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1. U LUSLARARASI İLİŞKİLER’DE HEGEMONYA KAVRAMININ GELİŞİMİ VE DÜNYA SİSTEMLERİ ANALİZİ

1.2. U luslararası İlişkiler’de Hegemonya, Hegemonik Kriz ve Hegemonik Geçişe İlişkin Teoriler Teoriler

1.2.1. Neo-Realist Teoride Hegemonya ve H egemonik Savaşlar

1.2.1.2. Charles Kindl eberger ve Hegemonik İstikrar Teorisi

O doutor Benignus, de volta à fazenda, não consegue dormir naquela noite, isolando-se em seu gabinete à procura de explicações ao papiro indígena sobre o qual tinha apenas uma “intuição para bem dizer profética”. 363 O índio e o sol,

portanto, tornam-se os principais elementos de reflexão do sábio, que não os deixa de associá-los evidentemente à ideia de origem.

359 Ibidem, p. 75. 360 Ibidem, p. 76. 361 Ibidem, p. 82. 362 Ibidem, p. 82. 363 Ibidem, p. 84.

Destaca o narrador que o sábio consultou, de forma exaustiva,364 uma “porção de livros” sem achar a explicação do “enigma”. Eram raros os livros so- bre o assunto, Benignus não tinha todos, além de haver no Brasil uma especial singularidade: era possível encontrar vastas regiões brasileiras ocupadas por “tri- bos dispersas das raças primitivas”, contudo poucas pessoas, com exceções heroi- cas, dedicavam-se “aos estudos antropológicos e da linguagem indígena”, fontes inexauríveis para a compreensão da “história das primeiras épocas da humanida- de.” 365 Naquele momento de ausência de informação, Benignus não poderia dei-

xar de lembrar-se de uma dessas exceções, o Sr. Dr. Couto de Magalhães, apre- sentado pelo narrador como “um dos simpáticos talentos do Brasil, e cujo nome deveria ter entre nós a popularidade de Livingstone, de um Tyndal, ou de um Ho- rácio de Saussure, que realizou em 1787 a primeira ascensão regular aos píncaros elevados e prodigiosos do Monte Branco.” 366 Magalhães é apresentado como

viajante infatigável e destemido.

Quem na idade de pouco mais de trinta anos, já viajou tantas vezes desde o golfão do Prata por entre ínvias regiões até a foz do Amazonas, e subiu em uma frágil barca, movida por uma pequena máquina a vapor de força de 8 cavalos, oitenta léguas de cachoeiras no rio Araguaia e pode dizer a seus compatriotas que já arcou mil vezes com a morte, lutando quase simultanea- mente com índios bravos, com medonhas feras e ainda com fu- riosas e terríveis conflagrações dos elementos, aprendendo as línguas e os dialectos selvagens, levando a civilização ao deser- to e chegando a impor-se à consideração e ao respeito dessas raças indomáveis, merece realmente a admiração de todos que prezam o arrojo audacioso dos grandes homens, dos heróis do trabalho e da ciência, que são a um tempo a verdadeira glória da sua pátria e do século em que viveram! 367

A natureza volta a ser apresentada como completamente perigosa, uma fonte que, por assim ser, imbui de heroísmo o homem que nela adentra. Os índios, enquanto raças indomáveis, as feras e as conflagrações furiosas dos elementos naturais aqui são colocados em um mesmo plano, isto é, são expressos como fon- tes do medo a ser enfrentado e domado por aqueles que, movidos pelo desejo de expandir a civilização por meio do trabalho e da ciência, devem ser considerados como a verdadeira glória da sua pátria e do século em que vivem. Entretanto, se

364 Ibidem, p. 86. 365 Ibidem, p. 84. 366 Ibidem, p. 86. 367 Ibidem, p. 86.

há o desejo e a necessidade de superação do mundo natural pelo intento civiliza- dor, existe também a clara consideração de que os quadros naturais são testemu- nhos da origem, e por isso devem ser valorizados enquanto objetos por excelência de perquirição científica. O problema em relação ao homem aqui aparece sob a seguinte forma: interpela-se uma fratura entre os homens civilizados, detentores do saber e da civilização, e aqueles que se acoplam à animalidade intrínseca ao mundo natural. Mas é apenas a partir destes últimos que os primeiros podem che- gar às revelações e esclarecer o problema da origem, tomada ainda como algo que reunifica essa dualidade humana.

E voltando a pensar sobre o papiro, Benignus mergulha-se em arrojadas re- flexões sobre o Sol, então caracterizado pelo sábio como a “fonte luminosa da vida universal”, aquela que ao manifestar-se enquanto dia e luz evoca a natureza “ao concerto das harmonias cosmogônicas”. Os cultos primitivos, pensa Benig- nus, consideravam tal astro como “a imagem da personalidade Criadora e eterna”. Hoje, o sábio afirma ser ele “o centro, o foco do nosso sistema planetário”, aquele que “nos dá a vida, as estações, o alimento, a coragem do trabalho e a inspiração do gênio” em detrimento da distância numérica em que se encontra da Terra. 368

Trata-se, pois, de algo superior em “relação aos nossos pequenos mundos”, uma “realeza na ordem das criações celestes”. 369 É pensando nessa superioridade e

centralidade solar, que Benignus chega a perguntas científicas que lhe acendem no cérebro um “facho de luz” 370, um pensamento que, “atravessando-lhe o espírito,

produziu-lhe o efeito de um choque elétrico,” 371 obliterando as “funções fisioló-

gicas de seu ser” e transcendendo sua alma ao absoluto do infinito. 372

Por que motivo os entes desconhecidos que o habitam não esta- rão, em relação a nós, em uma condição incomparável? Por que motivo sua organização física se não achará fora das leis ter- restres que conhecemos? Porque seu estado de vida não será de todo o ponto diverso do nosso, do alfa ao ômega de sua existên- cia? É verdade, por que não será o Sol habitado? Acrescentou depois de uma pausa o Dr. Benignus. 373

Em meio às reflexões, que suspendiam a alma do sábio fazendo dele antes pensamento do que corpo, antes espírito infinito do que invólucro terreno, Benig-

368 Ibidem, p. 87. 369 Ibidem, p. 88. 370 Ibidem, p. 88. 371 Ibidem, p. 89. 372 Ibidem, p. 87. 373 Ibidem, p. 88.

nus expande sua hipótese, considerando que além do Sol outros mundos poderiam ser habitados, pois a Terra, mesmo encerrando inúmeras “maravilhas”, não passa- va segundo suas reflexões “de um ponto insignificante no espaço”. É então que Benignus, voltando-se especificamente ao papiro, consulta atentamente o último dos seus livros sobre o assunto e, sem conter o grito, o abraço e o beijo efusivo que desfere em sua esposa encontra o vocábulo ECCE INCOLAE, o correspon- dente latino da frase em língua tupi “A pora”. O fato de ECCE INCOLAE signifi- car “aqui há gente, aqui está povoado, aqui há habitantes” sugere a Benignus en- tender que, no Sol,

existirão talvez mares, continentes, raças, nações, compadres como aqui, mulheres, crianças, ignorantes, sábios, criaturas de formas materiais ou de formas aéreas, montanhas, dias, noites, calmarias, tempestades, mas o que não haverá por certo é o es- pírito do mal, que faz com que se devorem como feras os filhos da nossa humanidade! 374

Do sol, entendido como superior e fonte universal da vida, decorre a afir- mação de uma possibilidade, a possibilidade de nele haver vida sem a presença do “espírito do mal”. A Terra, portanto, é diminuída a apenas um ponto do universo, mas não deixa de ser afirmada como parte dele, pois é alimentada pela vivacidade emanada do Sol, o centro do sistema planetário, aquele que, com sua luz, evoca a natureza na harmonia cosmogônica. A linguística assumida, aqui, como aquela que revela e torna tal hipótese ainda mais contundente. Em meio às reflexões, o pensamento é colocado como um ente que, a despeito do corpo, eleva a alma ao infinito. Serão tais conclusões científicas que nortearão a expedição elaborada pelo sábio homem na tentativa de obter o “aplauso dos contemporâneos” e a “ad- miração das futuras gerações”. 375 Como dizia ele, “o vapor, a eletricidade, as via-

gens aéreas, a telegrafia não são cousa alguma diante deste maravilhoso desco- brimento”. 376 Em tom esperançoso, o sábio conclui: “chegarei talvez a pôr em

correspondência, em comunicação, a imensa família das humanidades sidéreas”.

377 374 Ibidem, p. 90. 375 Ibidem, p. 92. 376 Ibidem, p. 92-93. 377 Ibidem, p. 92.