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A RABULUCULUK S ÜRECİNİN S ONA E RMESİ

§2 AVRUPA BİRLİĞİ VE BAZI ÜLKE DÜZENLEMELERİNDE

5.A RABULUCUNUN G ÖREVLERİ

6. A RABULUCULUK S ÜRECİNİN S ONA E RMESİ

Ressalta-se que neste estudo, ao fazer o questionamento sobre o uso das guloseimas pelos netos, não houve intenção por parte da pesquisadora de relacionar diretamente este fato com a ocorrência da cárie dentária, pois teria que estender a pergunta para a frequência, o tipo e até mesmo a consistência dos alimentos; entretanto o objetivo foi apreender se os avós ofereciam ou não guloseimas com o intuito de agradar os netos.

Os avós demonstraram ser mais permissivos em relação às guloseimas, mesmo diante do conflito com os pais dos netos e exprimiram uma vontade de agradar os netos. As falas seguintes ilustram bem esse fato:

Sou uma dessas, a minha filha briga, o pai briga, mas eu não consigo muito não, mas eu preocupo, no fundo eu sou assim, mas eu preocupo, eu tento segurar um pouquinho sabe... (D. Márcia, 66 anos).

Aí minha menina fala assim: “Ô pai, mas eu não cansei de falar com

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dando chiclete, dando pirulito..., se o senhor tivesse atendido eu não

precisava tá mexendo com dentista agora não” (Sr. Juca, 65 anos). Ela reclama, ela fala muito: “Ô pai, senhor não pode ficar dando tudo quanto há que seu neto pede não” (Sr. Juca, 65 anos).

Para justificar sua atitude uma das avós, em um dado momento, argumentou que a neta fica mais feliz, disse que tenta controlar, apesar das inúmeras reclamações da filha. Outra avó disse que os netos pedem muito, e um pouco antes da entrevista já os havia levado para comprar balas. No entanto, depois de algumas explicações, concluiu: chegou e já escovou o dente (D. Ana, 60 anos).

Segundo Lins de Barros (1987), o fato de os avós fazerem a vontade dos netos, num confronto com os pais da criança, é parte de uma aliança entre avós e netos em termos de criar uma confiança entre eles e da construção dessa relação. Essa cumplicidade entre avós e netos levanta a discussão sobre o poder e a autoridade dos avós no momento que exclui os pais da criança. Aratangy e Posternak (2006, p.12) orientam que se estabeleça um vínculo entre os avós e os pais de “ajuda mútua, mais do que de interferência e competições”.

Rossi, Moreira e Rauen (2008) relataram que os pais desempenham um papel crucial no que diz respeito à compra e ao preparo dos alimentos, além do controle da qualidade dos alimentos ingeridos, uma vez que as preferências alimentares das crianças são influenciadas pelas suas escolhas e seus hábitos alimentares. A constatação da influência dos pais na alimentação das crianças implica também as preferências alimentares dos avós, pois eles permanecem um bom tempo com os netos.

Outra avó, D. Elza (63 anos), alegou que fica pouco tempo com as netas e ao oferecer guloseimas não age de forma irresponsável, pois sabe que elas cuidam muito bem da higiene bucal. Entretanto, D. Ana (60 anos) falou que nem é preciso oferecer guloseimas às netas, fez menção ao chiclete, pois elas já chega mascando, mas referiu que intervém com advertências apenas quando os netos estão comendo muitos doces, na tentativa de colocar limites na ingestão. D. Lúcia (58 anos) citou que no passado, devido à desinformação, ninguém falava nada a respeito do consumo das guloseimas, reiterou que não tem costume de oferecer doces e que impõe algum controle para o consumo na família.

Gomes e Da Ros (2008, p. 1083) apresentam um amplo debate teórico de que a cárie pode ser considerada uma doença social e citam vários estudos que consolidam o açúcar como o “arquiinimigo” dos dentes. Albuquerque (2012) encontrou mulheres que

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conheciam a relação entre o consumo de açúcar e sua associação com a cárie dentária, porém ofereciam balas e doces como demonstração de carinho e agrado com as crianças. Já Unfer e Saliba (2000) ressaltam que a influência da dieta na ocorrência e na prevenção da cárie dentária adquiriu papel secundário no processo.

A avó D. Helena (53 anos) esclareceu que não é costume da família o consumo de guloseimas e que como regra não permite esse costume de comer doce à noite. Ela acrescentou dizendo sobre a neta que fica mais próxima, a gente não acostumou, contudo percebe que a neta que é criada mais distante já tem o hábito de consumir mais guloseimas e questiona o filho, que é o pai da criança, sobre esse hábito.

Abegg (2004) explica que as crianças aprendem e adotam comportamentos e hábitos condutores à saúde bucal no ambiente familiar por meio do processo de socialização, este se divide em primário, secundário e terciário, desenvolvendo-se, respectivamente, na infância, adolescência e vida adulta. A socialização primária corresponde a uma fase muito importante, pois é quando as crianças estão ávidas por aprender e se identificam com as atitudes e os hábitos familiares em relação à saúde bucal.

A avó associou a questão do uso das guloseimas pelas crianças como algo errado. (D. Rute, 64 anos) explicou que não incentivo coisa errada, porém conta que o avô compra muitas guloseimas: se deixar ele dá, ele dá, sugerindo que a resposta foi para impressionar a pesquisadora, tirando dela toda a culpa.

Já outra participante, D. Luci (49 anos) demonstrou uma singularidade em sua resposta, o que pode estar relacionado ao fato de ela ter a guarda judicial de duas netas. Em sua fala associou o consumo das guloseimas como forma de recompensa, e entre risos, portanto com tom autoritário, foi respondendo que não oferece guloseimas para as netas como forma de agrado e muito menos como recompensa, disse que estabelece regras em relação ao consumo de doces. Segue o relato:

Eu não sou mãe com açúcar (...), nunca passei mão na cabeça de filho, de dar docinho é igual quando cê tá estimando um bichinho de estimação, quando ele faz uma coisinha você vai e dá um biscoitinho de ração. Por exemplo, só come doce na minha casa depois que termina de almoçar, só... balinha às vezes, vez ou outra, coisa rara, raríssima, mesmo, bala. Fico corrigindo de comprar bala, porcaria essas coisas, eu não gosto, não dou...(D. Luci, 49 anos).

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São inúmeros os apelos publicitários nos meios de comunicação promovendo o consumo de produtos contendo altos teores de açúcares associados à demonstração de carinho, afeto e até mesmo como recompensa, sendo socialmente aceitáveis. Nesse sentido, Unfer e Saliba (2000) ponderam sobre a desvantagem das mensagens educativas de promoção da saúde bucal com o incentivo ao uso racional do açúcar. Luz (2014) sugere que a orientação educacional em saúde deve ter como objetivos a transmissão de informação nutricional e a mudança de costumes, e que ela seja direcionada, principalmente, à família.

Constatou-se nos discursos uma variedade de aspectos que envolvem o costume, já culturalmente aceito, dos avós agradarem os netos oferecendo-lhes guloseimas. Os avós pesquisados admitiram oferecer guloseimas aos netos, com destaque para os avôs que são mais permissivos, mesmo diante do conflito com os pais. Para alguns avós a guloseima foi vista como “coisa errada” e não é usada como recompensa ao neto. Foi possível perceber que em algumas famílias o consumo da guloseima é feito com controle, com regras e responsabilidade.

Em síntese, na análise dos dados que se destacaram na categoria das vivências dos avós, ficou evidente que as experiências passadas foram marcadas pelo não cuidado com a saúde bucal, fator decisivo para motivá-los a tomar atitudes diferentes com filhos e netos. As vivências que os avós tiveram em sua infância foram ressignificadas a partir do momento que passaram a cuidar dos seus filhos, e fortalecidas agora com o cuidado dos netos, o que gerou a construção de novos significados acerca da saúde bucal.