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ARAŞTIRMA BULGULARI VE YORUMU

5.4 ORTAKLIĞIN YAPILANDIRILMASI VE YÖNETİMİ

5.5.2 Şirket ve Şahsî Maliye Ayrımının Oluşturulması

Durante muito tempo em nossa sociedade, a representação da pessoa com deficiência esteve ligada a características negativas, ou seja, estas são percebidas na maioria das vezes pela deficiência, e isso reforça o discurso de que essas pessoas são desviantes do padrão de normalidade, passando a ser consideradas como: o outro, o estranho, o diferente (SKLIAR, 2003).

Não obstante, essa é uma realidade que ainda marca expressivamente o grupo das pessoas com deficiência. As relações de poder existentes no meio social: classificação, padronização, disciplinamento, enfim, o controle do outro e a negação da diferença ainda são muito visíveis em nosso meio. Especificamente no espaço escolar, conseguimos perceber essa postura no depoimento das professoras quando questionamos sobre a inclusão de alunos/as com deficiências em escola regular. As professoras investigados, em sua maioria assumem a ideia de que as pessoas com deficiência, em função da suposta limitação, devem estudar em ambientes separados.

Professores Depoimentos

E 1- 48 anos Eu acho assim (...) para essas pessoas que tem uma doença assim, um ambiente adequado seria melhor. Porque como nós somos professores não somos formados adequadamente para ensinar essas pessoas especiais e eles vêm assim e nós temos que aceitar (...) e conviver com eles assim na classe.

E 2 - 41 anos (...) já que eles falam muito de inclusão de crianças especiais em escolas normais, eu achava mais correto ter treinamento para professores, pra como lidar com essas crianças especiais, porque não é fácil né? (...) Tem dia que essa menina tá alterada, nervosa, e eu fico querendo saber como lidar naquele momento com aquela criança, porque não pode mandar pra casa. Entendeu? Eu fico perdida nesse caso. Eu não tenho ainda uma noção exatamente de como lidar com essas crianças.

E 3 - 29 anos Eu não concordo muito, porque eles deveriam estar em uma escola que pudesse dar aquela aula que ele precisa. Porque no meio de outros que entendem e sabe ele vai ficar perdido. Os outros entendem muito bem e ele não. Ele tinha que estar numa escola onde tem meninos iguais a ele. E 4 - 32 anos A minha opinião era que teria que ter uma professora mais capacitada e que fosse dada essa aula assim... Individual. Vamos supor: se tem dois, três alunos com deficiência, então ia pegar aqueles três e aquela professora que tava habilitada pra ensinar a eles (...). Em sala separada. E 5- 48 anos Quer dizer, fica muito difícil para gente trabalhar. Então, o que deveria acontecer era a inclusão

de uma sala especial, com pessoas especializadas para dar aula a esses meninos (...) Porque atrapalha a aula (...). Quer dizer, deveria ter pessoas especializadas ou escola especial, acompanhamento de psicólogo, etc. Para ajudar. A minha opinião é essa, porque não tem rendimento, nem deixa os outros ter. É uma coisa que atrapalha (...). Se chegasse a própria empresa, a prefeitura ou o pessoal que administra pra chegar a essa conclusão de incluir uma sala no colégio para que professores capacitados, especializados naquela área que entendesse mesmo aquilo ali, aquele problema ali e dar aulas pra eles. Como agente vê em outros órgãos como a FUNAD e etc. Eu não tenho esse conhecimento nem esse preparo pra dar aula a esses meninos.

E 6- 50 anos Eu acho que essas pessoas com deficiência é pra elas ter uma pessoa, assim, exclusivamente pra elas. Pra cuidar dessas pessoas que tem esses problemas. Por exemplo: a minha mesmo, eu me encontro assim (...) muito difícil de trabalhar com ela por conta que tem momento que ela tá agressiva.

E 7- 47 anos Eu acho difícil. Pela quantidade de alunos agente fica com muita dificuldade pra trabalhar com essa criança.

Como podemos constatar nas falas apresentadas, as ideias sobre a inclusão da pessoa com deficiência em escola regular assumem que esses sujeitos demandam espaço físico, atendimento, profissionais e recursos educacionais específicos para o desenvolvimento de suas habilidades e aprendizagem. Além desses apontamentos, está muito forte nas falas das entrevistadas a idéia de que essas crianças são agressivas, nervosas, problemáticas e, por conseguinte, não conseguem se desenvolver em função da deficiência, além de comprometer o desenvolvimento dos outros alunos. Desse modo, as professoras apontam como caminhos possíveis para a educação das pessoas com deficiência a criação de espaços, salas específicas para o atendimento desses alunos ou instituições especializadas, e a formação de profissionais.

Mediante o discurso das professoras, percebemos um grande entrave para a efetivação da inclusão: a classificação dos alunos com deficiência, ou seja, a marcação da diferença (WOODWARD, 2008). Conforme visto, a identidade da criança com deficiência é definida negativamente em relação à identidade dos alunos considerados “normais”. E essa postura pode ser considerada como processo classificatório, pois a mesma divide, ordena e hierarquiza os alunos em grupos.

É central na fala das professoras o enfoque na deficiência, nas características físicas, intelectuais, psicológicas dos alunos, em contrapartida, não se colocam os problemas estruturais que engendram a educação e a escola. Esse pensamento reforça a idéia de que o grande problema da inclusão dos alunos com deficiência nas escolas regulares é exclusivamente dos alunos.

Para Skliar (2003), essa culpabilização das pessoas com deficiência é um traço característico da exclusão. Ele explica que dentro do processo de exclusão é muito comum atribuir o fracasso, a carência, ao indivíduo, sugerindo a ideia de que este não possui os atributos fundamentais para a convivência no lar, na escola, no trabalho.

Neste sentido, observamos como a fala das professoras está envolvida pelo poder da representação da identidade e diferença que se coloca na sociedade moderna, o qual demarca o lugar das pessoas, define quem é incluído e quem é excluído, quem é normal e

quem é anormal, quem consegue se adaptar à escola e quem não consegue. Vale salientar que essa não é uma postura unicamente dos professores, afinal, a escola de modo geral tem mantido essa relação de poder através do currículo, das avaliações, etc., reproduzindo um modelo de sociedade uniforme e padronizada (DORZIAT, 2006).

Reconhecemos que a promoção de uma educação destinada às pessoas com deficiência em escolas regulares requer um trabalho específico, mas, não desconsideramos a idéia de que estas pessoas podem e devem estar em salas comuns, em turmas comuns, desde que a escola possa oferecer as condições necessárias para a sua educação. Do mesmo modo, pensamos que o foco da inclusão não deve ser direcionado às pessoas com deficiência e suas características particulares, mas ao modelo de escola, currículo e práticas de ensino que temos.