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2.6. Pedagojik Alan Bilgisi ve Fen Öğretmenleri

2.6.4. Değerlendirme Bilgisi

A partir desta seção, discutimos o conceito de eventos de letramento e da sua relação com o termo letramento. Para definirmos o que conta como evento de letramento, é

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La historia del desarrollo de la escritura se inicia cuando aparecen los primeros signos visuales del nacimiento de los signos de los cuales há nacido el lenguage. El gesto, precisamente, es el primer signo visual que contiene la futura escritura del niño igual que la semilla contiene al futuro roble. El gesto es la escritura em el aire y el signo escrito es, frecuentemente, um gesto que se afianza (VIGOTSKI, 1983, p. 186).

necessário definir o termo letramento que, segundo Street (2010), refere-se tanto ao aprendizado de um código alfabético quanto aos usos da leitura e da escrita na vida cotidiana. Tal definição nos permite entender que

O termo letramento parece ter facilitado o campo das pesquisas, principalmente, ao recobrir aspectos além daqueles específicos das habilidades do ler e escrever, como dispositivo teórico para se compreender um fenômeno sociocultural, os modos e as condições com que a sociedade brasileira lida com a escrita (MARINHO, 2010, p. 17).

Contudo, no Brasil, a aprendizagem da leitura e da escrita não depende apenas do processo de letramento, sendo necessário, também, o processo da alfabetização. A alfabetização, aqui definida como o processo de aquisição da leitura e da escrita, significa ter adquirido uma tecnologia (SOARES, 1998).

Até bem pouco tempo, década de 1980, usávamos, no Brasil, apenas a palavra alfabetização e seus correlatos (alfabetizado, analfabeto, semianalfabeto, semialfabetizado, alfabetismo) para designar o processo de aquisição da leitura e da escrita (MARINHO, 2010).

Ainda nesse contexto dos anos de 1980, é que surge no Brasil o termo Letramento. Tal termo, tradução do termo inglês Literacy, já estava difundido no exterior, e no Brasil mostrava-se através de estudos  educacionais  sobre  leitura  e  escrita.  “Entretanto,  o   termo alfabetização e seus correlatos permanecem e são ressignificados, indicando os processos   históricos   de   produção   de   sentidos”   (MARINHO,   2010,   p.   15).   Dessa   forma,   o   termo Letramento chega ao Brasil   “como   uma   ferramenta   teórica   para   se   compreender   um   fenômeno cultural, os modos e as condições com que a sociedade brasileira lida com a escrita, mas também como pressuposto teórico-metodológico   para   o   ensino   da   leitura   e   da   escrita”   (MARINHO, 2010, p. 16).

Marinho (2010) ressalta, ainda, que a chegada do termo letramento ao Brasil contribuiu com as pesquisas educacionais, mas, por ser um conceito complexo para o campo acadêmico, foi mal interpretado ao circular pelas escolas de Educação Básica.

Para Magda Soares (2010), o letramento pode ser analisado do ponto de vista linguístico,  psicológico  e  educacional.  Na  “perspectiva  educacional  e  pedagógica,  letramento   designa  práticas  sociais  que  envolvem  a  língua  escrita.”  (SOARES,  2010)

Cecília Goulart (2006), em seu trabalho sobre letramento e modos de ser letrados realizado com crianças de 4 e 5 anos, definiu o termo letramento a partir de autores que discutem o tema (Soares, 1998; Kleiman, 1995; Tfouni, 1996; Terzi, 1997; Teale, 1992), e

assim concluiu que, em termos gerais, o letramento estaria relacionado ao conjunto de práticas sociais orais e escritas de uma sociedade e também à construção da autoria (GOULART, 2006).

Segundo Castanheira, Green e Dixon (2007), em qualquer sala de aula, professores e estudantes constroem normas e expectativas, os papeis e as relações, os direitos e os deveres que orientam sua participação na vida cotidiana da sala de aula, definindo também o que significa letramento e ação letrada nos eventos locais da sala de aula. Estas autoras entendem que o letramento é um processo dinâmico em que o significado de ação letrada é continuamente construído e reconstruído por participantes, quando se tornam membros de um grupo social (turmas escolares, grupos profissionais e sociais diversos).

Diante do que esses autores apresentaram em seus trabalhos, definimos que o letramento, nesta pesquisa, é a utilização social da linguagem escrita, e tal utilização é uma construção social resultante dos processos de interação entre participantes de um grupo. Ressaltamos, assim como Gomes, Dias e Gregório (2011), que os eventos de letramentos não estão prontos ao se definirem as atividades pedagógicas, mas são construídos nas interações sociais entre alunos e alunos, professores e alunos, todos os dias, sendo, portanto, situados no contexto da sala de aula. Assim, tais eventos podem ser compreendidos pela rede de ligações de modelos culturais locais e situados, consistindo de princípios e práticas que ajudam na construção dos significados dos eventos de letramentos pelas crianças.

Continuando a discussão, recorremos, mais uma vez, ao trabalho de Patrícia Corsino sobre o letramento na Educação Infantil. Corsino (2011), ao estudar e analisar o letramento, na perspectiva de professoras da Rede Municipal de Ensino do Rio de Janeiro, relacionou o letramento às perspectivas teóricas de Vigotski e Bakhtin para discutir o uso e a apropriação da linguagem escrita na educação infantil. A partir da análise de seus resultados, ela conclui que:

A educação infantil é um momento importante na formação do leitor. É uma esfera social em que muitos textos circulam e na qual as crianças podem participar de diferentes eventos e práticas de letramento. A formação do leitor se inicia nas suas primeiras leituras do mundo, nos significados e sentidos produzidos com base no que vê, ouve, percebe, sente, imagina do mundo ao redor, na participação ativa das crianças em situações diversas de interação verbal, nas práticas de ouvir histórias narradas oralmente ou da leitura de textos escritos, na elaboração de significados baseados nos textos ouvidos, na descoberta de que as marcas impressas produzem linguagem (CORSINO, 2011, p. 250).

Assim como a autora, também consideramos que os eventos e as práticas de letramento deveriam estar presentes nas turmas de Educação Infantil e que as crianças atribuem significados para as situações em que a linguagem escrita está presente, seja em uma contação de história (interação verbal), seja na construção de um texto coletivo com o auxílio da professora.

Outro trabalho que aborda o letramento na Educação Infantil é o de Ana Carolina Perrusi  Brandão  e  Telma  Ferraz  Leal.  Essas  autoras  nos  propõem  que  “na  Educação  Infantil   precisamos aproximar as crianças da leitura e da escrita em um contexto funcional e significativo   para   elas”   (BRANDÃO   &   LEAL,   2011).   Ainda   segundo   essas   autoras,   uma   maneira para que tal aproximação aconteça de forma significativa é possibilitando a elas a vivência com práticas de leitura, mediadas pela professora, para que as crianças ampliem suas experiências com o letramento, desenvolvendo estratégias variadas de compreensão textual.

Cecília Goulart (2006) também realizou sua pesquisa com crianças de 5 anos e constatou que tais crianças, por estarem inseridas em uma cultura letrada, tinham interesse em compreender a linguagem escrita. Segundo essa autora, o trabalho com o letramento, mesmo com crianças pequenas, influencia a língua que, por sua vez, influencia o pensamento. Para ela, essas influências constituem um processo no qual a criança desenvolve o ato de pensar, refletir e inferir sobre a linguagem escrita. Cecília Goulart também percebeu que as crianças, cujos pais utilizavam a linguagem escrita nos ambientes domésticos, tinham facilidade em participar dos eventos de letramento na sala de aula.

Com base nas pesquisas e nos estudos sobre letramentos apresentados, entendemos que um evento de letramento caracteriza-se por um conjunto de atividades que têm princípio, meio e fim. São interações face-a-face entre pessoas numa sequência discursiva, construída pelas ações e reações das pessoas umas com as outras. Segundo Bloome e Bailey (1992), as ações podem ser sons, gestos, movimentos, desenhos, falas e escritas produzidas nos enunciados que ganham significados e importância por meio das interpretações que as pessoas constroem nos eventos.

Brian Street (2012), em seu trabalho sobre eventos de letramentos e práticas de letramentos na perspectiva dos novos estudos do letramento (New Literacy Studies), nos auxilia a compreender que

‘eventos  de  letramento’  é  um  conceito  útil  porque  capacita  pesquisadores,  e   também praticantes, a focalizar uma situação particular onde as coisas estão

acontecendo e pode-se vê-las enquanto acontecem (STREET, 2012, p. 75, grifo do autor).

Desse modo, o autor pontua que os eventos de letramentos são situações visíveis àqueles que estão na sala de aula, mas também ressalta que, para o pesquisador compreender os sentidos e os significados que são construídos na sala de aula durante um evento de letramento, é necessária a aproximação do pesquisador dos membros da sala de aula. Isso porque, para o autor, é essencial que o pesquisador pergunte aos participantes sobre o que está acontecendo, a importância do acontecimento, o porquê do que está acontecendo, de uma forma e não de outra, enfim, que o pesquisador busque compreender os eventos na perspectiva do grupo em que a pesquisa está acontecendo.

Brian Street (2012) esclarece-nos, ainda, que eventos de letramentos são diferentes das práticas de letramentos. Para esse autor,

o conceito de práticas de letramento é realmente uma tentativa de lidar com os eventos e com os padrões de atividades de letramento, mas para ligá-los a alguma coisa mais ampla de natureza cultural e social. E parte dessa ampliação envolve atentar para o fato de que trazemos para um evento de letramento, conceitos, modelos sociais relativos à natureza da prática e que fazem funcionar, dando – lhe significado (STREET, 2012, p. 76).

A partir do que Brian Street nos indica serem eventos e práticas de letramentos, entendemos que os significados atribuídos pelos participantes, no caso, as crianças de 5 anos, foram construídos ao longo do tempo, mediante negociações e apropriações que acontecem nas e pelas interações sociais. Nessas interações, foram construídas práticas de letramento – que expressam ideologias, conceitos, sentimentos, sentidos e significados atribuídos pelos grupos. Essas práticas podem ser compreendidas pela descrição, análise e interpretação dos eventos de letramentos.

Na sala de aula, a manifestação de tais eventos nas e pelas interações entre as crianças esteve presente nos momentos de brincadeiras, durante as conversas e nos momentos em que as crianças desenhavam. Ressaltamos que, inicialmente, não tínhamos o interesse de desenvolver, neste trabalho, a discussão sobre o desenho e a brincadeira, contudo questões sobre esse tema surgiram ao longo da construção dos dados. Assim, buscamos conhecer as pesquisas que tratam desses dois temas: brincadeiras e desenhos, bem como as relações entre as brincadeiras e os desenhos com eventos de letramentos, que serão abordados a seguir.