2. ARAŞTIRMA BULGULARI VE ANALİZLERİ
2.1. NİCEL ARAŞTIRMANIN BULGULARI VE ANALİZİ
2.1.7. Aile Ekonomisi
Arthur Frazão pode ser considerado o paisagista por excelência e o cronista visual de Belém e seus arredores, principalmente durante a primeira metade do século XX. Diante da incalculável produção artística do pintor, pouquíssimos são seus trabalhos que fogem a esse tema, restringindo-se esses principalmente à obras feitas sob encomenda, como retratos de políticos, eminentes personalidades e pessoas da “alta sociedade”. Sobre o pintor e sua obra, escreve Meira Filho (1967):
[Frazão] Apreciava mostrar suas últimas telas, paisagens ou retratos de figurões da época, de mortos ilustres que iriam ornar os ….. da cidade. Havia entre Frazão e sua maneira de viver perfeita identidade material e espiritual. Seu andar vagaroso, suas atitudes em relação aos colegas, seu espírito retraído, desconfiado, embora, algumas vezes ……, simpático e sempre humilde. Frederico Barata costumava dizer que Frazão possuía força de artista e que lhe faltara a oportunidade de um meio maior. Contudo Arthur Frazão vencera o próprio marasmo da terra, naqueles primeiros tempos, depois de sua chegada do exterior. Nunca foi um ambicioso e nem por isso deixava que sua arte tomasse caminho diverso de seus planos da mocidade240. Considerado, até o momento, como o pintor paraense que mais trabalhos produziu, as pinturas de Frazão, distribuídas em coleções públicas e particulares, tanto no Estado quanto no Brasil e no exterior, aquecem atualmente o mercado de obras de arte e podem ser encontradas, amiúde, tanto compondo catálogos de leilões particulares como de casas especializadas, ou através de sites na internet. Quanto à técnica, Frazão utilizou-se quase que exclusivamente do óleo sobre tela, sendo possível também encontrar trabalhos seus em aquarela sobre papel. Desconhecemos registros da incursão do artista em outras categorias artísticas como escultura e cerâmica, apesar destas serem bastante comuns nas décadas de 1940 e 1950, em Belém.
Por se entender como indissociáveis no contexto do presente trabalho, as paisagens de Arthur Frazão serão abordadas, em conjunto com obras dos espólios de outros pintores integrantes do Grupo Utinga, no Capítulo IV desta pesquisa. No momento nos ocuparemos com algumas considerações acerca de sua atuação como pintor de retratos.
O fato de ser Arthur Frazão também exímio fotógrafo, aliado à sua preocupação em registrar em imagens sua atividade como pintor, o faz cronista de sua própria obra e nos delega fotografias únicas, que nos remetem e nos guiam através do universo do artista. Dedicado, com especial maestria o pintor-fotógrafo capta momentos singulares ao longo dos anos e, em várias tomadas fotográficas, tanto interiores como exteriores, constitui uma série significativa de imagens, onde é possível vê-lo em plena atividade artística. Assim, não raro encontrá-lo, nesses registros, com paleta e pincéis à mão, em frente ao cavalete a produzir uma nova obra. Por esse viés, trataremos aqui de duas imagens em especial, significativas pelo conjunto que formam e também por suas peculiaridades. Em ambas o artista se encontra em seu atelier de trabalho, porém são tempos e circunstâncias bem diferenciados.
Em um primeiro momento Frazão (Figura 45), por volta de trinta anos, posa para sua câmera em um evidente cenário, cuidadosamente organizado e arrumado para aquele momento, resultando em uma composição harmoniosa e bonita. Ao centro da imagem o pintor, de pés e ereto, mantém uma postura elegante em frente à seu cavalete, primorosamente trajado com sua roupa de trabalho, um sobretudo branco sobre a roupa interior, camisa e gravata, bem ao gosto dos pintores da Academia de Schumann, em Dresdem241. À mão esquerda sustenta a paleta e pincéis e a direita esconde-se por detrás da tela em execução que, por seu posicionamento, não se deixa ver. Com a cabeça um pouco de perfil, o artista olha diretamente para a câmera, recebendo uma luz lateral que varre toda a imagem.
Junto à outros quadros, em um segundo plano, o maestro Castro Gomes, solene com seus bigodes brancos e braços cruzados, assiste a cena. Ainda no atelier do artista, que provavelmente estaria finalizando o trabalho, descansa o retrato do eminente músico campinense encomendado pelo Governo do Estado para o prédio do conservatório que lhe leva o nome. Mesas, cadeiras, banquetas, chapéus e outros objetos, em agradável desarranjo, compõem o local e complementam a imagem, onde se pode perceber as instalações do atelier, prédio com pé direito alto e portas em arco.
Figura 45: Frazão em seu atelier, em registro do artista. Ao fundo o Retrato do Maestro Carlos Gomes.
Do” Álbum” da Alemanha”. Arquivo: ACRF
Já de fins da década de 1940 e início dos anos 1950 é a imagem que segue (Figura 46). Com intencionalidade que difere totalmente da anterior, em que é possível perceber a preocupação principal do fotógrafo em registrar o pintor, ator principal da cena, nesse momento, ao que se deixa apreender, a protagonista passa a ser a obra em execução, no caso o retrato do Governador Magalhães Barata. Frazão aparece sentado em um banco, de costas, em roupas simples e com o que parece ser um boné à cabeça, aparentemente sem nenhuma preocupação com a câmera, enquanto o quadro em execução mostra-se inteiro. A luz agora é artificial, vem a partir de um abajur de pé, tendo o foco recoberto com um pano e postado ao lado direito do artista. O atelier também é outro apesar de, através das imagens, não ser possível precisar suas localizações. Em ambos os registros estão presentes retratos, dois dos inúmeros com que pintou o artista ao logo de toda sua carreira.
Figura 46: Frazão em seu atelier, em registro do próprio artista, por ocasião da realização do Retrato
do Governador Magalhaes Barata.
Do” Álbum” da Alemanha”. Arquivo: ACRF
Também como retratista Frazão deixaria uma bagagem enorme de trabalhos que hoje se acham nos palácios do Governo e da Prefeitura. Dificilmente uma galeria particular não possui uma tela do mestre Frazão. Na pinacoteca oficial, no Estado e no Município, há um sem número de trabalhos seus, cujo estilo definido e característico não se mistura e logo se destaca entre quantos ali pontificam pela sua técnica e validade242.
As maiores coleções de retratos executados por Frazão compõem hoje as Galerias dos Governadores e outras autoridades, no Museu Histórico do Estado do Pará, dos Prefeitos, no Museu de Arte de Belém – MABE -, e da Faculdade de Direito, sob a guarda do Museu da Universidade Federal do Pará. Esse gênero engloba, depois das paisagens amazônicas, o maior número de obras do artista, quase todos advindos de encomendas recebidas, principalmente, de órgãos e instituições públicas.
Assim como aquelas, embora em menores proporções é bom que se diga, também são incontáveis os retratos pintados por Frazão, dos quais os primeiros que se tem registro datam do ano de 1917 e foram realizados na cidade de Xapuri, no Acre. Tratam-se de três retratos que estiveram em exposição na sede do jornal Commercio
do Acre, no dia 11 de maio daquele ano, sendo um óleo sobre tela do Dr. Bruno
Barbosa, jornalista, e dois a crayon, um do Dr. Paulo de Moraes, clínico da cidade e outro do Coronel Antonio Vieira de Sousa, comerciante e subprefeito daquele Departamento. E comenta o periódico: “Estes três retratos, bem acabados trabalhos executados pelo hábil artista Sr. Arthur Frazão, sócio da Photographia Rosas, merecem geraes elogios de todos que os examinaram e são obras que muito recommendam o exímio desenhista” 243. A partir do caso citado é possível vislumbrar a dimensão da obra pictórica do artista Arthur Frazão que, aos vinte e sete anos e no interior da Amazônia, já se encontrava em plena atividade profissional como fotógrafo e pintor, ocupações estas a que se dedicou durante seus setenta e sete anos de vida. Nos arquivos consultados consta também documentação referente à atuação de Frazão na área de restauração de obras de arte. Embora não se possa afirmar que o pintor tenha realizado muitos trabalhos deste tipo, fato é que foi contratado, em 1961, pela Faculdade de Direito da Universidade Federal do Pará, pra restaurar alguns retratos daquela Galeria244. Acreditamos que, talvez, a partir dessa aproximação,
tenha sido Frazão contratado também para retratar outros catedráticos daquela instituição pois, de um total de vinte e quatro telas de que se compõe a coleção, além de obras realizadas por outros pintores como Theodoro Braga, Irineu e Manoel Pastana, mais da metade são de autoria de Arthur Frazão. Datadas do ano de 1962 e com a inconfundível assinatura em vermelho, estas obras carregam gravadas a marca de seu autor e as pistas para nossa hipótese (Figura 47).
243 Commercio do Acre. Xapuri, 30 maio 1917. p.3. Mantida a grafia original.
244 Cf. Carta do Sr. Frederico Sampaio Fortuna, secretário da Faculdade de Direito da Universidade do Pará, endereçada ao Sr. Arthur Frazão e datada de 10 de junho de 1961, convidando-o para comparecer ao Gabinete da Diretoria daquela Faculdade para dar início aos trabalhos de restauração dos quadros da Galeria. Arquivo: ACRF.
Estas telas passaram novamente por um processo de restauro, já sob a supervisão do Museu da Universidade Federal do Pará, no ano de 2003.
Os quatorze retratos pintados por Frazão para as coleções do Governo do Estado e da Prefeitura de Belém datam todos, com exceção do Retrato do Prefeito
Celso Cunha da Gama Malcher (1960), da década de 1940 e foram realizados na
técnica de óleo sobre tela245.
Quadro 1: Telas de autoria de Arthur Frazão pertencentes ao acervo do
Museu Histórico do Estado do Pará Retrato do Presidente da República Eurico Gaspar
Dutra 1946 Óleo / tela 68 x 57 cm
Retrato do Capitão - mor Pedro Teixeira 1944 Óleo / tela 82 x 62 cm Retrato do Presidente da Província do Pará
D. Romualdo de Seixas 1941 Óleo / tela 81 x 63 cm
Retrato do Governador Huet Bacelar 1945 Óleo / tela 63 x 51 cm Retrato do Governador do Pará Manoel Maroja
Neto 1946 Óleo / tela 67 x 53 cm
Retrato do Comandante das Armas General José
Maria de Moura 1943 Óleo / tela 79 x 63 cm
Retrato do Bispo D. Romualdo Coelho c/ 1944 Óleo / tela 79 x 63 cm Retrato de homem não identificado ? Óleo / tela 61 x 66 cm Retrato de homem não identificado 1945 Óleo / tela 63 x 51 cm
Fonte: Inventário do MHEP
Quadro 2: Telas de autoria de Arthur Frazão pertencentes ao acervo do Museu de Arte de Belém
“Praia do Areiào” 1937 Óleo / tela 56 x 72 cm
Solidão 1951 Óleo / tela 30 x 39 cm
“Paisagem Ribeirinha” 1944 Óleo / tela 67 x 97cm
Retrato do Prefeito Manoel Figueiredo 1946 Óleo / tela 65 x 50 cm Retrato do Prefeito Augusto Serra 1946 Óleo / tela 64 x 50 cm Retrato do Prefeito Coronel Alberto Engelhard 1946 Óleo / tela 64 x 50 cm Retrato do Prefeito Jerônimo Cavalcante 1946 Óleo / tela 64 x 50 cm Retrato do Prefeito Euclides Comarú 1948 Óleo / tela 65 x 50 cm Retrato do Prefeito Celso Cunha da Gama
Malcher 1960 Óleo / tela 63 x 52 cm
Fonte: Inventário Museu de Arte de Belém
245 Sobre a coleção de Retratos e o acervo do Museu de Arte de Belém, ver: FERNANDES, Caroline. O moderno em aberto: o mundo das artes em Belém do Pará e a pintura de Antonieta Feio. 1 ed. Belém: IAP, 2013. v.1. 151p.; FIGUEIREDO, Aldrin Moura de. O museu como patrimônio, a república como memória: arte e colecionismo em Belém do Pará (1890-1940). ANTITESE, v.7, n.14. p. 20-42. Jul – dez 2014.
Figura 47: Retratos de juristas pertencentes a Galeria da Faculdade de Direito da Universidade
Federal do Pará, de autoria do pintor Arthur Frazão.
José Carneiro da Gama Malcher Alfredo Lins de Vasconcelos Chaves .
José Augusto Meira Dantas Francisco de Paula Pinheiro Acervo: Faculdade de Direito da UFPa.