2. ORTADOĞU’DA ARAP MİLLİYETÇİLİĞİ VE SURİYE BAAS PARTİSİNİN
2.1. ARAP MİLLİYETÇİLİĞİNDE ÖNCÜ CEMİYETLER
Apesar dos avanços inegáveis logrados no ambiente institucional, acadêmico e ideológico, marcado pela criação do PRONAF e pelas políticas sociais e assistenciais voltadas à agricultura familiar, as questões de garantia de renda, acesso ao mercado e garantia de preço para a produção familiar só seria abordada com a criação do Programa de Aquisição de Alimentos, a partir de 2003, no bojo do Fome Zero, no âmbito da estratégia do Governo Lula (SAMBUICHI et al., 2013; GRAZIANO DA SILVA et al., 2010).
A inclusão na agenda governamental e a formulação, implantação e institucionalização de políticas públicas demandadas pelos atores ligados a agricultura familiar e à segurança alimentar e nutricional apenas foi possível a partir da mudança política em 2002 (GRISA; SCHNEIDER, 2015). A temática do combate a fome se tornou um dos principais focos do governo federal a partir da eleição do Presidente Lula, culminando na criação de um ministério extraordinário, o Ministério Extraordinário de Segurança Alimentar (MESA). Para facilitar e melhorar o relacionamento e envolvimento da sociedade civil na luta contra a fome, foi reintroduzido o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA), responsável por estabelecer um quadro jurídico, a nível federal, que facilitou a formulação e implementação de políticas voltadas a garantir a todos os brasileiros o direito de comer alimentos saudáveis e alimentos culturalmente apropriados. Foi através desses direitos e da participação da sociedade civil brasileira que o CONSEA elaborou programas inovadores,
sendo responsável pela concepção inicial do PAA e inúmeras mudanças e melhorias no PNAE e PAA desde a sua implementação original (NEHRING; MCKAY, 2013).
A elaboração destes programas está no arcabouço do Projeto Fome Zero, formulado e implementado pelo MESA. O Projeto Fome Zero partiu da premissa do direito humano à alimentação e do diagnóstico de que este não estava sendo efetivado em razão da insuficiência da demanda, da incompatibilidade dos preços dos alimentos com o poder aquisitivo da maioria da população e da exclusão da população pobre do mercado. Para mudar este cenário, foi proposto um conjunto de políticas estruturais que visavam melhorias na renda e o aumento da oferta de alimentos básicos (GRISA; SCHNEIDER, 2015).
Através do resgate de experiências bem sucedidas em alguns municípios e estados brasileiros, o Projeto Fome Zero ressaltava o potencial do mercado institucional no fortalecimento da agricultura familiar, via criação de canais de comercialização e geração de renda, na dinamização da economia dos municípios e das regiões, no atendimento às necessidades alimentares de uma parcela vulnerável e expressiva da população e na introdução de elementos de diversidade regional em cardápios (INSTITUTO CIDADANIA, 2001). Estimava-se que uma parte considerável do orçamento público era destinada à compra de alimentos para várias finalidades e esta demanda institucional deveria ser direcionada para a agricultura familiar. Este contexto culminou criando o Programa de Aquisição de Alimentos e desencadeou uma efervescência em torno dos mercados institucionais, seja do ponto de vista da segurança alimentar e nutricional ou com um viés para as preocupações ambientais, como a produção de biocombustíveis3 (GRISA; SCHNEIDER, 2015).
O Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB) foi criado em 2004, objetivando estimular a produção e compra de oleaginosas da agricultura familiar. Além de promover a produção de oleaginosas geradoras de biodiesel, o programa instituiu o Selo Combustível Social concedido pelo MDA ao produtor de biodiesel que adquirir matéria-prima e assegurar assistência técnica aos agricultores familiares, beneficiando-se, em contrapartida, de financiamentos e incentivos comerciais e fiscais. Apesar de controversa do ponto de vista da segurança alimentar e da questão ambiental, ao incentivar o cultivo de oleaginosas voltadas para a produção de biocombustíveis em detrimento à produção de alimentos, por meio do PNPB, via Selo Combustível Social, o Governo Federal buscou melhorar o desenvolvimento
3 O Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel prevê a concessão do Selo Combustível Social,
conferido aos produtos de biodiesel cumpridoras dos critérios do programa para aquisição de matérias primas oriundas da agricultura familiar. A concessão do direito de uso do Selo permite ao produtor de biodiesel ter acesso as alíquotas de PIS/Pasep e Cofins com coeficientes de redução diferenciados para o biodiesel, que varia de acordo com a matéria prima adquirida e região da aquisição, incentivos comerciais e de financiamento.
social e econômico das regiões mais pobres, implementando benefícios fiscais e crédito especial para as indústrias que incentivam a participação dos agricultores familiares nas regiões Norte e Nordeste, de modo a permitir o fortalecimento das potencialidades regionais (CESÁR; BATALHA, 2010; POUSA; SANTOS; SUAREZ, 2007; HALL et al., 2009).
A terceira geração de políticas públicas para a agricultura familiar contou com a participação de atores vinculados ao debate da segurança alimentar e nutricional, assim como organizações agroecológicas, entidades da agricultura familiar, gestores públicos e estudiosos da agricultura familiar, segurança e abastecimento alimentar. A participação destes atores direcionou a implementação de políticas públicas para a construção de mercados vinculados à segurança alimentar e à sustentabilidade (GRISA; SCHNEIDER, 2015).
A intervenção estatal tem priorizado o aumento da produção agrícola dos grandes produtores e/ou maiores companhias, ricos em recursos e de capital intensivo. Este favorecimento teve como objetivo específico explorar as economias de escala e reduzir os preços dos alimentos, levando à produção de commodities, em detrimento às culturas alimentares, resultando em menor diversificação alimentar, concentração de terra e migração da população rural para áreas urbanas (NEHRING; MCKAY, 2013).
Diante deste cenário houve a necessidade de criação de instrumentos governamentais, como a compra institucional de alimentos, para criar um novo mercado para a produção agrícola de base familiar e/ou para incluir os pequenos produtores aos mecanismos formais de apoio a produção agrícola (NEHRING; MCKAY, 2013).
A crise alimentar mundial de 2008 mostrou aos governos que o aumento da produção agrícola nacional dos agricultores familiares não é apenas uma estratégia sensata para a redução da pobreza, mas também uma maneira de mitigar a instabilidade dos preços dos alimentos globais e impulsionar a economia doméstica. A expansão da produção familiar tem suas raízes no âmbito das economias locais, permitindo um sistema alimentar mais diversificado e menos vulnerável (NEHRING; MCKAY, 2013).
Diante da necessidade de priorizar a comercialização da agricultura familiar foi criado o Programa de Aquisição de Alimentos e, mais recentemente, houve a reforma do Programa Nacional de Alimentação Escolar, a partir do estabelecimento de compra de produtos da agricultura familiar de no mínimo 30%. Estas políticas partem da premissa que a compra de alimentos no mercado local pode facilitar o desenvolvimento das comunidades, garantir o acesso ao mercado para os agricultores familiares e expandir o acesso aos alimentos e à segurança alimentar das populações em vulnerabilidade social.