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BİLİŞİM OKURYAZARLIK DÜZEYİNİN KİŞİLERİN E-HİZMET KULLANIMINA ETKİSİ : SAKARYA İLİ ÖRNEĞİ

4.1. Bilişim Okuryazarlığı Hesaplanması

A dignidade humana é o núcleo dos direitos fundamentais do cidadão (Norberto Bobbio apud Maria Aparecida Alkimin, 2005)

A continuidade do assédio moral no trabalho, após a sua qualificação, foi incontestável. E os juízes, como estes se posicionaram diante da elevação das manifestações explícitas contrárias ao assédio moral autorizada pela sua nomeação? Antes de tudo, é relevante mencionar que os juízes utilizaram o conceito assédio moral tanto significando violência moral a um indivíduo quanto a um grupo. À diferença do que ocorre em países onde a robustez do conceito é mais elevada.

Um número expressivo de juízes reconheceu os impactos no indivíduo dos atos de violência moral no trabalho. Eles entenderam que o comportamento tirânico e abusivo se constitui em uma das mais graves formas de violência, tão corrosiva quanto à discriminação racial ou o assédio sexual, figuras jurídicas já consagradas no Brasil.

Por essa razão, na visão do direito brasileiro, a quase impunidade para o agressor não quer dizer que ele não deva ser reprimido. Significa que manifestações insidiosas devem ter sanção visando à repressão de ações passadas e a prevenção de ações futuras.

Na visão de quem deferiu os processos a omissão é um incentivo ao desenvolvimento de outras patologias, talvez mais graves.

2V ³PpWRGRV GH DGPLQLVWUDomR H WUHLQDPHQWR GH SHVVRDO´ VmR SHUFHELGRV como demasiadamente heteroxodos. Apesar de serem adotados para o aumento da motivação do grupo, ao privilegiarem a humilhação pública, HVWHVLPSHGHPRDOFDQFHGRVUHVXOWDGRVGHVHMDGRVSRLVRV³FDVWLJRV´DIHWDP negativamente a psique.

Processo nº 01023-2001-011-4-00-2

Outra observação a ser destacada: praticamente a metade das decisões judiciais (53%) defendeu que o assédio moral pode ser entendido como uma espécie de dano moral que permite ao trabalhador o direito da indenização.

É oportuno comentar que dano moral é uma figura jurídica que configura abalo moral decorrente da atitude ilícita do empregador que, ao exorbitar seus poderes de mando, incorre na violação dos direitos humanos, notadamente honra, dignidade racial e igualdade. Logo, o assédio moral é uma forma de dano moral (latu sensu) que atinge os direitos personalíssimos do indivíduo, ou seja, os bens de foro íntimo da pessoa (liberdade, intimidade e imagem). Segundo o jurista dr. Luis Salvador, esse se conceitua como:

exposição dos trabalhadores e trabalhadoras a situações constrangedoras, repetitivas e prolongadas, no decorrer da jornada de trabalho... sendo mais comum em relações hierárquicas autoritárias, onde há o predomínio de condutas negativas, relações desumanas e aéticas de longa duração... desestabilizando a relação da vítima com o ambiente de trabalho e a organização.

Processo nº 01711-2001-111-15-00-0.

Sendo assim, a vítima do assédio moral é violentada no conjunto de direitos fundamentais no âmbito do relacionamento interpessoal que compõem a personalidade e que são desrespeitados no nível mais profundo. Daí o dano pessoal.

Em função disso, de acordo com a tese do jurista Paulo Eduardo Vieira de Oliveira, descrita no Processo nº 00967-2003-13-4-00-3, a redefinição de dano moral permite a análise do fenômeno sob a perspectiva da defesa dos direitos e interesses da pessoa humana.

Assédio moral com base em abuso da autoridade... surpreende ações contra a prática de atos de desrespeito aos Direitos Humanos combatendo o Assédio Moral é de pasmar que Minas Gerais aja na contramão da História no que diz respeito às relações de trabalho.

Processo nº 1461- 2003 ± 000 ± 03-00-3 A análise do conteúdo dos acórdãos dos processos identificou uma multiplicidade de exemplos nessa direção. Trabalhador tratado em público por superior hierárquico de forma pejorativa e preconceituosa beirando a discriminação racial. Trabalhador jogado em uma sala ocioso. Trabalhador obrigado a realizar exame psiquiátrico.

A hipótese em apreço configura assédio moral. A ré sofreu perseguição física e, como vítima da conduta arbitrária e discriminatória, se tornou alvo de deboche e humilhação, chegando a despertar compaixão.

Processo nº 00936-2003-036-3-00-0

Quando o empregador obriga o empregado a submeter-se a exame psiquiátrico, sugerindo que ele seja portador de doença mental, acatando indicação do superior hierárquico, motivada na suspeita de um FRPSRUWDPHQWR³DUUHGLRHFDODGR´HVWHHPSUHJDGRUXOWUDSDVVDRVOLPLWHVGH atuação do seu poder diretivo para atingir a dignidade e a integridade física e psíquica do empregado. A indicação de exame psiquiátrico extraordinário consiste em ato desviado da sua função natural.

Processo nº 00227-2004-020-03-00-0

A análise dos autos, também, evidenciou humilhações gerenciais por meio de ataques à dignidade do trabalhador em função do seu desempenho. Para um número considerável de juízes tais práticas são fruto de um capitalismo cada dia mais avassalador que transformaram o direito do trabalho como o direito das essências, e não das existências, conforme a citação do juiz Luis Otavio Linhares Renault, segundo Wagner Pereira Prado da Silva, em março de 2004, Processo nº 1461-2003 -000-03-00-3.

é uma vergonha...pode dobrar a produção....decepcionante.... está devendo para o próximo mês....vergonhoso ...precisa sair da estuda ou mudar de profissão... parece que não precisa de emprego.

Processo nº 00021-2004-097-3-00-0

Outros juízes, com visões de mundo semelhantes, defenderam o direito de as vítimas serem ressarcidas dos seus danos argumentando que as exigências do atual contexto organizacional impuseram uma pressão contínua e crescente sobre o trabalhador, em nome de uma política econômica de alta competitividade, objetivando o aumento do lucro, independentemente dos meios e dos sacrifícios decorrentes.

o banco desfez todo o setor de telemarketing, antes formado por empregados seus, desmobilizando a categoria profissional, numa reprovável busca de mais-valia.

Processo nº 1245-2005-012-03-00

Outros concluíram pela configuração jurídica do assédio moral argumentando que o assédio moral é um artifício utilizado por chefias que mantiveram o subordinado temeroso quanto à demissão ou em posição de inferioridade perante os demais por acreditarem que isto seria um estímulo ao alcance dos objetivos empresariais.

a conduta censurável do empregador, com flagrante perseguição ao reclamante, o que lhe expôs a situações humilhantes e ofensivas a sua honra. Trata-se de evidente assédio moral.

Processo nº 00487-2004-001-19-00-5

Outros, ainda, afirmaram que a busca intensa por resultados cada vez elevados não prejudica as relações de trabalho no atual mercado de trabalho em constante transformação e adaptação às práticas de influência estrangeira. Todavia, eles discordaram quanto à necessidade da afronta à dignidade e à integridade física e psíquica do trabalhador para conquistar resultados favoráveis ao empreendimento econômico do empregador.

Vários juízos reiteraram que as vítimas foram alvo de condutas arbitrárias e discriminatórias que extrapolaram o exercício do poder diretivo.

Não há dúvida de que a situação delineada nestes autos teve como causa a conduta errônea do Banco, contrária ao direito, que atraiu para a empregada repercussões angustiantes e humilhantes, afetando a sua auto-estima e integridade psíquica, sendo incontroversa a relação de causalidade entre a ação antijurídica e o dano causado, requisitos suficientes para a configuração do direito à reparação moral pretendida.

Processo nº 00021-2004-097-3-00-0

Outros juízes enfatizaram suas crenças quanto à possibilidade do gerenciamento de pessoas sem transgressão do primado social do trabalho, sem transformação do poder diretivo em autorização para a degradação do ambiente de trabalho e sem a criação de obstáculos à realização do trabalho.

Para eles práticas gerenciais não são sinônimas de atos abusivos. Para eles o direito à dignidade do trabalhador deve ser um limite intransponível e o trabalhador deve ser percebido como sujeito e não objeto da relação contratual. Enfim, práticas gerenciais não devem infringir o direito à preservação da integridade física, intelectual e moral.

Outros juízes defenderam a idéia que a subordinação no contrato de trabalho não compreende a pessoa do trabalhador. Apenas sua atividade laborativa. Nesse sentido a violência verbal se configura um grave atentado à dignidade.

Quais são as causas e motivação desse mal que assola o trabalho? Há evidentemente a perversidade do ser humano. O homem como lobo do homem é sentença por demais conhecida.

Processo nº 01301-2003-011-3-00-0

Praticamente todos os juízes que deferiram os pleitos dos demandantes acentuaram que o ser humano sofre ³DVVpGLR PRUDO´ desde os primórdios do trabalho, à diferença desta tese que pressupõe que o fenômeno assédio moral no Brasil passou a existir após a sua qualificação, em 2000. Contudo, os referidos juízes ressaltaram que o acirramento desenfreado da competitividade acrescentou novos motivos e objetivos. O individualismo exacerbado e o medo da perda do emprego para profissionais mais capazes e experientes são condicionantes que merecem destaque.

Resumindo, a maioria dos juízes constantes na amostra acentuou com veemência que as relações de trabalho que permearam o processo produtivo condicionaram a qualidade de vida do trabalhador.

O que se passa na empresa é, pois, essencial para a democracia e para a afirmação dos direitos fundamentais dos indivíduos...o bom ambiente do local de trabalho, constitui um dos sinais de progresso social.

Processo nº 00021-2004-097-3-00-0 Mas, quais foram os alicerces que sustentaram os argumentos dos juízes interessados para deferir ou indeferir os pleitos dos trabalhadores que buscaram a reparação do dano do assédio moral do qual foram vítimas?

4.3.1 Bases legais de sustentação

A pesquisa dos fundamentos das decisões judiciais trouxe à tona que mais da metade (51,2%) das ações que buscaram resgatar a honra dos reclamantes junto aos Tribunais de Justiça do Trabalho, em função de terem sido vítimas de assédio moral, não explicitou os fundamentos que apoiaram as decisões judiciais.

Em linhas gerais, a referida análise, especificamente centrada nos acórdãos dos processos disponíveis na internet (anexo 4.3), comprovou que apesar da ausência de uma legislação específica no âmbito federal sobre o assédio moral, um número expressivo de juízes reconheceu que o assédio moral é passível de indenização, considerando que atenta contra a dignidade e a integridade psíquica e física do assediado.

Nesse sentido, estes se apoiaram nas Normas Gerais do Direito, na legislação estrangeira sobre o assédio moral, nas Normas Médicas e Previdenciárias e nos instrumentos jurídicos brasileiros sobre o referido fenômeno para a construção dos argumentos adotados para comprovar, ou não, a hipótese da configuração do assédio moral.

Fonte: Anexo 3

87%

7% 3%

3%

Fig. 58

Distribuição percentual dos fundamentos