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Arabayev’in Komünist Partiye Katılması

2.5 Türk Dünyasında Alfabe Meselesi ve Arabayev’in Alfabe Çalışmaları

3.2.3 Arabayev’in Komünist Partiye Katılması

o papel do analista de discurso

É a constituição teórica do pesquisador, que entende a construção do corpus [...].

Carmen Agustini e Ernesto Bertoldo, A constituição de corpora em linguística da enunciação, in: As bordas da linguagem.

É recorrente nas pesquisas em LA a dedicação de pesquisadores à compreensão da formação do professor de línguas. Essas tentativas de compreensão decorrem de diversos paradigmas e abordagens metodológicas. Nesta seção, serão abordadas as contribuições das três perspectivas que embasam esta investigação (discursiva, psicanalítica e desconstrutivista), ressaltando as inquietações que se instauram nas pesquisas em LA sobre formação de professores de línguas. Para abordar a temática acima, articulam-se conceitos e noções mais importantes para o trabalho de análise de discurso. Para tal articulação, serão retomados conceitos como: “identidade”, “sujeito”, “interdiscurso”, “interpretação” e outros. Adoto a perspectiva de Eckert-Hoff (2008, p. 31), quando afirma que “a interpretação nunca é definitiva, nunca é única; haverá sempre o equívoco, haverá outros sentidos a desvendar outros pontos de deriva possíveis”. Nesse sentido, concordo também com Neves (2008, p. 22), ao propor que

o analista de discurso deve então buscar surpreender um sentido que se constrói como efeito de evidência no modo como ele pode ser desestabilizado na organização das seqüências discursivas. A busca do sentido como efeito de evidência é feita através de gestos de interpretação. São gestos porque são tomadas de posição nunca isentas da própria contingência, uma vez que o sujeito está implicado nesse gesto e, com ele acontecem pontos de equívoco que oferecem lugar à deriva de sentidos. (Pêcheux, 2002). Exatamente porque há deriva de sentidos que a interpretação não se fecha em si mesma, já que não há como apreender o isso interdiscursivo.

Os conceitos mencionados acima são imprescindíveis ao trabalho de análise a ser empreendido neste estudo, uma vez que essa não é tarefa simples, pois é preciso “relacionar tanto o que foi dito pelos enunciadores, como o que não foi dito, ou não é totalmente visível, mas que constitui fortemente os sentidos produzidos por eles” (HON, 2009, p. 77). Sobre esse aspecto, Pêcheux (1999, p. 52) ressalta que a dificuldade do trabalho do analista é “saber onde residem os implícitos, que estão ausentes por sua presença”. Assim, o analista de discurso é aquele que considera os aspectos históricos, simbólicos e ideológicos, contemplando e expondo “os efeitos da interpretação” e considerando a mediação teórica constante (ORLANDI, 2005, p. 62). Sendo assim, o analista não deve “tomar os enganos construídos pelo sujeito, pela realidade que mascaram; como também não ignorar esses enganos como ilusórios desconhecendo seu caráter real” (AUTHIER-REVUZ, 1982, p. 139).

Considerando as tarefas do analista, Orlandi (2005) afirma que a escuta discursiva, deve “descrever a relação do sujeito com sua memória” (p. 60). Nesse processo, descrição e interpretação estão inter-relacionadas. E a interpretação se manifesta em dois momentos:

1. O sujeito que fala interpreta e o analista deve procurar descrever esse gesto de interpretação.

2. Como não existe descrição sem interpretação, o analista se envolve na interpretação, atuando no entremeio da descrição com a interpretação, indo além da literalidade do sentido e da onipotência do sujeito (ORLANDI, 2005, p. 61-62).

De acordo com Valdir Flores e Marlene Teixeira (2005, p. 110), é tarefa do analista de discurso “dirigir seu olhar para o fato de o locutor ter dito o que disse e não para o dito em si”, estabelecendo critérios de análise que contemplem as especificidades teórico-metodológicas condizentes com a investigação e sempre considerando o caráter heterogêneo do dizer, a ilusão da transparência e da unidade. Uma vez que, há momentos em que o discurso se trai e apresenta sentidos contraditórios, que são próprios das ideologias que se confrontam (MASCIA, 2003a, p. 161).

Vale destacar, também, que o analista de discurso deve considerar sempre “a porosidade da linguagem” (o sujeito falando através da ideologia e do inconsciente), e a constituição da identidade em uma metamorfose camaleônica (ECKERT-HOFF, 2008). Concordando com essa autora, penso ser necessário considerar, nas pesquisas em LA sobre formação de professores de línguas, que a heterogeneidade deve ser vista em oposição aos “binarismos” (certo/errado; tradicional/contemporâneo; etc.), pois a busca ilusória de soluções não resolve os problemas, e ensinar línguas é, acima de tudo, uma questão de negociar identidades (RAJAGOPALAN, 2001).

Considerando toda a discussão sobre o papel do analista de discurso, pretende-se desenvolver, neste estudo, mecanismos de escuta e gestos de interpretação que considerem a porosidade da linguagem; os fragmentos que denunciam a heterogeneidade do sujeito-professor; a “identidade camaleônica” do sujeito da falta, cindido, descentrado, em busca de si mesmo, do preenchimento impossível da falta que o constitui e o inscreve como sujeito da linguagem (ECKERT-HOFF, 2008, p. 16).

Penso que os resultados obtidos neste estudo poderão servir de subsídios para reflexões futuras na área de LA ao ensino de LE, sobre a constituição da identidade do professor, concepções mais profundas do processo de deslocamento e da singularidade do professor em EC, a incessante busca pela completude e a importância dos mecanismos de escuta na formação do professor de línguas, especialmente nos cursos de EC. Segundo Eckert-Hoff (2008, p. 14), os especialistas têm uma tendência a não perceber que

Os professores têm muito a dizer, que suas experiências precisam ser valorizadas, que eles precisam ser ‘ouvidos’ – não para serem corrigidos, não para serem melhorados em sua atuação didático- pedagógica, homogeneizados ou padronizados conforme a última moda em concepção teórico-metodológica de ensino/aprendizagem de língua, mas como sujeito que tem muito a dizer e, mais ainda, a ‘se’ dizer.

Assim, é necessário se afastar do desejo de apreensão do todo, do completo, do que achamos o ideal, uma vez que é algo da ordem do inatingível.

Com base no referencial teórico que embasa esta tese, será apresentada, no próximo capítulo, a abordagem metodológica do estudo, a trajetória da investigação, as condições de produção dos discursos, os enunciadores participantes, as escolhas metodológicas e as justificativas para os gestos de interpretação empreendidos.

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Benzer Belgeler