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1.3. Seçmen Davranışlarını Açıklayan Kuramsal Modeller

1.3.1. Normatif Modeller (Normative Models)

1.3.1.1. Delege Modeli (Delegate Model)

51 BRASIL. Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Altera a legislação tributária federal e dá outras

providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9532.htm>. Acesso em: 7 abr. 2012.

52 Parte da doutrina entendeu que a Lei nº 9.532/97 teve o efeito de positivar o regime trazido pela IN nº 38/96,

de forma a sanar o teórico conflito existente entre esta Instrução Normativa e a Lei nº 9.249/95.

53 BRASIL. Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966. Dispõe sobre o Sistema Tributário Nacional e institui normas

gerais de direito tributário aplicáveis à União, Estados e Municípios. Disponível em: < http://www.receita.fazenda.gov.br/legislacao/codtributnaci/ctn.htm>. Acesso em: 19 abr. 2012.

O ano de 2001 trouxe grandes novidades para o tema da tributação dos lucros das controladas e coligadas no exterior. Primeiramente, deve-se destacar a promulgação da Lei Complementar nº 104, de 10 de janeiro de 2001 (LC nº 104/2001)54. Além de prever a possibilidade da norma geral antielisiva no ordenamento brasileiro (mediante a introdução do parágrafo único ao artigo 116 do CTN), o diploma ainda introduziu os parágrafos 1º e 2º ao artigo 43 do CTN, a seguir transcritos:

§ 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção.

§ 2o Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo.

O parágrafo primeiro consagra a adoção do princípio da universalidade já introduzido desde a época da Lei nº 9.249/95, não causando nenhuma alteração substantiva no ordenamento jurídico então vigente.

Contudo, o parágrafo supramencionado causou inúmeras controvérsias à época de sua introdução, sendo que seu efeito legal foi debatido intensamente, como se verá adiante. Certo é, porém, que após a sua promulgação, foi introduzida no ordenamento jurídico brasileiro mais uma regra sobre o lucro das controladas e coligadas no exterior – a Medida Provisória nº 2.158-34, de 27 de julho de 2001, atual Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001 (MP nº 2.158-35/01)55, que em seu artigo 74 dispôs o seguinte:

Art. 74. Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento.

54 BRASIL. Lei Complementar nº 104, de 10 de janeiro de 2001. Altera dispositivos da Lei no 5.172, de 25 de

outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Disponível em:

<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/LCP/Lcp104.htm>. Acesso em: 7 abr. 2012.

55 BRASIL. Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001. Altera a legislação das Contribuições para

a Seguridade Social - COFINS, para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público - PIS/PASEP e do Imposto sobre a Renda, e dá outras providências. Disponível em <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/mpv/2158-35.htm>. Acesso em: 7 abr. 2012.

Parágrafo único. Os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2001 serão considerados disponibilizados em 31 de dezembro de 2002, salvo se ocorrida, antes desta data, qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação em vigor.

Da leitura do artigo supratranscrito depreende-se, do caput56, teoricamente baseado no artigo 43, §2º, do CTN (introduzido pela LC nº 104/01), que a MP nº 2.158-35/01, em seu artigo 74, faz voltar o regime instituído pela Lei nº 9.249/95 de tributação de lucros auferidos por sociedades controladas e coligadas no exterior. Isto é, dá-se, novamente, a tributação por disponibilização automática dos lucros, para a controladora ou coligada no Brasil, na data em que tiverem sido apurados no balanço da controlada ou coligada no exterior, independentemente de um ato de distribuição destas. Nesse sentido, alguns autores entenderam que se equiparou, para fins fiscais, as controladas e coligadas no exterior às sucursais e filiais, pois o lucro destas também poderia ser tributado no Brasil a partir de sua apuração. Como escrevem Machado Segundo e Machado57:

O fato é que, com base na “liberdade” concedida pelo citado §2º do artigo 43, o Poder Executivo Federal, através da 34ª edição da Medida Provisória nº 2.158, dispôs que “os lucros auferidos pela controla ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controlada ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados” (art. 74), atribuindo às coligadas e controladas (que têm personalidade jurídica distinta) o mesmo tratamento tributário conferido às filiais e sucursais (ramificações da matriz brasileira).

Deve-se observar, ainda, que a MP nº 2.158-35/01 ressaltou a incidência da CSLL sobre os lucros, ganhos de capital e rendimentos auferidos no exterior, conforme se depreende do artigo 21:

Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior sujeitam-se à incidência da CSLL, observadas as normas de tributação universal de que tratam os arts. 25 a 27 da Lei nº 9.249, de 1995, os arts. 15 a 17 da Lei nº 9.430, de 1996, e o art. 1º da Lei nº 9.532, de 1997.

56 O parágrafo único do artigo 74 causou controvérsias acerca da possível violação ao princípio da anterioridade,

inscrito no artigo 150, inciso III, alínea “b”, da Constituição Federal. Este, contudo, não é o cerne das discussões sobre o regime de tributação dos lucros das controladas e coligadas no exterior, sendo o parágrafo único relevante apenas para os fatos ocorridos no ano de 2001. Por esse motivo, esta discussão não será desenvolvida no presente trabalho.

57 MACHADO SEGUNDO, Hugo de Brito; MACHADO, Raquel Cavalcanti Ramos. O Imposto de Renda das

Pessoas Jurídicas e os Resultados Verificados no Exterior. In: ROCHA, Valdir de Oliveira (Coord.). Grandes Questões Atuais do Direito Tributário. São Paulo: Dialética, v. 7, 2003, p. 204.

São, em suma, quatro alterações substantivas em sete anos (1995 a 2001). A partir da MP nº 2.158-35/01, poder-se-ia esperar que o regime aplicável para o lucro das controladas e coligadas no exterior voltaria simplesmente a ser o da Lei nº 9.249/95, tendo a Medida Provisória apenas suspendido a eficácia da Lei nº 9.532/97, no que tange ao tema. Ocorre, porém, que mais uma norma seria editada para regular o tema.