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4. EMEVÎLER DÖNEMİNDE VELİAHTLIK UYGULAMASINA GENEL BİR BAKIŞ

1.7. Abdullah el-Me’mûn

1.7.1. Abdullah el-Me’mûn’un Eğitimi ve İlgi Alanları:

Do mesmo modo como podemos considerar Piaget o grande responsável pela difusão da abordagem construtivista para o conhecimento humano, a Ernst Von Glasersfeld pode ser atribuída a autoria intelectual do construtivismo radical. Nascido em 1917 na Alemanha, Glasersfeld tem dedicado sua vida aos estudos em diferentes áreas do conhecimento, tais como a matemática, a filosofia, a psicologia,

a teoria da comunicação e a cibernética, sempre com o duplo foco da pesquisa e do ensino. Durante cerca de duas décadas entre os anos 1960 e 1970, ele se ocupou com o estudo da totalidade da vasta e difícil obra de Piaget. E ele o fez na língua original dos escritos, o francês. Esses estudos – que não desconsideram as dificuldades impostas pela extensão da obra, pelo desenvolvimento não-linear das idéias e pela linguagem que beira o hermetismo em algumas passagens – colocaram Glasersfeld em uma posição legítima para avaliar realizações feitas a partir do pensamento de Piaget. Ele passou, então, a revisar desde traduções de seus trabalhos até críticas ao teor de suas conclusões.

Segundo Glasersfeld (1996), a maior parte dos trabalhos escritos sobre o construtivismo piagetiano parte de fragmentos da obra de Piaget, o que oferece aos leitores uma visão incompleta, e muitas vezes modificada, de seu modelo explicativo sobre como os seres humanos constroem conhecimento. Por outro lado, ao comparar os textos originais com as traduções realizadas para outras línguas, Glasersfeld percebeu que os tradutores – por partirem de uma orientação epistemológica que ele avalia como realista ingênua16 – acabam por alterar o texto

original, de modo a fazê-lo caber em sua própria visão do mundo. O resultado tanto da incompletude das leituras quanto das modificações nas traduções, muitas vezes, é a veiculação de ideias incompatíveis com as concepções piagetianas originais.

Ao constatar esses problemas, Glasersfeld se dedicou à ambiciosa tarefa de apresentar, de um modo esclarecedor, porém não simplificador, o pensamento de Piaget a estudantes universitários ingleses. Seu objetivo era, ao mesmo tempo, difundir o modelo de Piaget para o conhecimento humano e elucidar dúvidas e equívocos teóricos que encontrava nas traduções.

Foi nesse processo que o pensador concebeu o construtivismo radical, que, partindo do construtivismo piagetiano, revisita o pensamento clássico que concebe a ciência como um modo humano de organizar nossa experiência da natureza e incorpora os desenvolvimentos científicos ocorridos a partir do final do século XIX, especialmente nos campos das teorias da comunicação e da cibernética. “Não há nada de novo nas ideias que compõem o construtivismo radical”, afirma o próprio autor (GLASERSFELD, 1996, p. 55), exceto o modo como essas foram reunidas, articuladas e integradas.

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A expressão ‘realismo ingênuo’, criada em 1910 pelo filósofo alemão Ernst J. W. Schuppe (1836- 1913), defensor da “filosofia imanente”, subsume a tese de que os objetos da realidade, e a própria realidade, são independentes do ato psíquico humano de conhecê-los (ABBAGNANO, 2000).

A primeira vez que a palavra ‘radical’ foi associada à epistemologia genética foi em 1974, quando Glasersfeld e Charles Smock produziram o relatório anual da pesquisa na área de epistemologia e educação em que trabalhavam na Universidade de Atenas, Geórgia, nos Estados Unidos (GLASERSFELD, 1996). Piaget, ao ler esse trabalho, aprovou tanto seu conteúdo quanto o neologismo.

Contrariando concepções filosóficas ocidentais vigentes nos últimos dois milênios de história do conhecimento, que concebem a relação entre a mente humana e a realidade como meramente representacional, o construtivismo radical parte do princípio de que o conhecimento se constitui em uma construção individual, uma organização própria dos elementos percebidos por cada indivíduo, a partir do modo como experiencia seu entorno. Nesse sentido, o conhecimento é uma atribuição – e não uma extração – de sentido à realidade tal como a percebemos.

O ponto principal em que o construtivismo que proponho difere radicalmente das conceitualizações tradicionais [...] diz respeito à relação entre conhecimento e realidade. Enquanto na visão tradicional de epistemologia, bem como na psicologia cognitiva, essa relação é sempre vista como uma correspondência ou combinação mais ou menos pictórica (icônica), o construtivismo radical a vê como uma adaptação no sentido funcional (GLASERSFELD, 2008, p. 7).

Para Glasersfeld, ao organizarmos nossa experiência, realizamos uma elaboração do único mundo que cada um de nós pode conhecer, que é o mundo experiencial. E nessa concepção de mundo, o construtivismo radical conta com o aval de Piaget:

Penso que nada é dado à partida, exceto alguns pontos limitadores em que todo o resto se baseia. As estruturas não são nem dadas antecipadamente na mente humana, nem no mundo exterior, tal como o percebemos e organizamos (BRINGUIER. 1980, p. 63).

O objetivo do construtivismo radical é “mostrar que podemos construir uma realidade experiencial relativamente estável sem pressupor um mundo independente em si” (GLASERSFELD, 1996, p. 153). Isso não significa, no entanto, que os construtivistas radicais neguem a existência de um mundo independente e pré- existente ao sujeito, como afirmam alguns críticos (PHILLIPS, 1997; LABURÚ et. al., 2001). Os construtivistas radicais afirmam que, uma vez que nossos conceitos são elaborados a partir de e com fundamento em nossa experiência, e nela apenas, não podem ser usados para descrever o que quer que esteja fora de nosso campo experiencial. Assim, embora possamos conceber a existência de uma realidade para

além de nossa experiência individual, não lhe temos acesso, e nada podemos sobre ela afirmar. “O construtivismo [...] nada tem a dizer acerca do que pode ou não existir” (GLASERSFELD, 1996, p. 192).

O construtivismo radical, desse modo, não pretende ser a elaboração de uma ontologia17, pois isso corroboraria o ideário clássico de que os sujeitos vivem em um

mundo dado, que têm de tentar descobrir e representar para si mesmos. Tampouco almeja a posição de epistemologia. O construtivismo radical é definido por seus teóricos como uma “abordagem para o problema do conhecimento” (GLASERSFELD, 1996, p. 20) ou uma explicação possível para o processo humano de conhecer. Não se propõe, assim, a revelar a imagem última de um mundo independente de nós, porque parte da crença de que o modo humano de conhecer não é uma descoberta, mas uma produção experiencial.

Aquilo que denominamos conhecimento – concepções, ideias, noções, e relações entre eles – é a permanente tentativa humana de organizar a experiência a partir das informações que percebemos no ambiente e das características de nosso modo de entendê-las. Como tal, está condicionada, por um lado, pelo modo humano de perceber o mundo e refletir sobre ele e, por outro, pela abrangência de nossa experiência. “O espaço e o tempo em que nos movemos, medimos e, acima de tudo mapeamos os nossos movimentos e operações, são uma construção nossa, e nenhuma explicação que assente neles pode transcender o nosso mundo experiencial” (GLASERSFELD, 1996, p. 133).

O construtivismo radical não concebe qualquer conceito – de números a palavras, de formas geométricas a teorias morais – como dado, pois não crê na visão platônica das formas puras existentes em um mundo essencial para além da experiência. Ao contrário, afirma que tudo o que denominamos de “fatos” não são constituintes de um mundo independente, mas elementos da experiência18.

Na abordagem construtivista radical para compreender o conhecimento, então, a ideia chave é experiência, cuja definição é buscada no idealismo racional de Kant. De acordo com Glasersfeld (1996), Kant define o conhecimento empírico,

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O temo ‘ontologia’ aqui é utilizado para indicar o estudo dos caracteres fundamentais do ser. A ontologia tradicional considera que existem determinações necessárias do ser, presentes em todas as formas e modos particulares, e que devem ser conhecidas. O conhecimento dessas características fundamentais origina a ciência que precede todas as outras, uma vez que seu objeto está implícito nos objetos das outras ciências. Desse modo, os princípios da ontologia condicionam a validade de todos os outros princípios científicos (ABBAGNANO, 2000).

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Em seu De antiquissima italorum sapientia ex linguae latinae originibus eruenda, de 1710, Vico já assinalava que a palavra factum é o particípio passado da palavra latina facere (fazer), o que o levou a formular o princípio de que os seres humanos só podem conhecer o que eles próprios fazem, ao reunir elementos a que têm acesso (FIKER, 1994).

ou seja, a experiência, como o produto do que percebemos através dos sentidos – o conjunto das apresentações19 empíricas com consciência – ao ser organizado por

nosso entendimento, por meio de regras do pensamento. Em outras palavras, Kant define experiência como o processo de atribuir ordem a nossas percepções20.

O entendimento é um poder totalmente ativo do ser humano; todas as suas ideias e conceitos não passam de criação sua [...]. As coisas exteriores são apenas ocasiões que causam o funcionamento do entendimento [...] o produto de sua ação são ideias e conceitos (KANT, 1798, citado por GLASERSFELD, 1996, p. 79).

A experiência consiste, então, nas construções organizadoras que realizamos a partir dos elementos que conseguimos perceber em nosso ambiente. E o que caracterizamos como nosso ambiente, por sua vez, faz parte do domínio de nossa experiência, e não de uma realidade independente de nós. Assim, o próprio ambiente é determinado pela experiência, em uma relação recursiva (MORIN, 2002).