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1.2. Cinsiyet Roller

Podemos dizer que Jacarezinho, enquanto um dos municípios do vale do Paranapanema, integrado à área canavieira36, de modo geral obedeceu ao mesmo processo característico de povoamento e urbanização dos municípios do oeste paulista em sua margem direita.

Quer dizer, Jacarezinho na sua aurora, como os demais municípios paulistas, esteve intimamente ligado à ação do indivíduo mineiro em busca da posse de terras devolutas, devido à decadência do ciclo do ouro na Província de Minas Gerais, bem como às condições políticas criadas com a Guerra do Paraguai.

Desde o século XVIII, assistia-se à migração de mineiros para as Províncias de Goiás, São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná, causada pelas medidas coercitivas da coroa portuguesa frente à diminuição do ouro, e pelas implicações políticas surgidas com a Guerra do Paraguai, de 1864 a 187037, aumentando o fluxo migratório rumo ao oeste paulista.

Ainda com relação ao declínio do ciclo do ouro nos finais do século XVIII, bem como ás condições econômicas pelas quais iriam passar o Brasil e o mundo na metade do século XIX, é interessante lembrarmos que o açúcar, nosso principal produto comercial vinha atravessando uma grande crise de produção desde o início desse período.

Tal como afirma Caio Prado Júnior (1973), o deslocamento das velhas regiões agrícolas do norte para o centro sul, foi causado pela decadência das lavouras tradicionais (cana-de-açúcar, algodão e tabaco) tendo em vista a “desconfortável conjuntura internacional”: com a alta do consumo do açúcar de beterraba pelos EUA e Europa, principais consumidores do produto nacional. Isto veio proporcionar, a partir do início do século XIX, o aumento da produção do café em detrimento à cana-de-açúcar.

36 O vale do Paranapanema na sua margem direita - São Paulo - é formado pelos municípios de

Rancharia, João Ramalho, Quatá, Paraguaçu Paulista, Maracaí, Assis, Florínea, Platina, Cândido Mota, Palmital, Ibirarema, Salto Grande, São Pedro do Turvo, Sta. Cruz do Rio Pardo, Ipauçu, Iepê, Taciba, Ourinhos e Xavantes. Na margem esquerda – Paraná – encontram-se Jacarezinho, Bandeirantes, Cambará, Andirá, Itabaraçá, Santa Mariana, Alvorada do Sul, Porecatu, Florestopois, Mirasselva e Centenário do Sul (Bray: 1980, p. 233).

37 A frente de combate tinha carência de novos soldados, sobretudo de jovens do sul de Minas, mais

próximos da capital do Império:[...] “Naquele tempo, o meio ideal de que dispunham as famílias para livrar seus filhos da convocação e de suas conseqüências era a partida para regiões distantes e despovoadas [...]”. (Tobias:1990,p.38)

Além disso, estava ocorrendo na metade do século XIX um crescimento do comércio mundial em um ritmo sem precedentes, o que viria a ter grande influência sobre a economia dos países onde o desenvolvimento do capitalismo ainda era muito fraco. Ou seja, é a época em que a exportação de capitais torna-se dominante38.

Primórdios da colonização

Com relação à caracterização dos contornos geográficos e históricos de Jacarezinho, podemos dizer que o povoamento do município, bem como o restante do extremo leste do norte do Paraná – o chamado Norte Pioneiro – se remete diretamente ao contexto histórico apresentado nos parágrafos anteriores.

Na medida em que se deu a busca por novas terras, enquanto uma prática comum – até a metade do século XIX – com o avanço do café, as terras localizadas entre as margens do Itararé, na divisa entre São Paulo e Paraná, passam, em meados do século XIX, a ser alvo das investidas dos mineiros e paulistas na região, pois já não eram totalmente desconhecidas.

Como anota Wachowicz (1987), as terras localizadas nas margens do Itararé vinham sendo cruzadas pela atividade tropeira dos mineiros em busca de muares e bovinos no Rio Grande do Sul já há longo tempo.

Nestas investidas ao sul do país, os tropeiros, ao revenderem suas mercadorias em São Paulo e Minas, necessariamente cruzavam – mesmo que em rápidas passagens – o Itararé, e com isso acabavam tomando conhecimento da existência de vastas extensões de terras ao norte do Paraná.

Sampaio (1955, p58), em sua monografia sobre o vale do Rio Paranapanema39, o qual percorreu entre 1886 e 1888, entende que o Itararé, enquanto um grande afluente do Paranapanema até àquela época, apresentava uma população à beira rio com

[...] toda falta de recursos, maus caminhos um deserto enfim, eis o que divisa nas proximidades do rio. Entretanto a fertilidade das terras é cada vez mais evidente, o solo variado e coberto de floresta virgem, sítios aprazíveis e com as melhores proporções para vastos estabelecimentos agrícolas, todos os dons de uma natureza pródiga e ainda quase totalmente intacta [...].

38 Silva (1976, p. 25)

39 Esta monografia corresponde ao estudo de Teodoro Fernandes Sampaio, integrando a comissão

de levantamento da carta geológica da Província de São Paulo em que relata, a partir do seu contato, o que se constitui em nossos dias a linha divisória entre os Estados do Paraná e São Paulo.

É interessante notar que o relato acima, além de revelar o quão estava certo o geógrafo com relação aos futuros estabelecimentos agrícolas na região, demonstra o interesse do governo da Província de São Paulo, através da constituição dessa Comissão Geográfica e Geológica, em reconhecer o seu território e, juridicamente, a posse de suas terras enquanto agente imobiliário.

Com relação às situações de perigos enfrentados pelos primeiros posseiros no vale do Paranapanema, vale lembrar que as condições adversas à conquista dos novos territórios eram coisa comum40.

Sampaio (1955), anota ainda em seu relatório que, na tentativa de subir o Itararé em 1886, vindo pelo sul, a sua equipe enfrentou inúmeros obstáculos: além de se deparar com trechos encaichoerados do rio, um dos integrantes da Comissão, veio a adoecer, obrigando-os a abandonar tal objetivo. Quer dizer, apesar do autor não chegar a comentar diretamente sobre as condições insalubres nas margens dos rios nessa época41, esta parece ser uma situação comum até aquele período.

No caso das terras no norte do Paraná, como assinala Fresca (2000), vários foram os processos de ocupação, mas de modo geral a iniciativa se deu a partir dos paranaenses – em uma ação conjunta com o governo imperial – ao fundarem núcleos de povoamentos no final do século XIX 42.

E, um pouco antes que os paranaenses, os mineiros penetraram lateralmente, em meados do mesmo século naquela que se tornaria uma Província emancipada do domínio político e territorial paulista, após 1853.

40 A posse dos novos territórios, segundo Wachowcz (1987), seguia o principio mineiro da conquista

da cabeceira de um riacho. E pelo que podemos entender isso se deveu principalmente à necessidade de localizar a divisa, face aos acidentes geográficos e, mais que isso, a extensão da posse em relação ao comprimento do rio e às terras por ele banhadas.

41Conforme Mombeig (1984, p.323), “Praticamente todo estado de São Paulo [naquela época] é devastado pela malária [...] O litoral é o primeiro foco. O segundo é formado pelas bacias do Tietê, do Paranapanema e dos rios secundários dos planaltos, e prolonga-se até o estado do Paraná, pelos vales dos rios Tibagi e Ivaí.[...]”.

42 Cambiaghi (1953, p. 83) afirma que os espanhóis no século XVII, principalmente jesuítas,

esboçaram uma primeira tentativa de fundar missões nas terras do norte paranaense e, posteriormente os bandeirantes paulistas, já no fim deste período viriam aniquilar os Caiagang que ocupavam a região. Com a criação da colônia militar de Jataí e dos aldeamentos de Pedro de Alcântara e São Jerônimo, os paranaenses, logo após este período, vêm reconquistar este território.

Os problemas de fronteiras indefinidas, de modo geral, constituíram, ao longo do governo imperial, preocupações constantes. Encontrar um caminho que

permitisse estabelecer uma via de comunicação entre a corte do Rio de Janeiro e a Província do Mato Grosso, naquele período, tornava-se algo de máxima urgência ao Império, pois diante do isolamento do Paraguai e suas reivindicações territoriais, geopoliticamente, aquela Província era um ponto fraco na estratégia brasileira43 .

Desde 1835 vinha-se percorrendo rio de Mato Grosso e São Paulo, mas foi o sertanista Joaquim Francisco Lopes, um pioneiro local nesta prática, que abriu um “picadão” pelo vale do rio Tietê44, passando por Piracicaba até aquela Província, o que acabou por estabelecer um importante avanço nos planos territoriais do governo imperial.

Ainda, muito distante, esta via, estabelecida por Lopes, quase se tornou inexeqüível. Na busca de um melhor caminho para o Mato Grosso, João da Silva Machado, o futuro Barão de Antonina, contratou os serviços de Lopes e do agrimensor Eliot; acabaram por percorrer em conjunto ou mesmo sozinhos, as terras ao norte do Paraná e seus rios – Tibagi, Itararé, Congonhas, Ivaí, Paranapanema – bem como os do Mato Grosso, anexando vasto latifúndio em nome do cognominado

Barão Papa Terra.

Mas foi em 1847 em uma viagem que durou cerca de três meses, ao sair em uma picada próxima a um trecho navegável do Tibagi, que a expedição do Barão chegou por um percurso menos distante ao Mato Grosso.

43 Wachowicz (1987, p.12)

44 Integração e comunicação via fluvial entre Províncias parece confirmar, segundo Sampaio (1955,

p.57) uma prática já consagrada no roteiro dos primeiros portugueses no Brasil, além de ratificar a importância do rio Tietê e o Paranapanema em são Paulo, bem como o Paraná enquanto rio fronteiriço.

Deste empreendimento, do futuro senador da Província do Paraná, surgiu, em 1851, a colônia militar de Nossa Senhora da Conceição do Jataí, localizada à

margem direita do Tibagi, em confluência com o riacho que leva o mesmo nome; o mesmo ocorreu com a Vila de São Pedro de Alcântara, na outra margem, a qual se tornaria um aldeamento de índios.

A criação desta colônia militar, compara Wachowicz (1987), remonta aos primórdios da independência, isto é, ao modelo utilizado na Áustria, fronteira húngara com os territórios turcos e pátria natal da princesa Leopoldina.

No caso dessa colônia em Jataí, estrategicamente, a sua tarefa seria a de proteger o território nacional; e, por ser um centro agro-militar, um pólo para a “civilização” dos índios conhecidos como Coroado ou Caiagangue45,a fim de se evitar possíveis ataques àquela fortificação, nem que para isso fosse preciso promover o conflito entre nações indígenas46.

Observa Bigg-Wither (1974, p. 410) em sua viagem pela Província do Paraná entre 1872 a 1875, em relação ao sistema de catequização dos “índios selvagens do Brasil” que,

Esta colônia (o aldeamento de índios) foi formada espontaneamente no ano de 1859 pelos próprios índios (Coroado) que cansados das guerras constantes com os brancos de um lado e os índios caiuás (sic) de outro, apareceram um dia às margens do rio, do lado oposto da vila brasileira de Jataí, demonstrando, por meio de um intérprete, o desejo e a intenção de se estabelecerem pacificamente na vizinhança dos brancos [...].

Em resumo, foi deste empreendimento do Barão Papa Terras, futuro senador pela Província do Paraná, que surgiram em 1851 a colônia militar de nossa Senhora do Jataí, localizada na margem direita do Tibagi, e à sua esquerda o aldeamento de índios São Pedro de Alcântara.

Já a porção nordeste paranaense se tornaria, especificamente entre os vales do Paranapanema, Laranjinhas e Itararé, território muito atraente no início do século XX, dada a presença da terra roxa – considerada excelente para plantação do café – os numerosos cursos d’água e o relevo pouco movimentado. Por isso, desde1842-

45 Segundo Mombeig (1984) os Caiacang, designados como Coroado, encontravam-se a partir do

século XVIII distribuídos tanto pelos planaltos paulistas como pelas regiões do Paraná. Cobra (1943, p.49), ao descrever a entrada dos primeiros mineiros em 1856 no futuro povoado de São José do Rio Novo - Campos Novos Paulista - ressalta: “Imagine agora o leitor a situação da pequena turma de immigrantes (sic), collocada em ponto distante mais de quinze legoas da freguesia de S. Domingos, mais de vinte da villa de Lençoes e cinco, da nascente povoação de S.José do Rio Novo. Achava-se em pleno deserto, onde o echo dos lamentos, que soltasse, ir-se-ia perder, sem repercussão, pelo espaço em fóra. Nem um raio de esperança. Tinha deante (sic) de si entrada da matta (sic) de onde, cada instante, poderiam desembocar os índios corados (sic), os mais terríveis de todos [...]”.

46 Foi neste sentido que o Barão de Antonina, de acordo com Wachowicz (1987, p. 15), [...] “ordenou então várias providências entre as quais a de procurar aldear os índios caiuá, contatados em Mato

1843 começam a surgir, analisa Wachowscz (1987), as primeiras posses naquelas redondezas.

Mas não eram quaisquer indivíduos que faziam ou podiam reunir condições para tomar posse de uma determinada área de terra. Só quem detinha algum recurso ou influência política podia reunir condições de realizar este tipo de projeto.

Sendo assim, os primeiros mineiros vindos para o norte do Paraná a fim de conquistar a posse de uma determinada gleba de terra tinham que, no mínimo, possuir outras terras, ou então contar com algum tipo de prestígio pessoal ou político.47

Ainda com relação ao sentido e conceito de renda capitalizada, pode-se dizer que neste processo de aquisição de novas áreas territoriais, começa-se a transferir do escravo para a terra o valor que este até então encarnava. Para ilustrar tal concepção vejamos o seguinte comentário, segundo Wachowiscz (Apud Batista,1950, p.29), sobre a história de Jacarezinho e os motivos que levaram Antônio Alcântara a vir para o Paraná em 1888:

Imaginai senhores, 254 pessoas, entre elas damas de aprimorada educação, donzelas saídas de internatos de freiras, jovens ainda cursando universidade, médico ilustre [...], um vigário paternal e dezenas de outros valores humanos a palmilharem os sertões brasileiros, após dias, noites, por meses a fio, enfrentando temporais, abrindo estradas, dormindo sob árvores e banhando-se em ribeirões, onde talvez os miasmas da febre os esperassem para a morte.

Há que se dizer que o mineiro da região sul da Província, na sua ânsia por fugir da pobreza e do serviço militar durante a guerra do Paraguai, preferiu enfrentar as incertezas do sertão a ficar em sua terra natal48 .

Como lembra Mombeig (1984), a avançada mineira foi mais sensível no espigão que separa a bacia do Paranapanema da do Rio do Peixe. Por isso, podermos compreender a importância de Botucatu em 1850 enquanto povoado que

Grosso. Estes índios, pertencentes à grande nação tupi-guarani, localizavam-se na Província de Mato Grosso, na margem direita do rio Ivinheima do Iguatemi”.

47 Conforme anota Wachowiscz (1987, p. 81-82), Domiciliano Corrêa Machado, vindo se instalar na

margem esquerda do Itararé, depois de registrar a sua posse, ao retornar a Minas Gerais vendeu sua fazenda, organizou uma comitiva composta com parentes, amigos e escravos para vir de vez para os lados do Itararé. Da mesma maneira o fez o capitão Tico Lopes, chefe político em São José da Boa vista e um dos pioneiros da Colônia Mineira (1886), hoje Siqueira Campos.

48Diz Cobra(1947, p.43-44) [...] “ O governo imperial mandou proceder a conscripção (sic) geral começando, naturalmente, pelas províncias do sul mais próximo do theatro (sic) da guerra, Minas, já bastante povoada, offerecia (sic) vasto campo de acção (sic) aos agentes da autoridade militar, tanto mais quanto a distancia que separava da Capital do Imperio era relativamente curta. Por isso, nas localidades do sul dessa província, se fez sentir mais premente a energia dos recrutadores. Prendiam solteiros, noivos, casados e viúvos”.

permitiria o acesso aos mais distantes pontos do sertão paulista, bem como Jataí, a noroeste do Paraná, ou então Lençóis Paulistas na sua ligação com o Tietê, através do rio Piracicaba.

Cobra (1943), ao descrever o acesso às novas terras, entende que as águas do Tietê e as do rio Paraná tenham sido providenciais para este empreendimento na conquista de novos territórios. Exemplo típico dessa ação foi a de José Theodoro de Souza, que veio tomar posse, em 1856, do maior latifúndio conhecido na província de São Paulo nessa época: uma área que compreendia 50 Km2 de frente por 150 Km2 de fundo, nada mais nada menos do que a margem direita do Paranapanema – de São Pedro do Turvo à Barra do Tibagi, tendo como comprimento, o rio do Peixe49.

Também, Severo Batista, mineiro de Alfenas, residente em Casa Branca, entre 1884 a 1885, ao atravessar a margem esquerda do Paranapanema veio a ocupar os terrenos onde hoje se localizam as cidades de Cambará e Jacarezinho.

De volta a São Simão, após o reconhecimento de sua posse em Curitiba, Severo Batista veio saber em 1888 que o seu latifúndio estava sendo invadido. Isto realmente se confirmava, pois Antônio Alcântara, outro fornecedor da Guerra do

Paraguai, havia mandado o neto na frente, preparando a posse para a chegada da

comitiva.

A primeira posse que os Alcântaras fizeram foi, de acordo com Wachowicz (1987, p. 81-90) a da Água da Prata e, em seguida com a chegada da comitiva, a Água da Estiva, a Água de Ourinho, a Água do Alambari e muitas outras mais.

Na tentativa de conter o avanço dos Alcântaras em suas terras, Severo Batista mudou-se com a família em 1895 para aquela região, exibindo a documentação oficial daquela área territorial e comprovando ser assim o legítimo dono. Com isso os dois grupos passaram a negociar, ficando decidido que o Alcântaras pagariam 12.000$000 réis por aquelas posses.(Wachowicz, 1987 p. 100).

O núcleo fundado pelos Alcântaras na Água da Prata foi mudado para um local definitivo e construiu-se uma capela. Sucederam-se vários nomes para aquele núcleo que começou a se urbanizar, tais como: Ourinho, Jacarezinho e Nova Alcântara, para depois, em 1902, retornar à antiga denominação de Jacarezinho.

49 Ao tomar posse dessa área depois da promulgação da Lei de Terras em 1850, segundo Cobra

(1943, p.23), o posseiro alegou tê-las conquistado em 1847, e [...] “com um salto desses, dado para trás, o interessado incluía seu nome entre os posseiros cujos direitos a lei assegurava, não para lhe

Em suma, com relação à periodização, diante da chegada dos mineiros ao noroeste do Paraná e a formação dos primeiros povoados no chamado Norte Pioneiro, pode-se dizer, de acordo com Fresca (2000, p.37), que

O primeiro núcleo urbano foi São José do Cristiano às margens do Itararé, em fins dos anos de 1840; o segundo foi o núcleo de são José da Boa vista, que em 1875 incorporou o primeiro em função de suas condições insalubres. E segue-se a fundação dos núcleos como Siqueira Campos, Tomazina, Santana do Itararé, Salto do Itararé, Ribeirão Claro, Jacarezinho, Santo Antonio da Platina, Carlópolis [...] .

Diante do exposto, parece-nos importante tecer algumas considerações com relação à ocupação do Norte Pioneiro em comparação com a província de São Paulo, haja vista a Lei de terras promulgada em 1850.

De acordo com Fresca (2000), a transformação da terra em mercadoria através do meio jurídico, só se tornou efetiva no Paraná após a proclamação da República, pois até então as terras ao norte ainda se encontravam ocupadas pelos indígenas, não despertando o interesse de compra da gente paranaense e nem dos pioneiros paulistas e mineiros.

No caso do Oeste Paulista, no entanto, a promulgação da Lei de Terras na verdade se tornou uma “letra morta” naqueles locais onde ainda não ocorria a posse da terra, haja vista a expansão cafeeira. Mesmo onde essas ocorriam, conforme Martins (1986, p. 29), surgiu uma [...] “verdadeira indústria de falsificação de títulos

de propriedades, sempre datados de época anterior do registro paroquial, registrados em cartórios oficiais, geralmente mediante a subornos e escrivães notórios [...]”.

Mombeig (1984) revela que, em todos os países onde a terra teve uma valorização súbita, o grileiro, isto é, o falsificador de títulos de propriedades, fez-se presente. Não existiu esta mesma característica nos locais em que a topografia se mostrou plana e com vegetação de pradarias, facilitando nesse contexto a aplicação de uma legislação rigorosa, apoiada em magistratura e polícia soberanas.

No caso do Brasil, ainda segundo este autor, com matas de penetração difícil, costumes políticos e moral individual nem sempre desinteressada, as dificuldades se

atribuir domínio, mas um começo, com que poderia reclamar ao processo de legitimação, segundo o parecer que provavelmente lhe dera em Botucatu

apresentaram de complicada resolução, além de que a colonização se tornara uma questão de segundo plano, prevalecendo o desejo de especular.

Desenvolvimento econômico nos primeiros anos do século XX

O Norte Pioneiro, nos seus primeiros anos de colonização, entende Wachowicz (1987, p. 195),apresentou as mesmas características das sociedades