C. KONYA EKONOMİSİ
II. MAKROEKONOMİK GÖSTERGELER
6. BÜTÇE VE VERGİLENDİRME
Raul iniciou seu percurso na mídia em 1968, ao gravar seu primeiro LP, Raulzito e Os Panteras, embora sua vivência nos ambientes midiáticos tenha se dado apenas três anos mais tarde, ao trabalhar como produtor da CBS em 1971.
No transcorrer de 1971, esteve imerso no aparato tecnológico de uma grande gravadora, compondo e produzindo mais de oitenta músicas para artistas brasileiros. Em seu cargo, ele não apenas analisou o sistema da produção musical e a reação pública aos discos lançados no mercado, como aprendeu a fazer música de comunicação simples e direta com o público. No ano seguinte, se lançaria em sua carreira solo, experimentando a reação popular e midiática incidindo diretamente sobre sua música.
Conforme ele comentou em seu diário em 1980, seu percurso na mídia foi tão abrangente quanto conturbado:
Fiz-me cantor e compositor em 1973.
Discutido, polêmico, maldito, o “demolidor solitário”, segundo os críticos. Através da música expunha meu ponto de vista sobre a humanidade.
Em 1974, com a ordem de prisão do 1º Exército, fui detido e deportado para a América, acusado de subversão contra a ditadura Geisel.
Após desistir de “tomar” a RCA Victor brasileira, fui concebido paxá da Rede Globo de Televisão. (SEIXAS, Raul apud SEIXAS, Kika; SOUZA, 1993, p. 63).
Em sua oscilante relação com as mídias, vivenciou um ciclo repetitivo de alternância entre a exposição prestigiosa no horário nobre televisivo, acompanhada das rádios e
gravadoras, e o abandono. Havia tempos em que suas criações eram automaticamente vendáveis, dada a comicidade dos personagens ou sua aceitação midiática, mas houve a noite escura dos anos difíceis em que percorreu gravadoras em busca de uma oportunidade, mesmo com comprovado sucesso anterior. Nessas épocas, não o tocavam nas emissoras de rádio, e sua obra não era mencionada pela televisão ou jornal, e, por longos meses, uma espécie de contra-ação midiática não lhe permitia sair da obscuridade até que alguém inesperadamente aceitasse gravar seu LP, ou noticiá-lo novamente. Em 1982, escreveu em suas anotações pessoais:
Há quatro anos que venho engolindo meus sentimentos, minha arte, minhas emoções. Tem sido assustador!! Estou profundamente magoado por não ouvir minhas músicas tocando nas rádios, nem ser chamado para programas de televisão. Eles me esqueceram. (SEIXAS, Raul apud SEIXAS, Kika; SOUZA, 1993, p. 47).
Se o desabafo do trecho acima ocorreu em 1982, no ano seguinte o lançamento concomitante de seu livro As Aventuras de Raul Seixas na Cidade de Thor e do LP O Carimbador Maluco foi de grande repercussão, e a música-título colocou-o no topo do sucesso no Brasil novamente.
No panorama musical, ele não se enquadrou em quaisquer das linhas disponíveis na época.
Eu não pertenço a grupo nenhum. Eu não pertenço ao grupo baiano, nunca pertenci, acho que sou estrangeiro nele. Nem queria pertencer. São uns caras muito esquisitos (risos). Esquisitos mesmo. Eles não me querem; eu não os quero. Eu sou eu mesmo, o do raulseixismo, faço uma linha mais individualista. Não o individualismo no sentido egoísta. Não. É bonito dizer: “Seja!” E mais: “Faça o que tu queres que será da lei. (SEIXAS, Raul apud PASSOS, 1993, p. 137)
Historicamente, Raul construiu sua obra em meio às pressões políticas atravessadas pelos países da América Latina por conta dos regimes militares, entre eles o Brasil. Seguindo a tendência característica do surgimento de esforços libertários em períodos de fechamento político, sua postura e desenvolvimento artístico tomam essa direção.
Sua produção midiática mais importante foi toda em formato de long play (LP). Pensado como uma obra conceitual em que todas as músicas tinham uma conexão temática, sua prioridade era a mensagem a ser passada ao público, o que exigia todo o tempo e esforços do artista.
Seu primeiro LP, lançado em 1968 pela gravadora Odeon com o nome de sua banda, Raulzito e os Panteras, não obteve vendas. A banda, composta por Eládio, Mariano, Raul e
Carleba, não era conhecida no Rio de Janeiro, onde o disco foi lançado, como o era na Bahia, e o insucesso do disco acarretou o fim do conjunto.
Com o passar dos anos, o disco foi relançado, adquirindo um valor especial. A capa original traz a foto dos quatro rapazes usando o corte de cabelo dos Beatles. Raul participou de todas as músicas do álbum, compôs Vera Verinha com Eládio; Alice Maria e Me Deixa em Paz, com Eládio e Mariano. Em O Dorminhoco, Carleba também participa, além de Eládio e Mariano. Raul ainda realizou sozinho as composições de: Um Minuto Mais, Você Ainda Pode Sonhar (versão para Lucy in The Sky Whith Diamonds, dos Beatles), Menina de Amaralina, Dê-me Tua Mão e Trem 103. O álbum tem o que Raul chamou de hermetismo, sua fase de pouco poder comunicacional, comparada ao restante de sua carreira.
Em 1971, Raul compôs um álbum anárquico, com seus amigos Edy Star, Miriam Batucada e Sérgio Sampaio, chamado Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das Dez, lançado no mesmo ano pela gravadora CBS, onde ele trabalhava como produtor. O LP, que sumiu misteriosamente do mercado, tem na capa Miriam vestida de super-homem, Raul fantasiado de hippie, Edy com paletó lantejoulado e faixa de escola de samba, e Sérgio com camisa de time de futebol.
Esse álbum traz a relação de diversos elementos musicais e mesmo culturais. Foi feito por quatro amigos como ato de diversão, escondido do diretor da gravadora, de modo que se desvencilhou das regras mercadológicas da indústria fonográfica. O trabalho reúne bolero, samba, baião e xaxado, em tom de humor. Raul mandou trazer uma harpa egípcia de São Paulo para o Rio de Janeiro, por caminhão, para dar um único acorde.
Sessão das Dez51 começa com a voz de Edy Star apresentando: “A nossa homenagem aos boêmios da velha guarda”. Então, tem início o bolero, que traz a tragédia de um rompimento amoroso, com um tom de comicidade dado tanto pela letra quanto pela entonação vocal de Raul:
Ao chegar do interior/ Inocente puro e besta/ Fui morar em Ipanema/ Ver teatro e ver cinema/ Era minha distração/ Foi numa sessão das dez/ Que você me apareceu/ Me ofereceu pipoca/ Eu aceitei e logo em troca/ Eu contigo me casei/ Curtiu com meu corpo por mais de dez anos [...]/ Foi tamanho o desengano que o cinema incendiou. A canção finaliza com o apresentador dizendo: “Foi demais rapaz, aliás, esta seresta está demais”.
O samba Eu Acho Graça, na voz de Raul em tom malandro: “Ah, vou te contar contigo eu to [...] O tempo todo eu to contigo/ Sigo na jogada/ Eu não to com nada [...] Passo
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pela praça e acho graça/ Falam mal de mim eu acho graça/ Todo tempo ido ta contido na manhã”.
Segue uma vinheta cômica de Miriam Batucada, que finaliza em coro: “Há um hippie bem no meu portão, no meu portão, no meu portão, há um hippie bem no meu portão, no meu portão!”.
A carnavalesca Eu Vou Botar Pra Ferver52, com trechos alternados entre Raul e Sérgio Sampaio, tem como introdução um diálogo, acompanhado de uma musiquinha dos anos 1960 entre os dois:
Ih, rapaz, hoje eu vi meu ídolo da juventude. – Essas coisas já não me assustam mais, as laranjas continuam verdes e... – I cara espera aí, não complica, eu disse que eu vi meu ídolo da juventude. – Ei amigo, desse jeito os discos-voadores nunca irão pousar. E, então, tem início um animado baião:
Eu vou botar pra ferver no carnaval que passou [...] Quero ver o sol fervendo no salão entediado/ Quero ver as menininhas/ No salão desarrumado [...] Quero ver muitas cadeiras/ No salão desarrumado/ Quero ver por quatro noites no salão partido alto... Segue uma vinheta cômica com um telefonema: “Alô” “Oi, é Jorginho Manil, é verdade que agora você é hippie? Ao que responde um coro perturbador, com guitarra ao fundo: “Podes crê, podes crê, Podes crê, podes crê”.
Soul Tabarôa é um xaxado com a introdução: “Eu vou dançar o soul musis” (em lugar de music); e começa a música, na voz de Miriam Batucada: “Eu vou sentir saudade, bate chinelo, bate pé, bate gibão”. Então, surge outra vinheta, que comicamente diz: “Está no ar? Estamos aqui em plena Cinelândia gravando um programa para Brasa Viva, vamos entrevistar um presente: Ei, é, você aí, qual o tipo de música que você prefere melodiosa ou barulhenta?”, ao que uma voz cômica responde: “Barulhenta né, eu sou jovem”. Todo Mundo Está Feliz é cantada por Sérgio Sampaio, com refrão em coro feminino.
Dr. Paxeco53 tem a introdução: “Ah”, de Raul. Então, entra Edy Star, com a voz em efeito distorcido e barulho de gotas caindo ao fundo: “Lá vai nosso herói Dr. Paxeco, com sua careca inconfundível, a gravata e o paletó, lá vai nosso herói Dr. Paxeco, misturando-se às pessoas que o fizeram”; e, só então, começa a música crítica ao sistema, na voz propositalmente aveludada e suave de Raul.
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Letra em Passos e Buda (s.d., p. 131).
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Quero Ir54 tem baião, com trechos alternados de rock, é cantada por Raul e Sérgio Sampaio, sobre a vontade de voltar para casa: “O sol daqui é pouco, o ar é quase nada, a rua não tem fim/ Eu volto pra Bahia ou para Cachoeiro do Itapemirim [...] Quero ir/ Quero um pouco espera/ Pela primavera/ Quero ir/ Se eu pensar já era”.
A marchinha Eta Vida55 começa com som de palmas e “Ehhhh”, seguido com áudio de apresentação de circo: “Respeitável público, a Sociedade da Grã-Ordem Kavernista pede licença para vos apresentar o maior espetáculo da Terra”. Segue com a voz de Raul: “Papapaparapapapapapaparapa”, e entra a música:
Moro aqui nesta cidade que é de São Sebastião/ Tem Maracanã domingo/ Pagamento à prestação/ Sol e mar em Ipanema/ Sei que você vai gostar/ Mas não era o que eu queria/ O que eu queria mesmo/ Era me mandar/ Mas eta vida danada/ Eu não entendo mais nada/ É que esta vida pirada/ Eu quero ver/ São Sebastião do Rio/ Tudo aqui é genial/ Na televisão à noite/ Tem cultura e carnaval/ Tem garota propaganda num biquini que é demais/ Mas não era o que eu queria/ O que eu queria mesmo/ Era estar em paz/ Mas eta vida danada/ Eu não entendo mais nada/ É que esta vida pirada/ Eu quero ver.
Segue outra vinheta cômica: “Eu comprei uma televisão, à prestação, à prestação, eu comprei uma televisão que distração, que distração”, que termina em coro “Que distração”. Tanto a música quanto a vinheta satirizam as distrações corriqueiras, como a televisão e as propagandas da cidade. Finalizando o disco, há a vinheta Finale, que começa com “Eeeh” em coro, e, então, entra o som da descarga de um vaso sanitário, como ato debochado. Raul compôs apenas Eta Vida e Quero Ir com Sérgio Sampaio, sendo as demais canções: Sessão das Dez, Eu Vou Botar Pra Ferver, Aos Trancos e Barrancos e Dr. Paxeco, de sua única autoria. A respeito do disco, Raul fala:
Acho que esse disco foi mais revolta do que qualquer outra coisa [...] Foi um disco delicioso de ser feito. Chamamos o porteiro pra cantar, pegávamos gente na rua pra entrar no coro, uma grande confusão... (SEIXAS, Raul apud PASSOS, 1993, p. 43).
Em 1972, Raul apresenta, no VII Festival Internacional da Canção, no Maracanãzinho, Rio de Janeiro, a música mestiça de rock com baião intitulada Let Me Sing, Let Me Sing, do compacto simples Let Me Sing My Rock’n’Roll, de sua autoria.
Em 1973, lançou o compacto simples Ouro de Tolo, que foi prensado duas vezes pela Polyfar, pois as vendas excederam o esperado. No mesmo ano, interpretou os grandes ícones
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Letra em Passos e Buda (s.d., p. 132-133).
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do rock norte-americano, no disco Os 24 Maiores Sucessos da Era do Rock, lançado também pelo selo Polyfar.
Ainda em 1973, lançou, pela Philips, Krig-Ha, Bandolo!, seu primeiro álbum solo, considerado pela crítica seu melhor trabalho, com show de lançamento no Teatro Tereza Raquel, no Rio de Janeiro. Raul compôs com Paulo Coelho as músicas: As Minas do Rei Salomão, A Hora do Trem Passar, Rockixe, Cachorro Urubu, Caroço de Manga e Loteria Babilônica. As demais canções do LP: Mosca na Sopa, Metamorfose Ambulante, Dentadura Postiça, Al Capone, How Could I Know? e Ouro de Tolo são de autoria apenas de Raul.
Em setembro do mesmo ano, ele fez seu primeiro show em São Paulo, no Teatro das Nações, no qual distribuiu gibis com o título A Fundação de Krig-Ha, feitos por ele e por Paulo Coelho e ilustrados por Adalgisa Rios, que lhe renderam o exílio.
Num ano repleto de compromissos, participou do Festival Phono 73, no Anhembi, em São Paulo, e do show Direitos Humanos no Banquete dos Mendigos, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, e ainda produziu e participou do primeiro LP de seu amigo Sérgio Sampaio.
Em 1974, o álbum Gita, lançado pela Philips, vendeu mais de seiscentas mil cópias, rendendo-lhe seu primeiro disco de ouro e o retorno do exílio. Novamente, Raul conta com a parceria de Paulo Coelho nas músicas: Super-Heróis, Medo da Chuva, Água Viva e Gita; em Moleque Maravilhoso, Sociedade Alternativa, em Como Vovó já Dizia, Porque, Se o Rádio Não Toca, Vida à Prestação e Não Pare na Pista. As demais canções que compõem o LP: As Aventuras de Raul Seixas na Cidade de Thor, O Trem das Sete, S.O.S., Prelúdio, Planos de Papel, Murungando e Um Som para Laio, são de autoria exclusiva de Raul.
Figura 6 - Raul tocando músicas do álbum Gita - 1974
Naquele ano, gravou os videoclipes de Sociedade Alternativa e Gita, o segundo videoclipe colorido do Brasil, para o Fantástico, o Show da Vida da rede Globo. No auge do sucesso, suas músicas entraram na trilha sonora da novela O Rebu, da mesma emissora, com LP lançado pela Som Livre.
Em 1975, Raul recebeu seu primeiro disco de ouro por Gita, participou do Festival Hollywood Rock, no Rio de Janeiro, e gravou ainda o videoclipe da música Trem das Sete para a rede Globo.
Ainda nesse ano, lançou o LP Novo Aeon pela gravadora Philips. Em entrevista ao Jornal de Música, em novembro de 1976, ele fala a respeito da vertente individualista do álbum como reflexo de um momento pessoal.
O Novo Aeon é o fruto de uma época diferente, quando eu já estava sabendo que o tempo de sofrer havia passado. Ser crucificado como Jesus Cristo é coisa do passado. O Novo Aeon é um momento particularmente meu e por isso tem aquela música Eu Sou Egoísta. Eu acho que o individualismo é muito mais sincero do que as preocupações com a coletividade [...] O Novo
Aeon é o disco que traz essa nova maneira de pensar. É o disco do caminho individual. (PASSOS, 1993, p. 110)
Contrariando as expectativas, o disco vendeu apenas sessenta mil cópias, dez vezes menos que o anterior. O álbum contou com diversos parceiros musicais: as músicas Rock do Diabo, Tu És o MDC da Minha Vida e A Verdade Sobre a Nostalgia tiveram a parceria de Paulo Coelho; os sucessos Tente Outra Vez e A Maçã foram feitos com Paulo e Marcelo Motta. Eu sou Egoísta e Peixuxa tiveram a participação somente de Marcelo Motta. Caminhos e Caminhos II foram feitas com Paulo Coelho e Eládio Gibraz. Sunseed foi feita com sua esposa Glória Vaquer; e a faixa-título, Novo Aeon, foi composta com Marcelo Motta e Cláudio Roberto. As demais canções do álbum, Para Nóia e É Fim de Mês, foram compostas somente por Raul.
Em 1976, o lançamento do LP Há Dez Mil Anos Atrás, pela Philips, rendeu-lhe grande sucesso, recuperando seu bom volume de vendas. A capa chamativa trazia Raul de barba branca, vestido como um sábio ancião, e a surpreendente música-tema agradou prontamente ao público. No LP, a parceria com Paulo Coelho continuaria, em: Canto Para Minha Morte, Meu Amigo Pedro, Ave Maria da Rua, Os Números, Cantiga de Ninar, Eu Também Vou Reclamar, O Homem, e Eu Nasci Há 10 Mil Anos Atrás. Quando Você Crescer foi feita com Paulo Coelho e Gay Vaquer. O Dia da Saudade foi composta apenas com este último, e Love is Magick, com Glória Vaquer.
Em 1977, lançou O Dia em que a Terra Parou, pela recém-fundada WEA56, trazendo Maluco Beleza, uma homenagem aos grandes iluminados, como Jesus Cristo e Mahatma Gandhi, que conquistou imediatamente o apreço popular e acabou por carinhosamente rotulá- lo. Gilberto Gil participou com arranjo e violão na faixa Que Luz é Essa? Cláudio Roberto fez parceria com Raul em todas as músicas do álbum: Tapanacara, Maluco Beleza, O Dia em que a Terra Parou, No Fundo do Quintal da Escola, Eu Quero Mesmo, Sapato 36, Você, Sim, Que Luz é Essa? e De Cabeça Pra Baixo. Raul fez o show de lançamento do disco no Teatro Bandeirantes, em São Paulo, gravou o videoclipe de Maluco Beleza para a Rede Globo e a gravadora Fontana/Phonogram, e lançou o LP Raul Rock Seixas, com um material de gravações em estúdio.
Em 1978, fez quatro dias de show com O Dia em que a Terra Parou, no Teatro Tereza Raquel, no Rio de Janeiro.
Ainda em 1978, lançou o LP Mata Virgem, pela WEA, com a belíssima música-tema falando do estado puro do amor. Raul voltou a compor com Paulo Coelho em: Judas, As Profecias, Tá na Hora, Conserve seu Medo e Magia de Amor. Pepeu Gomes participou da animada Pagando Brabo, que é de coautoria com Tânia Menna Barreto, assim como a faixa- título. A canção Todo Mundo Explica é de autoria somente de Raul.
Ele fala sobre o sentimento de libertação que o LP representou e, novamente, menciona o abandono de seu sofrimento, como já havia feito em Novo Aeon:
Com o disco Mata Virgem, deixo de ser um robô, deixo de ser homem biônico para me tornar apenas um homem comum, capaz, por exemplo, de fazer um bolero. Eu não agüentava mais ser guru, ser Cristo pregado na cruz. Eu, Raul Seixas, não podia mais sofrer. (SEIXAS, Raul apud SEIXAS, Kika, 1996, p. 30, grifo da autora).
No ano seguinte, fez o show Mata Virgem no Banana Power, em São Paulo.
Em 1979, lançou o LP Por Quem Os Sinos Dobram, pela WEA. Sérgio Dias participou de algumas músicas. Raul fez parcerias com Oscar Rasmussem, em: Ide a Mim Dada, Diamante de Mendigo, A Ilha da Fantasia, Na Rodoviária, O Segredo do Universo, Dá-lhe que Dá, Réquiem para uma Flor, além de Por quem os Sinos Dobram, inspirada na Revolução Espanhola, logo, no filme homônimo. A canção Movido a Álcool contou com a parceria de Rasmussem e Tânia Menna Barreto.
Com a saúde abalada, Raul submeteu-se a uma operação na qual perdeu uma parte do pâncreas.
Em 1980, lançou o álbum Abre-te Sésamo, pela CBS57, recheado de sátiras à anistia política. A faixa-título cita Ali Babá e os Quarenta Ladrões, e Aluga-se propõe alugar o Brasil aos estrangeiros, como pagamento da dívida externa; mas somente Rock das Aranha foi vetada, por censura moral.
Raul contou com vários parceiros neste disco: com Cláudio Roberto compôs: a faixa- título, Aluga-se, Ângela, Rock das Aranha, Baby, Ê Meu Pai e À Beira do Pantanal; enquanto Só Pra Variar foi feita com Cláudio Roberto e Kika Seixas; e Anos 80, com Dedé Caiano. Neste álbum, também gravou a linda e melancólica Minha Viola, de autoria de seu pai, Raul Varella Seixas. As demais canções do LP, Conversa Pra Boi Dormir e O Conto do Sábio Chinês, são de autoria somente de Raul.
Ainda em 1980, mudou-se do Rio de Janeiro para São Paulo e fez o lançamento do disco no Programa do Chacrinha, na Rede Bandeirantes. Também fez o show Abre-Te- Sésamo, em uma temporada de grande sucesso no Teatro Pixinguinha, e no Colégio Equipe, ambos em São Paulo.
Em 1981, o jovem paulistano Sylvio Passos fundou seu fã-clube oficial em São Paulo: o Raul Rock Club. Raul passou a participar ativamente de seu próprio fã-clube, e formou-se uma amizade que, transcendendo à existência física, dura até hoje, tendo Sylvio como