2.3. Tarih Öğretiminde Bilgisayar Destekli Öğretim ve Animasyonlar
2.3.1. Animasyonlar (Canlandırmalar)
O termo largo é comumente utilizado para designar as porções de terras que circundam uma igreja ou residência. O Largo do Ó, que está localizado no bairro Siderúrgica em Sabará, tem sua origem atrelada à construção de uma pequena igreja no antigo Arraial de Tampanhoacanga, sendo esta considerada por muitos uma das obras primas do barroco mineiro. Segundo Passos (1942), o Arraial de Tampanhoacanga era um aglomerado de vários pequenos arraiais que se situavam entre as pontes da Igreja Velha e de João Velho Barreiro sobre o Rio Sabará afluente do Rio das Velhas. O seu povoamento data das primeiras décadas do século XVIII, quando uma grande quantidade de ouro de aluvião foi encontrada na região, culminando na ocupação dessa localidade por mineradores.
Assim, em 1717, os devotos de Nossa Senhora da Expectação do Parto que residiam no arraial solicitaram ao Senado da Câmara da Vila Real de Nossa Senhora da Conceição de Sabará algumas braças de terra, pois estavam “fabricando uma capela à mesma Senhora no Arraial de Tampanhoacanga, em um campestre que fica por trás do dito arraial, fora da rua pública (...).” (PASSOS, 1940, p.153-154). Os estudos de Vasconcellos (1964) nos demonstram que a precária capela de 1717 foi substituída por outra definitiva, em 1719. Nessa época, o capitão-mor Lucas Ribeiro de Almeida contratou o ajudante Manuel da Mota
Torres para executar a obra da futura Igreja. Acredita-se que no final de 1720, a obra já estivesse concluída, isso porque em 29 de dezembro desse ano, realizou-se uma festa em homenagem a padroeira, sendo efetuado por parte do capitão-mor Lucas Ribeiro de Almeida, um depósito de um ex-voto na Igreja em agradecimento a suposta interferência de Nossa Senhora da Expectação do Parto em uma tentativa de assassinato contra sua pessoa. Esse ex- voto encontra-se até hoje na parede da nave situada ao lado esquerdo da Igreja Nossa Senhora do Ó.
Essa edificação pode ser considerada uma das mais importantes construções religiosas do país, sendo uma típica representante da primeira fase do barroco de forte influência europeia. “Sua estrutura é à base de barro e madeira, sob o processo de taipa ou adobe.” (ÁVILA, 1984, p.36). Apesar de sua arquitetura marcada pela simplicidade, o seu interior é absolutamente exuberante, com uma explosão de azul, dourado e vermelho. A talha do altar é composta por colunas, ornamentadas com cachos de uvas e videiras. Existem também painéis pintados em ouro com motivos chineses, sendo seus personagens representados com olhos amendoados ou orientais. Esse monumento foi tombado pelo IPHAN em 13/06/1938, sendo inscrito no livro de Belas Artes, vol. 1, folha 20, inscrição nº 100, processo 67 – T-38 (FIG. 8).
Figura 8: Fachada e interior da igreja Nossa Senhora do Ó – Em 21/03/2012
Segundo Machado (2009), nessa região, havia uma grande quantidade de fazendas e chácaras que se localizavam à direita, à esquerda e atrás das terras da Igreja. Entretanto, observa-se que no final do século XIX muitos proprietários de terras acabaram comercializando ou até mesmo abandonando suas propriedades. No início do século XX, um antigo zelador da igreja denominado José Elói manteve na região do Largo Nossa Senhora do Ó uma pequena fazenda destinada à criação de gado. Essa propriedade ocupava as terras que faziam esquina com o largo e a Rua Nossa Senhora do Ó. A autora também relata que, possivelmente, essas terras acabaram sendo ocupadas por posseiros que nelas construíram residências bem simples e mais tarde fizeram valer do direito de usucapião (FIG. 9 e 10).
Figura 9: Largo a partir da Rua Nossa Senhora do Ó – Em 1943
Fonte: Arquivo Público Mineiro/ Coleção Municípios Mineiros - Fotografia colorizada de Ferber
Figura 10: Visão do Largo a partir da Rua Nossa Senhora do Ó – Em 21/03/2012
Machado (1999) também descreve que, anos depois, várias dessas moradias foram compradas por Nicolau Munaier e, quando a siderúrgica interessou-se em adquirir tais residências a fim de que fossem alugadas a seus funcionários, delegou a Antônio Géo, um antigo comerciante da região, as negociações das mesmas com o referido proprietário. Segundo relatos de seus moradores, entre os anos de 1915 e 1920, esse mesmo comerciante, Antônio Géo, também construiu algumas casas no Largo para que fossem alugadas aos operários. Porém, tempos depois, a companhia efetuou a compra desses imóveis, assim como daqueles primeiros pertencentes a Nicolau Munaier. Na década de 1960 a siderúrgica vendeu todas as casas de sua propriedade a seus funcionários e como se percebe nas figuras 8 e 9, com o decorrer dos anos esse local passou por transformações, as ruas foram calçadas, as árvores cortadas e as edificações sofreram modificações.
Em uma paisagem delicada que “mais se parece um cromo de cartão postal em alto relevo” (SANTA ROSA, 1974, p. 42), as casas do Largo Nossa Senhora do Ó se alinham vertente acima até chegar à pequena capela (FIG. 10).O largo que fica junto à Igreja de Nossa Senhora da Expectação do Parto ou de Nossa Senhora do Ó22, ocupava inicialmente trezentas braças23 de terra (MACHADO, 1999), o que corresponde aproximadamente a 660m. No entanto, atualmente, essa área é bem menor.
Implantada sobre um pequeno adro de pedra elevado sobre o terreno, o acesso à entrada principal da Igreja Nossa Senhora do Ó ocorre através de uma escada também de pedra. Essa edificação faz frente para o Largo Nossa Senhora do Ó, que vai se estreitando e direcionando a visão do observador para as serras e bairros adjacentes. Hoje, o Largo do Ó é composto de quatro pequenos estabelecimentos comerciais e 21 residências. Por meio do croqui que se encontra na página seguinte, podemos observar como se encontra a distribuição espacial dessas edificações (FIG.11). Nos dias atuais, a quase totalidade de seus moradores é composta por pessoas idosas, representantes do ex-operariado da siderurgia ou viúvas dos mesmos, que ali residem há mais de 40 anos e até hoje ainda acertam seus relógios pelo apito da siderúrgica.
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Esse título tem origem nas antífonas da novena rezada naquela igreja.
Figura 11: Croqui de distribuição das edificações do Largo Nossa Senhora do Ó
Organizadoras: Fátima M. Ramos e Simone R. Domingues Fonte: IPHAN/Prefeitura Municipal de Sabará – Mapa de Volumetria