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Ahir Neslin Kaderine GözyaĢı Ġle Bakan: Süleyman Nüzhet

Bihruz Bey’in Safderun Alafranga Dünyasında Hastalıklar:

NERĠMAN “Ġki kültür arasında kalıĢ”

4.3.2. Ahir Neslin Kaderine GözyaĢı Ġle Bakan: Süleyman Nüzhet

3.3.1OSISTEMA AUTORITÁRIO MEXICANO E A ANULAÇÃO DA SOCIEDADE CIVIL

O regime priísta nascido após a revolução mexicana de 1910 concentrou todo o poder no Estado e deixou poucos espaços para a liberdade associativa. Ele possuía dois grandes projetos, de acordo com Olvera (2004): um programa antiliberal de inclusão política e social que fazia do Estado o eixo de integração social, e um programa, também antiliberal, de desenvolvimento nacional no qual o Estado guiava e implementava a modernização econômica do país (Olvera, 2004, p. 410). A rejeição do liberalismo na prática pelo regime –

84 justamente quando, formalmente, eram adotados os princípios liberal-democráticos na Constituição de 1917 – resultou na fusão do Estado e da sociedade, de um lado, e do Estado e da economia, do outro. As esferas intermediárias da sociedade política e econômica virtualmente desapareceram, e o espaço para ação social considerada como legítima e válida pelo regime era, conseqüentemente, extremamente limitado (Olvera, 2003a; 2004).

Dessa forma, a sociedade mexicana era organizada a partir do Estado que detinha praticamente o monopólio do espaço público e político por meio da representação corporativista da sociedade. A institucionalização do regime pós-revolucionário, como já discutimos no capítulo 1, ocorreu em dois momentos-chave: o primeiro em 1928, quando houve a criação do Partido Nacional Revolucionário (PNR), como “arena estatal de conciliação e controle dos conflitos” (Lavalle, 2000). O partido surgia como um mecanismo que permitia às elites governantes negociar e resolver suas diferenças de maneira institucionalizada, e não mais por meios violentos, i.e., funcionava como “arena privilegiada para a negociação de desavenças (...), fazendo que manifestações de posições conflitantes encontrassem canais institucionais para o acordo ou a imposição hierárquica de soluções” (ibidem, p. 10). Já o segundo momento ocorreu em 1938, durante a presidência do general e presidente Lázaro Cárdenas, quando o partido, que então foi renomeado como Partido da Revolução Mexicana (PRM), viu quase todos os segmentos sociais relevantes serem corporativizados e transformados em braços organizacionais de sua estrutura partidária (ibidem, p. 12).

Cristalizava-se, assim, uma organização corporativista da sociedade dentro do partido do Estado, o PRI (Lavalle, 2000; Bizberg, 2003a; 2003b; Olvera, 2003a; 2004). Os camponeses foram agrupados na Confederação Nacional Camponesa (CNC) e os trabalhadores urbanos na Confederação dos Trabalhadores Mexicanos (CTM). Anos depois, em decorrência do processo de urbanização do país que impulsionou o crescimento das classes médias, ocorreu o processo de corporativização desse segmento social, com a fundação da Confederação Nacional de Organizações Populares (CNOP), em meados dos anos 1940. Lavalle lembra que os empresários foram a única exceção digna de nota dentro do processo de organização corporativista da sociedade dentro do partido do Estado, já que conseguiram manter a autonomia de seus órgãos de representação, o que lhes permitiu apoiar o Partido Ação Nacional (PAN), “(...) quer como medida de inconformidade temporária, quer como adesão a uma opção programática mais próxima de seus interesses” (Lavalle, 2000, p. 12). O mesmo autor continua, e argumenta que

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“Em suma, a corporativização da sociedade e a estatização da política pela via do PRI outorgaram extraordinária estabilidade à ordem política, obstando a vida democrática do país sem que fossem necessárias medidas abertamente ditatoriais, como suspender a realização de eleições ou dissolver o Legislativo” (ibidem).

O Estado absorvia, assim, as iniciativas da sociedade, buscando monopolizar todas as arenas de ação coletiva, e quando formas de organização mais autônomas despontavam no cenário político-social o regime as cooptava, controlava ou reprimia. Havia, portanto, um modelo de fusão corporativista entre o Estado e a sociedade que produzia a anulação da sociedade civil (Olvera, 2003a). A ação coletiva ocorria dentro do Estado e se orientava na direção dele.

Até os anos oitenta, as organizações sindicais, camponesas e sociais mexicanas haviam sido controladas, em grande medida, pelo governo por meio de sua estrutura corporativista. O sistema autoritário mexicano tinha grande capacidade de absorver, neutralizar e, se necessário, destruir movimentos e organizações independentes (Aguayo; Parra, 1997, p. 32). Os ativistas sociais que haviam emergido nos anos sessenta, no âmbito do movimento estudantil, e que não tinham ingressado nas guerrilhas, deixaram de atuar no âmbito nacional e se tornaram ativos em movimentos sociais de caráter mais local, em bairros, fábricas e comunidades rurais (Waslin, 2002). Foi apenas no final dos anos oitenta que as organizações sociais mexicanas alcançaram uma maior autonomia com relação ao aparato estatal.

Foi só a partir dos anos 1980, portanto, que as ONGs mexicanas passaram a gozar de maior visibilidade e começaram a influenciar a definição da agenda pública. Antes disso, na década de 1970, surgiu uma série de movimentos sociais de caráter classista com demandas por direitos sociais e econômicos. Esses movimentos associativos de classe expressavam uma reclamação pela ruptura, na prática, da moralidade e da base de legitimidade do regime, i.e., o não cumprimento de sua promessa de justiça social substantiva. Ainda que exigissem maiores direitos de liberdade associativa, esses movimentos sociais de caráter popular continuavam a vocalizar demandas materiais, em termos de direitos econômicos e sociais, formuladas dentro do horizonte simbólico do regime – não havia um questionamento de fundo sobre a legitimidade do regime, pois apenas se apontavam as limitações e falhas no cumprimento do seu programa histórico.

As ONGs mexicanas, aqui incluídas as de direitos humanos, não se inserem, porém, nessa onda de movimentos sociais surgida durante o governo de Echeverría (1970-1976) que,

86 pouco a pouco, em meio aos efeitos da crise econômica dos anos 1980, foi perdendo capacidade de mobilização e acumulando derrotas no âmbito do movimento sindical independente e do movimento campesino. As ONGs representavam um novo tipo de movimento social que em meio à crise cada vez mais aguda de legitimidade do regime e beneficiando-se do contínuo processo de liberalização política expunha a natureza autoritária do regime, defendia valores democráticos e transcendia objetivos locais e econômicos (Aguayo, Parra, 1997).

3.3.2 APARECIMENTO E PROLIFERAÇÃO DAS ONGS: CONTRIBUIÇÃO DE FATORES E