• Sonuç bulunamadı

D- Kapalı veya Yarı-Kapalı Denizler

4- BMDHS ve “Kapalı veya Yarı-Kapalı Deniz” Kavramı

Part. nas Exp. do Estado em 2009% 100 0, 053 0,11 0,31 0, 097 0,29 Part. da Agrop. no Total do V.A. % 1,45 0,99 1,68 0,65 0,28 0,30 Part. na Ind. no Total do V.A. em % 29,52 21,80 18,97 18,40 15,19 20,81 Part. dos Serv. no Total do V.A. em % 69,03 77,21 79,75 80,94 84,53 78,89 PIB (em milhões de reais correntes) 1.003.015,76 3.056,84 2.723,58 3.182,33 7.056,70 6.004,12 PIB per capita (em reais correntes) 24.457,00 13.679,94 15.035,53 15.435,91 17.033,99 16.880,91 Participação no PIB do Estado (%) 100 0,30 0,27 0,31 0,70 0,59

FONTE: Perfil Municipal – Fundação Seade www.seade.gov.br – acesso FEV./2011. ORG.: BOMTEMPO, Denise Cristina. FEV./2008.

No entanto, em relação à participação da atividade agropecuária, o estado de São Paulo participa com 1,45%, em relação ao Brasil. As cidades médias do Oeste Paulista participam com 1,68%, sendo que Araçatuba participa com 0,99%, Marília; 0,65%, Presidente Prudente; 0,30% Bauru, e 0,28%, São José do Rio Preto. Em relação à indústria, o estado de São Paulo, no ano de 2008, foi responsável por 29,52% do valor adicionado dessa atividade desenvolvida no território brasileiro. Marília, em comparação às cidades médias do Oeste Paulista, apresenta maior participação (21,81%), seguida por Bauru (20,81%), Araçatuba (18,97%), Presidente Prudente (18,40%) e, por fim, São José do Rio Preto (15,19%).

No que concerne aos serviços, ao estado de São Paulo cabe a cota de 69,03%. Entre as cidades médias do Oeste Paulista, São José do Rio Preto é a que mais se destaca em relação ao valor adicionado dessa atividade, com um índice de 84,53%, seguida por Presidente Prudente (80,94%) e Araçatuba (79,75%), enquanto Marília comparece com o menor índice (77,21%). Quanto ao PIB, São José do Rio Preto apresenta os maiores índices e Marília, os menores.

Além do valor adicionado, verificamos também a participação dos vínculos empregatícios e rendimentos médios por vínculos empregatícios, a partir dos grandes setores do IBGE (Tabela 19, p. 188). Esses dados revelaram que em relação ao setor agropecuário, o estado de São Paulo é responsável por 3,08% dos vínculos empregatícios. Considerando as cidades médias do Oeste Paulista nesse campo, Araçatuba ultrapassa a participação do estado, com um índice de 3,66%, seguida por Marília (1,87%), Bauru (1,26%), Presidente Prudente (0,96%) e São José do Rio Preto (0,95%).

No setor da indústria, o estado de São Paulo contribui com uma participação de 22,47% dos vínculos empregatícios no total do Brasil, sendo que as cidades de Presidente Prudente e Marília participam, nesse item, em 23,47% e 23,18%, em relação ao estado de São Paulo. Já a cidade de Araçatuba contribui com 19,72%, São José do Rio Preto, com 17,61%, seguida por Bauru, com 15,82% dos vínculos empregatícios do total do estado.

O estado de São Paulo é responsável por 4,69% dos vínculos empregatícios na construção civil, e a cidade de Bauru se destaca nessa atividade, pois apresenta um índice de 7,33%, seguida por Marília, 6,16%, São José do Rio Preto, 5,52%, Presidente Prudente, 5,13% e, por último, Araçatuba, com 3,28%. Os vínculos empregatícios ligados ao comércio representam 19,23% no total do estado de São Paulo. Entre as cidades analisadas, a de maior destaque é São José do Rio Preto (30,06%), vindo, na ordem, Araçatuba (28,80%), Presidente Prudente (26,17%), Marília (24,90%) e Bauru (24,70%).

Quanto aos vínculos empregatícios relacionados aos serviços, o estado de São Paulo detém uma cota de 50,53%, e a cidade de Bauru é a que mais se destaca nesse setor, com um índice de 50,89%, seguida de São José do Rio Preto, 45,86%, Araçatuba, 44,55%, Presidente Prudente, 44,27% e finalmente Marília, 43,90%.

Em síntese, em relação à participação dos vínculos empregatícios (%), podemos afirmar que a cidade de Araçatuba se destaca nas atividades ligadas ao setor de agropecuária e comércio, e Bauru desponta nas relacionadas à construção civil e serviços. Quanto a Marília, o destaque é em relação aos vínculos ligados a indústria, agropecuária e construção civil, enquanto Presidente Prudente se sobressai apenas nos vínculos relacionados à atividade industrial, vindo por fim, São José do Rio Preto, nos vínculos relacionados ao comércio e serviços.

O rendimento médio (R$) por vínculo empregatício dos grandes setores do IBGE (2009) no estado de São Paulo foram, respectivamente, R$ 930,66 no setor agropecuário, R$ 2.076,16 no setor industrial, R$ 1.400,71 na construção civil, R$ 1.296,69 no comércio e R$ 1.885,02 no setor de serviços.

Araçatuba apresentou os maiores rendimentos médios (2009, R$) no setor agropecuário, Bauru se sobressaiu no setor industrial e comércio, Marília teve destaque no setor industrial e serviços, Presidente Prudente, na construção civil e São José do Rio Preto, nos setores de agropecuária, construção civil, comércio e serviços.

Quanto aos investimentos anunciados nas indústrias do ramo alimentício118 (Tabela 20, p. 189), verificamos que no período de 1995 a 2005, todas as cidades médias do Oeste Paulista receberam anúncio de investimentos, porém Marília merece destaque, por um lado, pela maior quantidade de investimentos, por outro, pela diversidade dos agentes envolvidos.

Até o momento, a partir dos referenciais de Mourão (1994, 2002), Sposito (1996) e Gomes (2007), e dos dados arrolados ao longo deste capítulo e dos anteriores, verificamos que as cidades médias do Oeste Paulista, apesar de passarem por “momentos” comuns do ponto de vista do processo de ocupação e desenvolvimento das atividades econômicas, em fins da década de

118Pesquisa de Investimentos Anunciados no Estado de São Paulo levanta as intenções de

investimentos de empresas por Município, Região de Governo e Região Administrativa, segundo setores e subsetores de atividade econômica. Fonte: http://www.seade.gov.bre/produtos/piesp. Acesso 16/1/2009. GRANDES SETORES EST. SÃO PAULO % EST. SÃO PAULO (R$) ARAÇATUBA % ARAÇATUBA (R$) BAURU % BAURU (R$) MARÍLIA % MARÍLIA (R$) P. PRUDENTE % P. PRUDENTE (R$) S. J.R. PRETO % S. J.R. PRETO (R$) Agropecuária 3,08 930,66 3,66 1.052,49 1,26 891,12 1,87 775,48 0,96 917,18 0,95 1.468,43 Indústria 22,47 2.076,16 19,72 1.237,95 15,82 1.534,51 23,18 1.522,84 23,47 1.089,23 17,61 1.216,41 Construção Civil 4,69 1.400,71 3,28 1.136,36 7,33 1.147,46 6,16 681,46 5,13 1.177,71 5,52 1.289,64 Comércio 19,23 1.296,69 28,80 1.037,89 24,70 1.047,68 24,90 1.000,19 26,17 1.004,45 30,06 1.097,94 Serviços 50,53 1.885,02 44,55 1.479,88 50,89 1.576,36 43,40 1.659,98 44,27 1.489,96 45,86 1.640,32 FONTE: Perfil Municipal – Fundação Seade www.seade.gov.br – Acesso FEV./2011. ORG.: BOMTEMPO, Denise Cristina. FEV./2011.

1980, algumas especificidades afloraram no que concerne à dinâmica territorial e econômica. Atrelamos, referenciados em Côrrea (2007), o surgimento dessas especificidades a fatores relacionados à formação socioespacial, bem como à situação geográfica e à atuação dos agentes.

A partir dos dados da Tabela 21 (p. 163), podemos afirmar que os investimentos anunciados, provenientes do ramo alimentício, ficaram concentrados, sobretudo, nas cidades de Marília, Araçatuba e Bauru e se referem a empresas alimentícias cujo capital é local, nacional e internacional. TABELA 20: EMPRESAS QUE INVESTIRAM NA INDÚSTRIA DE ALIMENTOS E BEBIDAS

(EXCETO USINAS SUCROALCOOLEIRAS) - 1995 - 2005

EMPRESA ORIGEM TIPO (Nº) DE ANÚNCIOS TOTAL (US$ milhões)

RA BAURU 265,09

Bauru 33,83

Adams EUA Ampliação/Modernização (1) 20,3

Cervejaria dos Monges Brasil Ampliação/Modernização (1) 3

Spaipa Brasil Implantação (1) 2,63

Sukest Brasil Impl. (1) e Ampl./Moder. (3) 7,9

RA ARAÇATUBA 212,67

Araçatuba 51,82

Etti Brasil Implantação (1) 6,5

Nestlé Suíça Ampliação/Modernização (1) 36,98

Parmalat Itália Ampliação/Modernização (1) 8,34

RA MARÍLIA 151,24

Marília 88,85

Bel Brasil Impl. (1) e Ampl./Moder. (1) 7,28

Coca-Cola EUA Ampliação/Modernização (1) 20,68

Dori Brasil Impl. (2) e Ampl./Moder. (4) 16,75

Marilan Brasil Ampliação/Modernização (4) 11,4

Nestlé Suíça Ampliação/Modernização (1) 12,53

Spaipa Brasil Ampliação/Modernização (2) 3,4

Yoki Brasil Implantação (2) 8,81

RA PRESIDENTE PRUDENTE 8,25

Presidente Prudente 7,98

Coolvap Brasil Implantação 5,26

Prudenfrigo Brasil Modernização 0,2

Amidoeste Brasil Implantação 0,6

Premix Brasil Implantação 1,74

Bon Mart Brasil Implantação 0,18

RA SÃO JOSÉ RIO PRETO 66,38

São José do Rio Preto 3,81

Arco Íris Brasil Ampliação/Modernização (1) 3,81

TOTAL DAS 5 RAs 703,63

TOTAL DAS EMPRESAS 152,46

FONTE: FUNDAÇÃO SEADE/PIESP. In: MOREIRA, Adriano. Investimentos na indústria de alimentos e bebidas e mudança na divisão territorial do trabalho no Estado de São Paulo. Presidente Prudente: Monografia de Bacharelado em Geografia, FCT/UNESP, 2010.

Entre as de capital nacional que anunciaram investimentos em Marília, destaca-se a Yoki (Implantação US$ 8,81 milhões), uma das líderes no segmento alimentício de confeitos salgados. Em relação às empresas de capital externo, a Nestlé se sobressai, com anúncio de investimentos na cidade de Araçatuba (Ampliação e Modernização US$ 36,98 milhões), em sua unidade de produção de derivados lácteos e, em Marília, (Ampliação/Modernização (US$ 12,53 milhões), na unidade de produção de biscoitos.

Ainda em Marília, a Coca-Cola (capital externo), juntamente com o Grupo Spaipa, possui uma unidade produtiva e anunciou investimento de US$ 24,08 milhões, referente a Ampliação e Modernização. Além das empresas de capital nacional e externo instaladas em Marília, verificamos que as de capital local, líderes do mercado do segmento alimentício (Quadro 3, Capítulo 2), também anunciaram investimentos no período de 1995 a 2005. Entre elas destaca-se a Bel Chocolates (Implantação (1), Ampliação/Modernização US$ 7,28 milhões), Dori Ltda. (Implantação (2) e Ampliação/Modernização (4) US$ 16,75 milhões) e Marilan S/A (Ampliação e Modernização (4) US$ 11,4 milhões).

Até o momento, todos os dados e informações que substanciaram nosso estudo revelaram que Marília se destaca entre as cidades médias do Oeste Paulista por possuir diversidade no que concerne às atividades econômicas, mas que a atividade industrial se sobressai na geração de empregos e de tributos, e na articulação entre agentes que atuam em múltiplas escalas. Essa realidade permite dar continuidade à nossa análise com vistas a entender a origem, reconfiguração do território industrial de Marília e as dinâmicas proporcionadas por essa atividade no período da globalização.

3.3. A origem do ramo alimentício de consumo final em Marília – SP

Na atualidade, temos uma nova configuração espacial, fruto de processos que ocorrem na escala global e que se materializam nos lugares. Portanto, consideramos um desafio apreender os movimentos resultantes das ações dos agentes no território.

Assistimos a uma profunda reestruturação do território, resultante da reestruturação do processo produtivo, que ocorre tanto no interior da fábrica - com a adoção de um novo sistema de organização da produção e do trabalho - como também fora dela, a partir da seleção de novos lugares para desenvolver a produção e a gestão das atividades.

Na cidade de Marília, o desenvolvimento da atividade industrial é anterior ao processo de desconcentração industrial iniciado na metrópole paulistana na década de 1970.

O início do processo de industrialização da cidade tem sido associado à instalação das máquinas de beneficiamento de algodão, principalmente após 1936, quando chegam as grandes unidades, de capital de fora, nacional e estrangeiro, como SANBRA, Anderson Clayton (1936) e a Matarazzo (1937) e Zillo (1938). De fato, se pensarmos em processos produtivos não artesanais, essas podem ser consideradas as primeiras verdadeiras indústrias da cidade (MOURÃO, 1994, p. 57, 76).

Corroborando essa ideia, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Alimentação de Marília, informa:

[...] sobre a origem da indústria, posso resgatar um pouco do depoimento dos meus avôs. Eles eram italianos e migraram para Marília no ano de 1924, segundo relatavam, a região era agrícola, havia cultivo de café, algodão, mamona, cana-de-açúcar, e a partir de 1950 foi introduzida a cultura do amendoim, que se tornou o foco principal. Como em Marília tínhamos todo o suporte da matéria-prima, foi possível instalar na cidade, agroindústrias beneficiadoras, como por exemplo, a Anderson Clayton, Sanbra, J.P. Duarte, Novaes, Matarazzo e outras. Eram indústrias beneficiadoras de grãos e também de transformação, pois grande parte da produção de oleaginosas era para a produção de óleos de mamona, algodão etc. Vale destacar que o algodão era utilizado em vários ramos industriais, tanto na produção de óleos como de fibras eram destinadas para as

indústrias de têxteis localizadas na cidade de Marília e em São Paulo (STIAM, 27/5/2008, grifo nosso)119.

Do ponto de vista regional, a localização de unidades produtivas industriais em Marília relacionava-se “[...] à produção da matéria-prima na

região e ao desenvolvimento urbano que a cidade já apresentava na metade dos anos 30, assumindo a função de centralidade numa próspera região agrícola. Essas indústrias eram, no entanto, dependentes da região agrícola”

(MOURÃO, 1994, p. 76). Na escala intraurbana, as primeiras unidades produtivas seguiram os padrões clássicos de localização industrial, ou seja, instalaram-se em áreas próximas ao centro da cidade, como podemos verificar na Figura 4 e no Quadro 9 (p. 193).

119As entrevistas realizadas durante o trabalho de campo mostraram-se importante recurso

metodológico para entender o conteúdo da atividade industrial de Marília arquitetada por agentes – sujeitos, ao longo do tempo. Foi possível, em alguns momentos, pelo resgate da memória dos entrevistados, entender os conflitos existentes no território industrial. Não vamos, no entanto, dissertar sobre a questão da construção da memória dos agentes que usam o território, mas pretendemos, em outros trabalhos, agregar essa discussão à ciência geográfica. A memória, de acordo com a Professora Dra. Maria Aparecida Moraes e Silva, é entendida não como “simples lembrança do passado, porém como meio para recriar o passado com vistas ao futuro, portanto, como algo que implica numa possível ação transformadora, na qual as lembranças, como matrizes da memória, possam ser os alicerces de novos espaços e novas temporalidades” (durante disciplina ministrada do Programa de Pós-Graduação em Geografia da FCT/UNESP de Presidente Prudente entre os dias 20,21 e 22/11/2007).