• Sonuç bulunamadı

O Conselho Municipal da Habitação de Belo Horizonte foi criado em janeiro de 1994 pela Lei n°. 6508 com o objetivo de estabelecer, institucionalmente, canais de participação da sociedade civil organizada junto à municipalidade nas questões referentes ao acesso das populações de baixa renda à casa própria. O Conselho possui caráter deliberativo e tem como principais atribuições aprovar a política habitacional do município, associada à formulação das políticas vinculadas à aplicação dos recursos do Fundo Municipal de Habitação (RIBEIRO, 2001).

Assim como nos demais conselhos gestores estabelecidos no Brasil no mesmo período, a participação popular no Conselho Municipal de Habitação ainda não pode ser considerada direta, uma vez que se dá através de representantes da sociedade civil organizada. A composição do Conselho teve duas configurações principais desde a sua criação. A primeira formação, proposta no texto original da referida lei, deu-se da seguinte forma:

I - 6 (seis) representantes de entidades populares,sendo:

a) 5 (cinco) de entidades gerais do Movimento Popular Por Moradia; b) 1 (um) de Central Sindical ou de Sindicato de Trabalhadores;

II - 2 (dois) representantes de entidades vinculadas à produção de moradia, sendo:

a) 1 (um) de entidade empresarial; b) 1 (um) de entidade de ensino superior;

III - 2 (dois) representantes do Poder Legislativo, indicados pela Câmara Municipal;

IV - 9 (nove) representantes do Poder Executivo, sendo: a) o Diretor Presidente da URBEL;

b) o Secretário Municipal de Planejamento; c) 7 (sete) indicados pelo Executivo;

V - 1 (um) membro escolhido pelo Executivo em listas tríplices

apresentadas por entidades de profissionais liberais relacionadas com o setor.

Após três anos de vigência do conselho, ficou muito claro que a sua composição favorecia em muito as questões ligadas ao governo municipal. Se for considerado que o executivo dispõe de nove votos, e que os dois representantes do

legislativo são geralmente indicados pelo presidente da câmara que, por sua vez, é tradicionalmente ligado ao executivo, são contabilizados 11 votos, ou seja, em uma situação de divergência, a decisão final tenderia a ser sempre favorável ao governo. Em decorrência disso os representantes da sociedade civil organizada reivindicaram uma nova composição para o conselho e, em 1997, foi aprovada a LEI Nº 7.379. Essa lei procurou atender às reivindicações solicitadas, e o conselho passou a ser composto da seguinte forma:

I - 7 (sete) representantes do Poder Executivo, sendo: a) o Diretor-Presidente da Urbel;

b) o Secretário Municipal de Planejamento; c) 5 (cinco) membros indicados pelo Executivo;

II - 6 (seis) representantes do Movimento Popular por Moradia, escolhidos em fórum único;

III - 2 (dois) representantes do Poder Legislativo, indicados pela Câmara Municipal;

IV - 2 (dois) representantes de entidades ligadas a produção de moradia, sendo:

a) um representante de entidade empresarial de produção de moradia; b) um representante de entidade de ensino superior;

V - um representante de Central Sindical dos Trabalhadores;

VI - 2 (dois) representantes de profissionais liberais ligados à habitação Popular.

Essa nova composição aumentou a representação dos movimentos populares, o que, pelo menos em tese, tornou o Conselho Municipal de Habitação mais democrático e próximo das populações diretamente atendidas pelas suas deliberações.

O Sistema Municipal de Habitação, além do Conselho citado, é composto por outras instâncias e mecanismos que se articulam entre si na implementação da Política Municipal de Habitação: a Companhia Urbanizadora de Belo Horizonte (URBEL), empresa pública da Prefeitura encarregada da elaboração e execução da política habitacional do município. A URBEL é o órgão responsável pela gestão dos recursos financeiros empregados, advindos do Fundo Municipal de Habitação Popular (FMHP), formado a partir da arrecadação de receitas para investimento no

setor. O Conselho Municipal de Habitação (CMH) também fiscaliza os recursos do fundo que, por sua vez, é gerenciado pela URBEL.

A criação da Política Municipal de Habitação é também fruto desse processo, uma vez que o poder público, representado pela URBEL, encaminhou ao Conselho, em 1994, uma proposta para a formalização de tal política no âmbito municipal. Após apreciação e análise o Conselho aprovou tal política, que é regida por duas linhas principais de ação :

• Intervenção urbanística em assentamentos existentes (vilas-favelas e conjuntos habitacionais degradados)

• Produção de novos assentamentos para as famílias vinculadas aos movimentos pró-moradia de Belo Horizonte.

Em função das características do presente trabalho serão aqui abordadas somente as diretrizes vinculadas à produção de novos assentamentos, dentre as quais destacam-se (CONSELHO MUNICIPAL DE HABITAÇÃO, 1994):

• Implantação de conjuntos habitacionais de preferência até 300 moradias; • Terrenos de preferência próximos à origem das famílias beneficiárias; • Regularização fundiária obrigatória;

• Adensamento como forma de melhor aproveitar os terrenos;

• Padronização do tamanho da moradia de acordo com a família como forma de racionalizar os recursos;

• Localização do terreno em bairros com infra-estrutura e serviços urbanos.

Para a produção de novos assentamentos dois programas foram inicialmente definidos. O primeiro programa denominou-se Lotes Urbanizados, no qual o município adquiria o terreno e ficava responsável pelo parcelamento e urbanização do mesmo. O lote urbanizado constitui-se, de fato, na fração ideal do terreno, ou seja, a área atribuída a uma unidade habitacional implantada em uma propriedade condominial que, no caso, seriam os conjuntos habitacionais.

O segundo programa estaria ligado à produção das unidades habitacionais, constituídas pela produção de moradias em terrenos já parcelados e urbanizados, destinados aos núcleos que já haviam conquistado os lotes urbanizados no programa anterior.

Uma clara orientação contida nos termos que cria a política municipal de habitação refere-se à prioridade de atendimento às demandas coletivas em detrimento às individuais. Tais demandas coletivas seriam vinculadas aos movimentos pró-moradia e a exceção seria constituída pelas demandas advindas de situações de risco social e ambiental (RIBEIRO, 2001).

2.5.2 O Surgimento dos Orçamentos Participativos Municipais no Final da