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3.5. Finansal Karar Alma Sürecinde Yönetici DavranıĢını Belirlemeye Yönelik

3.5.1. Ön Deneme ve Deneme Uygulaması

A migração indígena começou na década de 1940. Em 1943, o pesquisador Ernesto Migliazza avaliou a população total da região de 19.709 habitantes – sendo 15.700 indígenas. Estima-se que em 1885 nas margens do rio Branco “havia mil civilizados, incluindo brancos, mestiços e índios vestidos”. Dentro da mestiçagem de raças, os índios exercem um papel fundamental na composição do povo roraimense. O estado tem 14% da sua população constituída por grupos indígenas que totalizam 40.000 índios. Em termos de ocupação territorial, as reservas em que os indígenas vivem ocupam 54% da área total de Roraima, grande parte delas concentradas em regiões fronteiriças (SEPLAN, 2009).

Atualmente, o Estado de Roraima possui povos indígenas que preservam, em maior ou menor grau, sua cultura e língua, denominadas com o mesmo nome do seu povo, a saber: Macuxi51, Ye‟kuana ou Maiongong52, Taurepang53 ou Pemón, Patamona54, Sapará, Wai-Wai55, Waimiri-Atroari56, Ingaricó57 – todos da família

50 Esse fenômeno é denominado etimologia popular. Ocorre quando as palavras cuja forma e cujo

sentido são poucos familiares são deformadas. Essas inovações são tentativas de explicar aproximadamente uma palavra embaraçante relacionando-a com algo conhecido. Essas palavras maltratadas pela etimologia popular têm o caráter de serem interpretações puras e simples de formas incompreendidas por formas conhecidas. A etimologia popular ocorre em condições particulares, e não atinge mais que as palavras raras, técnicas ou estrangeiras, que as pessoas assimilam imperfeitamente (SAUSSURE, 1970, pp. 202, 204).

51 Outro nome ou grafia possível: Makuxi, Macushi, Pemon. 52 Outro nome ou grafia possível: Yecuana, Mayongong, So'to.

53 Outro nome ou grafia possível: Taulipang, Taurepangue, Taulipangue, Pemon. 54 Outro nome ou grafia possível: Ingaricó, Kapon.

55 Outro nome ou grafia possível: Hixkariana, Hixkaryana, Mawayana, Karapayana, Katuena, Xerew. 56 Outro nome ou grafia possível: Kinja, Kiña, Uaimiry, Crichaná.

linguística Caribe 58; Ianomâmi – família Ianomâmi; Wapixana59 – família Aruaque (SEPLAN, 2009). No campo da variação linguística, o método comparativo tem sido aplicado às línguas indígenas brasileiras, permitindo classificá-las em famílias e troncos, de acordo com Maia (2006). Considera-se que cada língua indígena apresenta seus dialetos. A língua ianomâmi inclui quatro subgrupos, cada um dividido em alguns dialetos e subdialetos, cujas autodenominações são: 1) sanumá, sanima ou tsanima; 2) yanomae, yanomama, yanomam, yanomami ou yanonami; 3) yanam ou ninam; 4) yanomamy ou yanomamo (MIGLIAZZA, 1972, p. 2). Ferreira (2009, p. 17) aponta ainda para a existência de uma quinta língua ianomâmi no extremo sudeste da Terra Indígena Yanomami, em Roraima.

A figura 02 a seguir apresenta a classificação das línguas indígenas brasileiras em troncos e famílias feita pelo professor Rodrigues (2002), onde se observa as línguas indígenas faladas em Roraima das famílias linguísticas Caribe, Ianomâmi e Aruaque.

Figura 02: Classificação das línguas indígenas brasileiras em troncos e famílias

Fonte: Autoria do professor Aryon Rodrigues, In: Maia, 2006, p. 171.

58 As duas formas de se escrever, caribe e karik, são aceitáveis segundo Rodrigues (2002). 59 Outro nome ou grafia possível: Wapichana, Wapischana, Wapishana.

As línguas indígenas são línguas minoritárias. Kymlicka (1995) argumentou que alguns grupos requerem atenção especial para a continuação de sua cultura; estes são tipicamente coletividades que têm sofrido nas mãos de vizinhos mais poderosos, ou rivais, ou colonizadores. Ele sugere que grupos indígenas tenham afirmação mais forte em sua atenção do que se dá às populações imigrantes. De fato, se há interesse nos grupos “não-pertencentes à corrente principal” que são diferenciados pela língua, está se falando de comunidades étnicas, e a identidade dessas comunidades.

Para falantes de grupos majoritários monolíngues em seus próprios contextos de “correntes principais”, a instrumentalidade e o simbolismo de língua coincide e, mais para tais indivíduos, o elo língua-identidade não é problemático – de fato, é raramente considerado. Para falantes de grupos minoritários assuntos de língua e cultura são frequentemente mais imediatas. Existe sempre a possibilidade – e, em muitos exemplos, a inevitabilidade – de uma fratura entre as funções de língua comunicativa e simbólica: o individuo pode ter de viver e trabalhar numa nova língua, em um meio que não é a carreira de sua cultura ou o veículo de sua literatura. Nestes tipos de contexto o estudo de grupos minoritários, e das suas identidades, tem claramente valor. Em relação a identidades, é lançado auxílio mais preciso quando ameaças são percebidas. O que pode estimular as pessoas de uma sociedade maior, e segundo Edwards (2007, p. 453), sociedade esta frequentemente irrefletida, a se lembrar que se importar com a língua e a identidade é relevante para todos, não apenas para os grupos “étnicos” ou as “minorias”.

Os três grandes temas contemporâneos da sociolinguística são a relação entre a língua e identidade, as línguas ameaçadas de extinção, e a nova ecolinguística – que está, acima de tudo, preocupada com a preservação da diversidade.

Muito frequentemente, embora com o status de minoritárias, as línguas indígenas têm a vantagem da terra natal ou terra do coração, o que é negado às minorias de imigrantes cujos problemas podem, por isso, ser exacerbados. De fato, o efeito da migração tem sido visto simplesmente para expandir a terra do coração que transcende fronteiras políticas, quando esses imigrantes levam consigo sua cultura e língua, por exemplo. É importante entender esta dimensão temporal: a

grande distinção entre indígenas e imigrantes60 se torna discutível (EDWARDS, 2007).

É imprescindível pensar na manutenção das línguas tidas como minoritárias. A manutenção implica uma continuidade do meio oral comum. Isto, por sua vez, focaliza a importância da transmissão ininterrupta da língua doméstica de uma geração a outra. Se esta transmissão é sustentada, então a língua se mantém; se esta transmissão falha ou cessa, então a língua se torna vulnerável e sua manutenção ameaçada, podendo assim ser extinta (FISHMAN, 1990). Além da manutenção, permitir a diversidade linguística é importante, considerando que tal diversidade é patrimônio para a humanidade, constituindo-se numa riqueza da qual os indivíduos se beneficiam em todos os níveis, como exemplo, o cognitivo, o econômico (GUISAN, 2011).61

A acomodação com línguas “maiores” a cada vez mais recomendada por si mesma conduz para a ênfase no bilinguismo como uma solução a longo prazo para as línguas menores ou ameaçadas. Essa posição é particularmente notável com a estrutura contemporânea da ecologia das línguas. Mühlhäusler (1996), por exemplo, argumenta sobre o que ele chama de bilinguismo “equitativo”. Maffi (2000) nota a atração de um bilinguismo estável e não-substrativo que liga línguas maternas com línguas de maior comunicação. Wurm (1998, p. 194) diz o mesmo, endossando a “possibilidade de falantes de línguas ameaçadas de extinção ser bilíngues em sua própria língua e uma dada língua metropolitana grande”.

Esforços para melhor entender grupos de línguas minoritárias envolvem organização e comparação através do contexto, objetivando, por exemplo, sugerir variação racional na política governamental ou intervenções oficiais. Tais esforços auxiliam na preservação de línguas.

De acordo com o Atlas de Línguas do Mundo em Perigo de

Desaparecimento (UNESCO/WURM, 2001), quase metade das cerca de 6.000

línguas faladas hoje no mundo estaria destinada à extinção num futuro bastante próximo. Outro estudo, o Ethnologue: Languages of the World, feito por Grimes em 2000, indica que 96% das línguas são faladas por 4% da população mundial e que apenas 4% das línguas são faladas por 96% da população mundial, ou seja, 96%

60 Pode-se registrar aqui que uma parte considerável dos imigrantes residentes no Estado de

Roraima é oriunda do Nordeste do Brasil. Assim, observa-se a influência social, cultural e linguística desses imigrantes na região.

das línguas têm um número extremamente reduzido de falantes, estando, por isso, ameaçadas de extinção.

Os dados referentes ao Brasil não estão longe dessas previsões funestas. Rodrigues (1993), por exemplo, avalia que se falavam no Brasil, em 1500, quase 1.300 línguas diferentes, havendo mais de 1.100 sido extintas desde então, restando hoje no Brasil apenas cerca de 180 línguas, faladas por uma população de 350.000 pessoas. Estas línguas, conforme avalia Franchetto (2000), seriam hoje todas minoritárias em perigo de extinção. Ribeiro (1983) calcula que o extermínio de indivíduos pertencentes a diversos grupos indígenas no Brasil atingiu uma proporção de 73,4% entre 1900 e 1967. Embora várias sociedades indígenas no Brasil atual apresentem índices populacionais crescentes, tal recuperação demográfica não é garantia de que as línguas faladas por esses povos serão mantidas.

A questão que naturalmente se impõe ao se exercer uma reflexão sobre esses quadros de projeções sobre o futuro das culturas e línguas ditas minoritárias no mundo é a de saber se é viável encontrarem-se alternativas que desconfirmem ou permitam evitar a realização de prognósticos tão desalentadores. Primeiro, proceda-se a uma avaliação da causa mortis, o fato ou o conjunto de fatores responsáveis pela ameaça de extinção que paira potencialmente sobre milhares de línguas no mundo, incluindo as brasileiras. Trata-se de determinar por que uma língua morre (EDWARDS, 2007).

A resposta obtida imediatamente é: uma língua morre porque deixa de ser falada. E por que uma língua deixa de ser falada? Excetuando-se os casos mais extremos, mas não raros, em que o genocídio físico e cultural das populações minoritárias impõe a aniquilação violenta da língua falada por estes grupos, pode-se diagnosticar que a morte de uma língua é, mais frequentemente, um processo gradual, crônico, causado por uma conjunção de fatos previsíveis que se agravam ao longo do tempo, ao invés de uma morte súbita e inesperada. Embora diversificados, tais fatores produzem um mesmo resultado: a introjeção pelos falantes da desvalorização de sua cultura e língua pela sociedade hegemônica, o que implica um progressivo desuso da língua minoritária à medida que seus falantes deixam de valorizar as funções para as quais a língua é tradicionalmente empregada (idem).

O escopo do próximo capítulo é abordar os conceitos que auxiliem na formulação do entendimento da representação de línguas estrangeiras e indígenas

na formação do profissional de Secretariado Executivo em Roraima; atendendo ao título do capítulo: identidade, representação e fronteira linguística.

2 IDENTIDADE, REPRESENTAÇÃO E FRONTEIRA LINGUÍSTICA

Com a finalidade de entender a representação de línguas estrangeiras e indígenas na formação do profissional de Secretariado Executivo em Roraima, tendo por base o público-alvo analisado, apresenta-se neste capítulo a temática da identidade, da representação e da fronteira linguística, abordada na sequência juntamente com temas norteadores dos conceitos requeridos aqui para entendimento. O próximo capítulo mostra os métodos e os procedimentos usados para a pesquisa e, por fim, o último capítulo desta dissertação traz a análise da pesquisa realizada com o público-alvo baseada na fala dos entrevistados.