VIII. II Dünya Savaşı’nın Sonu ve Mısır’ın Tam Bağımsızlık Girişimi
3. SÜVEYŞ KRİZİ
3.5. Birleşik Arap Cumhuriyeti (BAC) nin Kurulması
3.5.1. Birleşik Arap Cumhuriyeti ABD ve Sovyetler
A noção de pecado no mundo cibernético vai se desvanecendo devido a diversos fatores. Entre eles destaca-se a massificação, o relativismo, o exibicionismo, o egocentrismo, o isolamento e o anonimato. Essas e outras características da cultura digital ajudam a despertar nosso “troll” interior. Troll é um termo muito usado na linguagem dos paladinos digitais para descrever um tipo de pessoa de atitude degradante, violenta, criminosa, maldosa e no sentido religioso, pecaminosa na rede. Os trolls, através do anonimato, provocam, atacam e enfurecem
167 VIDAL, M. Pecado Estrutural. In: VIDAL, M. (Org). Ética Teológica, p. 376. 168 Ibidem, p. 380.
169 FAUS, J. I. G. Pecado Estrutural. In: VIDAL, M. (Org). Ética Teológica, p. 367. 170 ROSSI, T. Pecado. In: Lexicon, p. 580.
outras pessoas que muitas vezes nem conhecem por um prazer doentio de fazer os outros sofrerem.
De acordo com José Ramon Flecha, o pecado altera esse nó de relações que é a própria vida do ser humano.171O pecado pessoal, entendido como “fechamento do homem em si mesmo com a consequente perda do sentido”172, pode ser interpretado como os casos de isolamento causado pelo uso desordenado das tecnologias digitais. Dessa forma, o pecado pessoal, mesmo o isolamento, não é cometido apenas contra si mesmo ou contra seu corpo. A má decisão pessoal possui efeitos sociais contrários à liberdade humana, ao fluxo da história e ao processo de cristificação do universo.
Jaron Lanier critica a forma como a internet foi se desenvolvendo nessas últimas décadas, pois percebe as consequências negativas da escolha de certos padrões para a compreensão do ser humano como pessoa. Por trás destes modelos existem ideologias que enaltecem o fruto do trabalho criativo humano, a tecnologia digital, não reconhecendo o ser humano como a fonte criativa dessas invenções, por exemplo, dos autômatos.
O pai da realidade virtual conta que os primeiros revolucionários e construtores digitais, incluindo ele mesmo, eram movidos por fortes ideais. “No centro de tudo havia a doce crença na natureza humana. Acreditávamos que, se déssemos autonomia às pessoas, o resultado seria mais positivo do que negativo”.173 Lanier aponta que a crença original sobre a web foi
substituída por um imaginário de que a rede está ganhando vida própria e se mutando em uma criatura super-humana, como um grande cérebro. Ele critica também os conceitos de ‘inteligência coletiva’, ‘noosfera’, ‘design inteligente’ e ‘singularidade’. “Vós sereis como deuses”: nisso é possível perceber que os primeiros “pais da cibernética” caíram na tentação da serpente, acreditando que poderiam criar algo superior ao ser humano.
O cientista diz que a produção digital chegou a tal ponto de descaso da pessoa como fonte e fim da tecnologia pelo fato de que uma subcultura de tecnólogos, os “totalitaristas cibernéticos” ou “maoístas digitais”, tornou-se mais influente do que as demais.174 Lanier identifica o grave erro dessa cultura digital: “segmentar uma rede de pessoas em pedaços tão pequenos que você acaba com uma massa disforme. Então você começa a se preocupar mais com a abstração da rede do que com as pessoas reais que participam dela”.175 Assim, Lanier
171 FLECHA, J. R. Culpabilidade e Pecado. In: VIDAL, M. (Org). Ética teológica, p. 344. 172 Ibidem, p. 354.
173 LANIER, J. Gadget, p. 31. 174 Ibidem, p. 33.
mostra que a rede por si só não tem sentido, somente as pessoas tem alguma importância. Conforme Spadaro: “A rede não existe. Nós que damos vida a ela” (informação verbal).176
Lanier acredita que esse movimento materialista fundamentado na ciência está ficando semelhante a uma religião. Em nossa leitura, conceitua-se esse endeusamento da máquina como “idolatria 2.0”. Ao colocar um objeto acima do ser humano decorre um efeito negativo de massificação. É um caso semelhante ao do Bezerro de Ouro narrado no Antigo Testamento. Segundo Flecha, o pecado deforma a lógica das relações do ser humano com os objetos, os seres e o mundo ao seu redor. Antes, eram as joias que estavam a serviço do ser humano, entretanto, no momento que as pessoas pecam, elas passam a servir o Bezerro fundido com seus próprios bens. Assim, “todo o pecado é sempre uma idolatria, uma substituição: as coisas de Deus no lugar do Deus das coisas”.177
O cientista da computação alerta que quando se ressalta a multidão se perde a ênfase dada ao ser humano individual no desenho da sociedade, fazendo o sentido da pessoalidade ser reduzido a ilusões de bit. Isto significa que “quando você pede que as pessoas não sejam pessoas, elas voltam a se comportar mal, como uma horda. Isso leva não apenas a trolls com mais poder, mas a um mundo on-line em geral inamistoso e não construtivo”.178 O problema
dessas ideias como a noosfera ou a inteligência coletiva está na massificação, ou seja, para construírem algo coletivo é necessário que as pessoas percam sua identidade e seus rostos num mar de massa disforme.
Mesmo reconhecendo o valor de iniciativas como a Wikipedia, tais mecanismos de criação cognitiva anônimos não geram frutos de verdadeira comunhão. Aqui está a linha tênue que separa comunismo e comunidade, coletividade e comunhão. Para Deus ser Trindade ele não precisa e nem pode deixar de ser pessoa. O Pai não deixa de ser Pai, nem o Filho deixa de ser Filho, tampouco o Espírito deixa de ser Espírito, mas só são Pai e Filho e Espírito Santo na relação que cultivam entre si. Eles não perdem a sua identidade na comunhão, ao contrário, é nessa relação amorosa que formam e manifestam as suas personalidades.
Por isso que ao invés de chamar esse movimento global de “inteligência coletiva”, Spadaro sugere a adoção da expressão “inteligência conectiva” de Derrick De Kerckhove, valorizando a abertura para a conexão em detrimento da coletividade.179 Pois, as pessoas que estão se unindo não se dissolvem numa massa disforme, mas preservam sua identidade e
176 Conferências e Seminários ministrados por Antonio Spadaro no 4º Encontro Nacional da PASCOM, de 24 a
27 de outubro de 2014, em Aparecida do Norte, SP.
177 FLECHA, J. R. Culpabilidade e Pecado. In: VIDAL, M. (Org). Ética teológica, p. 345. 178 LANIER, J. Gadget, p. 37.
personalidade próprias e com estas contribuem para a formação da noosfera. Entretanto, a padronização de certos modelos como o da web 2.0 tem suas consequências positivas e negativas. Na sequência, serão pontuadas más implicações do pecado estrutural cibernético.