2. ORTADOĞU’DA ARAP MİLLİYETÇİLİĞİ VE SURİYE BAAS PARTİSİNİN
2.5. SURİYE BAAS PARTİSİ
2.5.6. Bağımsızlık Sonrası Suriye’de Dış Politika Gelişmeleri
2.5.6.2. Baas Partisi ve Birleşik Arap Cumhuriyeti ( 1958–1961 )
Observou-se que no início o primeiro obstáculo para implantar a compra da agricultura familiar na UFV foi a legislação vigente, sobretudo a chamada Lei de Licitações, que não permitia a compra direta da agricultura familiar sem licitação. Este resultado também foi observado no estudo de Müller (2007). Com a Resolução nº 50 do Grupo Gestor esse obstáculo foi superado.
O próximo passo foi elaborar a Chamada Pública e nesta fase também houve entraves, por que era uma novidade, um processo novo para a universidade. Então houve um grande esforço para entender a legislação e consequentemente o programa. Como muitas questões não estavam bem definidas na resolução, os gestores frequentemente tiveram que recorrer ao MDA para sanar as dúvidas. Uma destas questões era a forma de cotação e definição do preço de referência. A DMT estava habituada a trabalhar com todo processo eletrônico e a cotação da agricultura familiar exigia uma nova metodologia e um esforço maior, como pode ser constatado por meio do depoimento abaixo:
Eu precisava no mínimo de 3 orçamentos de cada gênero, que eram vendidos produtos da agricultura familiar. Cê somava e dividia pela média. Esses preços tinham que vir em papel timbrado, então a gente teve problema nisso. Tem, se tinha que pedir ajuda pra EMATER, cê tinha que ligar pra esses produtores que a gente conhece (Gestor Governamental 1).
Segundo os gestores entrevistados o principal obstáculo a implantação do PAA foi descobrir quais os produtos os agricultores da região produziam e se teriam capacidade de ofertar na regularidade e qualidade que a universidade demandava. Segundo o Gestor Governamental 1 “Agora nosso maior problema é, eu acredito que continue sendo, saber o que se produz nessa região”. Estas questões estão relacionadas com a capacidade e estrutura do Restaurante Universitário que tem limitações para armazenar produtos, principalmente os perecíveis. Há também a cultura alimentar dos estudantes que não poderia ser relegada, alguns produtos eram mais bem aceitos do que outros.
Como a quantidade de refeições servidas diariamente é muito alta e varia de acordo com o dia da semana, qualquer problema no processo de entrega ou na qualidade do produto inviabilizaria o fornecimento aos estudantes. Neste sentido, a universidade começou comprando quantidade pequenas para teste. Com o passar do tempo e com a aprendizagem adquirida alguns obstáculos foram superados, mas a questão do que é e quanto é produzido
pelos agricultores da região ainda é uma incógnita, pois não há nenhum estudo ou levantamento oficial a este respeito.
No Quadro 11 abaixo são apresentadas as principais barreiras apontadas pelos gestores:
Quadro 11: Principais barreiras elencadas pelos gestores do PAA da UFV Barreiras do PAA elencados pelos gestores
Falta de experiência com os processos de compra do PAA, principalmente a Chamada Pública, o que dificultou a adequação aos procedimentos da universidade;
Desconhecimento sobre o quantitativo, a qualidade e a diversidade de produção dos agricultores familiares na região;
Problemas de atraso no cronograma de entrega por parte dos agricultores;
Padronização dos produtos, principalmente da banana, que deveria ter maturação uniforme; Desconhecimento do RU quanto ao processo produtivo da agricultura familiar e dos
agricultores quanto a dimensão de funcionamento do restaurante;
Burocracia nos processos internos aos órgãos da UFV, que atrasavam todo o processo de compra e consequentemente inviabilizava o fornecimento de determinados produtos;
Custo de publicar as Chamadas Públicas no Diário Oficial da União;
Descontinuidade do processo de compra, influenciada pela greve dos funcionários públicos em 2015 e pela mudança na gestão da PCD.
Fonte: resultados da pesquisa.
A descontinuidade do programa foi apontada como uma barreira que pode causar sérios transtornos aos agricultores familiares, pois a maioria dos produtos demandados pela universidade via PAA possui alta perecibilidade e período de safra e entressafra específicos, dificultando e até inviabilizando o armazenamento da produção. Um exemplo foi a greve dos servidores da UFV ocorrida em 2015, que impactou na data de lançamento do resultado do edital. Como já havia sido feito todo um cronograma para as entregas de acordo com a época de safra e entressafra, este atraso inviabilizou a entrega dos produtos tangerina e moranga hibrida.
Outro fator que foi apontado pelos gestores, que tem gerado atraso, é a burocracia interna aos órgãos da UFV, tanto aquele responsável pela elaboração da Chamada Pública, quanto os órgãos de controle que demandam muito tempo para analisar os processos. Como os produtos são comprados por uma única Chamada Pública, se houver algum problema com apenas um produto, o processo de compra dos demais paralisa, podendo ocasionar a inviabilização de fornecimento de algum produto pelo agricultor familiar e causar sérios
prejuízos, pois se planejam para fornecer ao programa e como o PAA foi identificado como única alternativa para escoar o excedente de produção, eles podem perde-la.
A troca de gestão na PCD, ocorrida em 2015, também foi recorrentemente apontada como motivo de preocupação quanto a continuidade do PAA na UFV. Observou-se que aqueles que estiveram diretamente envolvidos na concepção do programa não fazem mais parte da administração superior da universidade e que a nova administração ainda não entrou em contato com estes gestores com vistas a dar continuidade ao programa. Verificou-se também que até a presente data a universidade ainda não havia publicado a Chamada Pública para o ano de 2016, mesmo após o decreto que obriga a compra mínima de 30% da agricultura familiar a partir de 2016.
Para Pressman e Wildavsky (1984) um dos fatores que causam imprevisibilidade no processo de implementação das políticas públicas é a mudança de atores com o passar do tempo. Isso faz com que a interação, que ocorre em uma trajetória de pontos de decisão nos quais perspectivas se expressam, também mudam, pois mudam as perspectivas e a percepção que um ator tem do outro. Essa mudança insere pontos de descontinuidade e de necessidade de novas e mais negociações.
A reitora justificou o atraso por conta da restruturação da PCD, mas afirmou que os novos gestores já estão se organizando para viabilizar o programa. Ela enfatiza que o caminho já foi traçado e que o programa não pode acabar. No trecho abaixo fica evidente a importância do programa para a administração superior da universidade, mesmo com os cortes no orçamento ocorrido.
[...] a permanência do estudante aqui é um dos pontos que nós estamos sempre priorizando e o PAA é um projeto que ele fornece alimento para o restaurante, então não pode ser um programa que tenha que ser cortado. Até por que não faria sentido. Se a gente precisa comprar alimento para o restaurante universitário, por que seria o PAA a não ser mantido. Não tem por que não ser [...] Então nenhum sentido, nenhum corte, muito pelo contrário, eu acho que é um programa que tem que ampliar (Reitora da UFV).
Apesar da restrição de gastos não ser apontado como fator inviabilizador do programa alguns autores como Howlett e Ramesh (1995) e Sabatier e Mazmanian (1996) afirmam que o contexto econômico influência a disponibilidade de recursos, fator essencial para o sucesso da implementação.
Tais evidências de problemas no processo de implementação do PAA exigem que sejam feitas readequações no programa, sugere-se que sejam tomadas medidas corretivas, de modo que o programa seja aperfeiçoado continuadamente. Para Cline (2000) a resolução de
problemas de implementação de natureza administrativo-organizacional perpassa pela especificação de objetivos e de controle dos subordinados. Já quando o problema decorre de conflito de interesses a solução é construir instituições ou mecanismos que criem um contexto de cooperação para os participantes.
7.6. O processo de implantação e operacionalização: avaliação, modificações e