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Não é possível refazer este país, democratizá-lo, humanizá-lo, torná-lo sério, com adolescentes brincando de matar gente, ofendendo a vida, destruindo o sonho, inviabilizando o amor. Se a educação sozinha não transformar a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda. (Paulo Freire)

A educação é um dos braços do Estado, um bem público, um direito social, mas nem sempre foi assim. Como todas as Políticas Sociais Públicas, ela foi se constituindo e moldando-se, mediante movimentos importantes de reivindicações sociais. Com isso o Estado também vai se transformando, se modificando, criando assim formas de mediações entre o mercado e a sociedade.

3.1 DEMOCRACIA, ESTADO E O DIREITO A EDUCAÇÃO PÚBLICA

O Brasil é um país democrático, mas o que é democracia? Vieira (2004, p. 153) reflete que os “modelos de governo e de Estado são múltiplos, configurando democracias e não a democracia”. Sendo assim, pode-se dizer que no Brasil vivenciaram-se tipos distintos de democracias, como a Democracia Totalitária, com uma verdade política única e exclusiva, com um plano centrado unicamente no político, uma aplicação de um projeto/concepção de mundo. Um tipo de democracia que utilizava técnicas e atos de coerção.

As formas de democracia posteriores como a representativa e participativa, dividiram cenário com uma forma de sistema econômico centrado no individualismo, com isso o espaço de representação do povo é cada vez mais minimizado. “O que constatamos no Brasil contemporâneo é que a democracia está se sustentando, mas suas instituições, longe de se consolidarem, estão cada vez mais submetidas aos interesses privados dos setores econômicos”. (BAQUERO, 2001, p.101).

Nessa relação entre interesses do povo e interesses dos setores privados, ambos buscando a atenção do Estado, quem pressiona mais obtém mais, e os brasileiros ainda não reconhecem o poder que tem. O modelo neoliberal vigente consegue estabelecer certas formas de comportamentos aos cidadãos que prejudicam a construção democrática efetiva no país. (BAQUERO, 2001).

O papel dos partidos políticos se vê hoje comprometido na sua função de agregação de interesses, pela insuficiência da consolidação democrática. Por um lado, o modelo político vigente tem permitido maior concentração de

renda, legitimada pelo dogma neoliberal; por outro, constata-se, simultaneamente, um crescimento da exclusão social e o aumento da pobreza, transformando a sociedade brasileira não numa sociedade de interesses, mas numa nação de necessidades. (BAQUERO, 2001, p. 101- 102)

Sendo assim, a realidade democrática que se vive hoje pode ser chamada de Democracia Liberal, ou seja, a união entre a democracia e o liberalismo. Um tipo de democracia que se explica através da igualdade de oportunidades segundo a capacidade de cada um, e dessa forma não se trata de uma igualdade social.

O pensamento liberal é produção ideológica que reflete os interesses da sociedade burguesa aparecida com a Revolução Industrial na Inglaterra, sobretudo a partir de meados do século XVIII. Expressão do industrialismo, o pensamento liberal consagra as liberdades individuais, a liberdade de imprensa, a liberdade de contrato, sob a égide do racionalismo, do individualismo e do não intervencionismo estatal na esfera econômica e social. Consagra alem disso a liberdade de mercado, fazendo-o reinar soberanamente, elevado a um dom da natureza, responsável pela lei da oferta e da procura. [...] Assim o liberalismo não se opõe a explicação da gênese da riqueza industrial nem a apropriação do excedente do trabalho pelo capital. (VIEIRA, 2004, p. 186)

Com a garantia dessa democracia os sujeitos são livres, mas essa liberdade tem condicionalidades, ou seja, vai depender das individuais condições de escolha, e em uma sociedade desigual, a grande maioria não consegue consumir o que realmente desejaria. O consumo, para ele, em prol dele que os sujeitos vivem em democracia. Na verdade o Brasil ainda não vive efetivamente um Estado Democrático, ainda é preciso que para isso a elaboração das políticas sociais, bem como a resposta delas para com a sociedade, haja um melhor comprometimento e acompanhamento do Estado.

[...] na historia do capitalismo, a atuação estatal desmembra-se em setores onde o Estado se afirma e em setores onde ele se nega, ocupando maiores ou menores espaços. Aí o Estado se encontra diante da necessidade de criar condições para o aumento da taxa media de lucro, alimentando a acumulação do capital, ou então diante de pressões de uma sociedade mais ou menos organizada, capaz de possuir classes com recursos para encaminhar e para impor seus reclamos ao poder político. (VIEIRA, 2004, p. 196).

Na trajetória do Brasil e das políticas sociais o Estado sofreu transformações de ordem organizacional e ideológica, transcorrendo no período da historia, de um regime ditatorial a um Estado de direito democrático. E o que se evidencia na historia é que mesmo um Estado Capitalista pode ter uma preocupação e vontade política voltada ao social, a diminuir os impactos provocados pela desigualdade. A forma de um Estado, bem como o plano de um determinado governo, impacta

diretamente nas políticas públicas, e assim vão sendo reformuladas. Voltando então para o tema da educação, como já anteriormente mencionado no quadro 1, mudanças na política educacional foram pensadas ao longo das cartas constitucionais brasileiras.

Os Planos Nacionais de Educação devem ser revistos a cada dez (10) anos, neles contem orientações e metas a serem operacionalizadas também no âmbito do Estado e dos municípios. Dessa forma, o Plano transcende o período de dois anos de governos, é um plano de Estado e não um plano de governo. O Plano Nacional de Educação (PNE) é para toda nação brasileira e para o seu efetivo desenvolvimento precisa da união das diferentes esferas de governo e da sociedade.

A Lei n° 10.172/2001 não estabelece sanções (em nada se assemelha a uma lei com penalidades), a não ser naquilo que a própria Constituição e a lei já determinaram como sancionáveis. É, antes, uma lei de compromisso, a opção ética por um ideal de educação para o País, o pacto político e técnico por metas necessárias. Os planos estaduais serão encaminhados às Assembléias Legislativas, e os planos municipais, às Câmaras de Vereadores, para sua aprovação, e serão, respectivamente, leis estaduais e municipais. (BRASIL, [2001])

O PNE (2001-2010), vigente, teve como objetivos e prioridades: a elevação global do nível de escolaridade da população; a melhoria da qualidade do ensino em todos os níveis; a redução das desigualdades sociais e regionais no tocante ao acesso e à permanência, com sucesso, na educação pública; e democratização da gestão do ensino público, nos estabelecimentos oficiais, obedecendo aos princípios da participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola e a participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes.

O documento final da Conferência Nacional de Educação (CONAE 2010) analisou o sistema educacional brasileiro, destacando cinco (5) grandes desafios que o Estado ainda precisa enfrentar para assegurar de fato e com qualidade a função social da educação, entre eles:

1) “Construir o Sistema Nacional de Educação (SNE)”: um sistema

responsável por uma orientação política comum única, tendo para isso o trabalho permanente do Estado e da sociedade para a garantia do direito a educação. Essa unificação ainda não se apresenta de forma efetiva, ainda há muitas disparidades entre escolas, ainda um desafio, e para tanto ainda há muito que se avançar para de

fato serem atingidos, o que somente será possível com a união da sociedade e vigilância do Estado. As disparidades entre escolas se apresentam na mesma instancia administrativa, mesma região ou até mesmo nos bairros. Recentemente em reportagem da TV globo (jornal da Globo em 21/05/2011), no quadro chamado “Blitz da Educação” repórteres visitaram, mediante sorteios, algumas cidades do Brasil. Chegando também no Rio Grande do Sul, e inevitavelmente, constataram diferenças gritantes entre as escolas. Foi possível visualizar que em determinadas escolas haja um (1) computador por aluno, aulas de filosofia e dança, e em outras escolas além de não ter esses equipamentos e disciplinas a área física apresenta goteiras, vidros quebrados, aulas em contêineres e ausência de segurança. Uma escola com Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB)8 de 6,6 e outra com 3,6. (JORNAL NACIONAL, 30/07/2011). Uma ausência de iniciativa, até mesmo da própria comunidade escolar e região, um problema de gestão, onde escolas mais informadas que elaboram projetos, captam mais recursos e com isso tem um melhor desenvolvimento e verbas públicas, obtém melhores resultados. Um quadro possível de mudanças, mas somente a partir de um tratamento respeitoso pela educação pública do país, em todos os seus seguimentos, espaços e regiões.

2) “Promover de forma permanente o debate nacional, estimulando a mobilização em torno da qualidade e valorização da educação básica, superior e das modalidades de educação”: o debate, mesmo que timidamente, existe, mas

essas categorias qualidade e valorização ainda são discrepantes da realidade apresentada pelas escolas da educação pública. Para ilustrar, apresenta-se a fala de um dos sujeitos entrevistados para essa pesquisa:

“A escola municipal é privilegiada, tanto de recursos físicos, de verbas, de materiais e de recursos humanos apesar de algumas precariedades, aqui na escola está faltando oito (8) professores entre o turno da manhã e da tarde, mas ainda é uma realidade privilegiada de RH. A gente sabe que em relação ao Estado essa falta de RH não significa quase nada, o Estado é bem mais precário nesse sentido” (entrevista educadora Jaqueline)

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O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) foi criado em 2007 para medir a qualidade de cada escola e de cada rede de ensino. O indicador é calculado com base no desempenho do estudante em avaliações do INEP e em taxas de aprovação. Assim, para que o IDEB de uma escola ou rede cresça é preciso que o aluno aprenda, não repita o ano e freqüente a sala de aula. O índice é medido a cada dois anos e o objetivo é que o país, a partir do alcance das metas municipais e estaduais, tenha nota 6 em 2022 – correspondente à qualidade do ensino em países desenvolvidos. (BRASIL/ Ministério da Educação, 2011).

As diferenças de recursos e desenvolvimentos entre as escolas estão em diversos fatores, inclusive já anteriormente elencados, e essa realidade impacta sobremaneira na qualidade e na valorização.

3) “Garantir que os acordos e consensos produzidos na CONAE 2010

redundem em Políticas Públicas de Educação”: a partir da consolidação em

diretrizes, estratégias, planos, programas, projetos, ações e proposições pedagógicas e políticas. Esse terceiro desafio aos poucos está sendo efetivado, existem diversos projetos e ações inserindo-se nos espaços escolares, os incentivos estão sendo dados, mas novamente cabe aqui ressaltar que o comprometimento da gestão e da comunidade escolar é fundamental para que essas experiências sejam positivas. Existem inclusive propostas de outras secretarias, de outras políticas públicas que poderiam compor as atividades da escola, mas que não a estão devido ao desconhecimento de seus agentes.

“Tem muitas ações dentro das outras secretarias que dizem respeito a educação, que fazem parcerias, mas nem todas as escolas aderem as vezes porque não tem um profissional que esteja diretamente se apropriando disso para trazer isso para a escola, então ela perde muitas vezes. É prejudicada porque não tem quem traga isso, quem vá buscar essas informações para trazer e beneficiar os alunos. Tem muitos programas de outras secretarias que a gente podia estar acessando, podia fazer mais parcerias e beneficiando ainda mais os nossos alunos”. (fala da Assistente Social João)

4) “Propiciar condições para que as referidas políticas educacionais,

promovam”:

[...] o direito do/da estudante à formação integral com qualidade; o reconhecimento e valorização à diversidade; a definição de parâmetros e diretrizes para a qualificação dos/das profissionais da educação; o estabelecimento de condições salariais e profissionais adequadas e necessárias para o trabalho dos/das docentes e funcionários/as; a educação inclusiva; a gestão democrática e o desenvolvimento social; o regime de colaboração, de forma articulada, em todo o País; o financiamento, o acompanhamento e o controle social da educação; e a instituição de uma política nacional de avaliação no contexto de efetivação do Sistema Nacional de Educação (SNE).

Esse desafio está no encontro da necessidade da formação integral e de qualidade a ser fornecida aos estudantes, desafio de realmente entender que a educação deva ser integral, e que para tanto precisam apresentar propostas de mudanças e comprometimento a educação atual. Integral na relação de reconhecer o todo que permeia o educando, a realidade social, as políticas sociais, a família,

etc., mas também integral na junção de conhecimentos e articulação entre outras secretarias.

5) Indicar, para o conjunto das políticas educacionais implantadas de forma articulada entre os sistemas de ensino: que seus fundamentos estejam

alicerçados na garantia da universalização e da qualidade social da educação em todos os seus níveis e modalidades, bem como da democratização de sua gestão.

Este último desafio envolve além da qualidade social da educação e sua possível gestão democrática, a articulação entre os sistemas de ensino e a sua universalização. Voltando a discussão para a qualidade, pois é ela que está em evidencia em todos os desafios aqui apresentados, problematiza-se agora a inserção dos estudantes oriundos de escolas públicas a universidade. Ou seja, a qualidade oferecida atualmente pelas escolas públicas de nível básico faz com que os alunos tenham menos condições do acesso à universidade pública.

[...] articular o ensino superior público e outros níveis de ensino público. Sem uma reforma radical do ensino fundamental e do ensino médio públicos, a pretensão republicana e democrática da universidade será inócua. A universidade pública tem que se comprometer com a mudança no ensino fundamental e no ensino médio públicos. A baixa qualidade do ensino público nos graus fundamental e médio tem encaminhado os filhos das classes mais ricas para as escolas privadas e, com o preparo que ali recebem, são eles que irão concorrer em melhores condições às universidades públicas, cujo nível e cuja qualidade são superiores aos das universidades privadas. (CHAUI, 2003, p. 13)

Dessa forma, novamente enfatiza-se a necessidade de aprimorar a qualidade da educação nos níveis fundamental e médio. Do contrario a universidade pública continuará tendo egressos principalmente de escolas privadas e de classe média alta, uma disputa desigual provocada pela forma de ensino e qualidade da educação entre essas as escolas, mais uma expressão da questão social presente no espaço da escola, fruto das relações sociais desiguais resultado de uma sociedade capitalista que faz com que até mesmo o conhecimento seja uma mercadoria.

O Estado tem papel fundamental para essa mudança para a qualidade da educação, em todos os níveis, mas para que se efetive a mudança é preciso que a população exija a intervenção do Estado, exigir “antes de tudo, que o Estado não tome a educação pelo prisma do gasto público e sim como investimento social e político, o que só é possível se a educação for considerada um direito e não um privilégio, nem um serviço”. (CHAUI, 2003, p. 11)

Um dos resultados da Conferencia Nacional de Educação (CONAE 2010) foi à análise do Plano Nacional de Educação em Vigência, contribuindo para a reformulação e elaboração do novo PNE (2011-2020) ainda em discussão, esperando para sua aprovação. Na redação do novo Plano Nacional de Educação Art. 2° estão expressas as novas diretrizes, entre elas:

I - erradicação do analfabetismo – em relação a essa diretriz houve uma

queda significativa de sujeitos com idade entre 15 anos ou mais no período de 2000 a 2010. No ano de 2000, com uma população de 119.533.048 habitantes o Brasil possuía 16.294.889 analfabetos. Em 2010 a população brasileira contava 144.823.504 habitantes, entre esses 13.940.729 eram analfabetos. A queda foi de 13.63% anos 2000 à 9.63% nos anos 2010. (BRASIL/ Programa Brasil Alfabetizado, [2011]).

II - universalização do atendimento escolar – Essa talvez seja a diretriz que

mais o Brasil se empenha em cumprir, para isso unem-se outras secretarias como a Assistência Social que impõe a condicionalidade da freqüência na escola das crianças e adolescentes para o beneficio do Programa Bolsa Família, o Conselho Tutelar e a Política de Saúde. Dessa forma os dados do Censo Escolar de 2010 apontam o índice de matriculas nas escolas de educação básica do Brasil.

Nos 194.939 estabelecimentos de educação básica do país estão matriculados 51.549.889 alunos, sendo que 43.989.507 (85,4%) estão em escolas públicas e 7.560.382 (14,6%) em escolas da rede privada. As redes municipais são responsáveis por quase metade das matrículas – 46,0% - o equivalente a 23.722.411 alunos, seguida pela rede estadual, que atende a 38,9% do total, o equivalente a 20.031.988. A rede federal, com 235.108 matrículas, participa com 0,5% do total. (BRASIL/ Censo escolar [2010]).

Sendo que a matricula para o ensino médio, profissional e EJA não atinge metade das matriculas do ensino fundamental. No ano de 2010 foram 31.005.341 matriculas para o ensino fundamental, mas a continuação do estudo para o ensino médio foi de aproximadamente 13.570.000, mesmo juntando as matriculas do ensino profissional e Educação de Jovens e Adultos (EJA). (BRASIL/ Censo Escolar [2010]).

III - superação das desigualdades educacionais; IV - melhoria da qualidade do ensino - Essas diretrizes se assemelham e se complementam, ambas

visam a qualidade da educação, pois superar as desigualdades é em suma querer a melhoria da educação em âmbito geral e universal.

Os Indicadores da Qualidade na Educação baseiam-se numa visão ampla de qualidade educativa e, por isso, abrangem sete dimensões: ambiente educativo; prática pedagógica e avaliação; ensino e aprendizagem da leitura e da escrita; gestão escolar democrática; formação e condições de trabalho dos profissionais da escola; ambiente físico escolar; acesso e permanência dos alunos na escola. (CANAL DO EDUCADOR, [2011])

Dessa forma pode-se dizer que a melhoria depende de uma serie de fatores que juntos contribuirão para a igualdade da educação no Brasil. Esses fatores permeiam a forma de gestão da política educacional, bem como a gestão no espaço da escola, os recursos físicos, matérias, financeiros e humanos.

As diretrizes que visam: V - formação para o trabalho; VI - promoção da

sustentabilidade sócio-ambiental; VII - promoção humanística, científica e tecnológica do País; VIII - estabelecimento de meta de aplicação de recursos públicos em educação como proporção do produto interno bruto – mencionam

pontos principais que a escola ainda precisa investir e avançar, precisa ainda incluir conteúdos pedagógicos que visem o conceito da humanização das relações que estão cada vez sendo mais esquecidas pelos jovens, resultando em inúmeras violências no espaço da escola.

A questão da promoção da sustentabilidade sócio-ambiental e a promoção científica e tecnológica do país trás também o tema da formação para o trabalho, e para tanto atinge a meta de aplicação dos recursos públicos para a educação, porcentagem do PIB. O Brasil investe 5,1% do Produto Interno Bruto na educação, o PNE (2001-2010) havia estabelecido o acréscimo para 7% até 2010, o que não ocorreu. A Conferência Nacional de Educação (CONAE 2010) aprovou a ampliação de 1% do PIB à educação por ano. A proposta sendo aprovada pelo Congresso Nacional atingiria no ano de 2011 o PIB de 7% e em 2014 10%. Espera-se que seja aceita e incluída no PNE (2011-2020).

IX - valorização dos profissionais da educação – para essa diretriz ainda

se encontram disparidades entre escolas, dependências administrativas e regiões, como já anteriormente mencionado. Na edição (7) sete do Jornal do Professor, o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), relatou que ainda existam muitas desigualdades entre regiões, bem como entre estados e municípios da mesma base territorial. Entre as desigualdades esta a salarial que em alguns casos ultrapassa 400%. Ele destaca que “A solução para este problema consiste na implementação de políticas eqüitativas coordenadas pela União”. (SCHENINI, [2011]).

X - difusão dos princípios da equidade, do respeito à diversidade e a gestão democrática da educação – a gestão democrática do ensino público esta

preconizada no inciso VI do artigo 206 da Constituição Federal. A gestão democrática compreende o principio da participação na sociedade, sendo assim, os espaços escolares que integram essa pratica contribuem para uma educação emancipadora. “Essa participação requer, em primeiro lugar, que a comunidade tenha conhecimento e consciência de seu espaço de poder, e de que a “coisa pública” pertence aos cidadãos” (BORDIGNON, 2005, p. 6), uma conscientização da população enquanto sujeito de direitos.

[...] Os cidadãos querem mais do que ser executores de políticas, querem ser ouvidos e ter presença em arenas públicas de elaboração e nos momentos de tomada de decisão. (...) A gestão democrática da educação é, ao mesmo tempo, transparência e impessoalidade, autonomia e participação, liderança e trabalho coletivo, representatividade e competência. (CURY, 2005, p. 18)

Para se ter um trabalho fundado na gestão democrática, é preciso saber conviver de forma democrática e esse ainda é um desafio nos espaços escolares.

A participação da família na escola, mencionada nas entrevistas realizadas com os professores como “falta de participação”, retratam uma questão que não é “um fenômeno exclusivo da escola, mas que estende-se a outros campos sociais, uma vez que é reproduzido culturalmente e politicamente (...)” (AMARO et al, 1997, p. 45). O fato é que existe uma realidade vivida pelos alunos e seus familiares que são externas a escola e que impactam relação destas famílias com a escola.

No Brasil, as escolas públicas estão inseridas numa realidade social cujos