2.4. SINIR DIġI ETME KARARI VE UYGULANMASI
2.4.1. Sınır DıĢı Etme Kararını Almaya Yetkili Makam
2.4.2.3. Sınır DıĢı Edilecek Yabancıların Ġdari Gözetim Altına Alınmaları
2.4.2.3.1. YUKK Öncesi Dönemde Ġdari Gözetim
Folheando recentemente um livro que adquirimos para nosso filho de 7 anos, intitulado “A gente pode”113, refletíamos sobre a idéia de ter uma idade ou de pertencer a uma idade. Ter uma idade significa ter que se adequar a um conjunto de procedimentos que podemos ou não podemos ter. Essa adequação, assim como a categoria juventude, foi construída socialmente. Essa construção não foi feita pelas crianças, nem pelos jovens, nem pelos idosos, assim como nas demais construções histórico-sociais. Seu desenho foi “inventado” pelos adultos. Nessa perspectiva, a partir da construção da categoria idade, a vida
113
Nesta obra, as autoras trabalham com as idéias de que crianças de 7 e 8 anos de idade elaboraram sobre o que se pode e o que não se pode fazer com a idade que se tem. RAMOS, Anna Claudia e RAQUEL, Ana. A gente pode. São Paulo: DCL Difusão Cultural do Livro, 2002.
passa a ser ordenada por idades: a idade escolar que perpassa um terço ou mais de nossas vidas; a idade da rebeldia comumente associada à juventude, principalmente na sua “fase inicial”114, a adolescência; a idade adulta, geralmente proposta como parâmetro de comportamento a ser alcançado pelos jovens, e outras idades. Ocorre que, sendo construída nessa perspectiva, a concepção de idade não favorece a compreensão de que, ao atravessá-la, o sujeito leva consigo as experiências, as vivências e as construções conceituais que elaborou durante cada uma e todas as idades anteriores ou simultâneas. A segmentação da vida, em diversas idades, resulta de um complexo de construção social e, portanto, de modificação, ao longo do tempo.
Segundo TENTI FANFANI (2000),
“Nem todos os que têm a mesma idade participam da mesma ‘classe de idade’, já que nem todos os coetâneos compartilham as mesmas características e experiências vitais (formar família, trabalhar, ter independência econômica, estudar, etc.)”. (p. 6) E o mesmo sociólogo completa:
Podia-se perguntar o que tem em comum as 400.000 meninas brasileiras que trabalham no serviço doméstico com suas coetâneas das classes médias e alta que estudam, dispõe de tempo livre, têm determinados níveis e qualidade de consumo cultural, etc. (p. 17)
Quando usado para agrupar as pessoas, o critério da idade deixa marcado seu caráter transitório. É como se a infância, a adolescência e a juventude fossem etapas anteriores para se alcançar a estabilidade da idade adulta. Ora, a sociedade atual é marcada pela transitoriedade e, se a incerteza, a mobilidade e a necessidade de estar aberto a mudanças já caracterizou a juventude, hoje é aspecto integrante das características também da idade adulta.
Pode-se afirmar, que a juventude apresenta maior facilidade para se adaptar à velocidade das mudanças da sociedade atual, quer estejam estas afetas ao uso e ao domínio de novas tecnologias, quer se trate de aderir a novas profissões. Pode-se afirmar, também que, atualmente, não se pode conferir a profissionais que ocupam determinadas funções já há décadas e
114
Segundo MELUCCI (1997, p.10), a adolescência é a fase inicial da juventude. Sendo assim, essa seria então a fase desse momento do desenvolvimento humano na qual o tempo começa a ser encarado como uma dimensão significativa e contraditória da identidade do sujeito. É ainda esse autor quem afirma que “não há dúvida que, se a experiência do envelhecimento está sempre relacionada com o tempo, é durante a adolescência que essa relação se torna consciente e assume conotações emocionais” (MELUCCI, 1997, p. 8).
pretendem mudar de área de atuação, a marca juvenil, pois tais profissionais têm 40-50 anos de idade. Essa situação pode ser causada por readequações do mundo do trabalho e podem ser motivadas pelas mudanças no funcionamento e na lógica da economia local e mundial. Isso leva também, e cada vez com maior incidência, à mudança de localidade de residência, à adaptação aos meios de transporte ou de comunicação, e à reversão de decisões e de escolhas feitas há décadas.
Pensar uma definição de juventude substanciada numa concepção que a reconheça como momento do desenvolvimento humano, atravessado por sujeitos de direitos, encontra desafios. Um deles é estabelecer uma faixa etária compreendida nesse momento. Se o limite inferior dessa definição considerar apenas o desenvolvimento das funções reprodutivas, esbarraremos num problema devido à ocorrência, cada vez mais precoce, do início da puberdade que tem nas meninas o aparecimento da menarca ocorrendo por volta dos 10 anos, desde a década de 1940.
Ora, aos 10 anos, tratamos de crianças, conforme definição da Lei 8.069/90, o ECA, para o qual a pessoa humana entre os 0 e os 12 anos de idade é criança. Por outro lado, se o limite superior da definição de juventude considerar a conclusão da escolarização, a entrada no mercado de trabalho, o casamento, a constituição de novo núcleo familiar, esbarraremos em outros problemas.
Margulis (1996), discutindo moratória social, diz que essa categoria merece destaque por explicar, com propriedade, questões sociais da juventude das classes médias e da classe alta. Os jovens dessas classes sociais dependem de recursos financeiros e de tempo para viver um período prolongado com isenção das responsabilidades. Esses recursos são proporcionados pela família, e são dedicados a estudos e a formação para o mercado de trabalho. Portanto, moratória social é uma especificidade afeita a jovens de classes sociais médias e altas nas quais as famílias têm a possibilidade de oferecer escolarização prolongada e de retardar o ingresso em situações da vida adulta, tais como o casamento e o trabalho. Os jovens de que tratamos em nossa pesquisa são jovens pobres e, portanto, não se beneficiam da moratória social, nesse aspecto.
Portanto, para alguns jovens, a juventude pode se estender até os 29 anos115 e, com isso, uma parte desses jovens vem postergando a saída da casa dos pais. Houve situações na História em que a duração da travessia, pelo momento da juventude, foi reduzida ou ampliada e, certamente, o pertencimento social influiu na retração ou no prolongamento dessa travessia. Existem ainda as situações nas quais os jovens podem ser emancipados. Até mesmo este termo, encontrado nos marcos legais, traduz a concepção de juventude ideal socialmente construída em cada momento histórico. Ao dizer que o jovem deva ser emancipado por concessão do adulto responsável legal, a legislação116 transpira uma compreensão de juventude como condição inacabada e, portanto, dependente. Transpira, também, uma concepção de adultez como condição plena do desenvolvimento humano capaz de tutelar, isto é, de proteger e amparar o jovem e ainda de se auto-garantir.
Neste estudo, trabalhamos com jovens pobres e, como a estes não está facultada a moratória social, utilizaremos aqui como critério o somatório de duas definições etárias para as juventudes. À consideração da Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas – ONU – que, em 1985, por ocasião do Ano Internacional da Juventude, delimitou este momento do desenvolvimento humano entre os 15 e os 24 anos, acresceremos a compreensão de adolescência, sugerida por Melucci (1997, p. 8) como inauguradora da juventude e constituinte de sua fase inicial, sendo parte integrante desse critério definidor da faixa etária da juventude. Então, nesta pesquisa, compreenderemos juventude como o momento do desenvolvimento humano que abarca as idades entre os 14117 e os 24 anos de idade, sendo um momento desenhado por especificidades e já complementar à infância. Esse momento é atravessado por sujeitos de direitos que diferem em suas vivências e nas construções que resultam delas, criando a diversidade das juventudes.
Como qualquer outra definição, esta é uma definição arbitrária de juventude. Será utilizada para este trabalho e foi moldada pautada em nossas
115
Ao leitor interessado, sugerimos consulta ao site da Câmara dos Deputados e a busca por dados do PL 4530/2004, em andamento.
116
Exemplo disso pode ser encontrado na leitura da Lei n. 10.406/02 que trata da necessidade de emancipação do jovem para a plenitude da prática de atos civis, a saber: firmar contratos, ter conta bancária, casar, constituir sociedade e outros, por ambos os pais ou por um deles, na ausência do outro.
117
Na pesquisa de campo localizamos número significativo de estudantes no ensino noturno com 14 anos de idade. E, embora muitos deles tenham chegado a este turno escolar aos 13 anos, trabalharemos neste texto com a idade inicial de 14 anos.
vivências e em nosso olhar sobre os jovens com os quais partilhamos experiências. Esse olhar objetiva pautar-se pela positividade da leitura da juventude e nos ajuda a construir argumentos para a defesa daquilo em que acreditamos e em que aprendemos a acreditar. Esse aprendizado construiu-se a partir da análise de nossas vivências e a partir daquilo em que a análise das vivências, das experiências e das construções dos jovens com os quais convivemos ensinou-nos a acreditar. Portanto, nossa definição de juventude pauta-se na importância da defesa da construção de uma ótica positiva sobre a juventude e sobre os jovens que a vivem.
Reconhece-se, então, que a juventude compreendida entre os 14 e os 24 anos de idade tem diferenças bastante profundas que vão desde a heterogeneidade, dentro do próprio grupo, até as suas inúmeras variáveis, por exemplo, racial, de classe social, de gênero, de maternidade e paternidade, de escolarização, de localidade, de religiosidade, etária, entre outras. Daí o recorte na faixa etária com a qual trabalharemos a juventude, pautar-se na categoria estudantes, na especificidade do ensino noturno. Portanto, falamos de jovens de 14 a 24 anos pela definição que construímos. Em algumas situações deste texto falaremos de jovens de 13 a 24 anos, pela situação que encontramos nessa pesquisa, no ensino noturno da Rede Municipal de Educação em Belo Horizonte.