nos primeiros anos de vida do que no final da infância, sugerindo que estariam mais disponíveis para fornecer cuidado quando estes são mais vulneráveis. Em conformidade com os argumentos anteriores, estudos de crescimento crânio-facial têm mostrado que a estrutura da face infantil passa por transformações graduais durante a infância (Enlow, 1982). Portanto, as crianças menores ainda estariam passando por esse processo de forma mais intensa e consequentemente as características físicas marcadoras de fofura seriam mais pronunciadas do que nas crianças maiores.
Nesse contexto, continuamente tem sido destacado na literatura que as crianças mais novas são percebidas como as mais fofas quando julgadas pelos adultos (Ritter, 1991), tal como verificado neste estudo. Além disso, outros trabalhos relacionam atributos qualitativos às crianças com idades menores. Nesse sentido, as faces de crianças mais novas foram consideradas como as mais amáveis e atrativas do que as faces de crianças mais velhas (Korthase & Trenholme, 1982; Luo, Li, & Lee, 2011),
assim como as crianças com face imatura foram avaliadas como dignas de serem ajudadas e defendidas (Alley & Hildebrandt, 1988). Esses resultados indicam que a preferência por direcionar atenção e qualidades em termos de fofura para as crianças mais novas é uma função adaptativa importante por conferir uma demanda de tempo e energia alocada para recursos de cuidados.
Nossos resultados também deram apoio à hipótese de que as informações da face infantil eliciaram uma resposta preferencial nos adultos, neste caso, direcionada para o alto esquema infantil. Dessa forma, foi visto que os adultos tiveram uma maior motivação para o cuidado, proteção, apertar e carinho às crianças de maior fofura. Trabalhos anteriores, que investigaram comportamentos de cuidado e proteção corroboram nossos achados quando enfatizam a maior motivação desses comportamentos direcionada para o alto esquema infantil do que para o baixo esquema infantil (Alley, 1981; Bowlby, 1990; Glocker et al., 2009a; Hildebrandt & Fitzgerald, 1978/1983). Nosso trabalho sugere, além das citadas anteriormente, outras motivações comportamentais, tais como apertar e carinho como respostas afetivas direcionadas a crianças fofas.
Uma implicação importante desses resultados é que as características da face infantil eliciam processos cognitivos associados com o cuidado parental em humanos (Bowlby, 1969/1990; Hildebrandt & Fitzgerald, 1978; Lorenz, 1971), bem como em outras espécies de mamíferos (Eibl-Eibesfeldt, 1989). Sob a perspectiva etológica, para muitas espécies de vertebrados e mamíferos placentários, a sobrevivência dos menores frequentemente depende das escolhas e prioridades dos pais. Nesse sentido, ao longo do processo evolutivo, a preferência dos pais por características infantis consideradas fofas poderia se manter numa população uma vez que aumentam as chances de sobrevivência de uma criança, justamente por eliciar um efetivo investimento parental (Hrdy, 2001). O
equilíbrio entre o traço infantil e a preferência dos pais por ele seria ocasionado pelo processo de seleção desenfreada (Hrdy, 2001). Consequentemente, as crianças consideradas fofas seriam favorecidas por possuírem atributos chamativos e por evocarem mais respostas comportamentais e benefícios advindos dos pais.
Verificamos que homens e mulheres perceberam de forma semelhante a fofura das fotos-estímulo. Nossos resultados corroboram achados de outro estudo de que ambos os sexos tiveram a mesma resposta quanto à fofura e atratividade associada à face infantil (Parsons, Young, Kumari, Stein, & Kringelbach, 2011). Dessa forma, verificamos que sujeitos do sexo feminino e masculino possuem mecanismos psicológicos comuns para perceberem diferentes detalhes em termos de graciosidade da face infantil (Brosch, Sander, & Scherer, 2007; Buss, 1999; Glocker et al., 2009b). E nesse sentido, a percepção dos atributos infantis pode ser entendida como uma resposta biológica já intrinsecamente pronta quando um indivíduo é exposto ao estímulo específico, neste caso a face infantil.
Apesar dessa similaridade entre os sexos quanto à percepção de fofura, nosso trabalho identificou que as mulheres apresentaram uma maior inclinação para direcionarem comportamentos de carinho e apertar as crianças, independente da fofura. Vários autores mostram que os sujeitos do sexo feminino teriam um viés de responsividade emotiva mais expressivo e sensível aos atributos físicos infantis do que os sujeitos do sexo masculino, provavelmente em função da adaptação parental (Harlow, 1971; Hildebrandt & Fitzgerald, 1978; Kring & Gordon, 1998). Isto provavelmente se relacionando ao fato das mulheres estarem mais envolvidas nas atividades primárias de cuidado e lactação, bem como na tarefa de discriminar a linguagem não verbal e as expressões faciais das crianças, e os homens mais voltados para aquisição de recursos (Geary, 1998). Além disso, na maioria das sociedades
humanas sujeitos do sexo feminino são encorajados a brincar com bonecas, cuidar dos irmãos mais novos e ser generosos com a necessidade de outros do que os sujeitos do sexo masculino (Eibl-Eibesfeldt, 1989; Hrdy, 2001). Nesse sentido, em concordância com esses achados na literatura podemos destacar a importância e o envolvimento desde cedo da mulher na interação direta com os menores.
A teoria do apego (Bowlby, 1969/1990) sugere que a vinculação mãe-bebê permite maior contato físico e segurança psicológica durante o início da vida infantil. Dessa maneira, a criança é completamente dependente da motivação adequada da figura materna ou a de outro cuidador para manter a proximidade e prover outros tipos de contatos essenciais à sua sobrevivência. Por consequência, as mulheres estariam mais propensas a inferir e responder aos aspectos fisiológicos mais implícitos da infância e se envolverem com maior frequência em comportamentos afetivos direcionados as crianças.
Nossos resultados também destacaram uma maior responsividade feminina para o comportamento de proteção às crianças de maior fofura. Segundo Geary (1998) a teoria da seleção sexual é a mais consistente para justificar as diferentes regras biológicas entre os sexos, justamente por ser um processo seletivo que atuou de forma diferente sobre os comportamentos de cada gênero. Dessa forma, para a espécie humana na qual ocorre assimetria quanto ao investimento parental, o sucesso reprodutivo para cada sexo depende de investimentos diferenciais, no caso das mulheres recursos
energéticos e temporais na prole, e no caso dos homens a quantidade de parceiras que com as quais é capaz de acasalar (Trivers, 1972). Portanto, devido à natureza biológica da mulher e para aumentar sua aptidão reprodutiva seria coerente que ela se mostrasse mais seletiva à proteção de uma criança fofa do que a outra. Uma criança fofa pode ser considerada mais nutrida, saudável e resistente em períodos instáveis, tendo assim uma
maior perspectiva de sobrevivência do que uma criança menos fofa (Hrdy, 2001). Dessa forma, as mulheres seriam mais seletivas sobre a escolha de quais crianças exercerem a proteção.
Nós concluímos que o esquema infantil eliciou diferentes respostas nos adultos, e que foi percebido em termos de fofura e mobilização para comportamentos afetivos e de cuidado direcionados principalmente as crianças de alto esquema infantil. Além disso, as características físicas das crianças mais novas foram marcadoras de fofura para as respostas dos indivíduos. Dessa forma, percebemos a importância evolutiva das diferentes informações da face infantil em relação à percepção dos adultos.
No nosso trabalho tivemos algumas limitações. A quantidade de fotos-estímulo por faixa de idade foi pequena, e por isso não avaliamos a influência do gênero das fotos-estímulos sobre a percepção de fofura dos adultos. Também não mensuramos as motivações comportamentais para cada idade da criança-estímulo de forma separada. Apesar de tentarmos manter a criança com uma expressão facial neutra não foi possível ter um controle total de sua expressividade. Também não controlamos a experiência prévia dos participantes com crianças.
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