Ikinci Oturum
TFRS’YE UYUMLU FİNANSAL TABLOLARIN HAZIRLANMASI VE SUNUMU - TFRS 1 : TFRS’YE İLK
4. TFRS’DEKİ ÖNEMLİ DEĞERLEME ÖLÇÜLERİ
O adicional noturno é um direito social previsto pela CF/88 no inciso IX do seu art. 7º. Ela determina, de forma bem simples, que a “remuneração do trabalho noturno
deve ser superior à do diurno”.
A CLT traz, no seu art. 73, a regulamentação do dispositivo constitucional para os trabalhadores em geral, aduzindo no caput que a remuneração noturna será, no
mínimo, superior a diurna em 20%. O § 1º desse artigo estabelece ainda que a hora noturna seja considerada menor que a diurna, correspondendo à 52 (cinquenta e dois) minutos e 30 (trinta) segundos, enquanto o § 2º do mesmo dispositivo determina que o horário considerado noturno será o compreendido entre as 22 (vinte e duas) horas de um dia e as 5 (cinco) horas do dia seguinte.
Existe uma controvérsia grande, tanto na doutrina quanto na jurisprudência, acerca do fato de ser devido ou não o adicional noturno para o atleta profissional de futebol.
Aqueles que entendem ser devido o referido adicional argumentam, em primeiro plano, que o trabalho noturno sempre será mais desgastante que o diurno, causando, além de um maior distanciamento do seio familiar, uma maior probabilidade de ocorrência de acidentes de trabalho mais graves, uma vez que o período noturno é o momento em que o nosso cérebro, devido à própria biologia humana, começa a entrar em processo de relaxamento.
Defendendo essa corrente, Alice Monteiro de Barros (2008, p.127) explica que:
Segundo os especialistas em ergonomia, a razão pela qual se confere tratamento especial para o trabalho noturno em relação ao diurno reside no fato de que o primeiro ocasiona maior fadiga do que aquele realizado durante o dia, pois há uma coincidência entre a ativação biológica e o horário de trabalho e entre a desativação cerebral e o sono. Logo, quem trabalha em estado de desativação noturna desenvolve esforço maior para a execução do mesmo trabalho e, por outro lado, o sono, em estado de ativação cerebral, é menos reparador. Em conseqüência, surge a fadiga, que poderá gerar redução do rendimento profissional e aumento da gravidade de acidentes de trabalho. Na hipótese de a fadiga tornar-se crônica, provoca muitas vezes, enfermidade psicossomática, que se expressa por uma síndrome neurótica ou por uma úlcera no aparelho digestivo. [...]
Considerando que o esporte profissional, fundado na competição, é por demais desgastante, sob o aspecto físico e psíquico, entendemos recomendável a concessão do adicional noturno e a redução da respectiva hora, com aplicação supletiva do art. 73 da CLT, exatamente para desestimular a sua prática à noite e tutelar a saúde do atleta.
O outro argumento dos que defendem a concessão do adicional noturno gira em torno do fato da Lei Pelé não tratar especificamente do assunto, sendo possível, assim, segundo o § 4º do art. 28 da mesma lei, a aplicação subsidiária da CLT naquilo que não a contrariar. Ou seja, tendo em vista que a lei específica sobre o atleta não trata do tema, não existe nenhum óbice para a aplicação do art. 73 da CLT, uma vez que o atleta profissional não deixa de ser um tipo de trabalhador urbano.
Esse pensamento também é defendido por Sergio Pinto Martins (2011, p.85) da seguinte maneira:
É devido o adicional noturno ao atleta profissional. A Lei nº 9.615/98 é omissa sobre o assunto, porém o parágrafo 4º do artigo 28 da referida norma manda aplicar a CLT, no caso de omissão. Assim, é de se observar o artigo 73 da CLT que trata do adicional noturno de 20% e da hora noturna reduzida de 52 minutos e 30 segundos. [...]
Não existe incompatibilidade com a Lei nº 9.615/98, pois nenhum dispositivo desta lei trata de adicional noturno e hora noturna reduzida.
Em que pese o pensamento acima apresentado, existem aqueles que discordam da ideia de que o atleta profissional deve receber o adicional noturno.
A argumentação gira em torno de o jogador de futebol não ser um trabalhador comum. O seu ofício desportivo traz especificidades que fazem com que alguns institutos trabalhistas sejam aplicados de maneira diversa. Em outras palavras, a realização de partidas noturnas está intrinsecamente ligada à situação específica do atleta profissional.
Essa situação ocorre devido ao fato dos direitos de transmissão das partidas serem negociados, pela entidade organizadora do evento, com empresas televisivas.
A partir do momento que essas empresas adquirem o direito de transmissão das partidas de um campeonato, elas passam a ser detentoras do poder de determinar os horários de suas realizações, organizando-as de forma que possam, sem entrar em choque com a programação regular da emissora de TV, gerar o maior lucro possível alcançando uma grande quantidade de telespectadores. Devido a isso, alguns jogos são realizados em um período mais tarde da noite, chegando a iniciar ou acabar depois das 22 (vinte e duas) horas.
O clube empregador não tem nenhum interesse em colocar seus atletas em condições ruins para a prática desportiva, pois isso poderia acarretar lesões para os mesmos. Porém, a entidade desportiva não possui nenhum poder para tentar mudar o horário dos jogos noturnos, cabendo a ela somente cumprir, fazendo com que seus atletas estejam no horário determinado, aptos a cumprirem o ofício para o qual foram contratados.
Veiga e Sousa (2013, p. 105) afirmam que:
É indene de dúvidas que o empregador do atleta (o clube de futebol) não vai querer, nunca, que o seu atleta participe de jogos que varem a madrugada, aumentando o risco de graves lesões em razão da fadiga e de grandes esforços. Contudo, em determinadas situações, a participação de jogos após às 22 horas decorre de exigências das empresas que transmitem o espetáculo, não cabendo ao empregador alterar esta programação.É claro que para isso haverá uma
compensação remuneratória, devendo ser ressaltado que o atleta será exposto a um público considerável de telespectadores.
Os defensores dessa tese, afirmam ainda que os atletas profissionais possuem mais benefícios por jogar em um período noturno que diurno. O primeiro aspecto é o que partidas realizadas pela manhã, ou pela tarde, seriam muito mais desgastantes em termos físicos para o jogador, uma vez que, provavelmente, esses períodos coincidiriam com momentos em que o sol é muito mais quente e o clima é mais seco. Enquanto que, nas partidas noturnas, provavelmente, o clima seria mais ameno e a temperatura seria mais baixa.
O segundo aspecto a ser analisado gira em torno de que os jogadores de futebol terão sua atividade profissional muito mais apreciada, tanto por torcedores, quanto por outros clubes, em jogos realizados no período noturno. Caso os jogos, durante a semana, ocorressem mais pela manhã e pela tarde, menos torcedores teriam possibilidades de acompanhar os clubes e seus jogadores em atividade. Isso acarretaria em um enorme prejuízo econômico para as agremiações esportivas, uma vez que teriam menos público nos estádios.
Fábio Menezes de Sá Filho (2010, p. 90) leciona da seguinte maneira:
As vantagens são múltiplas ao atleta profissional que disputa uma partida exibida na televisão aberta, a exemplo do horário das quartas-feiras. É a sua imagem que está sendo divulgada para o mundo. Além disso, é dessa forma que patrocinadores, torcedores e apaixonados pelo futebol têm a possibilidade de assistir à atuação de determinado futebolista. Da mesma forma, tem benefícios por jogar à noite. É mais salutar para um profissional atuar nesse período, a ter de enfrentar os seus adversários em horários matutinos e vespertinos. O desgaste seria maior.
Apesar dos argumentos expostos pelos doutrinadores que defendem que é devido o referido adicional, acredita-se ser mais salutar a não incidência para o futebolista profissional. Isso decorre da especificidade da atividade desse profissional que exige a participação em campeonatos profissionais que, em muitas vezes, possuem partidas realizadas em período noturno.
Essas partidas trazem, na maioria dos casos, benefícios para os atletas em relação à visibilidade, uma vez que as partidas serão mais acompanhadas por telespectadores e torcedores, e em relação às condições climáticas.
É importante ressaltar ainda que o período considerado noturno para efeito de percepção de adicional é entre as 22:00 horas de um dia e as 5:00 horas do dia seguinte em se tratando de trabalhadores urbanos. Por isso, como são poucas as partidas que se
iniciam ou acabam depois das 22:00 horas, a maioria das partidas de um campeonato são realizadas em horários que não se enquadram no referido intervalo, fazendo com que essa situação, determinada pela emissora televisiva, seja completamente excepcional.