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A inserção de princípios e práticas de responsabilidade socialno setor público se contextualizam num processo mundial de discussão sobre desenvolvimento sustentável, quando a sociedade espera boas práticas e comportamento ético das organizações, ao mesmo tempo, que acompanha inovações no âmbito da administração pública em busca de ampliar o alcance e resultados de suas ações, por meio de uma maior e participação social.

administração pública. Neste aspecto, Oliveira (2013) expõe que a administração pública tem gênese no patrimonialismo, como forma de dominação tradicional associada à cessão de terras, que evolui com economia monetária para o modelo burocrático, com princípios de dominação racional-legal.

Esta evolução é representada por Weber (2004) que descreve o surgimento e desenvolvimento das organizações sociais e do Estado com base no conceito de dominação, entendida como situação em que o “dominador” influencia o comportamento do “dominado” ou “dominados”, ao ponto de as ações destes ocorram “como se dominados tivessem feito do próprio conteúdo do mandato a máxima das suas ações” (WEBER, 2004, p. 191). Este conceito se aplica à administração porque, segundo o autor, toda administração requer que o poder esteja atribuído a alguém, ou seja, depende de alguma forma de dominação.

Para Weber (2004) a dominação burocrática se diferencia da dominação tradicional, pautada nos costumes, por basear-se, em conteúdo de mando racional, com distribuição de atividades regulamentadas, noções de deveres e meios coercitivos, planejamento das ações e emprego de pessoas qualificadas, adequadamente preparadas ao funcionamento da administração.

Oliveira (2013) descreve que a aplicabilidade do modelo burocrático teve sua importância para ordenadamente do Estado, contudo no decorrer dos anos a rigidez com que foi aplicado nas instituições e organizações passou a distanciá-lo da forma como foi concebido, tornado esse modo de gestão alvo de críticas, fazendo com que a burocracia comumente fosse associada a morosidade do Estado.Por isso,nesse processo evolutivo de modelos gerenciais, surge a partir de 1980 o modelo gerencial da administração pública, com ênfase nos resultados. Essas evoluções técnicas, contudo, não superaram aspectos culturais anteriores e não romperam com autoritarismo.

Mediante estas dificuldades, o autor propõe como alternativa ao modelo gerencial que ainda é permeado de resquícios do patrimonialismo, a gestão societal da administração pública, a qual visando o desenvolvimento organizacional e social, caracteriza-se, pela concepção participativa e democrática associada à noção de gestão societal.

A gestão societal, de caráter dialógico e comprometida com o entendimento, apresenta-se como uma alternativa gestão estratégica, de natureza monológica e comprometida com o êxito. Em contextos específicos, onde somente a combinação de esforços é capaz de oferecer respostas a problemas complexo, a gestão social mostra-se mais útil e efetiva que a gestão estratégica [...] (OLIVEIRA, 2013, p.28). Nesta perspectiva, percebe-se um processo de mudança na gestão pública que enseja

a abertura a gerenciar seus serviços por meio de diálogo mais próximo da sociedade, favorecendo a inclusão social e a democratização interna.

A ABNT NBR 1SO 26000 (2010), ao relacionar a responsabilidade social à colaboração das organizações para a promoção do desenvolvimento sustentável, afirma que as práticas de responsabilidade social não podem substituir as funções essenciais do Estado de gestor de políticas públicas. Porém, a incorporação da responsabilidade social no setor público pode colaborar para melhorar o desempenho institucional, para divulgação de suas políticas, decisões e ações de cunho essencial. Além disto, os governos podem colaborar para que outras organizações atuem de forma socialmente responsável.

Melazzo (2010) defende que conceito de políticas públicas possui vários significados, os quais resumem como: processos sobre a intervenção estatal na realidade social; espaço de conflitos de interesse, lutas e conquistas de direitos; resultados de interesses e participação coletiva; intervenção do Estado com intenção de defender interesses de determinados grupos. Sintetizando, define políticas públicas como uma forma de efetivação de direitos sociais, conciliando interesses de diferentes segmentos sociais:

[...] políticas públicas são conjunto de decisões e ações destinadas a resolução de problemas políticos, envolvendo procedimentos formais, informais e técnicos que expressam relações de poder e que se destinam a resolução de conflitos quanto a direitos de segmentos sociais ou como espaço em que são disputados diferentes concepções e formulações a respeito de direitos sociais, bem como sua extensão a diferentes segmentos sociais. (MELAZZO, 2012, p. 19).

Desta percepção, entende-se que o Estado não é único ator envolvido no contexto das políticas públicas, mas constitui o principal agente para regulamentar e atuar como gestor de direitos como o principal responsável pelo do direcionamento das políticas públicas. Portanto, considerando as atribuições democráticas do Estado, o comportamento ético e responsável torna-se elemento importante para a efetivação de suas finalidades de estender o alcance das políticas públicas.

A esta reflexão, acrescentam-se a percepção de que a intervenção do Estado como ente fiscalizador e motivador é essencial para a disseminação dos valores de responsabilidade social entre a coletividade e a de que a adoção da responsabilidade social no setor público tem impactos positivos nos resultados dos serviços públicos.

Domingos (2008) analisa a Responsabilidade Social Organizacional no setor público, enfocando os conceitos de níveis de confiança e capital social, reconhecidos por seus integrantes internos.

[...] um, instrumento que direciona as organizações numa interação ética com os seus públicos ou stakeholders. Alinhadas com práticas socialmente sustentáveis, organizações cidadãs devem ter cuidados com os recursos sociais e ambientais, respeito para com a diversidade e promover a solidariedade entre os seus membros. (DOMINGOS, 2008, p. 2).

Neste processo de aproximação e a integração ética com os diversos públicos, autora sugere a consistência da Responsabilidade Social Organizacional ocorre quando esta imagem é compartilhada por seu público interno e externo.

Assim, indica a importância do cuidado simultâneo entre público interno e externo, enfatizando que os projetos coletivos dispõem de maior efetividade quando conjuga as aspirações individuais dos sujeitos. “Nesta perspectiva, entendemos que o comportamento ético estabelecido nas diretrizes da RSO só se torna consistente na medida em que passa a ser compartilhado internamente pelos membros da organização [...]” (DOMINGOS, 2008, p. 4).

Disso, abstrai-se que a adoção da responsabilidade nas organizações e instituições públicas requer um conjunto de mudanças no pensamento de seus membros (gestores, servidores e demais colaboradores), de adoção de valores culturais éticos, de compromisso com as novas diretrizes abrangendo o bem-estar da coletividade e a sustentabilidade para que então se tenham práticas efetivas de responsabilidade socioambiental.

Neste sentido, um dos temas que está sendo pautada com frequência no âmbito da gestão pública é a sustentabilidade, pois mediante nossos compromissos socioambientais, organizações e instituições públicas precisam se voltar para a gestão responsável de seus recursos, para o envolvimento na inclusão social e na democratização de suas políticas. Para tanto, é importante discutir as dimensões da sustentabilidade.