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Na história das lutas políticas da classe trabalhadora, a participação política das mulheres trabalhadoras rurais pode ser identificada em diversos momentos. A partir da década de 1960, a expansão do capital no campo acentuou o processo de expropriação e violência desencadeados sobre as mais diversas categorias de trabalhadores rurais. As conseqüências desse novo contexto interferiram no cotidiano da mulher trabalhadora rural, impulsionando-a a enfrentar junto com seu marido e filhos na defesa da terra e da sobrevivência da família. Dessa forma, pode-se encontrar a participação das mulheres trabalhadoras rurais na luta pela terra e pelo desenvolvimento da agricultura; na luta pelos direitos sociais, políticos, econômicos e civis; na luta pelo seu reconhecimento e valorização na sociedade.

De acordo com Demo (2001) entende-se por participação uma gradual e infindável conquista, em constante vir-a-ser sempre se fazendo. É, em essência, autopromoção e uma conquista processual. Segundo Demo (2001, p. 18) a participação não pode ser entendida como dádiva, concessão ou algo preexistente.

Não pode ser entendida como dádiva porque não seria produto da conquista, nem realizaria o fenômeno fundamental da autopromoção; seria de todos os modos uma participação tutelada e vigente na medida das boas graças do doador, que delimita o espaço permitido. Não pode ser entendida como concessão, porque não é fenômeno residual ou secundário da política social, mas um dos seus eixos fundamentais; seria apenas um expediente para obnubilar o caráter de conquista, ou de esconder, no lado dos dominantes, a necessidade de ceder. Não pode ser entendida como algo preexistente, porque o espaço de participação não cai do céu por descuido, nem é o passo primeiro.

Dessa forma, pode-se afirmar que as conquistas das mulheres trabalhadoras rurais são fruto de uma ampla participação, com vista a reconstruir, juntamente com outros atores sociais, a sociedade brasileira. É uma participação que se revela nos grupos de base, nas lutas, nos movimentos sociais, nos sindicatos, nas organizações comunitárias, nas pastorais religiosas, no espaço doméstico.

De acordo com Dallari (1994), ao analisar a participação política das pessoas na sociedade brasileira, ressalta que o primeiro passo para a efetivação da participação política está na mudança da consciência de cada um. Dado esse passo, está aberta a plena participação, pois a pessoa conscientizada não fica indiferente às injustiças e aos obstáculos que se apresentam na realidade. A partir daí, a participação se torna coletiva, concretizando-se na observação da realidade, na definição de valores e objetivos, bem como na escolha do modo e do lugar de atuação.

Em caráter estritamente individual, cada um pode participar falando, escrevendo, discutindo, denunciando, cobrando responsabilidades, encorajando os tímidos e indecisos, aproveitando todas as oportunidades para acordar as consciências adormecidas. Isso pode ser feito em casa, no lugar de trabalho, na

escola, no clube, nas reuniões de amigos, nos veículos de transporte coletivo e em qualquer outra circunstância em que as pessoas possam conversar [...] A participação coletiva se dá por meio da integração em qualquer grupo social. As formas e as finalidades imediatas das associações são infinitas. Basta um pequeno grupo de pessoas, com algum objetivo definido e a disposição de trabalharem continuamente em busca de objetivo, para se ter uma associação. (DALLARI, 1994, p. 43-44)

A consciência coletiva se desenvolve quando as pessoas se tornam parte de um grupo ou classe social e são levadas pelas circunstâncias a lutarem e se organizarem em função de objetivos específicos. É nesse processo que surge a possibilidade da construção de sujeitos políticos coletivos.

Ao analisar a participação das mulheres trabalhadoras rurais, percebe-se sua inserção individual e coletiva na realidade do campo, a partir das desigualdades sociais e da negação dos seus direitos, desde o direito à terra e às condições de trabalho, entre outros. Muitas foram às mulheres que se mobilizaram em torno da defesa de seus direitos e de suas famílias. Um processo de participação vivenciado pelo conjunto de famílias camponesas, ao longo da história.

Os registros históricos revelaram que a participação das mulheres trabalhadoras rurais no Nordeste ocorreu a partir de lutas diversas sem caráter de movimento de mulheres. Por exemplo, durante o regime de escravidão, várias foram às mulheres negras que lutaram pela libertação do seu povo e comandaram rebeliões em diversas partes do Nordeste. É representativa a bravura de Ana:

Ana liderou uma revolta de escravos, ocorrida em uma fazenda no interior do Ceará, no ano de 1835, e que levou a fuga de todos os cativos, à morte dos escravos da casa, dos feitores e do proprietário, o fazendeiro português Francisco Antônio de Carvalho, conhecido como Marinheiro Chico [...] A revolta teve início com a indignação dos escravos da senzala pelos violentos castigos impostos a uma escrava velha, benquista por cuidar dos enfermos. Uma viagem de Francisco Carvalho propiciou a oportunidade para o levante dos escravos, liderados por Tia Ana – como todos a chamavam. Uma noite quando os capangas dormiam no alpendre da casa grande e os escravos da casa no seu interior, os da senzala tomaram de assalto a residência, matando todos os que encontraram e ateando fogo na propriedade. (SHUMAHER, 2000, p.46)

A história de outras mulheres também é emblemática para resgatar a memória da participação política das mulheres trabalhadoras rurais nas mais diversas conjunturas do País, em diferentes momentos históricos. Outro exemplo é a figura de Ana de Alencar Araripe, que, ao lado do marido, liderou a Revolução de 1817, insurreição que começou em Pernambuco e logo chegou a outras províncias nordestinas, realizada por vários setores da sociedade insatisfeitos com a situação econômica, política e social.

Em março de 1817, os revoltosos reagiram à prisão de vários liberais, formando um governo revolucionário que enviou às câmaras das comarcas uma nova lei orgânica, abolindo os impostos recém-instituídos por D. João VI e implantando novos costumes, próprios ao sistema republicano. Com a repressão aos rebeldes, Ana de Alencar Araripe foi levada presa para Fortaleza, juntamente com seu marido, sendo libertada anos depois. Em 1824, eclodiu em Pernambuco, estendendo-se até a Paraíba, o Rio Grande do Norte e o Ceará, a Confederação do Equador, segunda tentativa de insurreição regional visando à autonomia e a instalação de um regime republicano no Nordeste. Ela estava sempre presente onde aconteciam os combates, ora instalando-se nos acampamentos de guerra, ora refugiando-se em casa de amigos e parentes próximos ao cenário dos conflitos. (SHUMAHER, 2000, p.50-51)

A história de outras mulheres também é típica para resgatar a memória da participação política das mulheres trabalhadoras rurais nas mais diversas conjunturas do País, diferentes momentos históricos. Muitas outras lideranças femininas marcaram as lutas do campo no decorrer da história, mas foi a partir das décadas de 1950 e 1960 que as mulheres emergiram de forma mais presente no movimento das Ligas Camponesas6. Ressalta-se a trabalhadora rural Elizabeth Teixeira, esposa de João Pedro Teixeira, líder das Ligas Camponesas, que junto com o marido mobilizou e organizou a Liga Camponesa de Sapé, na Paraíba. Após o assassinato de seu marido em 1962, Elizabeth assumiu a liderança das Ligas, “tornando-se um símbolo de resistência dos trabalhadores rurais, dos anos 1960 no Nordeste do Brasil”. (SHUMAHER, 2000, p.190)

6 As Ligas Camponesas foi o movimento mais forte dos trabalhadores/as rurais das décadas de 50 e 60, que traduz a

luta por uma reforma agrária ampla e massiva, recebendo o apoio político do PCB e teve como protagonista mais conhecido, o advogado Francisco Julião, do PSB. Para maior conhecimento e aprofundamento sobre as Ligas Camponesas ver Medeiros (1983), Azevedo (1982), Bastos (1984) e Julião (1974).

Na década de 1970, duas outras trabalhadoras rurais se destacaram nas lutas do campo na Paraíba, Maria da Penha Nascimento Silva e Margarida Maria Alves.

Penha nasceu em 1949 em alagoa Grande/PB. Sua trajetória política teve início em 1972 no sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande, que tinha Margarida Maria Alves como presidente. Margarida, que se sentia muito sozinha como mulher na atuação sindical, convidou Penha para a luta. Em 1980, participou da reunião nacional para a criação da Central Única dos Trabalhadores – CUT/PB, da qual foi também dirigente. Durante sua trajetória, Penha surpreendia os que a conheciam por sua sensibilidade e aguçada compreensão das lutas de classe e especialmente da situação das mulheres trabalhadoras rurais. Morreu em 15 de março de 1991, num acidente automobilístico, juntamente com Beth Lobo. (SHUMAHER, 2000, p.190)

Margarida Maria Alves era presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande/PB, região canavieira da Paraíba [...] Margarida destacou-se como liderança dos trabalhadores rurais na luta pelos direitos sociais, alguns já conquistados pelos trabalhadores urbanos. Lutou pelo registro do trabalho em carteira, pela jornada de oito horas de trabalho, 13º salário, férias, repouso remunerado. Seu empenho na organização dos camponeses vinha se desenvolvendo há 12 anos, e ela já havia feito muitas denúncias contra os proprietários rurais locais. Numa delas, moveu um processo contra o filho de um fazendeiro que havia espancado uma moradora de suas terras, velha e paralítica [...] A dedicação e a coragem de Margarida na mobilização dos trabalhadores rurais do Brejo Paraibano repercutiram na CONTAG e em mais de 32 sindicatos rurais. Seu exemplo possibilitou o início de poderosa campanha salarial e a reivindicação de dois hectares de terras para as famílias dos trabalhadores rurais plantarem roças de subsistência [...] Margarida foi assassinada por pistoleiro a mando de latifundiários. Sua morte provocou inúmeras manifestações dos trabalhadores rurais e de grupos de mulheres do Brasil, em protesto contra a impunidade dos senhores de terra nos atos criminosos que cometem na defesa do sistema latifundiário. (SHUMAHER, 2000, p.361)

Chamam a atenção os desdobramentos reais e simbólicos daí decorrentes, originando outras lutas sociais, a exemplo da Marcha das Margaridas, empreendidas anualmente sob a direção da CONTAG, das federações estaduais e da Articulação Nacional de Mulheres Trabalhadoras Rurais. Nas lutas sociais do campo, as mulheres participam, enfrentando todas as formas de violências, exercidas pelos latifundiários, ao lado de seus maridos e de suas famílias. A partir dessa inserção nas lutas, as mulheres trabalhadoras rurais descobrem sua invisibilidade

política. Descobrem que além das desigualdades sofridas por pertencerem a uma classe, sofrem a desigualdade de gênero, portanto é preciso lutar pelo direito de ser cidadã com as mesmas oportunidades que o homem, afirmando a importância da sua organização específica.

A organização das mulheres trabalhadoras rurais ocorreu, num primeiro momento, em pequenos grupos para discutir seus problemas e dificuldades, sendo também uma oportunidade de troca de experiências, de construção de vínculos de afetividade, solidariedade e de formação política, através das representantes dos sindicatos de trabalhadores rurais, das associações e de outras formas de mobilização.

Num estágio posterior, especialmente a partir de meados dos anos 1980, esses grupos se articularam, desembocando na organização do Movimento de Mulheres Trabalhadoras Rurais do Nordeste – MMTR-NE7, iniciado da interação de duas micro-regiões: Sertão Central de

Pernambuco e Brejo Paraibano e se expandindo para outros estados nordestinos na década de 1980. Na mesma época, as mulheres que estavam presentes nos movimentos de pequenos agricultores, sem terra, expropriados por ações de grileiros e atingidos por barragens na região sul do Brasil, mobilizaram e organizaram a Articulação das Instâncias das Mulheres Trabalhadoras Rurais da Região Sul – AIMTR-SUL. O MMTR-NE e a AIMTR-SUL se originaram quando as mulheres iniciam sua participação política na luta pela terra, nos sindicatos rurais, nas associações comunitárias e, finalmente, em movimentos autônomos, discutindo um “novo jeito de organizar a sociedade, onde as mulheres tenham vez e voz”.8

7 O MMTR-NE surge no Sertão Central de Pernambuco através da organização de mulheres trabalhadoras rurais que

participaram de lutas por terra no início da década de l980. A partir da organização de grupos de base, elas se firmaram nos espaços públicos e organizaram o movimento. A história do MMTR inicia na década de 1980, quando em vários estados eclodiam conflitos de terra, ao mesmo tempo em que a problemática da mulher nas lutas do campo ganhava destaque. Começaram a discutir os problemas que as mulheres enfrentam, enquanto trabalhadoras, a sua identidade e como a articulação entre elas poderia ajudá-las a ocupar o seu espaço. Com as contribuições dos debates sobre gênero, introduziram-se novas preocupações, como a necessidade de repensar os papéis masculinos e femininos e dar visibilidade ao trabalho das mulheres.

Nesse contexto, as mulheres trabalhadoras rurais protagonizaram a organização dos movimentos de mulheres trabalhadoras rurais do Sul e do Nordeste em um cenário de lutas de classe e construção de novos espaços de participação e lutas. Os dois movimentos surgiram da participação das mulheres nas lutas do campo e, de forma específica, de acordo com as características de cada realidade. No Nordeste, a participação foi desencadeada a partir dos conflitos agrários, das lutas dos/as assalariadas rurais da cana de açúcar e da participação nos sindicatos rurais.

Daron, Kroth e Rubenich (2003), ao analisarem a trajetória histórica dos movimentos de mulheres trabalhadoras rurais, ressaltaram quatro momentos relevantes. No primeiro momento, deu-se a construção e organização autônoma das mulheres com a luta pela valorização e participação das mulheres trabalhadoras rurais nos vários espaços da sociedade, o que marcou especialmente a década de 1980.

No segundo momento, houve a afirmação dos movimentos de mulheres trabalhadoras rurais e/ou de agricultoras com intensas lutas e mobilizações na busca do reconhecimento da profissão e do acesso a direitos sociais e previdenciários, marcando a trajetória da luta feminina no campo no final dos anos 1980, no processo Constituinte até a metade da década de 1990.

No terceiro momento, a partir de meados dos anos 1990, destacou-se o fortalecimento dos movimentos de mulheres trabalhadoras rurais nos vários estados do Brasil. A construção da Articulação Nacional das Mulheres Trabalhadoras Rurais, envolvendo as mulheres dos vários movimentos e organizações camponesas, com a intensificação da luta pela consolidação dos direitos, o desenvolvimento da mulher aliado à mudança das relações sociais de gênero e classe na sociedade, vêm se destacando a partir da metade da década de 1990 até hoje.

E por fim, a unificação dos movimentos autônomos com o fortalecimento da luta e da organização em âmbito nacional, que tem como base as seguintes questões: um novo projeto para

a agricultura na lógica da agroecologia, a produção de alimentos mais saudáveis, as plantas medicinais como fonte de vida, saúde e soberania, o combate aos transgênicos e agrotóxicos; a mulher como protagonista e a mudança das relações sociais de gênero e de classe. A valorização e construção da identidade de libertação das mulheres estão inseridas no processo organizativo, de luta, de formação e de implementação de experiências de resistência ao neoliberalismo, sendo sinais de construção de um novo projeto de desenvolvimento para o Brasil.

É durante a década de 1980 que os movimentos autônomos de mulheres se proliferaram nos estados. O primeiro encontro nacional de mulheres trabalhadoras rurais ocorreu em 1986, em Baurueri (SP), apoiado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), com o objetivo de criar uma articulação nacional, do qual participaram 16 estados, entre eles o Rio Grande do Norte, através da educadora do Serviço de Assistência Rural - SAR, Marilene da Silva Gomes e duas trabalhadoras rurais (Maurilia, do Município de São Rafael e Maria das Dores Baracho, do Município de Touros). Na ocasião foi decidido que os esforços deveriam se concentrar na organização e no fortalecimento dos movimentos estaduais e nos sindicatos e federações de trabalhadores rurais. Acredita-se que esse encontro de São Paulo foi fundamental para gestar o Movimento de Mulheres Trabalhadoras Rurais do Nordeste (MMTR-NE), o qual, no ano seguinte (1987), realizou o I ENCONTRO DO MMTR-NE, na cidade de João Pessoa, com a participação de oito estados do Nordeste.

Em 1988 foi criada a Articulação das Instâncias das Mulheres Trabalhadoras Rurais da Região Sul (AIMTR-SUL), com a presença de cinco estados daquela região. Teve como principal objetivo criar um fórum de discussão do que seria considerado questões de mulheres, como saúde, sexualidade e o reconhecimento da profissão de mulher trabalhadora rural, entre outras. A AIMTR-SUL liderou campanhas sociais focalizando-se na profissão da trabalhadora rural. O Movimento de Mulheres Agrícolas (MMA), de Santa Catarina, por exemplo, liderou a campanha

em 1986, com 100 mil assinaturas de mulheres trabalhadoras rurais, a fim de colocar seus direitos na pauta constitucional, levando uma grande caravana até Brasília.

No Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a organização das trabalhadoras rurais se deu no final anos 1980, com a formação da Comissão Nacional de Mulheres do MST, que pressionou o movimento para criar grupos de mulheres nos acampamentos e assentamentos, como também a inclusão de diretrizes internas que contemplassem as especificidades das mulheres. Em 1989, o MST publicou a primeira edição de suas normas gerais, incluindo um capítulo sobre a articulação das mulheres.9 Em maio de 1996 realizou-se o I Encontro Nacional de Mulheres Militantes do MST que desembocou, em seguida, na fundação do Coletivo Nacional de Mulheres do MST. Esse coletivo publicou um documento, intitulado A Questão da Mulher no MST – Participando sem medo de ser mulher. Esse documento apontou claramente o direito das mulheres à terra e à participação em igualdade com os homens em associações e cooperativas. Em 1999, esse coletivo nacional aprofundou a questão das desigualdades de gênero no meio rural e reconstituiu a sua articulação nacional, que passou a se chamar Coletivo Nacional de Gênero.

No Movimento Sindical dos/as Trabalhadores/as Rurais (MSTR), a trajetória de lutas e conquistas das mulheres rurais retratadas nas resoluções dos congressos nacionais da categoria foram frutos de sua efetiva participação política. O enfrentamento das discriminações e da dependência levou as trabalhadoras rurais a romperem com as barreiras de um movimento exclusivamente masculino, onde o sindicato não é lugar de mulher. (CONFEDERAÇÃO

9 Nas normas do MST estão presentes, além de incentivar a participação das mulheres em todos os níveis, outros

objetivos são apresentados: a luta contra todas as formas de discriminação e contra o machismo; a organização de grupos de mulheres para criar um espaço para as mulheres discutirem seus próprios problemas específicos; encorajar a participação de mulheres em todas as formas de organização do MST, inclusive dentro do movimento sindical, onde as mulheres trabalhadoras rurais participam independentemente de suas posições de classe e organizar uma comissão de mulheres em nível nacional, responsável pelas políticas propostas para o movimento. (DEERE, 2004, p. 187)

NACIONAL DOS TRABALHADORES RURAIS NA AGRICULTURA, 2001, P.31). As primeiras iniciativas dessa organização se deram no Rio Grande do Sul e em Pernambuco, decorrentes das más condições de vida e das dificuldades das mulheres em obter os benefícios da Previdência Social e para ser incluídas nas frentes de trabalho nas áreas de seca. Durante a década de 1980, ainda predominava a visão de que a mulher era dependente do marido, companheiro ou pai, não sendo necessária sua sindicalização. As resoluções do 3º Congresso Nacional dos Trabalhadores Rurais (CNTR)10, realizado em 1979 e do 4º CNTR11, ocorrido em 1985, expressam a luta pelo reconhecimento da mulher trabalhadora rural como autônoma.

Seguindo o caminho organizativo, em 1987, em Florianópolis (SC), ocorreu o I Encontro Centro-Sul de Trabalhadoras Rurais, coordenado pela CONTAG, com a participação de 53 representantes dos estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Mesmo sendo um encontro regional, discutiu a organização das mulheres trabalhadoras rurais no movimento sindical, em âmbito nacional. Desse encontro nasceu a Comissão Provisória Nacional de Mulheres da CONTAG, que atuou no processo para Assembléia Constituinte, articulou e aglutinou forças políticas para consolidar a presença da mulher no sindicalismo rural. No ano seguinte, 1988, realizou-se o 1º Seminário Nacional de Trabalhadoras Rurais, que atuou com destaque no

10 As Resoluções do 3º CNTR apontaram o início da luta pelo reconhecimento político das trabalhadoras rurais e

suas reivindicações: defenderam a alteração na legislação então em vigor a fim de que fosse concedida aos trabalhadores rurais aposentadoria por velhice aos 55 anos, quando homem, e aos 50 anos quando mulher; que a